POLICARO, ALBERTO

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Nome: POLICARO, Alberto
Nome Completo: POLICARO, ALBERTO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
POLICARO, ALBERTO

POLICARO, Alberto

*pres. Bco. Bras. 1990-1991.

 

Alberto Policaro nasceu em Piraju (SP) no dia 14 de novembro de 1936, filho de Máximo Policaro e de Zenaide Tonini Policaro.

Concluiu o primeiro e o segundo graus no Colégio Estadual e Escola Normal Coronel Nhonhô Braga, em sua cidade natal.

Iniciou carreira no Banco do Brasil, na agência de Maracaju (MS), através de concurso público, no ano de 1955. Trabalhou em Mato Grosso, Paraná e São Paulo, ocupando diversos cargos de gerência. Tomou várias iniciativas ao longo de sua trajetória no Banco do Brasil. Foi precursor dos financiamentos de preços mínimos no estado de Mato Grosso e responsável pelos estudos para concessão de financiamentos com a finalidade de manter a estabilidade do preço da hortelã. Fez o primeiro financiamento do Banco do Brasil para um estabelecimento de ensino superior, a Universidade de Mogi das Cruzes (SP), em 1974, e coordenou os estudos para criação de uma linha de crédito destinada a atender produtores prejudicados com a geada de 1975. Nesse mesmo ano bacharelou-se em direito pela Faculdade de Direito Brás Cubas, em São Paulo.

Superintendente regional de operações para o estado de São Paulo entre 1979 e 1986, foi vice-presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil e vice-presidente de operações no país até 1987. Aposentou-se em 1988. Em 20 de março de 1990, cinco dias depois da posse de Fernando Collor de Melo na presidência da República, tomou posse no cargo de presidente do Banco do Brasil, em substituição a Mário Berard. Na ocasião, assumiu o compromisso de manter a instituição livre das pressões políticas e reativar o papel do banco no apoio ao setor rural.

Em janeiro de 1991 ganhou notoriedade ao expulsar de seu gabinete alguns deputados que tentavam convencê-lo a cortar parte da lista do plano para o fechamento de agências do Banco do Brasil. Em abril, baseando-se na escassez de recursos para créditos bancários, manifestou-se contra a proposta de refinanciamento da dívida dos usineiros elaborada pela comissão interministerial presidida por Pedro Robério de Melo Nogueira — indicado diretamente pelo presidente Fernando Collor para a gestão do setor sucroalcooleiro na Secretaria de Desenvolvimento da Presidência.

Como parte da política de enxugamento e agilização da máquina burocrática do governo, reduziu os pontos de atendimento do banco em todo o país, de 5,9 mil para 4,6 mil, bem como o corpo de funcionários de 138 mil para 121 mil. Na ocasião, enfrentou boatos acerca da sua demissão após ter sido criticado pela ministra da Economia Zélia Cardoso de Melo, que o acusou de “falta de cintura política”. Ainda em abril, assinou um convênio com a Associação Brasileira de Indústria de Computadores e Periféricos e com a Associação Brasileira de Processos e de Automação Industrial, disponibilizando um novo fundo de financiamento para empresas interessadas em comprar equipamentos de informática produzidos no Brasil. Em maio de 1991 entregou à ministra Zélia Cardoso de Melo a sua carta de demissão, sendo substituído por Lafaiete Coutinho na presidência do Banco do Brasil.

Em agosto, depôs na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigava a situação do Banco do Brasil. No depoimento, assumiu a responsabilidade pelo pagamento integral da dívida de 71 milhões de dólares da Cooperativa de Produtores de Cana de Alagoas, justificando que o banco teve que honrar o compromisso por ter sido avalista desta dívida. Ainda em agosto, depôs na CPI que investigava a venda da Viação Aérea São Paulo (VASP) ao empresário Wagner Canhedo. A CPI queria saber se houvera pressões políticas para a autorização do refinanciamento da dívida da empresa com o governo federal. Em outubro, foi indiciado pela Polícia Federal, acusado de crime contra o sistema financeiro por ter concordado com o refinanciamento da dívida da VASP e ter favorecido uma empresa privada com vantagens pertinentes apenas a empresas públicas. Policaro defendeu-se, afirmando que apenas cumpria determinações do Ministério da Economia, então comandado por Zélia Cardoso de Melo.

Em fevereiro de 1993 — após, portanto, o afastamento de Collor da presidência, por corrupção, e sua substituição no cargo por Itamar Franco — conseguiu evitar seu indiciamento pela Polícia Federal como suspeito de contribuir com o esquema de corrupção montado por Paulo César Farias, tesoureiro da campanha eleitoral do ex-presidente, ao entregar à polícia documentos comprovando que, em março de 1991, o banco não patrocinara a segunda etapa da Copa Davis de Tênis promovida pela Match Point e pela Nesc, por motivos técnicos. Segundo Policaro, como o Banco do Brasil julgou não ter havido o retorno mercadológico esperado ao patrocinar a primeira fase da competição, decidiu retirar o patrocínio. O dono da Match Point, Esdras Silvestre Costa, denunciou à Polícia Federal que perdera o patrocínio porque se recusara a pagar comissão de 60% do valor do contrato, exigida pelo sócio de Farias, Jorge Bandeira.

Ao deixar a presidência do Banco do Brasil, passou a se dedicar a seu escritório de advocacia em São Paulo.

Casou-se com Esmeralda Teresinha de Mauro Policaro, com quem teve quatro filhos.

 

FONTES: ARQ. BANCO DO BRASIL; Estado de S. Paulo (27/4/91 e 24/10/92); Folha de S. Paulo (5/4, 10/5 e 28/8/91, 26/9 e 24/10/92); Globo (21/3/90, 26/4/91, 20/8 e 24/10/92 e 13/2/93); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (28/8/91, 20/8/92 e 13/2/93).

 

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