POTIGUARA, MOACIR BARCELOS

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Nome: POTIGUARA, Moacir Barcelos
Nome Completo: POTIGUARA, MOACIR BARCELOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
POTIGUARA, MOACIR BARCELOS

POTIGUARA, Moacir Barcelos

*militar; comte. Comdo. Mil. Amazônia 1966-1967; comte. IV Ex. 1974-1976; ch. EMFA 1976-1977.

Moacir Barcelos Potiguara nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 21 de setembro de 1919, filho de Tertuliano Potiguara. Seu pai, também militar, participou da campanha do Contestado e da Primeira Guerra Mundial, tendo alcançado o posto de general-de-brigada.

Cursou o Colégio Militar do Rio de Janeiro e concluiu o secundário em Paris. De volta ao Brasil, sentou praça em abril de 1931, ingressando na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, sendo declarado aspirante-a-oficial em janeiro de 1934. Promovido a segundo-tenente em agosto do mesmo ano, cursou depois a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, sendo promovido a primeiro-tenente em setembro de 1936 e a capitão em outubro de 1942. Transferiu-se posteriormente para a Escola de Estado-Maior, alcançando o posto de major em 1950, de tenente-coronel em 1954 e de coronel em agosto de 1961.

Em março de 1966 foi promovido a general-de-brigada e, em junho seguinte, tornou-se comandante do Comando Militar da Amazônia, em substituição ao general-de-brigada Lauro Alves Pinto. Permaneceu nesse posto até maio de 1967, quando foi substituído pelo também general-de-brigada Aírton Pereira Tourinho. Nesse mesmo ano chefiou o gabinete do Estado-Maior do Exército, sendo promovido a general-de-divisão em novembro de 1969. De dezembro seguinte a fevereiro de 1970 exerceu, no Departamento Geral de Pessoal, as funções de diretor do Serviço Militar e de presidente do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR).

Em setembro de 1970, no governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), foi nomeado para servir no Rio de Janeiro como chefe de gabinete do ministro do Exército, general Orlando Geisel. Transferido para Brasília em abril de 1972, serviu no Departamento de Material Bélico. Promovido a general-de-exército em julho de 1974, respondeu pela chefia desse departamento até agosto seguinte.

Em setembro de 1974, já no governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), foi nomeado para o comando do IV Exército, sediado em Recife, em substituição ao general Tácito Teófilo Gaspar de Oliveira, comandante interino que, por sua vez, substituía o general-de-exército Fritz de Azevedo Manso. Em setembro do ano seguinte. durante homenagem em Recife, do Clube dos Diretores Lojistas à Semana da Pátria, declarou que “o governo do presidente Ernesto Geisel pode até rever algumas injustiças que tenham sido cometidas, mas não está disposto a esquecer os terroristas, os perturbadores da ordem, autênticos criminosos”. Em agosto de 1976 transmitiu o comando do IV Exército ao general-de-divisão José Maria de Andrada Serpa, que por ele respondeu interinamente até 10 de setembro, quando o assumiu o general-de-exército Argus Lima.

Ainda em agosto de 1976 Moacir Potiguara aceitou o convite do presidente Geisel para assumir o comando do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), onde substituiu o general-de-exército Antônio Jorge Correia, que passou para a reserva. Em março de 1977, diante da atitude do governo brasileiro de denunciar o Acordo de Assistência Militar entre o Brasil e os EUA, declarou na aula inaugural da Escola Superior de Guerra (ESG), cujo tema era “A ESG e a ação do governo”, que a rejeição da ajuda militar dos EUA “não trará problemas de material bélico às forças armadas”. Acatando “integralmente os termos da nota do governo”, lançou um apelo aos presentes para que também apoiassem “o governo em sua decisão de não abrir mão do acordo nuclear assinado com a Alemanha Ocidental”. No mês seguinte foi então criado no EMFA um grupo de trabalho integrado por oficiais generais das três armas com o objetivo de “estudar e sugerir todas as medidas que se fizerem necessárias, no campo militar, em decorrência da denúncia pelo governo brasileiro do Acordo de Assistência Militar entre o Brasil e os Estados Unidos”.

Ainda em abril de 1977, embarcou para a França a fim de cumprir uma visita oficial de sete dias a convite do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas francesas, general Guy Meri.

Em setembro desse ano foi transferido para a reserva por haver alcançado o limite de idade no posto de general-de-exército. No dia seguinte foi homenageado no Rio de Janeiro pelos cadetes participantes da competição Navamaer, que reunia militares da Escola Naval, da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e da Academia da Força Aérea. Na ocasião relembrou o tempo em que era comandante de cadetes da AMAN, em 1964, frisando que “durante a revolução de março não houve nenhum cadete que falhasse”. Em seu discurso de despedida do serviço ativo advertiu os jovens cadetes no sentido de que “os mesmos pregoeiros de 1963 já se assanham em todo o país, infiltrando-se entre os políticos, nas áreas religiosas e entre operários, utilizando as mesmas cantilenas do passado; eles desejam demagogicamente aliciar brasileiros desavisados para o que chamam de ordem democrática”.

No mês seguinte, ao transmitir o cargo de chefe do EMFA ao general-de-exército Tácito Teófilo Gaspar de Oliveira, lançou um “consciente alerta, face à situação já há algum tempo esboçada, e ora ganhando contornos bem nítidos, que está a exigir de todos nós a união inquebrantável em torno dos ideais que inspiravam a revolução de 1964”. Lembrou ainda que “os pregoeiros da cizânia, que nada constroem mas deformam os fatos, e os empreiteiros da desordem e logo os do terror, que vivem do crime e da traição, teimam em querer retornar o país ao clima de 1963”.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 31 de março de 2002.

Era casado com Léa Potiguara, com quem teve três filhas.

 

FONTES: Correio do Povo (4/9/75); Estado de S. Paulo (8/3/77); Globo (5/4/02); Jornal do Brasil (1/8 e 13/9/1974, 4/8/76, 8 e 9/3, 7 e 26/4, 8, 16 e 24/5, 18 e 23/9/77); MIN. GUERRA. Almanaque (1969); SENADO. Relação; Veja (4/8/76).

 

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