RACHID JORGE MAMED

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Nome: MAMED, Rachid
Nome Completo: RACHID JORGE MAMED

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MAMED, RACHID

MAMED, Rachid

*dep. fed. MT 1959-1969.

 

Rachid Jorge Mamed nasceu em Cuiabá no dia 14 de agosto de 1914, filho de Filipe Jorge Mamed, de origem libanesa, e de Antônia Figueiredo Mamed.

Iniciou o curso secundário em Cuiabá, mas não o concluiu porque a família se transferiu para Poxoréu, região diamantífera do leste de Mato Grosso. Ingressando no comércio, foi nomeado delegado e depois prefeito de Poxoréu durante a interventoria de Júlio Müller (1937-1945). Em sua gestão recuperou a colônia agrícola de Paraíso, incentivou a lavoura na reserva florestal de Jarudoré, dos índios bororós, e abriu rodovias. Deixou a prefeitura em outubro de 1945, quando um movimento militar depôs o presidente Getúlio Vargas, pondo fim ao Estado Novo.

Em janeiro de 1947, elegeu-se suplente de deputado à Assembléia Constituinte de Mato Grosso na legenda do Partido Social Democrático (PSD). Assumindo sua cadeira em março seguinte, participou dos trabalhos constituintes e, após a promulgação da nova Carta estadual, passou a exercer o mandato legislativo ordinário. Sempre na legenda do PSD, reelegeu-se nos pleitos de outubro de 1950 e de 1954, voltando sua ação parlamentar para os problemas rodoviários e a colonização de áreas desertas na região norte-nordeste do estado, tendo sido também várias vezes presidente da Assembléia.

Em outubro de 1958, elegeu-se deputado federal por Mato Grosso na legenda da Coligação da Redenção Democrática, formada pelo PSD e pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Deixando a Assembleia mato-grossense em janeiro de 1959, assumiu sua cadeira na Câmara em fevereiro seguinte e apoiou o governo de Juscelino Kubitschek, tendo apresentado projetos de sindicalização dos garimpeiros.

Após a renúncia do presidente Jânio Quadros (25/8/1961), votou a favor da Emenda Constitucional nº 4 (2/9/1961), que instituiu o parlamentarismo no país e permitiu a posse do vice-presidente João Goulart, vetada pelos ministros militares. Aderiu também à Ação Democrática Parlamentar, bloco interpartidário surgido no primeiro semestre de 1961 com o objetivo de combater a penetração comunista na sociedade brasileira. Constituído basicamente de parlamentares da União Democrática Nacional (UDN) e, em segundo plano, do PSD, esse bloco faria oposição ao governo do presidente João Goulart. Em novembro de 1961 apoiou a Emenda Constitucional nº 5, que ampliou a participação dos municípios na arrecadação tributária nacional, e se opôs ao reatamento das relações diplomáticas com a União Soviética, rompidas desde 1947. Declarou, contudo, aceitar o estabelecimento de laços comerciais por causa de princípios de autodeterminação e não-intervenção.

Ainda nesse período, de acordo com o Correio Brasiliense, situou-se como um “intervencionista moderado”, apoiando o monopólio estatal do petróleo, dos minérios, da energia elétrica, das telecomunicações e dos transportes ferroviários e marítimos de cabotagem. Manifestou-se também favoravelmente à realização das reformas agrária — iniciada com a doação das terras da União e com a desapropriação dos latifúndios e minifúndios improdutivos mediante prévia indenização em dinheiro — e eleitoral, tendo combatido, porém, a extensão do voto aos analfabetos.

No pleito de outubro de 1962 reelegeu-se na legenda da Aliança Democrática Social Trabalhista, coligação formada pelo PSD e pelo PTB. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), em cuja legenda foi reeleito em novembro de 1966. Interrompeu seu mandato em novembro de 1969, quando se tornou ministro do Tribunal de Contas de Mato Grosso, deixando então a Câmara dos Deputados.

No ano de 1974, ocupou a presidência do Tribunal de Contas do estado. Aposentou-se em 1978, já na condição de conselheiro. Nesse mesmo ano, transferiu-se para Brasília onde ocupou a representação do escritório de Mato Grosso durante o governo de Frederico Campos (1979-1983). Ao final do mandato de Frederico Campos deixou esse cargo e retornou a Mato Grosso, tornando-se assessor político do então governador Júlio Campos (1983-1986), função que exerceu até 1984, quando deixou novamente Cuiabá e retornou a Brasília, vindo a fixar residência e afastando-se da vida pública.

Faleceu em São Paulo no dia 7 de janeiro de 1988.

Era casado com Lindaura Mota Mamed. Teve cinco filhos.

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1967-1971); CÂM. DEP. Relação dos dep.; CAMPOS, Q. Fichário; INF. FAM.; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1, 2, 3, 4 e 6); VAITSMAN, M. Sangue.

 

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