RAIMUNDO LISBOA VIEIRA DA SILVA

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: SILVA, Vieira da
Nome Completo: RAIMUNDO LISBOA VIEIRA DA SILVA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SILVA, VIEIRA DA

SILVA, Vieira da

*dep. fed. MA 1967-1971 e 1975-1991; const. 1987-1988.

Raimundo Lisboa Vieira da Silva nasceu em São Luís no dia 11 de fevereiro de 1922, filho de Fabiano Vieira da Silva e de Custódia Lisboa Vieira da Silva.

Fez seus primeiros estudos no Colégio São Luís e deixou seu estado para assumir a chefia do Gabinete Civil do governador do território do Iguaçu, criado em setembro de 1943 pelo desmembramento de regiões dos estados de Santa Catarina e Paraná e extinto em setembro de 1946.

De volta ao Maranhão, onde era comerciante, iniciou sua carreira política elegendo-se deputado à Assembleia Legislativa de seu estado em outubro de 1958 na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Assumiu sua cadeira em fevereiro de 1959 e nesse mesmo ano formou-se contador pela Escola Técnica de Comércio do Maranhão. Candidatou-se mais uma vez a deputado estadual em outubro de 1962, dessa vez na legenda do Partido Social Progressista (PSP), mas obteve apenas uma suplência, deixando a Assembleia em janeiro de 1963. Nesse mesmo ano tornou-se delegado regional e tesoureiro do Instituto de Previdência e Assistência aos Servidores do Estado (IPASE) e foi também diretor-presidente e acionista da Companhia Telefônica do Maranhão.

Após a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964 que depôs o presidente João Goulart (1961-1964), a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se ao partido do governo, a Aliança Renovadora Nacional (Arena). Nessa legenda elegeu-se deputado federal pelo Maranhão no pleito de novembro de 1966, assumindo sua cadeira em fevereiro do ano seguinte. Novamente candidato em novembro de 1970 na legenda arenista, alcançou apenas uma suplência, deixando a Câmara em janeiro de 1971.

Em novembro de 1974 foi novamente eleito deputado federal pelo Maranhão, na mesma legenda, assumindo sua cadeira em fevereiro de 1975. Nessa legislatura foi membro da Comissão de Comunicações e suplente da Comissão de Serviço Público da Câmara. Reeleito em novembro de 1978, ainda na legenda da Arena, iniciou novo período legislativo em fevereiro do ano seguinte. Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), sucessor da Arena no apoio ao governo. Nessa legislatura tornou-se vice-presidente da Comissão de Comunicações e foi suplente das comissões de Educação e Cultura e Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a situação do patrimônio histórico e artístico nacional e avaliar a política do governo federal para sua defesa e conservação. No pleito de novembro de 1982 voltou a ser reeleito deputado federal por seu estado, já na legenda do PDS.

No início da nova legislatura, o deputado mato-grossense Dante de Oliveira, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), apresentou projeto de emenda constitucional restabelecendo eleições diretas para a presidência da República já em 1984. Encampado pelas oposições, a proposta desencadeou uma campanha nacional que ficou conhecida como Diretas Já. Na sessão da Câmara dos Deputados de 25 de abril de 1984, Vieira da Silva, atendendo à orientação partidária, votou contra a emenda, que acabou rejeitada.

Com esse resultado, ficou definido que o sucessor do general João Batista Figueiredo (1979-1985), último presidente do ciclo militar, seria eleito por via indireta. Vários políticos disputaram a condição de candidato oficial do partido governista. A falta de consenso provocou uma cisão na agremiação e os dissidentes formaram a Frente Liberal. Para decidir a questão, o PDS fez sua convenção em agosto, saindo vitoriosa a chapa dos deputados Paulo Maluf, de São Paulo, e Flávio Marcílio, do Ceará, que derrotou o ministro do Interior, Mário Andreazza, e o governador de Alagoas, Divaldo Suruagi.

Definido o quadro sucessório pelo lado governista, os partidos de oposição, à exceção do Partido dos Trabalhadores (PT), uniram-se numa coligação denominada Aliança Democrática, liderada pelo PMDB e a Frente Liberal. Esta coligação lançou o então governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, para presidente da República, e para vice o senador pelo Maranhão José Sarney, que presidira o PDS. Na reunião do Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985, Vieira da Silva votou em Paulo Maluf, que foi derrotado por Tancredo Neves. Porém, internado na véspera de sua posse, em 15 de março, devido à uma grave doença, Tancredo acabou morrendo em 21 de abril e Sarney, que já ocupava a presidência da República interinamente, foi efetivado no mês seguinte.

Em setembro de 1986, Vieira da Silva teve lacrados os transmissores de sua emissora de televisão em São Luís, a TV Ribamar, do Grupo de Comunicação Vieira da Silva, devido às ofensas veiculadas contra a família do então presidente da República José Sarney (1985-1990). Em novembro desse ano elegeu-se deputado federal constituinte na legenda do PDS, iniciando novo período na Câmara em 1º de fevereiro de 1987. Nesse mesmo dia foi instalada a Assembleia Nacional Constituinte, na qual integrou, como titular, a Subcomissão de Tributos, Participação e Distribuição das Receitas da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças e, como suplente, a Subcomissão da Ciência e Tecnologia e da Comunicação da Comissão da Família, da Educação, Cultura e Esportes, da Ciência e Tecnologia e da Comunicação.

Durante o período de elaboração da Constituição, votou a favor da remuneração 50% superior para o trabalho extra, do presidencialismo, da estatização do sistema financeiro e do mandato de cinco anos para o presidente José Sarney.

Após a promulgação da nova Carta, em 5 de outubro de 1988, continuou o exercício regular de seu mandato até o final dessa legislatura, em janeiro de 1991, quando abandonou a política para dedicar-se exclusivamente à atividade de empresário do setor de comunicações. Segundo o jornal Estado do Maranhão, ele teria se desligado da política por conta de problemas de saúde, como Mal de Parkinson.

Tanto o Estado do Maranhão quanto o Jornal Pequeno afirmam que Vieira da Silva teria sido suplente de senador por duas legislaturas, mas nenhuma outra fonte confirma esta informação.

Vieira da Silva faleceu em São Luís, no dia 30 de julho de 2007.

Era casado com Maria do Rosário Almeida Vieira da Silva, com quem teve três filhos.

Luciana Barbosa Arêas

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1967-1971, 1975-1979, 1979-1983); COELHO, J. & OLIVEIRA, A. Nova; Estado de S. Paulo (13/9/86); Globo (26/4/84 e 16/1/85); NÉRI, S. 16; Perfil (1980); SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (4, 6, 8 e 9); Estado do Maranhão (31/07/07); Jornal Pequeno, (31/07/07).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados