RAMOS, MARIO DE ANDRADE

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Nome: RAMOS, Mário de Andrade
Nome Completo: RAMOS, MARIO DE ANDRADE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
RAMOS, MÁRIO DE ANDRADE

RAMOS, Mário de Andrade

*const. 1934; sen. DF 1947-1951.

 

Mário de Andrade Ramos nasceu no Rio de Janeiro, então capital do Império, no dia 28 de maio de 1879, filho de Enéias Oscar de Farias Ramos e de Francisca do Carmo de Andrade Ramos.

Estudou no Colégio Alfredo Gomes e na Escola Naval do Rio de Janeiro, onde foi preparador dos gabinetes de física e de eletricidade em 1902. Em 1904 diplomou-se em engenharia e ciências físicas pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, na capital da República.

Ainda em 1904 tornou-se engenheiro da firma Aschof & Guinle, onde permaneceria até 1947, e em 1906 recebeu o grau de doutor em ciências físicas e matemáticas. Nesse último ano foi professor substituto de física e química na Escola Naval, tornando-se catedrático de eletricidade e máquinas em 1911, e de eletrotécnica e radiotelegrafia em 1941.

Membro do conselho administrativo dos patrimônios do Ministério da Justiça e Negócios Interiores a partir de 1920, entre 1923 e 1924 presidiu o Conselho Nacional do Trabalho. No ano seguinte, tornou-se membro do Conselho de Assistência e Proteção aos Menores e em 1927 deixou o conselho administrativo do Ministério da Justiça. Assumiu o cargo de diretor técnico das Empresas Elétricas Brasileiras em 1929 e, em 1931, já após a Revolução de Outubro de 1930, deixou a Escola Naval e o Conselho de Assistência e Proteção aos Menores. Ainda nesse ano tornou-se membro do conselho diretor da Federação Industrial do Rio de Janeiro. Designado para integrar a Comissão de Estudos Financeiros e Econômicos dos Estados e Municípios em 1932, em janeiro do ano seguinte participou da fundação da Confederação Industrial do Brasil, no Rio de Janeiro, associação civil criada com o objetivo de defender os interesses dos diversos grupos empresariais do país.

Em julho de 1933 foi eleito deputado à assembléia Nacional Constituinte como representante dos empregadores, assumindo sua cadeira em novembro. Em março do ano seguinte apresentou um projeto de lei que propunha a aprovação do projeto de Constituição elaborado pela Comissão dos 26 encarregada de preparar um substitutivo ao anteprojeto governamental — e a eleição do presidente da República por votação nominal e maioria absoluta, três dias depois da publicação da nova Carta. Após essa eleição, a Assembléia continuaria no exercício dos poderes constitucionais, alterando, como lhe conviesse, os métodos de trabalho até então adotados. Seu projeto determinava ainda que as eleições para as assembléias constituintes estaduais se realizassem após as eleições dos respectivos governadores.

Ainda em 1934 foi escolhido primeiro vice-presidente da Confederação Industrial do Brasil. Com a promulgação da nova Carta (16/7/1934), teve seu mandato estendido até maio de 1935. Nesse mesmo ano deixou a Comissão de Estudos Financeiros e Econômicos dos Estados e Municípios e em 1936 saiu do conselho diretor da Federação Industrial do Rio de Janeiro. No ano seguinte, já após a implantação do Estado Novo (10/11/1937), passou a integrar o Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda, que substituíra a Comissão de Estudos Financeiros e Econômicos dos Estados e Municípios. Membro do Conselho Superior das Caixas Econômicas Federais a partir de 1939, exerceu a presidência desse órgão de 1940 a 1941. Nesse último ano passou a lecionar ciências das finanças na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC). Deixou as Empresas Elétricas Brasileiras e o Conselho Superior das Caixas Econômicas Federais em 1943 e 1944, respectivamente.

Em janeiro de 1947, já após a queda do Estado Novo e a redemocratização do país, elegeu-se senador pelo Distrito Federal na legenda da coligação constituída pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN), o Partido Republicano (PR), o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o Partido Democrata Cristão (PDC), o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Proletário do Brasil (PPB). Durante seu mandato, iniciado em março de 1947, participou da Comissão de Finanças e da Comissão Especial de Inquérito para a Indústria Têxtil do Senado. Em 1950 deixou o Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda e, em janeiro do ano seguinte, encerrou seu mandato de senador.

Vice-presidente da Companhia Sul América de Capitalização, foi diretor da Companhia Estradas de Ferro e Minas São Jerônimo, da Marconi’s Wireless Telegraph Company e das companhias Nacional de Construções, Carris Porto-Alegrense, Energia Elétrica Rio-Grandense, Brasileira de Telegrafia sem Fio e Carbonífera Minas do Butiá, além da Companhia de Obras e Construções. Engenheiro da Anglo Mexican Petroleum Company e da Guinle e Companhia, presidiu o conselho consultivo da Companhia Auxiliar das Empresas Elétricas Brasileiras, as empresas Força e Luz de Ribeirão Preto e de Jaú, ambas em São Paulo, a Companhia Francana de Eletricidade e o conselho de administração do Banco da Prefeitura do Distrito Federal.

Pertenceu também aos institutos Politécnico Brasileiro, dos Engenheiros Eletricistas de Londres e de Radioengenheiros de Nova Iorque e às academias Brasileira de Ciências e Físico-Química Italiana. Foi ainda membro da Real Sociedade de Artes e Manufaturas de Londres, do conselho diretor do Clube de Engenharia e da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 1º de novembro de 1951.

Publicou O radium (1904), Notas eletrotécnicas (1904), O telégrafo sem fio de Forest no Brasil (1905), A caldeira Babcock Wilcox na Marinha (1906), A hulha branca no Brasil (1908), Radiotelegrafia e radiotelefonia (1911), O uso do óleo combustível (1915), Projeto da lei de radiotelegrafia (1916), Tarifação telefônica (1916), A radiotelegrafia ultrapotente e o desenvolvimento da ciência elétrica (1917), A sistematização do ensino superior para as marinhas de guerra e do comércio (1919), Carvão nacional (1920), Estações radiotelegráficas ultrapotentes (1920), Métodos de extração e transporte na mineração do carvão (1921), Processos de utilização do carvão nacional e subprodutos sob o aspecto técnico e econômico (1922), Paulo de Frontin e a engenharia (1926), O estado atual da indústria do carvão nacional e os modernos métodos de utilização dos carvões betuminosos (1928), O carvão nacional e suas aplicações (1928), A nova termelétrica de Porto Alegre (1929), Presidente Calvin Coolidge (1929), A crise do trabalho (1930), A situação econômica e financeira do Brasil e a execução da Lei nº 5.108 (1930), Miguel Farady (1931), Destilação do carvão nacional e seus subprodutos (1931), O banco ortodoxo de sir Otto Niemeyer (1931), A situação cambial financeira do Brasil (1931), Governo da moeda (1933), Questões econômicas, financeiras e sociais (1933), O desarmamento e a Conferência Econômica de Londres (1933), As dívidas externas do Distrito Federal (1934), Luz de minh’alma (1936), Estudos econômicos (1937), Banco Central de Emisão (1937), Aplicação dos fundos de previdência (1938), Finanças brasileiras (1938), Exportação do minério de ferro (1938), Reflexões alheias e minhas (1940), Oração à paz (1940), As caixas econômicas federais (1941), Páginas cristãs (1942), A reforma monetária (1943), Cristianismo e democracia (1944) e Aproveitamento da cachoeira de Paulo Afonso (1945).

 

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais (1); CÂM. DEP. Deputados; CONF. INDUSTRIAL DO BRASIL. Relatório; CONS. TÉC. ECON. FINANÇAS. Grande; CONSULT. MAGALHÃES, B.; Diário do Congresso Nacional; FED. INDUSTRIAL DO RJ. Relatório; FUND. GETULIO VARGAS. Cronologia da Assembléia; GODINHO, V. Constituintes; Grande encic. Delta; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; NÉRI, S. 16; SENADO. Relação; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1).

 

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