RAUL JORGE ANGLADA PONT

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Nome: PONT, Raul
Nome Completo: RAUL JORGE ANGLADA PONT

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PONT, RAUL

PONT, Raul

*dep. fed. RS 1991-1992,pref. Porto Alegre 1997-2001

                Raul Jorge Anglada Pont nasceu em Porto Alegre no dia 14 de maio de 1944, filho de Raul Pont e de Neli Anglada.

                Em 1964, ingressou no curso de história da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tendo participado ativamente do movimento estudantil, entre 1968 e 1969, como líder de centros acadêmicos e do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Com a repressão ao movimento, esteve preso pelo regime militar entre 1971 e 1972. Diplomando-se em 1974, atuou posteriormente no Sindicato dos Professores (Sinpro) do Rio Grande do Sul.

                Filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar (1964-1985), integrou a ala socialista da legenda, tendo sido fundador do Instituto de Estudos Políticos, Econômicos e Sociais (IEPES) da agremiação. Em 1976, concluiu mestrado em ciência política na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tornando-se, no ano seguinte, professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo (RS).

                Um dos fundadores do jornal Em Tempo, do grupo trotskista Democracia Socialista, e membro de seu conselho editorial desde 1979, Pont foi também um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), participando de seus diretórios nacional e gaúcho desde 1980. Identificado com a chamada esquerda do partido, em novembro de 1982 candidatou-se sem sucesso a senador pelo PT.

                Eleito deputado estadual constituinte em novembro de 1986, foi empossado na Assembléia Legislativa gaúcha em fevereiro do ano seguinte. Nesse mesmo ano, tornou-se presidente da Comissão Especial sobre Finanças Públicas da casa. Em 1988, foi relator da Comissão do Sistema Tributário, membro da Comissão de Sistematização e líder da bancada. Entre 1988 e 1989, presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Ensino Público e, de 1989 a 1990, foi quarto-secretário da mesa da Assembléia.

                Na eleição de outubro de 1990, elegeu-se deputado federal. Deixando a carreira no magistério e concluindo o mandato estadual em janeiro de 1991, foi empossado na Câmara dos Deputados em fevereiro seguinte, tornando-se membro da Comissão de Educação, Cultura e Desporto.

                No pleito de outubro/novembro de 1992, elegeu-se vice-prefeito de Porto Alegre na chapa encabeçada por Tarso Genro. Renunciando ao mandato federal, Pont assumiu a vice-prefeitura da capital gaúcha em janeiro de 1993, sendo substituído na Câmara pelo primeiro suplente do PT, Valdomiro Fioravante.

Prefeito de Porto Alegre

                Em meados de 1996, Pont desincompatibilizou-se do cargo de vice-prefeito para concorrer à sucessão de Tarso Genro. Ele venceu a prévia partidária que também contou com as pré-candidaturas do deputado federal José Fortunati e do vereador Clóvis Ilgenfritz da Silva. Pont teve como vice o próprio Fortunati. A escolha resultou de uma composição entre a esquerda e os setores moderados do partido, acordo já adotado na eleição de Olívio Dutra, em 1988, e na de Tarso Genro, em 1992.

                Apontado como favorito, atribuiu o sucesso das administrações petistas em Porto Alegre à resistência da cidade ao “projeto neoliberal” implementado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-1998) e pelo governador Antônio Brito (1995-1988), aos compromissos assumidos pela prefeitura com a democracia, implantada através dos conselhos municipais e do Orçamento Participativo, e, sobretudo, ao reconhecimento do Estado como regulador da “anarquia e espontaneidade do mercado”. Confirmando todas as previsões, e superando até o desempenho de seus antecessores, Pont elegeu-se prefeito de Porto Alegre ainda no primeiro turno, em outubro de 1996, tendo conquistado 52% dos votos válidos.

                Logo após eleito criticou a proposta de aliança com o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e com o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), feita pela candidata do PT à prefeitura de São Paulo, Luísa Erundina, tendo em vista o segundo turno da eleição na capital paulista. Afirmando que aqueles partidos eram “sustentáculos do projeto neoliberal”, Pont argumentou que a sugestão deveria ser submetida ao PT e não referendada pelo comando de campanha da candidata. Para ele, as direções estadual e municipal do partido em São Paulo viviam uma crise de legitimidade, o que acabou ocasionando a derrota de Erundina para o candidato do Partido Progressista Brasileiro (PPB), Celso Pitta.

                Na visão de Pont, as eleições mostraram que o PT conseguia melhores resultados quando se apresentava claramente como uma alternativa de poder ao governo de Fernando Henrique, citando como exemplo, além da capital gaúcha, os municípios de Caxias do Sul (RS) e Belém, onde o partido também fora vitorioso. Ao ser empossado como prefeito em 1º de janeiro de 1997, declarou que sua gestão seria um confronto ideológico com o neoliberalismo e que seu principal objetivo era fazer de Porto Alegre a capital da democracia no país, através da ampliação dos temas discutidos pelo Orçamento Participativo.

                A oposição de Pont ao governo federal se fez sentir logo nos primeiros dias de seu mandato. Ainda em janeiro de 1997, juntamente com 67 prefeitos e vice-prefeitos gaúchos do PT, do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e do Partido Democrático Trabalhista (PDT), lançou um manifesto contra a reeleição de Fernando Henrique, considerada uma “afronta ao sentido de decência dos cidadãos”. O protesto, contudo, não teve grande repercussão, e a emenda permitindo a reeleição para os ocupantes de cargos executivos (prefeitos, governadores e presidente da República) acabou sendo aprovada no Senado Federal em junho seguinte.

                Em março de 1997, Pont oficializou junto ao Ministério dos Transportes o interesse da Prefeitura de Porto Alegre em municipalizar o porto da capital, numa tentativa de impedir que ele fosse incluído no programa de privatização do governo federal. Membro da Frente Nacional de Prefeitos, Pont também combateu a proposta do Executivo federal, aprovada no Senado em novembro de 1997, de prorrogar a vigência do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), com o qual a União passou a reter 20% do total de impostos a serem repassados a estados e municípios.

                Em setembro de 1998, durante a campanha para o governo do Rio Grande do Sul, solicitou licença da prefeitura para apoiar a candidatura de Olívio Dutra, sendo substituído temporariamente pelo vice José Fortunati. No primeiro turno do pleito, realizado em 4 de outubro, Dutra acabou derrotado por uma pequena diferença pelo governador Antônio Brito, do PMDB. Ele não conseguiu, porém, ultrapassar a metade dos votos válidos, tornando-se então necessária a realização de um segundo turno entre os dois candidatos. Na segunda votação, realizada em 25 de outubro de 1998, Dutra foi eleito o primeiro governador petista do Rio Grande do Sul. Com o fim da eleição, Raul Pont reassumiu a prefeitura de Porto Alegre, cumprindo seu mandato até o final, ao findr-se o ano de 2000.

                No pleito de 2002 foi eleito deputado estadual no Rio Grande do Sul com 1,16% dos votos e foi apoiado pelas legendas do Partido da Mobilização Nacional (PMN), pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), e pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B). 

                No ano de 2004, candidatou-se novamente à prefeitura de Porto Alegre, mas foi derrotado pelo candidato do Partido Popular Socialista (PPS), José Fogaça. A eleição, que foi definida no segundo turno, representou uma perda significativa para o PT no município, que governava a cidade havia 16 anos. 

                Disputou a presidência do partido pela chapa “Democracia Socialista” no ano de 2005, mas perdeu a eleição interna para o movimento “Campo Majoritário”, liderada pelo candidato Ricardo Berzoini.

                Em 2006, conseguiu se reeleger deputado estadual no estado, recebendo 1,22% dos votos. Ainda nesse ano, fez oposição à volta do presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini, afastado da direção desde que seu nome fora citado em reportagem da revista Época. Ela denunciou a tentativa de compra de um dossiê anti-tucano por membros do PT, durante as eleições gerais daquele ano. Contudo, apesar da oposição de Pont e da corrente política que representava no partido, Berzoini voltou à presidência da legenda. 

                Nas eleições municiapis de 2008, foi contra a aliança do PT com partidos como o PSDB e o Democratas (DEM) nas grandes cidades. No mês de dezembro daquele ano, Pont conseguiu que o Ministério da Justiça incluísse seu nome na lista de pessoas que tinham direito a indenização por ter sofrido perseguição no regime militar. Ele provou que não pôde tomar posse em um concurso que fez para a Petrobras e que  fora preso e torturado durante a ditadura por razões políticas.

            Publicou Da crítica ao populismo à construção do PT (1985).

                Casou-se com Liliane Seide Froeming, com quem teve duas filhas.

 

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1991-1995); CÂM. DEP. Lista de suplentes (1991-1995); Estado de S. Paulo (10/10/96 e 4/1/97); Folha de S. Paulo (19/9 e 14/12/96, 2/1, 21/3 e 11/6/97); Folha de S.Paulo (online) 01 nov. 2004; 09,12,13 out. 2005; 29,30 dez. 2006; 24 mar. e 18 out. 2008; 16 jan., 25 maio e 15 out. 2009. Disponível em : <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em : 18 out. 2009; Jornal do Brasil (3/1/97); Perfil parlamentar/IstoÉ.; Portal do TSE. Disponível em : <http://www.tse.gov.br>. Acesso em : 18 out. 2009; Portal TERRA (26/8/09). Disponível em : <http://noticiasterra.com.br>. Acesso em : 18 out. 2009.

 

 

 

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