REIS, ANTONIO CARLOS KONDER

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Nome: REIS, Antônio Carlos Konder
Nome Completo: REIS, ANTONIO CARLOS KONDER

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
REIS, ANTÔNIO CARLOS KONDER

REIS, Antônio Carlos Konder

*dep. fed. SC 1955-1963 e 1999-; sen. SC 1963-1975; gov. SC 1975-1979, 1994, 1999-2003.

 

Antônio Carlos Konder Reis nasceu em Itajaí (SC) no dia 16 de dezembro de 1925, filho de Osvaldo dos Reis e de Elisabete Konder dos Reis. Seu pai era fiscal de consumo e o avô materno, Markus Konder, um mestre-escola da aldeia alemã de Schweich, junto à fronteira com Luxemburgo, chegou ao Brasil em meados do século XIX. Do seu casamento com Adelaide Flores, filha de um rico proprietário de terras e chefe político da região de Itajaí, surgiria o clã dos Konder. Todos os filhos homens entraram para os anais da política catarinense e brasileira: Adolfo Konder foi governador de Santa Catarina de 1926 a 1930, Vítor Konder ocupou a pasta da Viação e Obras Públicas de 1926 a 1930, Marcos Konder Júnior teve diversos mandatos legislativos e Arno Konder seguiu a carreira diplomática. As duas filhas do casal foram Elisabete, mãe de Antônio Carlos, e Marieta Konder, a mais nova, que se casou com Irineu Bornhausen, governador de Santa Catarina de 1951 a 1956.

Afastados do poder pela Revolução de 1930, os Konder fizeram oposição ao governo de Getúlio Vargas, cultivando duradoura rivalidade com os Ramos, a outra oligarquia estadual, encabeçada por Nereu Ramos, governador e interventor em Santa Catarina de 1935 a 1945.

Antônio Carlos Konder Reis cursou o primário no Colégio São José, em Itajaí, e em 1935, vítima de perseguição política, seu pai foi transferido para Santos (SP). Na cidade do litoral paulista, Konder Reis estudou até 1941 no Ginásio Santista, dos irmãos maristas, transferindo-se em seguida para a capital paulista a fim de preparar-se para o curso superior. Em 1943 participou do movimento dos estudantes paulistas de repúdio ao regime ditatorial de Vargas. Em 1944 ingressou na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro e, no mesmo ano, foi o representante de seu diretório acadêmico no VII Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Com a desagregação do Estado Novo em 1945, os Konder estiveram presentes na criação da União Democrática Nacional (UDN), enquanto os Ramos participavam da formação do Partido Social Democrático (PSD). Secretário de intercâmbio da UNE, Antônio Carlos representou novamente sua faculdade no oitavo congresso da entidade, realizado em 1945, no qual inaugurou-se a fase de predomínio da UDN na entidade, tendo sido seu secretário-geral e presidente da comissão de teses políticas. Ainda em 1945 matriculou-se no curso superior de museus, do Museu Histórico Nacional. Na campanha para a presidência da República, que acompanhou o movimento de redemocratização do país, foi secretário do comitê universitário pró-Eduardo Gomes. Em agosto de 1946 representou o Brasil no Congresso da Juventude Católica, reunido em Buenos Aires.

Candidato de oposição ao governador Aderbal Ramos da Silva, que representava uma coligação do PSD com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em janeiro de 1947 elegeu-se constituinte estadual na legenda da UDN de Itajaí. Iniciava assim, com 21 anos e ainda terceiranista de direito, uma longa carreira política. Ainda em 1947 foi o orador de sua turma, ao se formar conservador de museus.

Bacharelando-se em direito em 1949, no pleito de outubro de 1950 foi reeleito deputado à Assembléia Legislativa de Santa Catarina para a legislatura 1951-1955. Não chegou a exercer o mandato, pois assumiu a direção da divisão econômico-florestal do Instituto Nacional do Pinho, no Rio de Janeiro, em 1951. Ainda nesse ano tornou-se economista pela Lei nº 1.411, que regulamentava o exercício da profissão. Em 1952 foi convidado para assumir a chefia do gabinete de João Cleofas, ministro da Agricultura no segundo governo de Getúlio Vargas (1951-1954), exercendo a função até 1954, ano em que assumiu a direção da usina de açúcar Adelaide, em Itajaí.

No Congresso Nacional

Eleito deputado federal por Santa Catarina na legenda da UDN, em outubro de 1954, iniciou o mandato em fevereiro do ano seguinte, sendo designado para a Comissão de Orçamento da Câmara Federal. Em 1957 foi convidado pelo governador do estado, Jorge Lacerda (1956-1958), a assumir a Secretaria da Fazenda.

Reeleito deputado federal em outubro de 1958, tomou posse em fevereiro do ano seguinte. Nessa legislatura integrou a Comissão de Educação e Cultura e foi, mais uma vez, membro da Comissão de Orçamento da Câmara dos Deputados. Em seu segundo mandato começou a destacar-se com seguidos discursos no plenário.

No pleito de outubro de 1962 candidatou-se ao Senado e derrotou o candidato do PTB, Armindo Doutel de Andrade, tornando-se o mais jovem senador da República. Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1963 e iniciou em fevereiro seguinte seu mandato no Senado. Integrou as comissões de Serviço Público Civil, de Legislação Social e de Agricultura e Política Rural. Como membro da Comissão de Relações Exteriores, participou em 1963 da delegação parlamentar que visitou oficialmente a Tchecoslováquia. Ainda em 1963 foi observador parlamentar à XVIII Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1965 presidiu a Comissão de Redação do Senado.

Candidatou-se pela UDN a governador de Santa Catarina no pleito de outubro de 1965. A campanha nesse estado pôs em confronto dois candidatos ligados ao movimento político-militar de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart (1961-1964). Ivo Silveira, do PSD, tinha por companheiro de chapa Francisco Dall’Igna, do PTB, considerado esquerdista por alguns setores do novo regime. Por outro lado, Konder Reis, que apoiara desde o início o movimento, enfrentava uma divisão da UDN catarinense devido à dissidência do industrial Nílson Bender, que, em abril, lançara-se pré-candidato ao Executivo estadual pelo partido e, derrotado, recusava-se a apoiar seu nome na disputa. Ainda em abril, um grupo de políticos udenistas, certos de que a divisão do partido os levaria à derrota, enviou um documento ao presidente Humberto Castelo Branco (1964-1967), chamando sua atenção para o fato. Dizendo-se prontos para uma fórmula de unidade da agremiação caso subsistisse a divergência promovida por Bender, vários deputados, além do senador Irineu Bornhausen e do próprio Konder Reis, assinaram o documento. A conciliação, porém, esbarrou na intransigência dos dissidentes, assegurando a vitória do pessedista Ivo Silveira, que recebeu 328.480 votos contra os 305.090 dados a Konder Reis.

Vice-presidente da Comissão de Projetos do Executivo do Senado, substituiu em junho de 1966 o senador Fernando Gay Fonseca na vice-liderança da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido ao qual se filiara após a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo. Representou o Senado na delegação que, ainda em 1966, sob a presidência do ministro das Relações Exteriores, Juraci Magalhães, discutiu em Foz do Iguaçu (PR) com o presidente paraguaio Alfredo Stroessner os problemas de fronteira entre Brasil e Paraguai. Ainda nesse ano voltou a representar o Senado na comitiva de Juraci Magalhães, por ocasião da visita ao Chile, Argentina, Bolívia, Uruguai, Colômbia, Equador e Peru.

Em agosto de 1966, o projeto para uma nova Constituição, solicitado em abril por Castelo Branco a um grupo de juristas, foi apresentado ao presidente. Parcialmente insatisfeito, Castelo Branco entregou o projeto ao ministro da Justiça, Carlos de Medeiros e Silva, para reformulações. Antes de ser enviado ao Congresso para votação, o novo projeto foi discutido pela maioria parlamentar, que realizou uma série de reuniões presididas pelo senador Filinto Müller, líder da Arena no Senado, das quais participaram Daniel Krieger, líder do governo no Senado, os senadores Paulo Sarasate e Antônio Carlos Konder Reis, além dos deputados Rui Palmeira e Leopoldo Peres Sobrinho. Konder Reis foi convidado nessa ocasião para relator-geral do projeto.

No dia 12 de dezembro, ao se iniciar a sessão extraordinária do Congresso, o projeto foi apresentado, com importantes alterações procedidas pela comissão de parlamentares, para ser discutido e votado. No dia 13 de dezembro instalava-se uma comissão mista, incumbida de estudar o projeto da nova Carta, tendo como presidente o deputado Pedro Aleixo e como relator-geral o senador Konder Reis. No dia 22 de dezembro o projeto foi aprovado em bloco, tendo a bancada da Arena assegurado ampla vitória do governo. O Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido oposicionista, resolveu então apresentar emendas à proposição governamental. Foram recebidas 1.681 emendas, examinadas por Konder Reis e cinco sub-relatores. No dia 1º de janeiro de 1967, a comissão de estudos das emendas apresentou ao presidente parecer favorável a 254 emendas, aprovadas também por Castelo. Em 24 de janeiro foi promulgada a Constituição, em cerimônia marcada pelos discursos de Raimundo Padilha, líder da Arena na Câmara, e Konder Reis. No texto, composto de 180 artigos, foram operadas 306 modificações, com a aprovação total ou parcial de 274 emendas. Segundo a revista Veja, Konder Reis, trabalhando incessantemente, conquistou a admiração de arenistas e emedebistas. Pelo menos 12 emendas preparadas pelos oposicionistas teriam sido incorporadas à Constituição graças a seu trabalho pessoal junto ao comando da Arena.

Designado para as comissões de Justiça, de Relações Exteriores, de Projetos do Executivo e de Redação e para suplente das comissões de Finanças, de Educação e Cultura e de Serviço Público Civil, Konder Reis ocupou ainda a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Indicado para substituir o senador Wilson Gonçalves na liderança da Arena em abril de 1967, foi vice-líder da legenda no Senado de 1968 a 1970. Foi reeleito senador em novembro de 1970 com 509.127 votos, juntamente com Lenoir Vargas Ferreira, também da Arena, que obteve 469.983 votos. Konder Reis exerceu a vice-liderança da Arena em 1971 e 1972.

Em entrevista concedida a um semanário em 1971, afirmou que, “sob o aspecto ético, a Constituição de 1967 foi, antes de tudo, um momento de amor de um sistema revolucionário ao ideal democrático... Nascida para institucionalizar o movimento, ela não resistiu às pressões políticas que contestaram exatamente sua maior virtude: o equilíbrio”. Manifestou-se também favoravelmente ao Ato Institucional nº 5 (13/12/1968), “editado no auge da crise de contestação à Constituição de 1967”, e que, a seu ver, agasalhou “uma série de medidas restritivas, consideradas indispensáveis à conjuração daquela crise. Foi, assim, um instrumento destinado a manter a ordem revolucionária. Com a outorga da Emenda Constitucional nº 1 (17/10/1969), passamos a viver, na esfera institucional, uma fase de superação daquele instrumento. Sua incorporação à Constituição, nos termos do artigo 182 da emenda, configura uma transição e não um empecilho ao desenvolvimento político do país”.

Designado presidente da Comissão de Redação do Senado, foi relator da Proposta de Emenda Constitucional nº 2, de 1972, que regulava as eleições para governadores em 1974. Com a morte do senador Filinto Müller, presidente do Senado, em julho de 1973, substituiu-o o vice-presidente, senador Paulo Torres, tendo Konder Reis sido eleito primeiro-vice-presidente da casa, cargo para o qual recebeu apoio unânime. Pertenceu à comissão executiva da Arena.

No governo de Santa Catarina

Em 1971, o engenheiro Colombo Sales, candidato escolhido pelo ministro dos Transportes, Mário Andreazza, no governo do presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), iniciou seu governo declarando que “a verdadeira democracia impõe a superação das oligarquias estaduais. É o que vamos fazer”. Os Ramos e os Konder-Bornhausen, que vinham sendo obrigados a uma convivência forçada no novo partido situacionista, uniram-se para combater o inimigo comum, esquecendo as velhas rivalidades e negligenciando as agruras por que passava a Arena local.

A atitude das principais lideranças estaduais contribuiu para que o MDB conquistasse nas eleições de 1972 as quatro principais prefeituras do estado — Joinville, Blumenau, Lajes e Brusque — e, ao longo de 1974, Evelásio Vieira, ex-prefeito de Blumenau, desenvolveu intensa campanha para conquistar uma vaga no Senado pelo partido oposicionista. A indicação, em junho de 1974, de Antônio Carlos Konder Reis para suceder Colombo Sales consolidou a união dos antigos PSD e UDN catarinenses. O governador indicado empenhou-se na campanha de Ivo Silveira, ex-pessedista, para o Senado, mas a vitória coube ao candidato emedebista.

Eleito pelo Colégio Eleitoral do estado em outubro de 1974, o início de seu mandato, em 15 de março de 1975, foi marcado por um episódio que comprometeu a relação do governo com a oposição. Konder Reis havia proposto uma fórmula para a composição da mesa da Assembléia, com a participação das duas bancadas segundo critérios proporcionais. Entretanto, desprezando a proposta oficial, o MDB elegeu os arenistas dissidentes Epitácio Bittencourt para presidente, e Herculano Ghizzo para vice-presidente, derrotando o candidato apoiado pelo governador, deputado Sebastião Neto Campos. O diretório regional da Arena pediu a cassação dos deputados dissidentes, acusados de infidelidade partidária, resultando daí uma composição que garantiu ao governo uma maioria apertada. Numa pesquisa publicada por Veja em 17 de março de 1976, Konder Reis era apontado mais pelos insucessos do que pelas vitórias nesse primeiro ano de governo, ressaltando-se o desempenho sofrível na área das relações com o Legislativo e na pacificação da Arena local.

Konder Reis emprestou todo o seu apoio ao presidente Ernesto Geisel (1974-1979) em seu projeto de distensão lenta e gradual, visando à redemocratização do país. Declarando-se “fiel a princípios e leal a pessoas”, concluiria que, em 1974, “o povo não votou contra a revolução, o governo ou o presidente”. Em sua opinião, a expressiva vitória do MDB nas eleições daquele ano constituía, antes, “um severo julgamento da classe política e de ambos os partidos... O povo votou contra todos aqueles em que identificou os donos da política”.

Segundo Konder Reis, a realidade implantada no país em 1964 deveria traduzir-se em termos de probidade administrativa e de eficiência da máquina do Estado. Como político totalmente identificado com os princípios que norteavam o regime, justificou novamente, em entrevista à imprensa em maio de 1976, as medidas de exceção implantadas. Opinando sobre a estatização crescente no país, afirmou que o Estado deveria controlar os fatores de produção que pudessem oferecer distorções contrárias aos interesses nacionais, agindo também supletivamente através da ocupação do espaço destinado à livre iniciativa em setores em que ela não tivesse capacidade para atender às necessidades nacionais.

Seu programa administrativo na chefia do Executivo catarinense voltou-se para a integração social e o desenvolvimento econômico montado em apoio à atividade agrícola, à expansão das indústrias de base e à construção de estradas, sob o lema “governar é encurtar distâncias”. Empenhou-se também no fortalecimento da Arena, fazendo um governo assumidamente partidário e viajando sistematicamente nos fins de semana para os municípios do interior.

Após a vitória da Arena nas eleições municipais de 1976, foi acusado de corrupção na campanha pelos deputados Dejandir Dalpasquali, presidente do diretório regional do MDB, e Laerte Vieira. Afirmou, todavia, que foram três os fatores que ajudaram a Arena a sair vitoriosa em Santa Catarina: em primeiro lugar, a mobilização do partido em todo o estado e sua interação com o governo federal, em segundo, o apoio recebido por parte do presidente Geisel, e, em terceiro, o desempenho da administração estadual. Em suas palavras, os “resultados comprovaram que um governo tem que ser político”. Mostrou-se favorável às eleições diretas para governadores em 1978, defendendo a alternância do poder.

Recusando a denominação de oligarca, Konder Reis afirmou inúmeras vezes que, embora pertencesse a uma família que fazia política, não fazia política de família: “Nunca nomeei um parente para cargo vitalício.” Segundo declarou, os membros de sua família ocuparam apenas postos de confiança em seu governo.

Em setembro de 1978, pela quarta vez em 52 anos, a sucessão foi novamente dominada pela família: Jorge Konder Bornhausen, seu primo, foi indicado pelo palácio do Planalto e referendado pelo Colégio Eleitoral do estado para sucedê-lo no governo de Santa Catarina a partir de janeiro de 1979. Os Konder-Bornhausen, sempre ligados ao grupo mais conservador da extinta UDN, revitalizavam-se com a indicação do jovem governador de 41 anos para continuar no leme da política regional.

Por ocasião da reformulação partidária que se seguiu à extinção do bipartidarismo (27/11/1979), inscreveu-se no Partido Democrático Social (PDS), legenda de apoio ao governo que reuniu a maioria dos antigos arenistas. No novo partido pretendia concorrer ao governo do estado nas eleições marcadas para novembro de 1982, as primeiras a serem decididas nas urnas desde 1966. Entretanto, suas pretensões de encabeçar a chapa do PDS frustraram-se com o lançamento, em março daquele ano, do nome de Esperidião Amin para disputar a sucessão estadual. Contando com o apoio da maioria dos diretórios municipais do partido e com o aval de Jorge Bornhausen, então concorrente a uma vaga no Senado, a candidatura de Amin provocou um racha no PDS catarinense. Embora ao longo de toda a campanha eleitoral Amin e Bornhausen tenham tentado obter o apoio de Konder Reis, este manteve-se afastado do processo, negando-se a disputar qualquer outro cargo eletivo bem como a declarar seu apoio ao candidato escolhido pela convenção do partido.

A divisão do PDS no estado, na ocasião, resultou numa vitória apertada sobre a oposição. Jorge Bornhausen conseguiu eleger-se senador com uma diferença de pouco mais de mil votos sobre Pedro Ivo Campos, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e Esperidião Amin elegeu-se governador com apenas 12 mil votos de diferença do peemedebista Jaison Barreto. A despeito de sua intransigência no episódio, no final de 1983 aceitou o convite do governador para assumir a Secretaria da Reconstrução, criada em caráter extraordinário após as enchentes que atingiram o estado naquele ano e que acarretaram prejuízos equivalentes a 10% do PIB estadual.

Durante a campanha para a sucessão presidencial de 1985, emprestou seu apoio ao candidato das oposições, Tancredo Neves, alinhando-se à dissidência do PDS que se aglutinou na Frente Liberal. A opção de Konder Reis nesse episódio determinou seu rompimento com o grupo liderado pelo governador Esperidião Amin, destacado opositor da participação do PDS no pleito indireto. Em janeiro de 1985 deixou o cargo que ocupava no governo e, em seguida, filiou-se ao Partido da Frente Liberal (PFL), que reuniu os dissidentes do PDS e cuja liderança, em Santa Catarina, coube a Jorge Bornhausen.

Na nova legenda foi eleito deputado federal constituinte em novembro de 1986. Tomou posse em 1º de fevereiro do ano seguinte, quando foram instalados os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte, e tornou-se titular da Comissão de Sistematização, suplente da Subcomissão de Defesa do Estado, da Sociedade e de sua Segurança, da Comissão da Organização Eleitoral, Partidária e da Garantia das Instituições e relator-adjunto da Comissão de Redação da Assembléia Nacional Constituinte.

Nas principais votações então realizadas, pronunciou-se contra o rompimento de relações diplomáticas com países que adotavam política de discriminação racial, a pena de morte, a limitação do direito de propriedade privada, o aborto, a estabilidade no emprego, a remuneração 50% superior para o trabalho extra, a jornada semanal de 40 horas, o presidencialismo, a estatização do sistema financeiro, o limite de 12% ao ano para os juros reais, o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney, a limitação dos encargos da dívida externa, a criação de um fundo de apoio à reforma agrária, a legalização do jogo do bicho e a desapropriação da propriedade rural produtiva. Votou a favor do mandado de segurança coletivo, do turno ininterrupto de seis horas, do aviso prévio proporcional, da unicidade sindical, da soberania popular, do voto aos 16 anos, da nacionalização do subsolo, da proibição do comércio de sangue e da anistia aos micro e pequenos empresários.

A divisão das principais forças políticas do estado, que desde a criação da Arena conviviam numa única legenda, resultou na derrota dos candidatos majoritários do PDS e do PFL nas eleições de novembro de 1986. Na ocasião, o PDS lançara a candidatura de Amílcar Gazanica e o PFL, a de Vílson Kleinubing. No entanto, foi Pedro Ivo Campos, candidato do PMDB, que saiu vitorioso das urnas, ao lado dos dois senadores, igualmente eleitos pela oposição, Dirceu Carneiro e Nélson Wedekin. Esse resultado foi suficiente para que os líderes do PDS e do PFL catarinenses redefinissem sua estratégia de atuação, iniciando uma longa costura política que viabilizou a aliança entre essas forças nas eleições municipais de 1988. Em 15 de novembro desse ano, a coligação PDS-PFL conseguiria eleger prefeitos em 116 dos 199 municípios do estado, aí incluídos a capital e as principais cidades catarinenses, como Blumenau, Joinville e Criciúma.

A aliança entre o PFL e o PDS em Santa Catarina foi recomposta nas eleições estaduais de 1990, quando Konder Reis teve seu nome indicado pelo PFL para vice-governador na chapa encabeçada pelo também pefelista Vílson Kleinubing. Na ocasião, coube ao PDS a indicação do candidato ao Senado, Esperidião Amin. Com a vitória da coligação, que contava também com o apoio do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), do Partido Democrata Cristão (PDC) e do Partido Liberal (PL), Konder Reis tomou posse no cargo em 1º de janeiro de 1991, ao lado de Vílson Kleinubing. Entre maio e dezembro de 1994, Konder Reis voltou a ocupar a chefia do governo em virtude da licença do titular, candidato pelo PFL a uma vaga no Senado nas eleições de outubro daquele ano. Deixou o cargo em 1º de janeiro de 1995, transmitindo-o ao peemedebista Pedro Ivo Campos, eleito governador na mesma ocasião.

Em maio de 1997, por ocasião do processo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos títulos públicos que pediu o impeachment do governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira, e do qual não seria poupado o vice-governador José Hülse, Konder Reis teve seu nome cotado como virtual candidato ao governo do estado, no caso de convocação de eleições para o preenchimento do cargo vago. Contudo, as expectativas dos opositores do governador Paulo Afonso não se confirmaram e o processo de impeachment não chegou sequer a ser efetivamente instalado.

Nas eleições de outubro de 1998, Konder Reis conquistou, novamente na legenda do PFL, tendo obtido a quinta maior votação do estado com aproximadamente 75 mil votos. Assumiu novo mandato em fevereiro de 1999 e participou como titular da Comissão do Trabalho, Administração e Serviço Público. Nessa legislatura integrou a bancada de apoio ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1999-2002), tendo votado em 2002 a favor da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Nas eleições de 2002, concorreu ao mandato de deputado estadual na legenda pefelista, tendo conquistado uma suplência.  Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 2003.

Publicou Abertura e desenvolvimento político (1972), Encurtando distâncias (discursos, 1977), A Propósito dos Rumos do Desenvolvimento Brasileiro (1971).

 

FONTES: CABRAL, C. Homens; CABRAL, O. Breve; CABRAL, O. Era; CABRAL, O. História; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos deputados; CASTELO BRANCO, C. Militares; COELHO, J. & OLIVEIRA, A. Nova; COUTINHO, A. Brasil; Diário do Congresso Nacional;  Estado de S. Paulo (12/2/81 e 24/3/82); Folha de S. Paulo (25/3/82); Jornal do Brasil (7/8/73, 15 e 17/6, 28/8, 8 e 19/11/76, 7/11/77, 1/5/97); KONDER, V. M. Antônio; LEITÃO, C. Apontamentos; NÉRI, S. 16; Perfil (1972 e 1974); Rev. Brasiliense; SENADO. Dados; SENADO. Dados biográficos; SENADO. Endereços; SENADO. Relação; SENADO. Relação dos líderes; SILVA, Z. Perfis; Veja (22/9/71, 7/3 e 8/8/73, 22/5, 19/6, 18/9, 9/10 e 24/11/74, 5 e 19/3 e 27/8/75 e 17/3/76); VIANA FILHO, L. Governo; Visão (17/5/76); http://www.tse.gov.br/internet/eleicoes/2002/result_blank.htm acesso em 2/9/09.

 

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