RENILDO VASCONCELOS CALHEIROS

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Nome: CALHEIROS, Renildo
Nome Completo: RENILDO VASCONCELOS CALHEIROS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CALHEIROS, Renildo

*pres. UNE 1984-1986; dep. fed. PE 1991-1995 e 2003-2008.

         Renildo Vasconcelos Calheiros nasceu em Murici (AL) no dia 20 de abril de 1959, filho de Olavo Calheiros Novais e de Ivanilda Vasconcelos Calheiros. Seus irmãos Renan Calheiros e Olavo Calheiros Filho fizeram carreira política em Alagoas: o primeiro foi deputado federal de 1983 a 1991, senador de 1995 a 1998, ministro da Justiça de 1998 a 1999 e novamente senador a partir de 1999, e o segundo foi deputado federal de 1991 a 1997 e novamente a partir de 1999.

Estudante de geologia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife — pela qual se diplomaria em 1991 —, Renildo Calheiros foi vice-presidente e presidente do diretório acadêmico, e ainda diretor e presidente do Diretório Central dos Estudantes. Delegado ao Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) realizado em São Bernardo do Campo (SP) em 1983, foi eleito secretário-geral da entidade. No congresso seguinte, realizado em outubro de 1984 no Rio de Janeiro, integrando a chapa Viração, foi eleito presidente da UNE, substituindo Acildon de Matos Pais. Ao tomar posse declarou o apoio dos estudantes brasileiros à eleição indireta do candidato de oposição ao regime militar à presidência da República, Tancredo Neves, da Aliança Democrática, união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a Frente Liberal. Anunciou também que 1985 seria o ano da legalização da UNE, na clandestinidade desde 1968, e transferiu-se para São Paulo, onde se instalou a sede nacional da entidade.

Em 1985, já no governo José Sarney (1985-1990), filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que então retornou à legalidade, passando a integrar o diretório regional de Pernambuco e o diretório nacional. Em audiência com o ministro da Educação, Jorge Bornhausen, reivindicou em 1986 a devolução da sede da UNE, na praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, que havia sido invadida e incendiada em abril de 1964, um dia após a eclosão do movimento político-militar que depôs o presidente João Goulart (1961-1964). No encontro, ressaltou a disposição dos estudantes de realizar mobilizações nacionais contra os aumentos das mensalidades nas universidades particulares e a favor de uma reforma universitária ampla e democrática. Deixou a presidência da UNE em junho de 1986, sendo substituído por Gisela Mendonça, também do PCdoB.

Em novembro de 1988 elegeu-se vereador em Recife na legenda do PCdoB, depois da decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco que aumentou de 33 para 35 as vagas na Câmara Municipal em decorrência do crescimento populacional registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Sua vitória foi comemorada por seu partido, que nunca tivera assento em qualquer das instâncias do Legislativo do estado. Líder do PCdoB e participante da comissão parlamentar de inquérito que investigou irregularidades praticadas na Companhia de Transportes Urbanos, apresentou projeto de lei propondo eleições diretas para a escolha de diretores das escolas públicas da rede municipal e uma emenda ao regimento interno da Câmara Municipal, permitindo que os vereadores circulassem no plenário sem paletó e gravata.

Em outubro de 1990 elegeu-se deputado federal por Pernambuco. Empossado em fevereiro de 1991, tornou-se titular da Comissão de Educação, Cultura e Desportos e suplente da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara dos Deputados. Na sessão de 29 de setembro de 1992, votou a favor da abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias. Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal, sendo efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde o dia 2 de outubro.

Já no governo Itamar Franco (1992-1995), votou contra a criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), fonte suplementar de recursos destinados à saúde. Frustrado na tentativa de reeleger-se em outubro de 1994, deixou a Câmara em janeiro de 1995. Vice-presidente do diretório regional do PCdoB, foi secretário adjunto de Governo em Pernambuco na administração de Miguel Arrais (1995-1999). Em outubro de 1998 voltou a disputar uma vaga de deputado federal, mas sem sucesso. De 2001 a 2002 foi secretário da Prefeitura de Olinda (PE).

No pleito de 2002 foi afinal eleito deputado federal por Pernambuco na legenda do PCdoB, e assumiu o mandato em fevereiro de 2003. Ao longo da legislatura, foi membro titular das comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; de Relações Exteriores e de Defesa Nacional; de Turismo e Desporto. Participou ainda de comissões especiais, como a que avaliou a Proposta de Emenda Constitucional n. 466/05, relativa ao processo eleitoral de 2006, e a relativa à reestruturação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), e foi relator da que avaliou o Projeto de Lei n. 2.401/03, que regulamentava o plantio e a comercialização de produtos geneticamente modificados e permitia pesquisas com células-tronco humanas. Entre 2003 e 2007 foi vice-líder do governo, e entre 2004 e 2006 foi líder do PCdoB.

Foi reeleito deputado federal nas eleições de 2006, e tomou posse em fevereiro de 2007. Na legislatura então iniciada foi titular das comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; de Trabalho, Administração e Serviço Público; e de Turismo e Desporto. Em 2008 concorreu à eleição para a prefeitura de Olinda e foi eleito no primeiro turno com 56,43% dos votos válidos, contra 19,08% recebidos por sua principal adversária, Jacilda Urquisa (PMDB). Renunciou então ao mandato de deputado federal, em 31 de dezembro de 2008.

Casado com Olga Sousa de Lima, teve uma filha.

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1991-1995); Folha de S. Paulo (18/9/94); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (30/10/84, 31/1/85, 27/2/86 e 4/3/89); Perfil Parlamentar/IstoÉ (1991); Veja (11/4/90).

 

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