RENNO, JOEL MENDES

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Nome: RENNÓ, Joel Mendes
Nome Completo: RENNO, JOEL MENDES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
RENNÓ, JOEL MENDES

RENNÓ, Joel Mendes

*pres. CVRD 1978-1979; pres. Petrobras 1992-1999.

 

Joel Mendes Rennó nasceu em Belo Horizonte no dia 23 de fevereiro de 1938, filho de João B. Cabral Rennó e de Elza Mendes Rennó.

Diplomou-se em engenharia elétrica e mecânica em 1960, pela Escola Federal de Engenharia de Itajubá (MG). Transferindo-se para São Paulo, trabalhou inicialmente na empresa AEG-Telefunken. Em seguida, foi assessor da diretoria do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) de São Paulo, chefe do Gabinete do Secretário de Obras do Estado e assistente executivo de planejamento da Companhia de Saneamento Básico do Estado. Foi assistente do presidente da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), quando esta era subsidiária das Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás). Lecionou a cadeira estações geradoras no curso de engenharia da Universidade Mackenzie, em São Paulo.

Assessor técnico especial do ministro das Minas e Energia, Shigeaki Ueki, a partir de 1975, participou de trabalhos de acompanhamento junto a empresas ligadas àquela pasta, entre as quais a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), a Petróleo Brasileiro (Petrobras) e a Eletrobrás.

Em abril de 1978 assumiu a presidência da CVRD, em substituição a Fernando Antônio Roquete Pinto. Permaneceu à frente da estatal até março de 1979, ao final do governo do general Ernesto Geisel, quando foi substituído por Eliezer Batista.

Em 1983, ingressou na Petrobras, assumindo a direção da subsidiária Braspetro, tornando-se em seguida seu vice-presidente executivo. Nesse período, promoveu a dinamização da subsidiária, expandindo suas atividades de exploração e produção de petróleo por vários países, como Angola, Iêmen do Sul, Índia e República Popular da China. Posteriormente, ocupou o cargo de vice-presidente executivo de outra subsidiária da estatal, a Petrobras Química (Petroquisa), responsável pela implantação e desenvolvimento do setor petroquímico brasileiro. Paralelamente, entre 1983 e 1986, foi membro do Conselho da Administração, diretor executivo e diretor de produção da Petrobras.

De 1987 a 1992, atuou na iniciativa privada como consultor de empresas nos setores elétricos, de mineração e siderúrgico.

Em novembro de 1992, substituiu Benedito Fonseca Moreira, que pedira demissão da presidência da estatal por se opor ao adiamento da revisão de preços dos derivados de petróleo, defendida pelo presidente Itamar Franco. Ao tomar posse, defendeu a implantação de contratos de gestão na administração da Petrobras, bem como a manutenção do monopólio estatal na exploração do petróleo. Entretanto, ao longo de sua gestão, reviu sua posição e passou a defender a flexibilização do monopólio do petróleo e parcerias da estatal com empresas privadas nacionais e estrangeiras. Defendeu também a volta dos contratos de risco, introduzidos durante o governo Geisel e suspensos por decisão da Constituição de 1988.

Em julho de 1993, pleiteou junto ao Ministério da Fazenda um programa gradual de reajuste real do preço dos combustíveis de 42%. Sem o aumento, argumentou, a Petrobras não conseguiria investir os 9,5 bilhões de dólares necessários até 1997 para atender à demanda. Para ele, essa seria a única forma de conseguir pagar os dividendos aos acionistas, manter em níveis razoáveis a rentabilidade da empresa e atenuar a defasagem de preços, observada desde 1989.

Durante sua gestão foi acusado de ter privilegiado cerca de quinhentos funcionários,  entre os quais ele próprio, autorizando-os, em uma decisão “ilegal”, tomada em 1994, a ingressar na Fundação de Seguridade dos Funcionários da Petrobras (Petros), obtendo, com isso, direito à aposentadoria igual à dos que contribuíram ao longo de toda a vida. Os beneficiados, grande parte ocupando cargos de chefia, teriam sido incluídos no pacote de medidas anunciado pela Petros para reverter o déficit do fundo, estimado em 850 milhões de reais, em superávit de 357,9 mil reais. Negou a acusação, afirmando que os funcionários beneficiados teriam pagado a sua parte da joia para ingressar no fundo de pensão, desmentindo, portanto, que a Petrobras houvesse arcado com o valor integral da joia.

Com a formalização da quebra do monopólio do petróleo no Brasil, ocorrida em agosto de 1997 (Lei nº 9.478), afirmou que a estatal havia sido previamente preparada para enfrentar a concorrência e que iria centralizar seus trabalhos nas parcerias que vinha negociando com cerca de 60 empresas privadas do Brasil e do exterior, em especial nas áreas de exploração e produção de petróleo.

Em setembro do mesmo ano, seu nome foi envolvido em nova denúncia. Dessa vez, a polêmica dizia respeito aos termos do contrato assinado entre a Petrobras e a OPP Petroquímica, do grupo baiano Odebrecht, para a construção do polo petroquímico de Paulínia (SP). Segundo outros empresários do ramo, o acordo teria sido lesivo aos interesses da Petrobras por conter cláusulas que dariam à Odebrecht prioridade para parcerias em outros projetos que a Petrobras viesse a realizar. Pelo contrato, a empreiteira baiana teria o direito de participar de qualquer negócio que a estatal fizesse no Brasil na área petroquímica. Como a Petrobras dominava 90% de todo o negócio do petróleo, a Odebrecht estaria em uma posição privilegiada em relação às suas concorrentes brasileiras. Atribuindo essa denúncia a interesses contrariados, defendeu-se, afirmando que todos os termos do contrato diziam respeito exclusivamente à construção do complexo petroquímico em Paulínia. Para reduzir o impacto das denúncias de favorecimento à Odebrecht, o ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, antecipou-se e, antes mesmo de ser convocado, participou de audiência na Câmara, defendendo a legalidade do contrato.

Em julho de 1998 firmou contratos para financiamento de dois projetos de desenvolvimento da produção de petróleo: o primeiro, com as tradings japonesas Itosho e Mitsubishi, no valor de 2,1 bilhões de dólares, referente aos campos de Barracuda e Caratinga, na bacia de Campos (RJ); o segundo, com as tradings Mitsui e Marubeni, para a exploração dos campos de Espadarte, Voador e Marimbá, também na bacia de Campos, no valor de cerca de 1,8 bilhão de dólares. Em ambos os casos, o financiamento bancado pelos japoneses seria saldado com receitas futuras. Contratos semelhantes foram assinados com uma gigante americana do setor de energia, a Enron, no valor de quinhentos milhões de dólares, para financiar a exploração dos poços do campo de Bijupira-Salema, também na bacia de Campos.

Em agosto foram assinados 397 contratos de exploração de petróleo e de gás natural entre a Petrobras e a Agência Nacional de Petróleo (ANP), criada em agosto do ano anterior para fixar tarifas, regulamentar e fiscalizar a prestação de serviços, bem como realizar licitações de novas áreas de exploração de petróleo. Os contratos garantiram à Petrobras o direito de explorar 7,1% das bacias sedimentares brasileiras, abrangendo áreas com grandes possibilidades de produção de petróleo e gás natural. Ainda em agosto, a Petrobras e o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) formaram uma parceria para atuar na área de produção de petróleo. Contando com a assistência de um consórcio formado pelo banco ABN Amro e a consultora Rothschild, o BNDES constituiria com grupos privados uma empresa para investir 1,5 bilhão de dólares no campo de Marlim, na bacia de Campos. O BNDES, por meio de sua subsidiária BNDES Participações (BNDESPar), teria uma participação de 60 milhões de dólares no capital total de duzentos milhões de dólares da empresa. Além disso, o banco estatal adiantaria duzentos milhões de dólares para iniciar o projeto até que a empresa conseguisse captar no mercado internacional o total de 1,5 bilhão de dólares.

A Petrobras havia investido até aquela data 2,6 bilhões de dólares no campo de Marlim e produzido cerca de 230 mil barris/dia. Com a parceria da nova empresa, cuja constituição seria liderada pelo BNDESPar, a estatal do petróleo só precisaria obter mais setecentos milhões de reais para completar o desenvolvimento do campo. Na mesma época, a Petrobras colocou em operação no campo de Albacora, na bacia de Campos, a plataforma P-31, considerada a maior unidade de produção e de estocagem de petróleo do mundo.

Rennó foi o presidente da Petrobras que por mais tempo exerceu o cargo desde o fim do regime militar — quase sete anos —, atravessando o governo de Itamar Franco e todo o primeiro mandato presidencial de Fernando Henrique Cardoso. Deixou a presidência da estatal em março de 1999, já no segundo governo de Fernando Henrique, sendo substituído por Henri Philipe Reichstul. Retornando à iniciativa privada, passou a dedicar-se à sua empresa de consultoria nas áreas de petróleo, petroquímica e energia.

Em 2007, tornou-se provedor da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro.

Casou-se com Magali Monzo Rennó, com quem teve dois filhos.

Verônica Veloso/Susana Cesa

 

FONTES: CVRD. A mineração; Estado de S. Paulo, (20/11/92, 1/7/93, 2/10/94, 13 e 14/6/96, 8/7/97, 12/8/98); Folha de S. Paulo (25/7/97, 3/7 e 7/8/98); Globo (20 e 25/9/97, 14/7 e 22/8/98); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (17/11/92, 8/7/93, 17/7/98); Jornal da Petrobras (11/92); Veja (24/9/97); Câmara Municipal do Rio de Janeiro (28/2/08).

 

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