RIANI, CLODESMIDT

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Nome: RIANI, Clodesmidt
Nome Completo: RIANI, CLODESMIDT

Tipo: BIOGRAFICO


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RIANI, CLODESMIDT

RIANI, Clodesmidt

*pres. CNTI 1962-1964; pres. CGT 1963-1964.

 

Clodesmidt Riani nasceu em Rio Casca (MG) no dia 15 de outubro de 1920, filho do sindicalista Orlando Riani, que presidiu o Sindicato dos Têxteis e Classes Anexas de Juiz de Fora, e de Maria Riani.

Concluído o curso primário em novembro de 1933, no Grupo Escolar Antônio Carlos, de Juiz de Fora (MG), no ano seguinte começou a trabalhar na Companhia de Fiação e Tecelagem Morais Sarmento, transferindo-se em 1936 para a Companhia Mineira de Eletricidade, como aprendiz de eletricista.

Em 1946, após a recusa, apesar do convênio que lhe garantia o direito, da internação da mulher grávida na rede hospitalar estadual, e às voltas com problemas financeiros, recorreu à ajuda do advogado do sindicato Hildebrando Bisaglia. Nas eleições municipais de outubro de 1947 Bisaglia disputou uma cadeira de vereador de Juiz de Fora e com o apoio de Riani foi o candidato mais votado da cidade. Em 1949, ao participar do movimento do Sindicato dos Trabalhadores em Carris Urbanos de Juiz de Fora, foi nomeado em assembleia para representar a entidade em uma comissão que iria ao Rio de Janeiro, então Distrito Federal, para discutir a revisão dos salários que estavam congelados há três anos. Vitorioso nas eleições sindicais que se seguiram, não pôde tomar posse devido à interferência do Ministério do Trabalho. O governo alegou que os membros do Sindicato dos Trabalhadores da Força e Luz, ao qual era filiado, não pertenciam à categoria preponderante dos condutores de bondes. Novas eleições foram convocadas e a oposição, apoiada pela chapa que não tomara posse, venceu a disputa.

Um abaixo-assinado colhido entre os empregados dos bondes, da energia elétrica e dos telefônicos convenceu-o a concorrer, em 1950, a uma cadeira na Câmara de Vereadores de Juiz de Fora. Divergências regionais levaram-no a optar pela legenda do Partido Social Progressista (PSP), mas não conseguiu ser eleito.

Integrante do conselho deliberativo da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários e Empregados em Serviços Públicos de Belo Horizonte (1950-1954), lutou pela união dos trabalhadores dos bondes e da força e luz em um só sindicato, objetivo alcançado com a criação do Sindicato dos Trabalhadores da Energia Elétrica de Juiz de Fora. Presidente da entidade, participou do conselho da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI).

Em 1954 foi indicado pelo ministro do Trabalho João Goulart (1951-1954) para integrar a Comissão do Salário Mínimo de Minas Gerais. Lançado pelo movimento sindical de Juiz de Fora, em outubro de 1954 elegeu-se deputado estadual pela legenda do PTB, assumindo o mandato em fevereiro de 1955. Paralelo à atividade legislativa, prosseguiu o trabalho sindical. Na CNTI, como presidente da comissão executiva dos congressos sindicais, promoveu concentrações regionais e estimulou a participação dos operários. Desenvolveu também um movimento de sindicalização dos trabalhadores mineiros, fundando sindicatos no interior do estado. No eixo Rio-Minas, sob a bandeira da unidade sindical, articulou a oposição na CNTI contra Ari Campista e Deocleciano de Holanda Cavalcanti.

Em 1958 representou o governo na reunião da Organização Internacional do Trabalho (OIT), realizada em Genebra, na Suíça. Candidato à reeleição em outubro, obteve uma suplência, vindo a exercer o mandato de agosto a setembro e de outubro a novembro de 1959, e em caráter efetivo, a partir de outubro de 1960. Pouco antes, a convite do convênio Brasil-Estados Unidos, passou três meses naquele país.

Eleito vice-presidente da CNTI em 1960, na chapa encabeçada por Deocleciano de Holanda Cavalcanti, durante o III Congresso Nacional dos Trabalhadores, realizado no Rio de Janeiro em agosto daquele ano, defendeu a formação do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), posição combatida por setores que, liderados pelo próprio presidente da CNTI, se opunham à formação de uma entidade que englobasse todos os sindicatos brasileiros. No segundo dia dos trabalhos Deocleciano Cavalcanti e grande parte da mesa diretora retiraram-se da reunião, dando o congresso por encerrado. Com Riani na presidência o plenário aprovou a formação do CGT.

Em 25 de agosto de 1961 o presidente Jânio Quadros, alegando empecilhos causados por forças ocultas que o estariam impedindo de governar, encaminhou ao Congresso Nacional pedido de renúncia. A postura dos ministros militares Grün Moss, da Aeronáutica, Sílvio Heck, da Marinha, e Odílio Denis, do Exército, contrários à posse do vice João Goulart, sucessor constitucional de Jânio, deflagrou grave crise institucional. Após semanas de impasse, o Congresso empossou Goulart sob um regime parlamentarista votado às pressas e capaz de restringir-lhe as iniciativas.

Em 1961, assumiu a presidência do diretório do PTB em Juiz de Fora. Licenciado da Assembleia mineira, chefiou a delegação brasileira à reunião da OIT, em Buenos Aires, e participou dos trabalhos preparatórios do I Congresso Nacional Camponês, realizado em Belo Horizonte. Convenceu Goulart a presidir a sessão solene de abertura do Congresso, que também contou com a presença do primeiro-ministro Tancredo Neves.

Eleito presidente da CNTI em dezembro de 1961, em uma composição com Dante Pellacani, vice-presidente, e Benedito Cerqueira, secretário-geral, assumiu o cargo em janeiro de 1962, representando os trabalhadores brasileiros em mais uma conferência da OIT, em Genebra, Suíça, onde apoiou os delegados dos países africanos, que abandonaram a reunião em protesto contra a política do  apartheid praticada pela África do Sul.

Em julho de 1962, insatisfeitos com as especulações a respeito da composição do novo gabinete chefiado pelo primeiro-ministro Francisco Brochado da Rocha, sobretudo com as prováveis indicações do presidente da Varig, Rubem Berta, para o Ministério de Viação e Obras Públicas, e de Hugo de Faria, para a pasta do Trabalho, os operários do então estado da Guanabara ameaçaram deflagrar uma greve geral. Riani estava em Berlim Oriental, participando do 7º Congresso da Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres, e voltou ao Brasil constituindo uma comissão, da qual fazia parte o deputado Hércules Correia, encarregada de encaminhar ao presidente João Goulart as reivindicações políticas dos trabalhadores. Por solicitação de Goulart, a comissão foi recebida por Brochado da Rocha, conseguindo dissuadi-lo da intenção de nomear Berta e Faria.

Vice-presidente do CGT, criado em agosto de 1962, empenhou-se juntamente com o presidente da entidade, Dante Pellacani, na imediata concretização do programa de reformas de base, lançando mão de diversas formas de mobilização, particularmente a greve. Ainda em 1962 integrou a comitiva de Goulart em viagem à América do Norte, onde visitou várias indústrias urbanas.

No pleito de outubro de 1962 reelegeu-se deputado estadual, sempre pela legenda do PTB, assumindo o mandato em fevereiro de 1963. Em maio, nas eleições do CGT, ele e Pellacani trocaram de posições. Em setembro, o CGT apoiou a revolta de sargentos deflagrada em Brasília e foi acusado pelo ministro da Guerra, general Jair Dantas Ribeiro, de ter sido responsável pelo seu desencadeamento. No mês seguinte, à campanha pelas reformas de base somaram-se as reivindicações pela legalização do CGT e por um aumento de 100% no salário mínimo. Licenciando-se da Assembleia de junho a julho e de outubro a novembro de 1963, viajou para São Paulo a fim de tomar parte na fundação do Pacto de Ação Conjunta (PAC), congregando quatro federações de trabalhadores na indústria e 80 sindicatos de trabalhadores, representando ao todo setecentos mil operários de diversas categorias empenhados na luta. Eleito adjunto do conselho administrativo do Bureau Internacional do Trabalho (1963-1966) e reeleito presidente da CNTI (1964), assinou o manifesto aos trabalhadores e ao povo em geral convocando para o comício a ser realizado no dia 13 de março de 1964, no Rio de Janeiro, em frente à estação D. Pedro II da Estrada de Ferro Central do Brasil, onde seriam defendidas a implantação das reformas de base, as liberdades democráticas e sindicais e a extensão do voto aos analfabetos e soldados. O ato reuniu um grande público e contou, entre os oradores, com líderes políticos, judiciais e estudantes, sendo presidido por João Goulart, em uma de suas últimas manifestações como chefe de governo.

Diante do movimento civil-militar que em 31 de março de 1964 depôs o presidente constitucional, dispôs-se a organizar uma greve geral, tendo sido desaconselhado por João Goulart, sob o argumento que a situação voltaria ao normal “dentro de pouco tempo”. A precária comunicação entre os líderes da CNTI impediu-o de sustar a paralisação, cujo alcance revelou-se medíocre. Dias depois, foi preso em Juiz de Fora e teve seus direitos políticos suspensos por dez anos por força do Ato Institucional nº 1 (AI-1), promulgado no dia 9 de abril de 1964. Em abril de 1964 a CNTI sofreu intervenção federal, sendo entregue a uma junta governativa, sob o comando de Francisco Spolidoro Borges.

Em setembro de 1965 o Superior Tribunal Militar (STM) lhe concedeu habeas corpus que o autorizou a sair do Batalhão da Polícia Especial do Exército, no então estado da Guanabara, em cujas dependências fora encarcerado. Transferido para a 4ª Região Militar, em Juiz de Fora,   assinou o termo de liberdade, mas foi logo detido ao deixar o foro castrense. De volta ao Rio de Janeiro, submeteu-se a um Inquérito Policial-Militar (IPM) instaurado para apurar irregularidades na CNTI e que o acusava de apropriação indébita de recursos.

Enquadrado pela Lei de Segurança Nacional como subversivo, foi condenado em dezembro de 1965 a 17 anos de prisão. Em julho de 1966 teve a pena reduzida para dez anos pelo STM e, dois anos depois, graças a recurso acolhido pelo Supremo Tribunal Federal, para um ano e dois meses. Foi então libertado, pois já estava preso há quatro anos e dois meses, e retornou ao trabalho na Companhia Mineira de Eletricidade.

Contudo, os problemas com a Justiça não haviam terminado, em decorrência do IPM da CNTI, que continuava sob intervenção. Em agosto de 1969 recebeu voz de prisão e, processado em outubro, foi condenado a dois anos de reclusão, sendo levado para o presídio da ilha Grande (RJ). Após cumprir um ano e seis meses da pena foi posto em liberdade por bom comportamento. De volta a Juiz de Fora e à Companhia Mineira de Eletricidade, retomou os estudos, completando o curso técnico de eletrotécnica, em novembro de 1972, no Colégio Estadual Sebastião Patrus de Sousa.

Reassumiu as atividades sindicais em fevereiro de 1979, ao ser eleito vogal do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Hidrelétrica de Juiz de Fora na 1ª Junta de Julgamento e Conciliação da Justiça do Trabalho. Após a anistia, em agosto, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Em março de 1980 elegeu-se delegado do Sindicato dos Trabalhadores em Energia Hidrelétrica de Juiz de Fora junto ao Conselho de Representantes da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de Minas Gerais. Em agosto de 1981 participou da I Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, realizada em Praia Grande (SP).

No pleito de novembro de 1982 elegeu-se deputado estadual pela legenda do PMDB. Empossado em março do ano seguinte, integrou a Comissão de Assuntos Municipais na Assembleia Legislativa (1983-1984).

Em maio de 1983 viajou para o Rio de Janeiro, onde participou dos trabalhos do 8º Congresso Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas e, em dezembro de 1984, formou-se em direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas Viana Júnior, de Juiz de Fora.

Em setembro de 1985 o 9º Congresso Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas, em Maceió, prestou-lhe homenagem, indicando-o para presidir as sessões do encontro.

Candidatou-se à reeleição em outubro de 1986, obtendo uma suplência. Deixou a Assembleia ao término da legislatura, em janeiro de 1987. Afastado da vida pública, dedicou-se à advocacia trabalhista.

Em junho de 1994 a Assembleia Legislativa mineira reconheceu ter agido sob motivação política ao cassar seu mandato, em 1964, e reabilitou-o, assegurando-lhe os direitos previstos pela lei. Em agosto, o XIII Congresso Nacional dos Trabalhadores Urbanitários, realizado em Brasília, nomeou-o presidente de honra da Federação Nacional dos Urbanitários, filiada à Central Única dos Trabalhadores.

Tendo recusado os cargos de assessor presidencial, vogal da Justiça do Trabalho e ministro do Tribunal Superior do Trabalho, jamais manifestou outro interesse senão o de prosseguir na luta trabalhista. Em novembro de 1997 a Câmara Municipal do Rio de Janeiro concedeu-lhe a medalha Pedro Ernesto. Pouco depois, foi-lhe outorgada a medalha do Centenário de Belo Horizonte.

Sobre o biografado foi publicado Clodesmidt Riani: trajetória em 2005 e realizado o documentário A trajetória de Clodesmidt Riani em 2007. 

Casou-se com Norma Geralda Riani, com quem teve dez filhos.

Rogério Barros

 

FONTES: ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico; CÂM. DEP.; Diário Regional (31/3, 1, 7, 8, 14, 15, 21, 22, 28 e 29/4, 5, 6, 19 e 20/5, 2, 3, 9 e 10/6/96); Eleições de 15 de novembro de 1986. Candidatos e votos obtidos; Jornal do Brasil (7/4/74); LABAKI, A. 1961; Rev. Arq. Públ. Mineiro (12/76); Versus (4 e 5/78); Prefeitura de Juiz de Fora; UNESA – MG.

 

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