RICARDO NAMI JAFET

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Nome: JAFET, Ricardo
Nome Completo: RICARDO NAMI JAFET

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
JAFET, RICARDO

JAFET, Ricardo

*pres. Bco. Bras. 1951-1953.

 

Ricardo Nami Jafet nasceu na cidade de São Paulo em 26 de novembro de 1907, filho de Nami Jafet e de Afife Jafet, membros da colônia sírio-libanesa paulista.

Fez seus primeiros estudos no Colégio Mackenzie, em sua cidade natal, bacharelando-se em ciências jurídicas e sociais pela faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, no Distrito Federal, em 1930.

Dedicado a atividades industriais, fundou em 1936 a Mineração Geral do Brasil para explorar jazidas de ferro, manganês, cromo, carvão e ouro. Posteriormente, fundaria também a Usina Siderúrgica de Moji das Cruzes, primeira fábrica de tubos de aço sem costura da América Latina, e a Empresa Internacional de Transportes, pioneira na condução rodoviária de cargas entre o Rio de Janeiro e São Paulo.

Tendo apoiado financeiramente a campanha vitoriosa de Getúlio Vargas para a presidência da República em 1950, teve seu nome cogitado para ocupar a pasta da Fazenda, que seria afinal atribuída a Horácio Lafer. Com o início do novo governo, foi nomeado presidente do Banco do Brasil e tomou posse em janeiro de 1951. No mês seguinte autorizou a formação de uma comissão de inquérito para investigar as operações realizadas pelo banco, em especial através da Carteira de Exportação e Importação, durante o governo de Eurico Dutra (1946-1951). Presidida por Miguel Teixeira, a comissão constataria irregularidades, entre as quais a concessão de uma série de empréstimos a elementos do Partido Social Democrático (PSD), o que evidenciava a vigência de critérios políticos nas operações financeiras.

Propondo-se a promover uma política de expansão do crédito, Ricardo Jafet logo incompatibilizou-se com o ministro da Fazenda, que defendia uma política antiinflacionária. De fato, emitiram-se, durante sua gestão, cerca de 24 bilhões de cruzeiros, e o volume de empréstimos aumentou em 15 bilhões, sendo um bilhão concedidos à Usina Siderúrgica de Moji das Cruzes. Também nesse período, segundo John W. Foster Dulles, concederam-se facilidades excepcionais de empréstimos a elementos ligados a Vargas e ocorreu o enriquecimento de um grupo que comprava algodão inferior para revendê-lo ao Banco do Brasil ao preço do de primeira qualidade.

Por outro lado, a partir de 1952 a oposição a Vargas passou a denunciar sistematicamente o que classificava de favoritismo na concessão de créditos ao jornal Última Hora, de propriedade de Samuel Wainer. Esse periódico havia sido criado com o objetivo de apoiar o presidente, visto que a maioria dos grandes diários se opunham a seu governo. Quando da fundação do jornal, o Banco do Brasil concedera vultoso empréstimo a Samuel Wainer, da ordem de 26 milhões de cruzeiros, destinado à compra de equipamentos gráficos mediante a caução de contratos de publicidade. A campanha desencadeada contra o que se chamava de “escândalo da Última Hora” acabou por transformar-se em questão política e num dos fatores de agravamento da crise do governo Vargas.

O desgaste ocasionado pelo empréstimo a Wainer e a incompatibilidade com Horácio Lafer, que chegou a sugerir a Vargas a demissão de Jafet, levou-o a deixar a presidência do Banco do Brasil em janeiro de 1953, substituído interinamente pelo general Anápio Gomes. Em abril seguinte constituiu-se uma comissão parlamentar de inquérito para investigar as relações entre o Banco do Brasil e o jornal de Wainer, e em 1954 Jafet voltou a ser duramente atacado pela Tribuna da Imprensa, de Carlos Lacerda, que estendeu suas críticas a Vargas, Wainer e João Goulart. Em março de 1955 a Câmara dos Deputados reuniu-se em sessão secreta para examinar o ofício do Banco do Brasil sobre as operações financeiras realizadas na gestão de Jafet, que em maio seguinte tornou a sofrer críticas na imprensa.

Após a passagem pela presidência do Banco do Brasil, Jafet não voltou a ocupar qualquer cargo público, dedicando-se à direção de suas empresas, entre as quais o Banco Cruzeiro do Sul, a Fiação Jafet e a Imobiliária Bom Pastor.

Faleceu no dia 19 de março de 1958 em Cleveland, no estado de Ohio, EUA, em conseqüência de complicações de uma cirurgia cardíaca a que se submetera.

Foi casado com Neli Maluf Jafet.

 

 

FONTES: BANCO DO BRASIL. Relatório; Correio da Manhã (19 e 21/3/68); COSTA, M. Cronologia; COUTINHO, A. Brasil; DULLES, J. Getúlio; Estado de S. Paulo (21/3/68); FONTENLA, V. História; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; Jornal do Brasil (19/3/68); MUSEU DO BANCO DO BRASIL; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Última Hora (19/3/68).

 

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