ROBERTO FERRARETTO D'AVILA

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: D'ÁVILA, Roberto
Nome Completo: ROBERTO FERRARETTO D'AVILA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
D’AVILA, Roberto

D’ÁVILA, Roberto

* jornalista; const. 1987-1988; dep. fed. RJ 1987-1988, 1990-1991.

 

                Roberto Ferraretto D’Ávila nasceu em São Paulo em 13 de fevereiro de 1949, filho de Aquiles R. D’Ávila e de Iacis M. F. D’Ávila.

                Em 1975 formou-se em jornalismo pela École de Formation de Journalisme de Paris, onde residiu durante oito anos. Ainda no mesmo ano, completou o curso de História, em Jussieu, também na capital francesa.

                De volta ao Brasil, fez carreira como jornalista, tendo sido apresentador dos programas Abertura, da TV Tupi, de 1979 a 1980, e Canal Livre, da TV Bandeirantes, de 1980 a 1983. Notabilizou-se por entrevistas com exilados brasileiros no exterior, incluindo a primeira manifestação de Leonel Brizola antes de voltar do exílio. Consolidou sua fama ao comandar o programa Conexão Internacional, na rede Manchete, que foi ao ar ainda durante os anos 80. Nessa época, entrevistou personalidades como Federico Fellini, Felipe González, Albert Sabin e Fidel Castro, que havia muitos anos não prestavam declarações à televisão brasileira. De seu contato com Fidel, publicaria o livro Fidel em pessoa, em 1986.

                Ingressou no Partido Democrático Trabalhista (PDT) em 1984, desempenhando, desde então, as funções de secretário de Relações Internacionais. No exercício do cargo, viria a participar de diversos congressos da Internacional Socialista e de partidos socialistas europeus e da América do Sul.

                Em novembro de 1986, aproveitando-se da popularidade obtida na televisão, elegeu-se deputado federal constituinte pelo Estado do Rio. Membro da corrente socialista do PDT, sua principal bandeira durante a campanha foi a democratização dos meios de comunicação. Assumindo o mandato em fevereiro de 1987, participou dos trabalhos legislativos como presidente da Subcomissão da Nacionalidade, da Soberania e das Relações Internacionais, da Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher, e como suplente da Subcomissão da Ciência e Tecnologia e da Comunicação, da Comissão da Família, da Educação, Cultura e Esporte, da Ciência e Tecnologia e da Comunicação.

Nas principais votações do período, manifestou-se favoravelmente ao rompimento de relações diplomáticas com países de orientação racista, à limitação do direito de propriedade privada, ao mandado de segurança coletivo, à estabilidade no emprego, à jornada semanal de 40 horas, ao turno ininterrupto de seis horas, ao aviso prévio proporcional, à manutenção da unicidade sindical, à soberania popular, à adoção do voto facultativo aos 16 anos, à manutenção do sistema presidencialista, à nacionalização do subsolo, à estatização do sistema financeiro e à limitação dos encargos da dívida externa. Votou contra a adoção da pena de morte e o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney. Com a promulgação da nova Carta em 5 de outubro de 1988, continuou no exercício de seu mandato ordinário como deputado federal.

                Tendo em vista as eleições municipais de novembro seguinte, formalizou a intenção de candidatar-se à sucessão do prefeito do Rio, Saturnino Braga. Derrotado por Marcelo Alencar, aceitou integrar como vice a chapa do partido. Com a vitória de Marcelo, foi empossado na vice-prefeitura em 1o de janeiro de 1989, cargo que passou a acumular com o de secretário de Cultura, Turismo e Esportes.

                Ainda em 1989, deixou o cargo de secretário para dedicar-se à coordenação da campanha presidencial de Leonel Brizola em São Paulo. Sua saída da secretaria foi interpretada por alguns setores da imprensa como a forma encontrada pelo PDT de evitar o confronto aberto entre D’Ávila e Marcelo. De acordo com essas interpretações, o prefeito estaria descontente com a composição de sua equipe, formada, em sua maioria, por pedetistas ligados a D’Ávila.

                Em novembro de 1989, Brizola não conseguiu se eleger, sendo derrotado já no primeiro turno. No segundo turno, realizado no mês seguinte, o PDT decidiu manifestar apoio ao candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Luís Inácio Lula da Silva, derrotado por Fernando Collor, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN).

                Reassumiu suas funções na Câmara em abril de 1990, concluindo o mandato em janeiro do ano seguinte, no fim da legislatura 1987-1991. Em agosto de 1992, assumiu a Secretaria de Meio Ambiente e Projetos Especiais do estado, no segundo governo Brizola. Ficou responsável pelos preparativos da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Rio-92, e envolveu-se nas negociações com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a respeito do projeto de despoluição da Baía de Guanabara. Deixou o cargo em março de 1994.

                Dono da produtora Intervídeo Comunicações Ltda, em julho de 1996 retornou à TV com o programa Conexão Roberto D’Ávila. Seu primeiro entrevistado foi o presidente Fernando Henrique Cardoso. Inicialmente transmitido pela TV Bandeirantes, o programa passou depois a ser veiculado pela TV Educativa do Rio de Janeiro e pela TV Cultura de São Paulo.

                Foi casado com Denise Maria Reis de Oliveira, com quem teve um filho. Casou-se com Cláudia D’Ávila, com quem teve uma filha.

               

Cristiano Sanches/Luís Otávio de Sousa

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); COELHO, J. OLIVEIRA, A. Nova; CURRIC.BIOG.; Dia (24/4/1988); Estado de São Paulo (21/4/1989); Folha de São Paulo (19 e 25/1/1987 e 20/10/1989); Globo (5, 6 e 11/1/1989, 22/4/1989, 16/3/1991, e 16/4/1993); INF. BIOG.; INF. SEC. M. AMBIENTE, RJ; Jornal do Brasil (13 e 17/4/1987, 10/6/1987, 15 e 19/4/1988, 9/5/1988, 10/9/1988, 21/4/1989, 6 e 14/3/1991, 15/4/1993); Veja (23/3/1988).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados