ROCHA, LAURO REGINALDO DA

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Nome: ROCHA, Lauro Reginaldo da
Nome Completo: ROCHA, LAURO REGINALDO DA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

ROCHA, Lauro Reginaldo da

*rev. 1935.

 

Lauro Reginaldo de Rocha nasceu em Mossoró (RN) no dia 17 de agosto de 1908, filho de Manuel Joaquim da Rocha, um pequeno comerciante e sitiante, e de Luísa Perciliana da Rocha. Lauro tinha oito irmãos.

Com a morte de seu pai em 1909, a situação financeira da família ficou muito difícil. Em 1915, em conseqüência da seca, a mãe de Lauro teve de vender a pequena propriedade da família e começou a trabalhar como costureira. As crianças tiveram de trabalhar desde muito cedo.

Lauro foi matriculado no Grupo Escolar 30 de Setembro, mais tarde, transferiu-se para a Escola Paulo de Albuquerque, onde seu irmão Raimundo lecionava. Nesse período, travou contato com o socialismo. Em 1923, trabalhava nas fábricas de cigarros da região e militava, ao lado de Raimundo, na Liga Operária. Neste período foi preso acusado de pertencer ao grupo organizador da greve da Estrada de Ferro em Natal.

 Formou-se professor com 17 anos, em 1925, pela Escola Normal de Mossoró, e em 1926, lecionou na Escola Isolada Padre Cosme, em São Miguel (RN). Colaborou em diversos jornais do Norte e do Sul do país e fundou vários sindicatos de trabalhadores, entre eles o dos Operários Salineiros do Rio Grande do Norte, com sede em Mossoró. Em 1930, passou a residir em Fortaleza, trabalhando como tipógrafo na gráfica do jornal Correio do Ceará. Com a eclosão do movimento revolucionário liderado por Getúlio Vargas, em outubro de 1930, Lauro alistou-se no 29º BC, sediado em Natal. Ao se apresentar, foi preso sob a acusação de ser comunista.

Libertado pouco depois, instalou-se em Natal, sendo eleito, no ano seguinte, membro Comitê Regional do PCB, na função de secretário de agitação e propaganda. Com a repressão desencadeada pelas tropas da polícia do estado, sob as ordens de João Café Filho, foi preso e deportado, em 1932, para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Ao sair da prisão, entrou em contato com o comitê regional do Rio, sendo convidado para participar do curso de formação de quadros do partido ministrado por agentes do Birô Sul-Americano da Internacional Comunista. Destacando-se no curso, Lauro foi cooptado para o Comitê Central do PCB e eleito secretário geral da organização. Pouco antes da realização da I Conferência Nacional do partido, em julho de 1934, foi substituído por Antônio Maciel Bonfim, o “Miranda”, por motivos de saúde. A essa altura, por questões de segurança, era conhecido por outros nomes, entre os quais, Lauro Reginaldo Teixeira, Bangu, Simão e B.

Reeleito para o Comitê Central, foi escolhido para integrar a delegação do PCB ao VII Congresso da Internacional Comunista, a ser realizado em outubro de 1934, em Moscou. Com o adiamento do encontro, foi organizada uma reunião dos partidos comunistas dos países da América do Sul, ainda em Moscou. Candidatou-se a deputado federal e estadual no pleito de outubro de 1934, na legenda do Partido União Operária e Camponesa do Brasil, uma vez que o PCB encontrava-se proscrito, mas não foi eleito. Retornando ao Brasil no início de 1935, foi nomeado secretário do Agitação e Propaganda, sendo um dos principais colaboradores e orientadores do jornal A Classe Operária, órgão oficial do PCB.

Participou desde o início da Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente política fundada em março de 1935 e que tinha como presidente de honra Luís Carlos Prestes. Na ANL reuniam-se representantes de diferentes correntes políticas — socialistas, comunistas, católicos e democratas — e de diferentes setores sociais — operários, intelectuais, profissionais liberais e militares —, todos atraídos por um programa que propunha a luta contra o fascismo, o imperialismo, o latifúndio e a miséria. Foi fechada em 11 de julho de 1935, passando a atuar na clandestinidade.

Durante a preparação de um levante em nome da ANL, a ser deflagrado em novembro de 1935, Lauro Reginaldo da Rocha foi escolhido para servir de ligação entre os revolucionários do Nordeste e os do Rio de Janeiro. Nessa missão, viajou à Bahia, a Pernambuco e ao Rio Grande do Norte. Após cada viagem, reunia-se com os companheiros de direção do PCB, juntamente com Luís Carlos Prestes, Harry Berger, Rodolfo Ghioldi, Leon Jules Valée, Antônio Maciel Bonfim, entre outros. Na Bahia foi o responsável pela organização do Comitê Regional. Nesta ocasião, preparou o documento Programa de curso para ativistas, consolidando instruções aos militantes do PCB sobre a tomada do poder pela ANL e definindo o caráter e as diretrizes do movimento revolucionário.

Após o fracasso da Revolta Comunista no Nordeste e no Distrito Federal, conseguiu escapar à ação policial e, na clandestinidade, foi o mais importante líder comunista a permanecer em atividade. Tentou reorganizar a ANL e o PCB, participou da tentativa de um motim nos navios Bahia e Rio Grande do Sul, ancorados no porto de Salvador em dezembro de 1935, e elaborou um plano de invasão da Casa de Detenção, no Rio de Janeiro, para libertar seus companheiros presos. Após a prisão de “Miranda”, foi novamente escolhido para a secretaria geral do partido. Sob sua direção, na tentativa de fugir da repressão, o Comitê Central passou a trabalhar em Recife e em seguida em São Paulo.

 Em 1937, quando já estava em pleno andamento a campanha eleitoral para a presidência da República, o partido sofreu uma cisão. Lauro defendia o apoio a José Américo de Almeida, apoiado por Getúlio Vargas, enquanto o comitê de São Paulo dirigido por Hermínio Sacheta, era favorável ao candidato oposicionista, Armando de Sales Oliveira. A Internacional Comunista apoiou o secretário-geral, e Sacheta e seus aliados foram expulsos do partido.

Em março de 1940, toda a direção do PCB foi presa, Lauro Reginaldo foi enviado para Casa de Detenção, sendo torturado por 12 dias, e em seguida transferido para a ilha Grande, onde mais tarde passou a morar com a família. Com a decretação da anistia em abril de 1945, Lauro é solto e retorna para o Rio de Janeiro. Afastado da direção do partido, dedicou-se ao trabalho de escultor e maquetista. Proprietário do Estúdio de Maquetes Lauro Reginaldo da Rocha, fundada na década de 1950, trabalhou com Oscar Niemeyer e Lúcio Costa na construção de Brasília. Afastado do PCB, continuou trabalhando em seu estúdio até o final da década de 1980.

Faleceu no dia 4 de abril de 1991.

Era casado com Adauta da Câmara Rocha, com quem teve quatro filhos.

 

FONTES: CASCUDO, L. História da Assembléia; DULLES, J. Anarquistas; GOMES, A. Velhos; LEVINE, R. Vargas; PACHECO, E. Partido; PESSANHA, E. Partido; SEGATTO, J. Breve; SEGATTO, J. PCB; SILVA, H. 1937; SODRÉ, N. Intentona; VIANA, F. Prestes; VIANA, M. Revolucionários.

 

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