ROLAND CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE CORBISIER

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Nome: CORBISIER, Roland
Nome Completo: ROLAND CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE CORBISIER

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
Zé,

CORBISIER, Roland

*  jornalista; dep. fed. GB 1963-1964.

 

            Roland Cavalcanti de Albuquerque Corbisier nasceu na cidade de São Paulo no dia 9 de outubro de 1914, filho de Gabriel Corbisier e de Dulce Cavalcanti de Albuquerque Corbisier.

            Fez o curso secundário nos colégios São Luís e São Bento, ingressando em 1932 na Fa­culdade de Direito da Universidade de São Paulo e na Faculdade de Filosofia de São Ben­to. Ainda acadêmico, integrou o círculo de in­telectuais que se agrupavam em torno de Plínio Salgado, participando do movimento inte­gralista desde a sua etapa inicial.

            Em fevereiro e maio de 1934 compareceu ao I Congresso Integralista, realizado em Vitó­ria com a finalidade de reunir os vários núcleos estaduais e estruturar a Ação Integralista Bra­sileira (AIB) a nível nacional.  O conclave aprovou a tese de Plínio Salgado, chefe nacional do movimento, da direção única da AIB, bem como seus estatutos e sua estruturação inter­na. Corbisier colaborou a seguir com o sema­nário integralista A Ofensiva, que circulou a partir de maio de 1934.

            Diplomado em 1936 pela Faculdade de Di­reito de São Paulo, começou no ano seguinte a trabalhar no departamento jurídico da Companhia Ítalo-Brasileira de Seguros Gerais e, ainda em 1937, foi convidado a lecionar fi­losofia na Faculdade de Filosofia de São Bento.

            Em 1939, em pleno Estado Novo (1937-­1945), participou da reunião realizada em Vi­la Mariana, na cidade de São Paulo, na qual Raimundo Padilha expôs a orientação do che­fe Plínio Salgado, exilado em Portugal desde a fracassada tentativa de levante contra Getúlio Vargas em maio de 1938. Segundo Plínio Sal­gado, os antigos integralistas deveriam procu­rar um contato mais estreito com Vargas.  Al­guns presentes manifestaram-se contrários a essa orientação, o que, todavia, não foi consi­derado por Padilha.

            Em 1940, Corbisier foi contratado para le­cionar filosofia no Colégio do Estado, em São Paulo. Por essa época, participou também da fundação do Centro de Estudos Jackson de Figueiredo. Com a volta de Plínio Salgado em 1945, após consultá-lo e constatar as divergên­cias de opinião que se haviam criado entre am­bos, rompeu com o integralismo.  Em 1946, fundou a Livraria Planalto e no ano seguinte fundou e assumiu a direção da revista Colégio.  Entre 1949 e 1950, fez estudos e conferências sobre temas filosóficos, sociológicos e literá­rios, depois parcialmente reunidos em livro, e participou da fundação do Instituto Brasileiro de Filosofia, onde se tornou diretor de cursos e realizou conferências.

            Em fins de 1949 atuou como redator e co­laborador no jornal O Estado de São Paulo.  Nessa época foi nomeado diretor da Divisão de Ação Social da Reitoria da Universidade de São Paulo, integrando ainda como conselheiro o Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo. Realizou também, no auditório da Biblioteca Municipal e no Museu de Arte Moderna de São Paulo, vários cursos de introdução à filosofia e de história da filosofia, colaborando ainda na im­prensa carioca, particularmente em Letras e Artes, suplemento literário do jornal A Manhã. Em 1952 fundou o Instituto de Economia e Polí­tica da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, representando-o, assim como a O Estado de São Paulo, na IV Reunião do Con­selho Interamericano de Comércio e Produção, realizada em Lima, no Peru.

            Ainda em 1952, com a ampliação dos de­bates sobre a questão do petróleo, sobre os ru­mos do desenvolvimento nacional, e, de modo geral, sobre os problemas da sociedade brasi­leira, Corbisier participou de um grupo de es­tudos que no último fim de semana de cada mês se reunia no Parque Nacional de Itatiaia, no estado do Rio.  Do “grupo Itatiaia”, como ficou conhecido, faziam parte também, entre outros, Hélio Jaguaribe, Rômulo de Almeida, Cândido Mendes de Almeida, Inácio Rangel e Evaldo Correia Lima.  Em 1953, o grupo Ita­tiaia decidiu organizar-se formalmente, crian­do o Instituto Brasileiro de Economia, Socio­logia e Política (IBESP), que passou a editar a revista Cadernos do Nosso Tempo e a promo­ver cursos e conferências de extensão universi­tária.

 

Do ISEB à cassação

 

            Em março de 1954, Corbisier transferiu-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, passando a trabalhar no Ministério da Educa­ção e Cultura (MEC).  De abril a maio desse ano colaborou no jornal carioca Tribuna da Im­prensa e, no governo de João Café Filho (1954-­1955), foi nomeado pelo então ministro da Educação, Cândido Mota Filho, secretário da Assistência Técnica de Educação e Cultura do MEC.

                Em 1955, os integrantes do IBESP decidi­ram ampliar sua ação e criar um órgão através do qual pudessem influir nas decisões oficiais relativas à orientação da política de desenvolvimento. Através do Decreto n°. 37.608, de 14 de julho desse ano (ainda no governo Café Filho), foi criado o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), órgão do MEC do­tado de autonomia administrativa e de liber­dade de pesquisa, de opinião e de cátedra, des­tinado ao estudo, ao ensino e à divulgação das ciências sociais, visando a compreensão críti­ca da realidade brasileira. O instituto deveria ser dirigido por um conselho curador presidi­do pelo ministro da Educação e composto de oito membros designados pelo presidente da República. Foram nomeados para integrar o conselho Roland Corbisier, Adroaldo Junquei­ra Aires, Anísio Teixeira, Ernesto Luís de Oli­veira Júnior, Hélio Cabal, Hélio Jaguaribe, Ro­berto Campos e Temístocles Cavalcanti. Cor­bisier foi escolhido por seus companheiros para assumir o cargo de di­retor-executivo do ISEB.

            Iniciando suas atividades no momento em que Juscelino Kubitschek assumia a presidên­cia da República (1956-1961), o ISEB elaborou através de seus cursos e publicações, (análises e estudos sobre a sociedade brasileira que deveriam se transformar em um projeto de desenvolvimento para o país.  A produção teórica do ISEB mais tarde ficou conhecida como a ideologia do nacional–desenvolvimentismo) uma ideologia "nacional-desenvolvimentista" em cuja divulgação Corbisier teve papel destacado. Em 1958, entretanto, uma crise interna dividiu a direção do instituto, opondo ao grupo lidera­do por Hélio Jaguaribe a corrente da qual fa­ziam parte entre outros Corbisier e Alberto Guerreiro Ramos, partidários de uma atuação menos acadêmica e mais engajada.

            Ainda em julho de 1958, Corbisier atuou como delegado do Brasil junto à VI Reunião do Conselho Econômico e Social da Organiza­ção das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça.

            Em 1960, Corbisier ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e, nas eleições de outubro, elegeu-se deputado à Assembléia Constituinte do estado da Guanabara. Deixou então a direção do ISEB, sendo substituído por Álvaro Vieira Pinto. Assumindo o manda­to em fevereiro de 1961, participou da grande comissão encarregada de elaborar o anteproje­to constitucional e foi líder da oposição. Na legislatura ordinária que se seguiu à promulga­ção da nova Carta estadual (27/3/61), foi presidente da Comissão de Constituição e Jus­tiça da Assembléia.

            Eleito em outubro de 1962 primeiro su­plente de deputado federal pela Guanabara, sempre na legenda do PTB, deixou a Assem­bléia carioca em janeiro de 1963, ao final do mandato. Em março seguinte foi nomeado procurador-adjunto-substituto da Justiça do Trabalho e exerceu essas funções até agosto, quando assumiu uma cadeira na Câmara Fede­ral. Nessa legislatura integrou a Comissão de Constituição e Justiça e apresentou projetos de lei relativos à legislação trabalhista, partici­pando do grupo que apoiava com mais vigor a política nacionalista e as reformas de base propostas pelo presidente João Goulart (1961-1964).

            Com o movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs Goulart, teve início uma série de medidas destinadas a punir os elementos e instituições ligados ao antigo governo.  No dia 9 de abril foi editado o Ato Institucional nº. 1 (AI-1), que transferiu para o Executivo importantes prerrogativas do Legis­lativo e, entre outras atribuições, permitiu a cassação de mandatos parlamentares. Corbi­sier foi incluído na primeira lista de cassados, publicada no dia seguinte. Três dias depois foi decretada a extinção do ISEB e, em seguida, instaurado um inquérito policial-militar (IPM) para apurar suas atividades. Assim como todos os diretores e professores do ISEB, Corbisier foi arrolado no IPM. Em setembro, foi demiti­do do cargo de procurador da Justiça do Tra­balho.

            Em 3 de outubro de 1965, realizaram-se eleições para o governo da Guanabara. Fran­cisco Negrão de Lima, candidato da coligação entre o PTB e o Partido Social Democrático (PSD), derrotou por ampla margem de votos seu principal adversário, Carlos Flexa Ribeiro, da União Democrática Nacional (UDN). Esse resultado desagradou aos militares mais radi­cais, da chamada "linha dura", e também à UDN, que acusou Negrão de ter solicitado e obtido o apoio dos comunistas para se eleger. Enquanto o governo federal editava o AI-2 (27/10/65) para satisfazer à "linha dura", garantindo em contrapartida a posse de Ne­grão, este era indicado no IPM instaurado desde setembro de 1964, sob a direção do co­ronel Ferdinando de Carvalho, para apurar as atividades do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

            Acusado de, juntamente com Valério Kon­der, ter negociado o apoio dos comunistas a Negrão de Lima, Corbisier esteve preso nos meses de novembro e dezembro de 1965 no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), no Batalhão de Guardas e na Polícia do Exército. A despeito de todas as tentati­vas de impedir sua posse, Negrão assumiu o governo da Guanabara em 5 de dezembro de 1965. O relatório do IPM do PCB foi final­mente encaminhado à Procuradoria Geral da Justiça Militar em agosto de 1966, resultando no arrolamento de 74 militantes comunistas e na cassação dos direitos políticos de 59 pes­soas com base no AI-2.

            Entre 1971 e 1974 Corbisier foi assessor editorial da Enciclopédia Mirador Internacio­nal, onde colaborou particularmente na área de filosofia.  A partir de então voltou a minis­trar cursos e proferiu conferências sobre filo­sofia, política e estética.

            Fundador da revista Clima, filiou-se à So­ciedade Paulista de Escritores, à Associação Brasileira de Escritores e à Associação Paulista de Imprensa. Foi eleito e reeleito, a partir do final dos anos 80, como membro do Conselho Administrativo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

            Casou-se com Camila Cerqueira César Cor­bisier, de quem teve dois filhos.

            Além de artigos em jornais e revistas, tra­duções e prefácios para vários livros, publicou Poemas, Consciência e mação (ensaios, 1950), Situação e problemas da pedagogia (1952), Responsabilidade das elites (ensaios e confe­rências, 1952), Imagens da Suíça (impressões de viagens, 1953), Perspectivas da democracia no Brasil (1953), Formação e problema da cultura brasileira (1958), Brasília e o desen­volvimento nacional (1960), Enciclopédia filosófica (1964), Reforma ou revolução (1968), Da política e do poder político (1975), Filo­sofia política e liberdade (1975), Filosofia e crítica radical (1976), JK e a luta pela presi­dência, uma campanha civilista (1976), Auto­biografia filosófica (1978), Filosofia no Brasil (1978), Os intelectuais e a revolução (1980), Engels, textos escolhidos (1981),  Introdução à  filosofia (1981), Raízes da violência (1991), Introdução à filosofia, tomo I (1983), Introdução à filosofia, tomo II, parte 1 (1984), Introdução à filosofia, tomo II, parte 2 (1988), Introdução à  filosofia, tomo II, parte 3 (1994) e Introdução à  filosofia, tomo II, parte 4 (1996).  Possui cerca de 200 artigos publicados no jornal Tribuna da Imprensa, e 40 no Jornal do Brasil.

 

Beatriz Kushnir

 

FONTES: Arq. Dep. Pesq. Jornal do Brasil; CÂM DEP.  Anais; CÂM. DEP. De­putados; CÂM. DEP. De­putados brasileiros. Repertório (1963-1967); CURRIC. BIOG.; Entrev. TRINDADE, H.; Grande Encic. Portu­guesa; Jornal do Brasil (16/10/60, 14/10/66, 7/4/74, 30/6/76); MACEDO, R. Efemérides; MELO, L. Dic; MELO, O. Marcha; MENESES, R. Dic.; NÉRI, S. 16; Ofensiva; SILVA, H. 1938; SOC.  BRAS.  EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; TAVARES, J. Radicalização.

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