ROMEU DE CAMPOS VERGAL

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Nome: VERGAL, Campos de
Nome Completo: ROMEU DE CAMPOS VERGAL

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
VERGAL, CAMPOS DE

VERGAL, Campos de

*const. 1946; dep. fed. SP 1946-1967 e 1968.

 

Romeu de Campos Vergal nasceu em Serra Negra (SP) no dia 2 de maio de 1903, filho de Constantino Vergal e de Amélia de Campos Vergal.

Fez os estudos primários em sua cidade natal e cursou o secundário na Escola Normal da Praça e no Ginásio do Estado de São Paulo. Ainda estudante, trabalhou como empregado no comércio e como professor em colégios particulares. Após concluir o curso secundário, em 1922, começou a lecionar português, geografia, latim e história do Brasil e da civilização no Ginásio Paulistano e em diversos colégios e escolas de comércio da capital paulista. Exerceria a atividade docente por 25 anos. Foi também escrevente habilitado da Justiça do estado de São Paulo, servindo no 17º Tabelionato, na capital.

No pleito de outubro de 1934, elegeu-se deputado à Assembléia Constituinte paulista na legenda da Coligação Proletária. Assumindo sua cadeira em maio de 1935, participou dos trabalhos constituintes e, com a promulgação da nova Carta estadual, passou a exercer o mandato ordinário. Permaneceu na Assembléia paulista até novembro de 1937, quando todos os órgãos legislativos do país foram suprimidos em função do advento do Estado Novo.

Com a redemocratização do país em 1945, elegeu-se, em dezembro, deputado por São Paulo à Assembléia Nacional Constituinte na legenda do Partido Republicano Progressista (PRP). Empossado em fevereiro de 1946, participou dos trabalhos constituintes e, com a promulgação da nova Carta (18/9/1946), passou a exercer o mandato ordinário. Um dos fundadores do Partido Social Progressista (PSP) em 1947, votou contra a cassação dos mandatos dos parlamentares comunistas, ocorrida em 1948, medida que decorreu da suspensão, no ano anterior, do registro do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB). Em 1949, participou do conselho deliberativo do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN). Essa associação civil, fundada em abril de 1948 no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, inicialmente com o nome de Centro de Estudos e Defesa do Petróleo, visava promover uma grande campanha de esclarecimento da opinião pública e congregar todos os brasileiros que pugnavam pela tese da exploração das jazidas pelo monopólio estatal contra o anteprojeto do Estatuto do Petróleo, enviado ao Congresso pelo presidente Eurico Dutra, que previa a entrada do capital privado nacional e estrangeiro no setor petrolífero. Em setembro de 1949, a entidade passou a ser denominada CEDPEN e, sob o lema “O petróleo é nosso”, conseguiu atingir amplos setores da opinião pública, o que resultaria no arquivamento em 1950 da proposta do governo. Ainda em 1949, Campos Vergal apresentou um projeto que visava ligar, através de um canal, a bacia do Prata à bacia Amazônica, e em 1950 tornou-se membro do conselho consultivo do CEDPEN.

Nos pleitos de outubro de 1950 e de 1954 reelegeu-se deputado federal por São Paulo na legenda do PSP. Em 1955 tornou-se membro da presidência da Liga de Emancipação Nacional (LEN), sociedade civil fundada no Rio de Janeiro em abril de 1954 para defender as liberdades democráticas e lutar pelo desenvolvimento econômico e industrial do Brasil. Em junho de 1956 a LEN seria fechada pelo presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), acusada de infiltração comunista.

Em abril de 1956 Campos Vergal assumiu a liderança do PSP e a vice-liderança da maioria na Câmara, e em outubro de 1958 obteve a primeira suplência de deputado federal por São Paulo, na legenda da coligação formada pelo Partido Social Democrático (PSD), o Partido Social Trabalhista (PST) e o PSP. Concluindo o mandato em janeiro de 1959, em maio seguinte retornou à Câmara e, em dezembro do mesmo ano, ingressou no PSD. Deixou a Câmara em janeiro de 1961, mas em junho reassumiu o mandato. Adepto dos princípios da convivência pacífica e da autodeterminação dos povos, foi favorável ao reatamento das relações comerciais do Brasil com a União Soviética e com os demais países da chamada “cortina de ferro”, efetivado em novembro de 1961 pelo presidente João Goulart (1961-1964).

Nesse período, foi membro da Frente Parlamentar Nacionalista (FPN), formada em 1956 por deputados do Partido Socialista Brasileiro (PSB), do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), da União Democrática Nacional (UDN) e do PSD. Atuante na Câmara, a FPN dispunha-se a viabilizar uma plataforma nacionalista, voltada para a condenação da intervenção do capital estrangeiro na economia nacional, especialmente no setor energético, e à remessa de lucros para o exterior. Adepto do intervencionismo econômico corretivo e supletivo da iniciativa privada, combateu os trustes, os monopólios privados e os cartéis, e defendeu uma severa fiscalização dos investimentos estrangeiros no país e da remessa de lucros e de royalties para o exterior. Foi favorável ao monopólio estatal do petróleo, dos minérios atômicos, da eletricidade e dos transportes ferroviários, marítimos e aéreos, e à nacionalização dos seguros, dos bancos de depósitos e das indústrias farmacêutica e cinematográfica. Foi partidário da cédula única em todos os pleitos, do direito de voto aos analfabetos e praças de pré, da elegibilidade de todos os eleitores, da igualdade da oportunidade de acesso à propaganda para todos os candidatos e da necessidade da adoção de medidas para conter a influência do poder econômico estatal ou privado nas eleições. Defendeu a reforma agrária cooperativista, a desapropriação dos latifúndios improdutivos e o pagamento das indenizações em títulos da dívida pública. Ainda nessa legislatura, defendeu as proposições divorcistas que tramitaram na Câmara assim como todos os projetos de anistia, inclusive aos desertores, refratários e insubmissos.

No pleito de outubro de 1962 elegeu-se deputado federal por São Paulo na legenda da coligação do PSD com o PSP, integrando, nesse período legislativo, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.

Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (AI-2) em outubro de 1965 e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar instaurado no país em abril de 1964, em cuja legenda obteve uma suplência de deputado federal por São Paulo em novembro de 1966. Deixou a Câmara ao concluir seu mandato, em janeiro de 1967, mas a ela retornou nos períodos de agosto a dezembro do mesmo ano e de abril a dezembro de 1968.

Como parlamentar, defendeu a reforma e modernização do ensino secundário; o desdobramento dos ensinos profissional e agrícola; a instituição de uma cadeira de parapsicologia ou metapsíquica nas universidades; o restabelecimento dos tiros de guerra ou linhas de tiro em todo o território nacional, com todas as facilidades possíveis, suprimindo-se dessa forma a convocação e o sorteio militar; a supressão da rede de fiscalização nas estradas de rodagem; o prolongamento das estradas pavimentadas; a plena liberdade à lavoura e ao comércio, e a supressão das comissões especiais permanentes da Câmara e de vários institutos, como o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), segundo ele de nenhuma utilidade. Em novembro de 1970, foi novamente candidato a deputado federal por seu estado na legenda da Arena, mas obteve apenas uma suplência.

Afastado do cenário político, permaneceu com suas atividades em prol da difusão do espiritismo. Em 1977, já bastante debilitado por enfermidades que afetaram sua locomoção, ainda participava de seminários e dava palestras sobre o assunto.

Fundou várias organizações espíritas em São Paulo, entre as quais a União Federativa Paulista, a Liga Espírita do Estado de São Paulo, a União da Mocidade Espírita de São Paulo e a Federação Espírita do Estado de São Paulo. Jornalista e escritor, foi ainda presidente do Banco Agroindustrial de São Paulo e um dos fundadores da Sociedade Rádio de Piratininga PRH-3.

Faleceu em Serra Negra no dia 23 de julho de 1980.

Casou-se com Maria Giuliani Vergal, com quem teve dois filhos.

Publicou Levanta-te e caminha (1942), Reencarnação ou pluralidade de existência, Bandeirantes da imortalidade, Ubururetama, O conde de Lã Rosé e Os navegantes do infinito.

 

FONTES: CÂM. DEP. Anais (1959-9); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1967-1971); CÂM. DEP. Relação dos dep.; CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; CARVALHO, E. Petróleo; CISNEIROS, A. Parlamentares; COUTINHO, A. Brasil; DEP. PESQ. ESTADO SP; Eleitos; Estado de S. Paulo (5/9/62); GALVÃO, F. Fechamento; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; INF. Amélia Vergal e Aírton Vergal; LEITE, A. História; LEITE, A. Páginas; LIGA DE EMANCIPAÇÃO NAC.; RICHARD NETO, G. Homens; SILVA, G. Constituinte; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1, 2, 3, 4, 6, 8 e 9).

 

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