Rosângela Barros Assed Matheus de Oliveira

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Nome: GAROTINHO, Rosinha
Nome Completo: Rosângela Barros Assed Matheus de Oliveira

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

GAROTINHO, Rosinha

*gov. RJ 2003-2007.

Rosângela Barros Assed Matheus de Oliveira, conhecida como Rosinha Garotinho, nasceu em Itaperuna (RJ) no dia 6 de abril de 1963, filha de Gandur Assed e de Wilmar Barros Assed.

Estudou no Colégio Batista Fluminense, de Campos dos Goytacazes (RJ). Professora primária e radialista, em 1981 casou-se com Anthony William Matheus de Oliveira, conhecido pelo apelido de Anthony “Garotinho”. Acompanhou a carreira do marido, que foi duas vezes prefeito de Campos (1989-1992 e 1997-1998), antes de ser eleito governador do estado do Rio de Janeiro em outubro de 1998, na legenda do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Com o início do governo Garotinho em janeiro de 1999, foi nomeada secretária de Ação Social e Cidadania. À frente da secretaria, coordenou os programas sociais do governo estadual. Criou “restaurantes populares”, “hotéis populares” e “farmácias populares”, que cobravam por seus serviços a quantia simbólica de um real, e instituiu programas como o Leite Saúde, para distribuir leite em pó a crianças em situação de desnutrição; o Sopa da Cidadania, para oferecer refeições a instituições sociais; o Cheque Cidadão, oferecido a famílias que mantivessem seus filhos matriculados na rede estadual de ensino, com suas carteiras de vacinação em dia; o Vida Nova e o Jovens Pela Paz, ambos oferecendo bolsas para jovens carentes.

Em 2001, filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Em abril de 2002, deixou a Secretaria de Ação Social e Cidadania desincompatibilizando-se para disputar, em outubro, a sucessão do marido no governo do estado do Rio, enquanto este deixava o governo para se candidatar, no mesmo pleito, à presidência da República. Na ocasião surgiram pedidos de impugnação da sua candidatura, sob o argumento de que feria o princípio constitucional da proibição de parentes até terceiro grau disputando o mesmo cargo. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contudo, interpretou que um eventual mandato de Rosinha Garotinho deveria ser entendido como uma reeleição de seu marido, não se enquadrando portanto na proibição, o que validou sua candidatura. Ainda na campanha, também precisou conquistar na Justiça o direito de utilizar o apelido Rosinha Garotinho.

Em 3 de outubro de 2002, no primeiro turno da eleição, obteve 4.101.423 votos, equivalentes a 51% dos votos válidos, e venceu o pleito, derrotando Benedita da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), que fora vice de Anthony Garotinho. Além do PSB, contou com o apoio do Partido Progressista Brasileiro (PPB), do Partido Social Trabalhista (PST), do Partido Trabalhista Cristão (PTC), do Partido Social Cristão (PSC), do Partido Republicano Progressista (PRP), do Partido Social Democrático (PSD) e do Partido Geral dos Trabalhadores (PGT).

 

Governadora do Rio de Janeiro

 

Assumiu o governo do estado do Rio de Janeiro em 1º de janeiro de 2003, com os recursos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) bloqueados para pagar dívidas em atraso do estado com a União. Ainda em janeiro, enfrentou a denúncia feita pelo Ministério Público Federal de que Rodrigo Silveirinha Correia, subsecretário de Administração Pública e presidente da Companhia do Desenvolvimento Industrial (Codin), ex-assessor econômico de sua campanha, comandava um esquema de corrupção, conhecido como “propinoduto”, em que extorquia empresas fraudadoras de impostos. A governadora afirmou desconhecer o esquema e exonerou Silverinha.

Em abril do mesmo ano, eclodiu uma grave crise na área da segurança pública, com traficantes incendiando ônibus na capital do estado e provocando pânico na população. Como solução, Rosinha Garotinho nomeou o marido, Anthony Garotinho, para comandar a Secretaria de Segurança Pública, em substituição a Josias Quintal. Ainda em 2003, ingressou no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), junto com o marido e outros correligionários.

 Em seu governo foi lançada a campanha “A refinaria é nossa”, que ecoava o lema da campanha popular “O petróleo é nosso” dos anos 1950, e teve o apoio de associações comerciais e empresariais fluminenses. Seu objetivo era defender a construção de uma refinaria no estado. O argumento alegado era o de que o investimento em refino seria fundamental para a auto-suficiência do país no setor, e que o estado responsável pela maior parte da extração de petróleo do país deveria estar envolvido também em seu refino. Em março de 2006 o governo federal anunciaria a construção de uma nova refinaria, a ser instalada no município fluminense de Itaboraí.

Sua gestão também manteve e ampliou programas sociais que instituíra e coordenara no governo anterior. Investiu ainda em projetos de atendimento médico em casa e de atenção integral à família, assim como na construção de conjuntos habitacionais, como o Nova Sepetiba, localizado na zona oeste do município do Rio de Janeiro.

Em janeiro de 2004, sua gestão suscitou polêmica ao propor a realização de concurso público para professores de ensino religioso confessional para as escolas públicas estaduais. A proposta punha em prática a lei estadual que instituía o ensino religioso confessional no estado, aprovada em setembro de 2000. A questão foi ampliada com o veto de Rosinha à lei oriunda da Assembleia Legislativa, que substituía o conteúdo confessional dos cursos por um enfoque histórico e ecumênico. Em meio ao debate, afirmou sua adesão às teorias “criacionistas”, que explicavam a criação da vida através da intervenção divina, e sua descrença na teoria da evolução das espécies, de Charles Darwin, declarando: “Não acredito na evolução das espécies. Tudo isso é teoria”. Naquele ano, o currículo escolar da rede estadual previu a possibilidade de se ensinar o “criacionismo”.

Em fevereiro de 2004, Waldomiro Diniz, assessor da Casa Civil da Presidência da República, foi acusado pela revista Época de ter arrecadado, quando ocupava o cargo de presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), contribuições ilegais de empresários do “jogo do bicho” e de casas de bingo para diversos candidatos a governador em 2002, entre eles Rosinha Garotinho. A governadora negou envolvimento no caso, afirmando que seus recursos de campanha “foram obtidos e utilizados com transparência”, e que Diniz não recebera autorização para tratar de quaisquer assuntos em nome da então candidata. O caso levou a novas investigações e denúncias, que no ano seguinte gerariam uma crise política envolvendo o governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva e parlamentares, acusados de suposto financiamento ilícito de campanhas eleitorais e de compra e venda de votos para a aprovação de projetos do governo federal.

Nas eleições municipais de 2004, Rosinha Garotinho e seu marido apoiaram a candidatura derrotada de Geraldo Roberto de Sousa, conhecido como Geraldo Pudim, à prefeitura de Campos. A participação da governadora na campanha campista resultou na acusação de crime eleitoral pelo Ministério Público Eleitoral, que afirmou terem sido o Cheque Cidadão e cestas básicas utilizados na compra de votos. Em 2005, Rosinha Garotinho e o marido seriam condenados em primeira instância, mas conseguiriam reverter a decisão. Rosinha saiu enfraquecida das eleições de 2004, porque, além ser derrotada em seu reduto eleitoral, seus aliados também perderam na capital do estado e em vários outros municípios do interior.

Durante seu governo, incentivou a produção econômica e a geração de empregos, tendo apoiado o desenvolvimento de um pólo têxtil em Rio das Flores. Em agosto de 2004, interveio na fábrica de laticínios da Parmalat, sediada em Itaperuna, evitando seu fechamento em meio à crise da empresa transnacional. Na prática, o governo estadual, com a justificativa de preservar milhares de empregos, passou a ter grande participação nas decisões da fábrica, garantindo o pagamento de fornecedores e controlando o processo de saneamento de suas finanças. Instituiu em abril de 2005 a chamada “Lei Rosinha”, oferecendo benefícios fiscais para atividades produtivas desenvolvidas em alguns dos municípios mais pobres do estado, sobretudo localizados nas regiões norte e noroeste fluminense. A lei determinou que novos empreendimentos pagassem apenas 2% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) durante 25 anos.    

No início de 2006, O Globo e a revista Veja publicaram reportagens ligando organizações não governamentais (ONGs) que prestavam serviços ao governo de Rosinha Garotinho e empresas financiadoras da pré-campanha Anthony Garotinho para a presidência da República. O casal Garotinho criticou duramente as matérias, e em sua defesa Anthony Garotinho fez uma greve de fome.

Ainda em 2006, o governo de Rosinha Garotinho lançou uma campanha publicitária que fazia um balanço das realizações de sua gestão e da anterior. Nela foi afirmado que nos governos comandados pelo casal Garotinho haviam sido realizadas dez mil obras públicas no estado. Contudo, o jornal O Globo publicou uma série de reportagens, mostrando que diversas construções anunciadas como concluídas não haviam sido sequer iniciadas e que obras de manutenção haviam sido contabilizadas. Por conta das matérias de O Globo, o Ministério Público do estado do Rio de Janeiro abriu uma investigação, e a campanha publicitária foi cancelada.

Em outubro de 2006, não se candidatou à reeleição devido à interpretação anterior do TSE de que seu governo configurava a sequência do mandato do marido. Apoiou então a candidatura vitoriosa de Sérgio Cabral, candidato do PMDB. Em dezembro de 2006, inaugurou a estação Cantagalo do Metrô carioca, localizada no bairro de Copacabana. Deixou o governo do estado em 1º de janeiro de 2007. Foi ainda presidente da ONG Vida-Obra Social, e após sua saída do governo apresentou o programa televisivo Simplesmente Rosinha.

Nas eleições de outubro de 2008 concorreu à prefeitura de Campos na legenda do PMDB. Obteve 118.245 votos no primeiro turno, ou 45,82% dos votos válidos. Venceu a disputa no segundo turno contra Arnaldo Viana do PDT, com 135.955 votos ou 54,47% dos votos válidos, e iniciou o mandato em 1º de janeiro de 2009.  

Publicou o livro Que mulher é essa? (2004), de conteúdo religioso.

De seu casamento com Anthony Garotinho, teve quatro filhos e adotou outros cinco. Uma delas, Clarissa Matheus, foi eleita vereadora da cidade do Rio de Janeiro em 2006.

Fabricio Pereira da Silva

FONTES: Época (10/1/03, 24/5/04); Época (online) 28 abr. 2003. Disponível em : <http://%20revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG57117-6009,00-GAROTINHO+TOMA+POSSE%20+NA+SECRETARIA+DE+SEGURANCA+NO+RIO.html>. Acesso em : 08 set. 2009; Folha de S. Paulo (13/2/04); Portal da Associação de Moradores do Cantagalo. Disponível em : <http://%20www.assmoradorescantagalo.org.br/site/imprensa/materia.php?id_mat=3>. Acesso em : 08 set. 2009; Veja (4/9/02); Veja (online) 30 abr. 2003. Disponível em : <http://veja.abril.com.br/%20300403/p_042.html>. Acesso em : 08 set. 2009.

 

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