SARDENBERG, IDALIO

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Nome: SARDENBERG, Idálio
Nome Completo: SARDENBERG, IDALIO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SARDENBERG, IDÁLIO

SARDENBERG, Idálio

*militar; rev. 1930; const. 1934; pres. Petrobras 1958-1961; ch. EMFA 1971-1972.

 

Idálio Sardenberg nasceu em Porto Alegre no dia 18 de abril de 1906, filho de Olinto Nunes Sardenberg, oficial do Exército, e de Etelvina Maria Sardenberg.

Fez seus estudos secundários no Colégio Militar do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e ingressou em abril de 1924 na Escola Militar do Realengo, também no Rio de Janeiro, saindo aspirante-a-oficial de arma de artilharia em janeiro de 1927. Em julho do mesmo ano foi promovido a segundo-tenente e, em julho de 1929, a primeiro-tenente. Nesse mesmo ano fez parte da Aliança Liberal, movimento político que lançou a candidatura de Getúlio Vargas à presidência da República e promoveu a revolução que eclodiu a 3 de outubro de 1930. Sardenberg atuou ao lado das forças revolucionárias na região de Sengés (PR).

Cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais ainda como primeiro-tenente. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, combateu ao lado das forças legalistas atuando no quartel-general do Exército do Sul. A partir dessa atuação no Paraná tornou-se prestigiado no estado, onde se radicou e contraiu matrimônio.

No pleito de maio de 1933, elegeu-se primeiro suplente de deputado pelo Paraná à Assembléia Nacional Constituinte na legenda do Partido Social Democrático (PSD). Assumindo o mandato em novembro de 1933, foi representante do Paraná na Comissão dos 26, encarregada de coordenar as propostas destinadas à elaboração da Constituição de 1934. Com a aprovação da nova Carta em julho de 1934, teve, como os demais constituintes, seu mandato prorrogado até abril de 1935, quando tomaram posse os deputados eleitos em outubro do ano anterior. Ainda em outubro de 1935, chegou ao posto de capitão. Deixando a Constituinte, retornou à carreira militar fazendo o curso da Escola de Estado-Maior do Exército.

Em abril de 1943 e em março de 1948 foi promovido às patentes de major e tenente-coronel, respectivamente. No ano de 1949, foi um dos fundadores da Escola Superior de Guerra (ESG), onde exerceria as funções de adjunto da Divisão de Assuntos Militares e de chefe do Departamento de Estudos. Assessor da missão brasileira chefiada pelo general Pedro Aurélio de Góis Monteiro que negociou com os EUA o Acordo Militar assinado em 1952, em janeiro de 1953 atingiu a patente de coronel.

Em 11 de dezembro de 1958, no governo do presidente Juscelino Kubitschek, foi nomeado presidente da Petrobras em substituição a Janari Nunes.

Durante sua gestão, foram feitas várias obras de vulto, como a construção de novas unidades na refinaria Landulfo Alves, na Bahia, da refinaria Duque de Caxias, no estado do Rio, do terminal da ilha d’Água, no estado da Guanabara, do terminal Madre de Deus, na Bahia, da Fábrica de Borracha Sintética, em Duque de Caxias, e do oleoduto da ilha d’Água, na refinaria Duque de Caxias. Além disso, conseguiu a elevação ao dobro da capacidade da refinaria de Cubatão, em São Paulo, e a produção total de petróleo passou de 60 mil barris/dia em 1959 para 72 mil barris/dia em 1960. Também em 1960 a capacidade de refino atingiu trezentos mil barris diários. Ainda como presidente da Petrobras, foi membro da missão comercial brasileira à União Soviética em dezembro de 1959. Em março de 1960, foi promovido a general-de-brigada.

Em 2 de fevereiro de 1961, logo em seguida à posse de Jânio Quadros na presidência da República, deixou a presidência da Petrobras, sendo substituído pelo engenheiro Geonísio Barroso. Em 13 de março Jânio Quadros anunciou a reforma cambial, segundo a Instrução nº 204 da Sumoc, que modificava a sistemática da política cambial brasileira, passando de um sistema de taxas múltiplas — fixas e variáveis — para um sistema de taxa única e flutuante, sendo que as importações passariam a ser feitas pelo sistema de taxas livres, com exceção do trigo, do petróleo e de outros poucos produtos essenciais. Nessa oportunidade, o presidente criticou a situação financeira da Petrobras, herdada da gestão anterior. Diante disso, Idálio Sardenberg levou a público um manifesto à nação no qual declarava que o empréstimo por ele solicitado ao Banco do Brasil não fora feito para pagar compromissos atrasados e sim para cobrir um aumento do capital de giro resultante da expansão da produção de petróleo. Esse documento teve grande repercussão por se tratar de um desmentido às palavras do presidente Jânio Quadros, e foi considerado também um ato de indisciplina. Em decorrência, o general Nestor Souto de Oliveira, comandante do I Exército, sediado no Rio, decretou a prisão de Idálio Sardenberg em 15 de abril de 1961, sendo ele recolhido ao forte de Copacabana. Diante da repercussão de sua prisão, várias vozes se levantaram a seu favor, entre as quais as de alguns deputados e senadores.

Ainda no ano de 1961, Idálio Sardenberg assumiu o comando da Artilharia Divisionária da 3ª Divisão do Exército, no Rio Grande do Sul. Em 1964, passou ao comando da Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Exército, na Vila Militar do Rio de Janeiro. Promovido a general-de-divisão em março de 1966, foi diretor-geral de Ensino do Exército entre 1967 e 1968. Em 1967 assumiu a função de presidente da Comissão Brasil-Estados Unidos, no Rio de Janeiro, e, em novembro, foi promovido a general-de-exército.

Nomeado em setembro de 1971 para a chefia do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), em substituição ao almirante Murilo do Vale e Silva, permaneceu no cargo até maio do ano seguinte, quando foi transferido para a reserva remunerada, passando a chefia do EMFA ao general Artur Candal Fonseca.

Em 1976 foi escolhido diretor-presidente da Delfim Crédito Imobiliário, cargo que ainda ocupava no início de 1983, quando a empresa sofreu intervenção do Banco Central.

Ao longo de sua carreira militar foi instrutor da Escola de Estado-Maior do Exército, da Escola de Estado-Maior de Fort Leavenworth, nos Estados Unidos, onde fez o curso de estado-maior, chefe da 3ª seção do estado-maior da III Região Militar, chefe de divisão do gabinete do ministro do Exército, adjunto da 2ª seção e chefe de gabinete do EMFA, diretor do Material de Engenharia do Exército e diretor de Ensino e de Formação do Exército.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 30 de maio de 1987.

Era casado com Ivone Faria Sardenberg, com quem teve um filho.

Publicou Da competência tributária dos municípios.

 

FONTES: ARQ. MIN. EXÉRC.; ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais (1); CÂM. DEP. Deputados; Câm. Dep. seus componentes; CORRESP. ESTADO-MAIOR DAS FORÇAS ARMADAS; Estado de S. Paulo (27/4/80); Grande encic. Delta; GODINHO, V. Constituintes; Jornal do Brasil (28 e 29/9/71, 22/7/76, 1/6/87); KUBITSCHEK, J. Meu (3); MOREIRA, J. Dic.; NICOLAS, M. Cem; Veja (10/6/87); VÍTOR, M. Cinco.

 

 

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