SENOR ABRAVANEL

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Nome: SANTOS, Sílvio
Nome Completo: SENOR ABRAVANEL

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
Santos, Sílvio

SANTOS, Sílvio

*empresário.

 

Senor Abravanel, que adotou o nome artístico de Sílvio Santos, nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 12 de dezembro de 1930,. Seus pais, Alberto Abravanel, imigrante grego de Salônica, e Rebeca Abravanel, originária de Smirna, na Turquia, tiveram seis filhos brasileiros. No Rio de Janeiro, Alberto Abravanel, jornaleiro no seu país de origem e conhecedor de várias línguas, estabeleceu-se na praça Mauá, negociando com turistas.

Senor Abravanel iniciou seus estudos na Escola Primária Celestino da Silva, na rua do Lavradio. Terminado o curso primário, transferiu-se para a Escola Técnica de Comércio Amaro Cavalcanti, no largo do Machado. Em 1945, aos 14 anos, iniciou sua atividade de camelô nas ruas do Centro do Rio. Naquele ano, com a queda de Getúlio Vargas, foram realizadas, em 2 de dezembro, as primeiras eleições após 15 anos da ditadura do Estado Novo. Senor vendia carteirinhas de plástico para guardar títulos de eleitor. Seu irmão Léo o ajudava, avisando da chegada da polícia.

Em uma das investidas da polícia na repressão à atividade dos camelôs, Renato Meira Lima, então chefe da fiscalização da prefeitura, impressionado com a comunicabilidade do jovem camelô, orientou-o a procurar seu amigo Jorge de Matos,  proprietário da Rádio Guanabara, onde, naquele momento, acontecia um concurso para o preenchimento de uma vaga de locutor. Concorrendo com 300 candidatos, entre eles Chico Anísio, José Vasconcelos e Celso Teixeira, Senor conseguiu o primeiro lugar, dando início à sua primeira atividade artística.

Considerando, porém, mais atrativa a atividade de camelô, logo o locutor voltou para a avenida Rio Branco. De vendedor de carteirinhas para títulos de eleitor, tornou-se o “rei das canetas”.

Nessa época, os programas de auditório de rádio eram grande sucesso. Senor, sempre que possível, assistia aos programas de seus ídolos César de Alencar e Heber de Bôscoli, que passou a imitar, aperfeiçoando seu próprio talento de comunicador.

Aos 18 anos ingressou na escola de pára-quedistas, em Deodoro. Como soldado, suspendeu temporariamente suas atividades de camelô e voltou para o rádio, indo para a Rádio Mauá. Ao terminar o período do serviço militar, transferiu-se, com Silveira Lima, para a Rádio Tupi. 

Da Rádio Tupi, o então radialista, foi para a Continental, rádio que tinha seus estúdios em Niterói. Com o dinheiro recebido pela posterior demissão da Rádio Continental, instalou um sistema de alto-falantes nas barcas que faziam o transporte entre o Rio de Janeiro e Niterói.

Apelidado de Silvinho desde a infância, Senor Abravanel tornou-se Sílvio Santos quando começou a aumentar seu contato com o público das barcas.             

Ainda no início da década de 1950, Sílvio Santos foi para São Paulo e começou a trabalhar na Rádio Nacional. Deu início à revista de entretenimentos “Brincadeiras para você”, com palavras cruzadas, anedotas, charadas, etc., retomando a atividade de corretor de anúncios. Em paralelo, começou a trabalhar com circo, montando uma caravana de artistas que se apresentava na capital e no interior.

Para aumentar a lucratividade de sua “Caravana de Artistas”, Sílvio procurou o então candidato a deputado federal do Partido Social Democrático (PSD) Antônio Sílvio Cunha Bueno. Sílvio se propôs a realizar 40 shows em praça pública, cuidando da organização e animação dos comícios do candidato, em troca de um jipe para o transporte de sua caravana”.

O trabalho como animador da  “Caravana de Artistas” chamou a atenção de Manuel da Nóbrega, que convidou Sílvio a participar doCadeira de barbeiro”, um dos quadros de seu programa na Rádio Nacional, onde se faziam críticas aos costumes políticos e sociais da época. O programa ia ao ar ao meio-dia e obtinha altos índices de audiência. Além de, eventualmente, substituir Manuel da Nóbrega, Silvio Santos passou a ser o novo animador do programa.      

Em 1956, Sílvio Santos conheceu Luciano Calegari, que também trabalhava no rádio. Desde então, Luciano tornou-se produtor e diretor de todos os programas do apresentador.

Por volta de 1957 surgiu, em São Paulo, a idéia do “Baú”. Vendiam-se pequenas arcas de presentes, em 12 prestações, para entrega no Natal. Manuel da Nóbrega, procurado por um dos criadores da nova idéia, passou a fazer a propaganda do “Baú” em seu programa da Rádio Nacional.

Em pouco tempo, porém, os proprietários do negócio viram-se sem possibilidade de fazer a entrega das arcas vendidas. Sofrendo as pressões do escândalo, Manuel da Nóbrega pediu a ajuda de Sílvio. O futuro proprietário do “Baú da Felicidade” reformulou a sua administração e seu funcionamento e começou a fazer a entrega das mercadorias. Pouco tempo depois, Manuel da Nóbrega retirou-se do negócio por considerá-lo muito arriscado e Sílvio Santos tornou-se seu único proprietário.

Em 1961, o apresentador criou um programa próprio na Rádio Nacional, o “Vamos brincar de forca”. A propaganda que Sílvio Santos passou a fazer em seus programas garantiram o crescente interesse pelo “Baú da Felicidade”.

Em 1962, com os primeiros rendimentos do “Baú”, Sílvio Santos comprou a concessão de um horário na TV Paulista (Organizações Victor Costa) para apresentação do “Vamos brincar de forca. O programa era constituído por diversos quadros de variedades, sendo apresentado num horário até então desprezado: aos domingos, do meio-dia às duas da tarde.

Logo em seguida, lançou pela mesma emissora de TV o primeiro programa de prêmios para os fregueses do “Baú”, o “Prá ganhar é só rodar”, que passou a ser apresentado às vinte e uma horas das quintas-feiras.

Em 1966, a TV Paulista foi comprada pelas Organizações Globo e Sílvio Santos permaneceu com a concessão de horário, iniciando a apresentação do programa “Música e Alegria” com quatro horas de duração. Com o apoio da publicidade do “Baú da Felicidade”, o programa cresceu tomando conta das tardes de domingo e vindo, com o tempo e o sucesso popular, a se tornar conhecido como o “Programa Sílvio Santos”. Em 1968, o “Programa Sílvio Santos”, então com seis horas de permanência no ar, aparecia como um dos 10 mais assistidos da televisão brasileira, sendo o campeão de audiência da TV Globo. Além de apresentar seu programa pela Globo, Sílvio Santos apresentou também, pela TV Tupi,  o programa “Cidade Contra Cidade”.

Em 1968, Sílvio Santos possuía três empresas: o Baú da Felicidade Utilidades Domésticas e Brinquedos Ltda, a Publicidade Sílvio Santos Ltda e a Construtora e Comércio Baú da Felicidade Ltda.          

No início da década de 1970, a TV Globo começou a implementar um processo de reformulação interna que visava a modernização do seu padrão de produção, incluindo aí o projeto de centralização dessa área. Além disso, os programas de auditório começaram a não se encaixar no novo padrão exigido pela TV Globo. Iniciou-se assim uma certa incompatibilidade entre a direção da TV Globo e o animador. O “modelo de concessionário” desenvolvido por Sílvio Santos, porém,  proporcionava-lhe a liberdade de cuidar da produção de seus próprios programas, tendo para isso constituído empresas e equipes que lhe permitiam utilizar a emissora apenas como infra-estrutura de transmissão

Para a TV Globo, o “Programa Sílvio Santos”, agora ocupando oito horas da programação de domingo, trazia contudo a dificuldade de sua substituição, além da manutenção de altos índices de audiência. Mesmo assim, TV Globo, TV Tupi, TV Record e TV Bandeirantes tentaram firmar um convênio que pretendia dificultar a manutenção do sistema de concessão de horário.

Em meio a essas negociações, Paulo Machado de Carvalho ofereceu a Silvio 50% das ações de João Barbosa do Amaral, o Pipa, na TV Record. Essas ações acabaram por ser compradas pelo Grupo Gerdau, que pretendia cedê-las a Nascimento Brito, presidente da empresa  Jornal do Brasil.

Em 1971, enquanto transcorriam as negociações das ações da TV Record, Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo, ofereceu uma renovação do contrato de concessão de horário ao apresentador com duração de cinco anos. O contrato, no entanto, apresentava uma cláusula que buscava impedir o empresário de comprar ações ou participar de qualquer concessão de televisão sob pena de pesada multa.

Como o negócio entre a TV Record e a empresa Jornal do Brasil acabou por não se concretizar, Sílvio Santos veio a comprar as ações da TV Record em nome de Lucita Gordinho como artifício para escapar às cláusulas impostas em seu contrato com a TV Globo.

Sílvio Santos criou seu próprio centro de produções e dedicou-se ao reerguimento da TV Record. Em 1974, uma de suas primeiras empresas, a Publicidade Sílvio Santos LTDA, foi transformada nos Estúdios Sílvio Santos Cinema e Televisão LTDA, com sede na Vila Guilherme.

Em 1974 foi aberta licitação para a concorrência de três novos canais de televisão. O Grupo Sílvio Santos entrou na concorrência, visando a possibilidade de vir a ter seu próprio canal, mas foi preterido pelos grupos que controlavam o Jornal do Brasil do Rio de Janeiro e a TV Bandeirantes de São Paulo.

Em 1975, o governo do general Ernesto Geisel  abriu nova concorrência para a concessão de mais um canal de televisão - o canal 11 do Rio de Janeiro.

A proposta apresentada pelo Grupo Sílvio Santos, além de cumprir os requisitos exigidos pelo edital da licitação, trazia algo que não fora apresentado por nenhum dos outros grupos concorrentes. O empresário prometia a entrada em funcionamento da nova rede em um prazo de 15 a 60 dias e garantia o fato de seu grupo não necessitar de nenhum financiamento oficial ou particular para a instalação de sua estação.

Sílvio Santos venceu a disputa com a Editora Bloch, a Editora e Impressora de Jornais e Revistas (que publicava os jornais O Dia e A Notícia) e a Fundação Cásper Líbero já responsável pela TV Gazeta, canal 11, de São Paulo.   A obtenção da concessão do canal 11 do Rio de Janeiro e conseqüente constituição da TVS veio a pôr fim nas relações entre o empresário e a Rede Globo. Ainda que não sofrendo a execução da multa prevista no contrato assinado com Roberto Marinho, em 5 de janeiro de 1976 foi ao ar o último “Programa Sílvio Santos” transmitido pela Rede Globo.

Entre os anos de 1975 e 1976, o empresário negociou e alugou, da Caixa Econômica Federal, os antigos estúdios da TV Excelsior, instalando ali mais tarde a sede da TVS.

A partir de 1976, Sílvio Santos impôs modificações em sua equipe de produção, centralizando-a nos estúdios da Vila Guilherme. Garantida a concessão de um canal de televisão, sua programação passou a ser emitida pela TVS-Rio. Diferentemente, o “Programa Sílvio Santos”  era transmitido simultaneamente pelas TVs Record e Tupi, em São Paulo, e pelas TVs Tupi e TVS, no Rio de Janeiro.

Em 16 de julho de 1980, sem conseguir resolver as dificuldades que enfrentara por toda a década anterior, a TV Tupi foi declarada extinta pelo Governo federal. Nesse mesmo ano, o “Programa Sílvio Santos” era transmitido por 19 emissoras afiliadas ao sistema TV Record-TVS e que haviam sido angariadas a partir do desmantelamento da Rede Tupi.

Em 1980, os editais 34 e 35/80, abriram mais uma licitação para a concessão de nove canais que deveriam formar duas redes de televisão. Destes nove canais, sete tinham pertencido à Rede Excelsior e dois haviam sido devolvidos pelo Jornal do Brasil, que, desde que os recebera em 1973, não conseguira colocá-los em funcionamento. Dos nove grupos empresariais que se inscreveram, apenas seis foram aceitos: Televisão Abril Ltda., Rádio Jornal do Brasil Ltda., Visão Rádio e TVS/C Ltda., TV Manchete Ltda., Rádio e Televisão Universitária Metropolitana Ltda. e o Sistema Brasileiro de Televisão S/C Ltda.

Em algumas de suas declarações públicas, à época, o ministro Golberi do Couto e Silva - chefe do Gabinete Civil da Presidência da República durante o governo Geisel e que mantivera o mesmo posto no governo Figueiredo - afirmava a urgência em se quebrar o monopólio da TV Globo e, portanto, a necessidade de se entregar a concessão dos canais em licitação a empresas fortes.

Em entrevista aos jornalistas Luiz Fernando Emediato e Marcos Wilson publicada em O Estado de São Paulo em 17 de outubro de 1987, Sílvio Santos afirmou que foi a partir do contato direto com o ministro Golberi que veio a ser estimulado a entrar na concorrência.

Segundo suas declarações, Sílvio Santos dirigira-se ao gabinete do ministro Golberi, convidado por Mauro Sales, para negociar a compra da Rádio Tupi do Rio de Janeiro. Durante a referida reunião reencontrou o general Délio Jardim de Matos, então ministro da Aeronáutica, com quem travara conhecimento durante o período em que estivera na escola de pára-quedismo em Deodoro, Rio de Janeiro. Nesse encontro, acertou-se que o Grupo Sílvio Santos poderia participar da concorrência para a concessão dos canais de televisão  a que o governo dava início.

Na disputa por essa concessão, Sílvio Santos organizou uma comissão especial para trabalhar por sua viabilização. Délio Jardim de Mattos, ministro da Aeronáutica, intercedera junto a Sílvio para que ajudasse seu amigo Dom, da dupla Dom e Ravel,  passando este a fazer parte do júri do “Programa Sílvio Santos” e a coordenar as negociações para a concessão junto à área militar do governo. Carlos Renato, primo de dona Dulce Figueiredo - então primeira-dama do país -, também integrava o júri do programa de calouros de Sílvio Santos e trabalhou como intermediário nas negociações com o presidente Figueiredo. O próprio Sílvio Santos encarregou-se da coordenação das outras áreas de organização da proposta.

Sílvio Santos contornou o fato de já ser proprietário de concessão pública - possuía 50% das ações da TV Record e o canal 11 do Rio de Janeiro - constituindo a empresa SBT S/C Ltda, cujos sócios vinham a ser seus familiares, alguns diretores de suas empresas e Carlos Marcelino Machado de Carvalho. O projeto entregue pelo SBT, para a concorrência, fundamentou-se no quadro empresarial evolutivo do Grupo Sílvio Santos, formado, então, por um conglomerado de quarenta empresas que contava com lojas de varejo, financiadoras, empresas de publicidade, empresas agropecuárias, revendedoras de carro, empresas de previdência privada e etc. Além disso, em documento anexo o empresário comprometia-se, caso viesse a ser beneficiado com a nova concessão, a vender suas ações da TV Record à família Machado de Carvalho, ficando cada um com sua rede.

Em meio a grande polêmica as empresas lideradas por Sílvio Santos e Adolfo Bloch saíram vencedoras dessa disputa.

A concessão do SBT foi ganha em nome de Carmem Abravanel e de Paulo Machado de Carvalho, sendo que este último, pouco depois, veio a desistir do negócio.

Assim que iniciou suas operações, o Sistema Brasileiro de Televisão S/C Ltda (SBT) lançou o quadro “Semana do Presidente”, no qual apresentava a agenda cumprida durante a semana pelo então presidente da República, general João Batista Figueiredo, mantendo-o como parte integrante do “Programa Sílvio Santos”.

Em 16 de março de 1986, Sílvio Santos abriu seu programa para que Dílson Funaro, ministro da Fazenda do governo José Sarney, divulgasse o Plano Cruzado. À época, o plano do Ministério da Fazenda surpreendera e confundira a população com suas determinações de congelamento dos preços, seguro-desemprego, novas regras para a caderneta de poupança e conclamação à formação dos “fiscais do Sarney”.

Em 1987 o SBT já contava com 44 estações de televisão, vindo, rapidamente, a tornar-se a segunda maior rede do país.               

Sílvio Santos filiou-se ao  Partido da Frente Liberal (PFL) em 1988, tentando, sem sucesso, lançar seu nome à prefeitura de São Paulo.

Em 1989 o país mobilizava-se com a redemocratização política e a reconquista, após 29 anos, do direito a eleger por voto direto o seu presidente da República. Quinze dias antes da realização do pleito, acompanhado pelo senador Marcondes Gadelha, do  PFL da Paraíba, líder do governo do presidente José Sarney no Senado, e por Armando Correia, pastor evangélico e presidente do Partido Municipalista Brasileiro (PMB), Sílvio Santos dirigiu-se  à sala da Comissão de Justiça do Senado Federal em Brasília, assinou sua ficha de inscrição no PMB e anunciou ao país sua candidatura à sucessão de José Sarney.

A candidatura de última hora do empresário e animador de televisão configurou-se a partir de uma manobra política posta em prática por setores do PFL, cujo candidato oficial, Aureliano Chaves, não conseguia ultrapassar o limite de 1% das intenções de votos.

Desde seu anúncio até à decisão final do TSE, a possibilidade de Sílvio Santos vir a disputar a sucessão do presidente José Sarney despertou intensa polêmica, confrontando posições políticas tanto de esquerda, quanto de direita. De um lado, as declarações públicas do setor empresarial demonstravam o temor  de que a candidatura do animador de televisão viesse a tirar votos de Fernando Collor de Melo, aumentando as possibilidades de Leonel Brizola (PDT) ou Lula (PT) chegarem ao segundo turno. De outro, ainda que acreditando na queda de Fernando Collor de Melo, a esquerda temia que as pressões sobre o julgamento do TSE pudessem constituir uma manobra antidemocrática, possibilitando o surgimento de fraudes nas eleições.

Dos 17 pedidos de impugnação da candidatura Sílvio Santos, sete continham valor legal conforme a Resolução nº 15. 362, do TSE.

O procurador geral da República e também procurador geral eleitoral, Aristides Junqueira, fundamentou seu pedido de impugnação na Lei Complementar nº 5, defendendo o fato de serem inelegíveis para os cargos de presidente e vice- presidente aqueles que não haviam se desincompatibilizado, até 3 meses antes das eleições, dos cargos de direção ou controle de empresas concessionárias de serviço público.

O argumento definitivo que pôs fim às expectativas eleitorais de Sílvio Santos no pleito de 1989 foi apresentado pela equipe de Fernando Collor de Melo e baseou-se na descoberta de irregularidades no partido ao qual o apresentador e empresário se filiara, o PMB.

O TSE, por sete votos a zero, impugnou a candidatura de Sílvio Santos,  considerando o PMB como partido ilegal, baseando seu veredicto final no fato da agremiação ter realizado convenções em apenas cinco estados da federação, enquanto a legislação em vigor exigia o número mínimo de nove.

Em 1992, a negociação da TV Record, realizada entre Sílvio Santos e o bispo Edir Macedo em 1989, foi contestada judicialmente sob o argumento de que o Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel) não havia autorizado a transferência da concessão na época. Em 12 de março de 1996, Sílvio Santos e sete diretores do seu grupo e da Liderança Capitalização (GSS) foram denunciados por crime contra a ordem econômica e as relações de consumo pelo promotor de Justiça Criminal da capital Pedro Henrique Demercian. A acusação baseou-se em dados levantados pelo deputado estadual Carlos Tonin, que investigava a Telesena desde 1991, quando os acusados obtiveram autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para emitir títulos de capitalização.

No mesmo dia, em seu telejornal, o “TJ Brasil”, o SBT anunciava a “rejeição da denúncia de indução do consumidor a erro”, por parte do juiz Dácio Nicolau.

Em 1996, o empresário e apresentador foi declarado como a pessoa física que mais pagava impostos no Brasil, sendo todos advindos apenas da tributação sobre seus rendimentos assalariados.

Sílvio Santos ficou viúvo em 1977 de Cidinha, com quem teve duas filhas. Com Íris Abravanel, sua segunda esposa, teve quatro filhas.

 

Maria Ester Lopes Moreira

 

FONTES: Cruzeiro (29/7 e 20/9/72); Estado de São Paulo (13/10/87 e 13/3/96); FAUSTO, B. História; Folha de São Paulo (2, 4, 5, 6, 8 e 12/11/89 e 14/3/96); Globo (26/4/80, 4 e 7/11/89, 13 e 14/3/96); Isto É (29/05/96); MATTOS, S. Perfil; MIRA, M. Circo; SKIDMORE, T. Brasil: de Castelo; Veja (29/10/75, 4/9/85, 26/3/86 e 8/11/89).

 

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