SERAFIM FERNANDES DE ARAUJO

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Nome: ARAÚJO, Serafim
Nome Completo: SERAFIM FERNANDES DE ARAUJO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

ARAÚJO, Serafim

*religioso; arceb. Belo Horizonte 1986-2004.

 

Serafim Fernandes de Araújo nasceu em Minas Novas (MG) no dia 13 de agosto de 1924, filho de José Fernandes de Araújo e de Gabriela Leite Araújo.

Primogênito de 16 filhos, fez os cursos primário e ginasial no Grupo Escolar Coronel Jonas Câmara, em Itamarandiba (MG), e de 1937 a 1942 prosseguiu os estudos no Seminário de Diamantina (MG), onde cursou, em seguida, filosofia. Em 1945 matriculou-se na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, da qual saiu mestre em teologia em 1949. Ainda em 1949, no dia 12 de março, foi ordenado sacerdote na Catedral de São João de Latrão. Em 1951, concluiu o mestrado em direito canônico, também na Pontifícia Universidade Gregoriana.

De volta ao Brasil em 1951, iniciou sua vida sacerdotal como pároco da cidade de Gouveia (MG), acumulando, de 1956 a 1957, as atividades de pároco com as de capelão militar do 3º Batalhão da Polícia Militar, sediado na vizinha cidade de Diamantina. A proximidade entre essas duas cidades permitiu-lhe exercer o magistério, para o qual sempre se sentiu vocacionado, lecionando direito canônico no Seminário Provincial de Diamantina, ministrando ensino religioso na Escola Normal, e sendo diretor de catequese na arquidiocese da cidade.

Em 1957 passou a ser pároco de Curvelo (MG), lecionando no Colégio Padre Curvelo, no Instituto Santo Antônio e na Escola Normal. Em maio de 1959 foi nomeado bispo pela Santa Sé, que o indicou para trabalhar com o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom João Resende Costa. Sua ordenação episcopal foi realizada em Diamantina. Como bispo auxiliar de Belo Horizonte, em 1960 tornou-se reitor da recém-fundada Universidade Católica de Minas Gerais, atual Pontifícia Universidade Católica (PUC Minas), e também professor da Faculdade de Direito. Manteve-se como titular da reitoria durante 21 anos. De 1962 a 1965 foi um dos poucos bispos que participaram do Concílio Vaticano II.

Profundamente identificado com a obra educacional, participou, em 1964, do II Seminário de Alta Educação, na Universidade de Kansas, nos Estados Unidos, e em 1970 realizou, a convite do governo, viagem de estudos à Alemanha Ocidental, onde visitou diversas universidades. Dois anos depois, participou do Congresso Mundial das Universidades Católicas, realizado em Roma. Em 1974, a convite do governo dos Estados Unidos, visitou também diversas universidades norte-americanas.

Na condição de educador e de reitor, foi nomeado membro do Conselho Federal de Educação e presidiu a Câmara de Ensino Superior, tendo sido responsável por inúmeros pareceres atinentes à educação superior no Brasil. Presidiu também a Associação Brasileira de Escolas Superiores Católicas e integrou o Comitê Consultivo do Centro Regional para o Ensino Superior da América Latina e Caribe.

Ainda como reitor da PUC Minas, criou a Fundação Dom Cabral — voltada para a integração universidade-empresa, através de cursos de treinamento profissional e pesquisas aplicadas — e a Fundação José Fernandes de Araújo (nome dado em homenagem a seu pai), que concede bolsas de estudos a alunos carentes da universidade. Foi presidente da Sociedade Mineira de Cultura, entidade mantenedora do Sistema de Ensino Arquidiocesano, e da PUC Minas, na qual veio a ocupar o cargo de grão-chanceler.

Em novembro de 1982 foi designado arcebispo coadjutor, com direito à sucessão de dom João Resende Costa, a quem efetivamente substituiu, como terceiro arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, em 5 de fevereiro de 1986. Três anos depois foi nomeado pelo papa João Paulo II membro da Pontifícia Comissão para a América Latina.

À frente da arquidiocese de Belo Horizonte, idealizou o “Projeto Pastoral Construir a Esperança”, iniciado em 1990. Esse projeto veio a se transformar em modelo pastoral para diversas dioceses brasileiras, com a aprovação e chancela da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Interessado nos meios de comunicação social como veículos de evangelização e de divulgação da fé católica, reestruturou os meios de comunicação de que dispunha a arquidiocese. Reelaborou a programação e modernizou as instalações e recursos técnicos das rádios Cultura e América, sendo responsável por um programa diário nessa última intitulado “Palavra de Deus”, e por um programa dominical na televisão da capital mineira. Atualizou o parque gráfico do Jornal de Opinião, sucessor do semanário Lar Católico, e ativou também a concessão de um Canal UHF de televisão.

Responsável, entre 1990 e 1995, pelo setor de Comunicação Social da CNBB, integrou por vários anos o Departamento de Comunicação Social do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), tendo feito parte do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais. Em 1991 ocupou o cargo de vice-presidente da CNBB, depois de ter presidido por várias vezes a Regional Leste II. Manteve-se na vice-presidência até 1995, ano em que organizou em Belo Horizonte o V Congresso Missionário Latino-Americano. Em 1997 foi eleito delegado da Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para as Américas, e em 18 de janeiro do ano seguinte foi feito cardeal pelo papa João Paulo II, das mãos de quem recebeu sua investidura cardinalícia nos dias 21 e 22 de fevereiro seguintes, no Vaticano.

Em Belo Horizonte, tornou-se presidente da Associação Providência Nossa Senhora da Conceição, de caráter filantrópico, com importante atuação no amparo aos menores de rua, através da Pastoral da Criança, e aos grupos marginalizados. Na Associação, dedicou-se especialmente ao amparo espiritual e material de doentes terminais desassistidos.

Em fevereiro de 1999 tentou atuar, a pedido do empresariado mineiro, como mediador na crise estabelecida entre o então governador de Minas Gerais, Itamar Franco, que havia decretado a moratória do estado no mês anterior, e o governo federal sob a administração do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em outubro de 2003 participou das celebrações do 25º aniversário do pontificado de João Paulo II em Roma.

Atuou como arcebispo da Arquidiocese de Belo Horizonte até 26 de março de 2004, quando foi substituído por dom Walmor Oliveira de Azevedo.

 

Suzana Delgado/ Letícia Nunes de Moraes

 

FONTES: CURRIC. BIOG.; Folha de S.Paulo (20/2/99; 17/10/03, 29/1/04); Portal Arquidiocese de Belo Horizonte. Disponível em : <http://www.arquidiocesebh.org.br>; Portal CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Disponível em : <http://www. cnbb.org.br>; Portal SINEPE-MG. Disponível em : <http://www.sinepe-mg.org.br>.

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