SERGIO CARDOSO DE ALMEIDA

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Nome: ALMEIDA, Cardoso de
Nome Completo: SERGIO CARDOSO DE ALMEIDA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
ALMEIDA, CARDOSO DE

ALMEIDA, Cardoso de

*dep. fed. SP 1967-1983.

 

Sérgio Cardoso de Almeida nasceu na cidade de São Paulo no dia 7 de abril de 1924, filho de Custódio Cardoso de Almeida Júnior e de Lúcia Cardoso de Almeida.

Cardoso de Almeida cursou, até o terceiro ano, a Faculdade de Direito de Niterói. Na juventude foi motorista de caminhão. Enriqueceu, tornando-se proprietário de terras em São Paulo e no Pará. A fazenda Olho D’Água, situada em Ribeirão Preto (SP), tornou-se o centro de seus empreendimentos agropecuários. Sempre vinculado a esta atividade, participou, em 1964, da fundação do Instituto Internacional do Algodão, em Paris.

No ano seguinte à deposição do presidente João Goulart pelo movimento político-militar de 31 de março de 1964, durante o governo do marechal Humberto Castelo Branco, participou da missão do ministro do Planejamento Roberto Campos à União Soviética, na qualidade de assessor agrícola.

No pleito de 15 de novembro de 1966 elegeu-se deputado federal por São Paulo na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar, assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte. Na legislatura iniciada em 1967, integrou as comissões de Agricultura e Política Rural, de Economia e de Relações Exteriores da Câmara.

Reeleito em novembro de 1970, em seu segundo mandato pertenceu à Comissão Especial para a Integração dos Povos da Comunidade de Língua Portuguesa, além de continuar na Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara. Novamente reeleito em 1974, permaneceu na Comissão de Agricultura e Política Rural entre 1975 e 1979.

A partir dessa legislatura, manifestou-se diversas vezes na Câmara, em entidades patronais e pela imprensa sobre questões econômicas e políticas, alinhando-se à tendência mais conservadora do partido governista. Em maio de 1977, em declaração ao jornal O Estado de S. Paulo, criticou a política desenvolvida pela Petrobras, afirmando que ela atrapalhava os negócios da livre-empresa. Na ocasião, elogiou os contratos de risco adotados para permitir a empresas estrangeiras a prospecção de petróleo no Brasil.

Em outubro, devido a seus interesses na região, entre os quais uma extensa propriedade de criação de gado, discursou na abertura da I Exposição da Feira Agropecuária de Altamira (PA). Afirmou então que as florestas representam para o Brasil a paralisação do desenvolvimento nacional. Preconizou a intensificação do desmatamento da Amazônia, inclusive com a utilização de desfolhantes químicos, como o “agente laranja” empregado pelas forças norte-americanas na destruição de florestas durante a Guerra do Vietnã. Em suas palavras, “a ecologia foi feita para inspirar poetas”, e disse ser a esquerda “a grande interessada na exploração de tais temas”.

Em dezembro de 1977, defendeu na Câmara a preservação do Ato Institucional nº 5, “pelo menos até o ano 2000”, citando os exemplos de Portugal e Espanha, “que promoveram a abertura política e hoje estão em grandes dificuldades sociais, políticas e econômicas”. E acrescentou: “Somos considerados hoje a sexta potência do mundo e este progresso... se deve à disciplina e à ordem que imperam no Brasil de hoje, graças... ao Ato Institucional de 13 de dezembro de 1968.” Confessou-se “decepcionado como revolucionário e arenista” com o pronunciamento do presidente Ernesto Geisel ao partido governista no dia 1º daquele mês, “onde só se falou em extinção do AI-5, em diálogo e mais diálogo”.

Em maio de 1978, na inauguração da Festa da Soja, em São Joaquim da Barra (SP), pronunciou-se sobre a questão da sucessão presidencial, criticando asperamente o candidato oposicionista, general Euler Bentes Monteiro, a quem acusou de tomar uma posição “anti-revolucionária” e de “fazer o trabalho dos inimigos da Revolução”.

Mais uma vez reeleito em novembro de 1978, em outubro de 1979 declarou ao Jornal da Tarde, referindo-se ao futuro político-partidário e institucional do país: “O principal ainda é o lema da Revolução: segurança com desenvolvimento.”

Com a extinção dos partidos políticos em novembro de 1979 e a conseqüente reorganização partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), agremiação governista que sucedeu a Arena. Em dezembro, na Câmara, acusou o Partido Comunista Brasileiro (PCB) de ser “a quinta-coluna do imperialismo mundial soviético”, declarando-se contrário à legalização desse partido.

Nas eleições de novembro de 1982, recandidatou-se à Câmara dos Deputados pelo estado de São Paulo, na legenda do PDS, obtendo apenas uma suplência. No dia 1º de dezembro desse mesmo ano, Cardoso de Almeida pronunciou um discurso de despedida na Câmara dos Deputados, em que defendeu o capitalismo no campo, sem o qual “não iremos atingir a liderança econômica pela produção agrícola e pecuária em larga escala, num mundo cada vez mais escasso em novas áreas de produção”.

Líder ruralista, julgou-se no dever de marcar posição e alertar o presidente José Sarney (1985-1990) para a necessidade de impedir que o plano de reforma agrária do então ministro Nélson Ribeiro servisse para instalar a subversão no interior. Segundo Cardoso de Almeida, “o ministro Nélson Ribeiro tem dado verbas de sua pasta para governos estaduais sustentarem, ajudando e alimentando, os acampamentos dos chamados sem-terra, dirigidos pela Pastoral da Terra, no sentido de provocar uma confusão generalizada no campo”.

Cardoso de Almeida foi ainda diretor do Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT) e do Departamento do Algodão da Confederação Nacional da Agricultura. Presidiu o Sindicato dos Produtores Rurais de Ribeirão Preto. Participou diversas vezes da delegação brasileira às reuniões plenárias do Comitê Consultivo Internacional do Algodão e foi delegado do Brasil à XIV Reunião do Congresso Internacional de Racionalização do Trabalho.

Faleceu em São Paulo no dia 12 de julho de 1993.

Era casado com Lídia Cardoso de Almeida, com quem teve três filhos.

Publicou Extension on the concept of scientific management to agriculture (1966).

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertórios (1967-1971, 1971-1975, 1975-1979); Estado de S. Paulo (21/1/69, 17/7/71, 8/11/72, 7/12/73, 20/4, 29/5, 26/8, 30/9, 13/11 e 17/12/77, 14/7/93); Jornal da Tarde (20 e 25/10/77, 29/10/79); Jornal do Brasil (17/12/77, 23/5/78, 4/10/79); NÉRI, S. 16; Perfil (1972 e 1980).

 

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