SILVA, ANTONIO CARLOS PACHECO E

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Nome: SILVA, Antônio Carlos Pacheco e
Nome Completo: SILVA, ANTONIO CARLOS PACHECO E

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SILVA, ANTÔNIO CARLOS PACHECO E

SILVA, Antônio Carlos Pacheco e

*const. 1934.

 

Antônio Carlos Pacheco e Silva nasceu na cidade de São Paulo no dia 29 de maio de 1898, filho de Pérsio Pacheco e Silva e de Escolástica de Lacerda Pacheco e Silva. Descendente de tradicional família de Itu (SP), era parente dos barões de Itatiba, Joaquim Ferreira Penteado, e de Araras, Bento de Lacerda Guimarães, bem como de José Correia Pacheco e Silva, republicano e membro da Constituinte em 1823 e deputado federal por São Paulo até 1837.

Estudou nos ginásios Nogueira da Gama e Nossa Senhora do Carmo, e no Colégio Mackenzie, todos na capital paulista. Em 1915 ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro no então Distrito Federal, pela qual se formou em 1920 e, posteriormente, se doutorou.

Fez cursos de aperfeiçoamento em várias clínicas européias, entre as quais a Clínica Charcol, do professor Pierre Marie, na Salpetrière, na França. Especializou-se em neurologia e psiquiatria na Faculdade de Medicina de Paris e, de volta ao Brasil, passou a trabalhar no Hospital de Juquiri, em São Paulo, do qual se tornou diretor em 1923. Foi o primeiro a aplicar, nesse hospital a malarioterapia em casos de paralisia geral.

Em 1926, a convite do Departamento de Estado norte-americano e comissionado pelo governador de São Paulo Carlos de Campos, viajou aos Estados Unidos para estudar a organização da assistência aos psicopatas naquele país. Nesse mesmo ano foi encarregado de estabelecer os planos do Manicômio Judiciário do Estado de São Paulo, cuja construção foi concluída ainda sob sua direção. Em 1928 foi um dos fundadores da Liga Paulista de Higiene Mental, da qual foi primeiro presidente. No ano seguinte representou o Brasil na I Conferência Latino-Americana de Psicopatia e Medicina Legal, realizada em Buenos Aires, e, em 1930, presidiu a Comissão de Assistência Social do Estado de São Paulo.

Após a Revolução de 1930 ocupou, em 1931, o cargo de vice-presidente do Instituto de Organização Racional do Trabalho, de São Paulo. Diante do agravamento das relações entre os paulistas e o governo federal, integrou o MMDC, organização paramilitar criada em São Paulo no dia 24 de maio de 1932. A sigla MMDC era formada pelas iniciais dos nomes pelos quais eram conhecidos os estudantes Cláudio Bueno Miragaia, Mário Martins de Almeida, Dráusio Marcondes de Sousa e Américo Camargo de Andrade, mortos na noite de 23 de maio na praça do Patriarca, durante uma manifestação popular em favor da “autonomia” de São Paulo e da reconstitucionalização do país, que culminou na invasão da sede do Partido Popular Paulista, antiga Legião Revolucionária, de Miguel Costa. Durante a Revolução Constitucionalista, que se estendeu de julho a outubro de 1932 em São Paulo, foi superintendente dos serviços médicos e assistência pública. Desse ano ao seguinte foi professor contratado de psiquiatria forense na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e professor da cadeira de serviços sociais na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, sendo escolhido, ainda em 1933, presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo.

Diretor do Sanatório Pinel, foi eleito em julho desse ano, por unanimidade de votos dos sindicatos paulistas, deputado à Assembléia Nacional Constituinte como representante dos empregadores. Empossado em novembro seguinte, participou dos trabalhos constituintes e, após a promulgação da nova Carta (16/7/1934) e a eleição do presidente da República no dia seguinte, teve o mandato prorrogado até maio de 1935. Nesse mesmo ano prestou concurso para a cadeira de clínica psiquiátrica na Faculdade de Medicina da USP. Classificado em primeiro lugar, ocuparia essa cátedra até 1967.

Pacheco e Silva foi também vice-presidente da Fundação Moinho Santista e presidente da Brasil Companhia de Seguros Gerais, do Conselho Penitenciário do Estado de São Paulo, da Federação Mundial para a Saúde Mental, da União Cultural Brasil-Estados Unidos, do Comitê France-Amérique, da Associação Psiquiátrica de São Paulo, da Associação Psiquiátrica Brasileira, da Academia Paulista de Medicina, dos departamentos de Cultura e de Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina, do Sindicato Médico de São Paulo, da Assistência a Psicopatas do Estado de São Paulo, da Comissão de Assistência Hospitalar do Estado de São Paulo, da Seção de Neuropsicopatologia da Sociedade de Medicina Legal e Criminologia de São Paulo, do Centro Cultural Brasil-Suécia, do Fórum Roberto Simonsen, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, do Instituto de Organização Racional do Trabalho e da Aliança Francesa, em São Paulo.

Foi membro do conselho de peritos em saúde mental da Organização Mundial de Saúde (OMS), do conselho de administração do Hospital das Clínicas de São Paulo, do conselho executivo da Associação Mundial de Psiquiatria, do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo e do conselho técnico de economia, sociologia e política da Federação do Comércio.

Foi ainda professor catedrático de clínica psiquiátrica na Faculdade de Medicina da USP e na Escola Paulista de Medicina, bem como de psicopatologia na Faculdade de Direito de São Paulo.

No Brasil associou-se à Academia Nacional de Medicina no Rio de Janeiro, à Academia de Medicina de São Paulo, ao Colégio Brasileiro de Cirurgiões, à Sociedade dos Escritores Médicos, ao Pen Club e, ainda, à Academia Paulista de Letras. No exterior foi membro da Academia das Ciências de Lisboa, da Associação Médica Argentina, da Academia Nacional de Medicina de Buenos Aires, da Associação Psiquiátrica Peruana, da Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria, da Sociedade Argentina de Sexologia, Biotipologia e Eugenia, da Sociedade de Psiquiatria de Buenos Aires, da Sociedade Argentina de Medicina Psicossomática, da Sociedade Argentina de Criminologia, da Associação Médica Argentina, da Associación Neuropsiquiátrica de Medicina Legal de Lima, da The Royal Society of Medicine, na Inglaterra, da American Pshychiatric Association, nos EUA, da The Royal Medic-Pshychological Association, em Londres, da Société Neurologique e da Société Médico-Pshychologique, em Paris.

Representou o Brasil em vários congressos internacionais, participando ainda de inúmeros certames nacionais de neurologia, psiquiatria, saúde mental e criminologia na Argentina, Peru, Venezuela, México, Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, França, Espanha, Portugal, Itália, Bélgica, Alemanha, Suécia e Dinamarca, tendo sido presidente, vice-presidente e relator oficial em vários desses conclaves.

Foi casado em primeiras núpcias com Lavínia Amaral de Souza Queirós, descendente da tradicional família paulista Sousa Queirós, dos senadores Queirós e Vergueiro, políticos durante o reinado de Pedro II, do brigadeiro Luís Antônio e do visconde de Andaiatuba, e com quem teve quatro filhos. Mais tarde, foi casado com Dirce Rudge Pacheco.

Faleceu em São Paulo no dia 27 de maio de 1988.

Publicou A demência paralítica em São Paulo (1922), Assistência aos psicopatas nos Estados Unidos e na Europa (1926), Iniciação médica (1933), Neuro-sífilis (1933), Cuidados aos psicopatas (1934), Direito à saúde (1934), Problemas de higiene mental (1936), Brasil-Argentina: intercâmbio universitário (relatório da visita à República Argentina, 1936), Serviços sociais (1937), Psiquiatria clínica e forense (1940), A assistência a psicopatas no estado de São Paulo (1945), A clínica psiquiátrica na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Orientação, organização, ensino e planos (1945), Crises convulsivas e equivalentes (1946), A psiquiatria e a vida moderna (1948), As perversões sexuais na mulher (1949), Sexologia forense (1949), A himenilatria (1949), A educação sexual da mulher (1949), Cooperação no trabalho intelectual (1949), Higiene mental (1952), Medicina psicossomática e aparelho digestivo (1952), Curso de aperfeiçoamento de psiquiatria de guerra, Palavras de psiquiatria, Aspectos da psiquiatria social, Medicina psicossomática em ginecologia, Compêndio psicossomático, O Manicômio Judiciário do estado de São Paulo, Ações psicológicas na guerra moderna, Armando de Sales Oliveira (biografia), Desajustes psicossociais e Hippies, drogas, sexo e poluição. Realizou ainda diversas pesquisas sobre moléstias do sistema nervoso, sendo seus trabalhos largamente citados em numerosos tratados e revistas da especialidade, além de publicar cerca de 350 trabalhos, artigos, conferências e monografias, de caráter cultural e científico, em revistas estrangeiras e nacionais, como Memórias do hospício de Juquiri, Revista de Medicina, Folha Médica, São Paulo Médico, Boletim da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo e Arquivos da Assistência Geral aos Psicopatas de São Paulo.

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais (1); CÂM. DEP. Deputados; COUTINHO, A. Brasil; DEP. PESQ. ESTADO SP; FREIRE, G. Ordem; GODINHO, V. Constituintes; MELO, L. Dic.; MOREIRA, J. Dic.; Súmulas.

 

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