SILVA, DUARTE LEOPOLDO E

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Nome: SILVA, Duarte Leopoldo e
Nome Completo: SILVA, DUARTE LEOPOLDO E

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SILVA, DUARTE LEOPOLDO E

SILVA, Duarte Leopoldo e

*religioso; arceb. São Paulo 1908-1938.

 

Duarte Leopoldo e Silva nasceu em Taubaté (SP) no dia 4 de abril de 1867, filho de Bernardo Leopoldo e Silva e de Ana Leopoldo e Silva.

Estudou humanidades no Colégio Doutor Quirino, em Taubaté. Em 1884, concluiu os estudos preparatórios no curso anexo à Faculdade de Direito de São Paulo e partiu para o Rio de Janeiro, então capital do Império, onde se matriculou na Faculdade de Medicina. Entretanto, interrompeu o curso no segundo ano por motivo de saúde, ingressando em 1887 no Seminário Episcopal de São Paulo, cujo reitor, monsenhor João Alves Coelho Guimarães, era seu padrinho. Em junho de 1892, recebeu as ordens de subdiácono, depois as de diácono, sendo ordenado padre em outubro do mesmo ano.

Em 1893, foi designado coadjutor do vigário da paróquia de Jaú (SP). No ano seguinte, foi transferido para a paróquia de Santa Cecília, na capital do estado, passando a exercer, ao mesmo tempo, o cargo de professor no Seminário Episcopal. Durante seu paroquiato, foi construída a matriz de Santa Cecília. Em 1899 foi elevado a cônego catedrático, permanecendo vigário de Santa Cecília até ser sagrado bispo pelo papa Leão XIII, em Roma, em maio de 1904.

Em seguida, foi nomeado bispo de Curitiba, tomando posse em outubro de 1904, vindo a tornar-se conhecido pelo trabalho que realizou na diocese da capital paranaense. Nesse período, publicou uma carta pastoral aconselhando o casamento civil que teve repercussão na Câmara Federal.

Em dezembro de 1906, foi transferido pelo papa Pio X para a diocese de São Paulo, em substituição ao bispo dom José de Camargo Barros, morto em um naufrágio quatro meses antes, quando retornava de Roma. Em junho de 1908, com a elevação de São Paulo a província eclesiástica independente, dom Duarte foi nomeado, por decreto do papa Pio X, arcebispo da recém-criada arquidiocese de São Paulo. Foi ele, portanto, o último bispo e o primeiro arcebispo de São Paulo.

Ainda em 1908, por proposta de dom Duarte, foram criadas cinco novas dioceses em São Paulo: Campinas, Taubaté, São Carlos, Botucatu e Ribeirão Preto. Em virtude dessa iniciativa, dom Duarte recebeu da Santa Sé os títulos de conde romano e assistente do Sólio Pontifício.

Em 1913, dom Duarte deu início à construção da nova catedral de São Paulo, na praça da Sé. Em 1915, promoveu e organizou o Congresso Eucarístico de São Paulo, que foi presidido pelo cardeal Arcoverde.

Por ocasião da greve de 1917, teve uma intensa atividade de assistência aos grevistas e a suas famílias. Durante a violenta epidemia de gripe espanhola, ocorrida em outubro de 1918, matando 528.295 pessoas apenas em São Paulo, comandou a atuação do clero no auxílio à população. Destacaram-se nesta atividade assistencial outras organizações civis e religiosas, principalmente a Liga Nacionalista, fundada em 1917 sob a inspiração de Rui Barbosa e Olavo Bilac e liderada, em São Paulo, por Júlio de Mesquita Filho, Clóvis Ribeiro e Frederico Vergueiro Steider.

Ainda em 1918, dom Duarte criou o Arquivo da Cúria Metropolitana e o Museu da Cúria (hoje Museu de Arte Sacra) de São Paulo. Em 1920, inaugurou o edifício da Cúria. Em 1922, fundou a Liga das Senhoras Católicas.

Durante a Revolta de 1924 em São Paulo, com a cidade dominada pelos rebeldes e sob incessante bombardeio das forças legalistas, dom Duarte abriu as portas das igrejas e colégios religiosos à população desabrigada. No dia 23 de julho, num automóvel com bandeira branca, o arcebispo e o prefeito Firmiano Pinto atravessaram as linhas de fogo e se dirigiram ao presidente do estado e ao comandante das forças governistas, oferecendo-se como mediadores.

Novamente associado à Liga Nacionalista, enviou ao presidente da República, Artur Bernardes, carta assinada por ele e pelo presidente da liga, Frederico Vergueiro Steider, solicitando a Bernardes sua intervenção no sentido de suspender os bombardeios à capital paulista. A Liga Nacionalista, porém, foi fechada por ato do presidente da República, a pedido do governo de São Paulo, ficando o arcebispo dom Duarte sob suspeita de “revolucionário”.

Ainda em 1924, dom Duarte criou a diocese de Santos e, no ano seguinte, a de Bragança Paulista.

Em 1928, a arquidiocese organizou em São Paulo o I Congresso da Mocidade Católica.

Em 1931, em carta ao interventor João Alberto, denunciou a ocupação militar do estado e o “surto comunista à sombra do tenentismo”.

Dom Duarte apoiou francamente a Revolução de 1932. Sua assinatura figurava em primeiro lugar em um manifesto de apoio aos revolucionários, distribuído no Rio de Janeiro e datado de 13 de julho de 1932. Seguindo-se à assinatura do arcebispo de São Paulo, vinham a do monsenhor Gastão Liberal Pinto, vigário-geral de São Paulo e auxiliar direto de dom Duarte, e as de outras personalidades “alheias às agremiações partidárias” (banqueiros, industriais e intelectuais). Esse manifesto tentava justificar a luta, afirmando que a mesma não tinha caráter separatista mas nacionalista, e que não era obra do partidarismo político, mas expressão do envolvimento das massas populares em geral.

No dia 23 de julho, dom Duarte celebrou missa campal na praça da Sé, com numeroso acompanhamento, “pelo êxito das armas da lei e em intenção dos seus soldados”. A Liga das Senhoras Católicas, a Assistência Evangélica e a Sereníssima Grande Loja de Antigos e Aceitos Franco-Maçons do Estado de São Paulo foram algumas das organizações que doaram roupas e medicamentos à comissão de socorros médicos da Revolução Constitucionalista. Em sua Mensagem ao venerando episcopado brasileiro, dom Duarte descreveu assim o sentido da Revolução de 1932: “São Paulo, entretanto, quer a paz, mas a paz garantida pela Constituição. São Paulo quer a paz, mas a paz que lhe venha, definitivamente consolidada, no gozo pleno de sua dignidade.”

Dom Duarte Leopoldo e Silva morreu em São Paulo, no dia 13 de novembro de 1938. Havia sido agraciado pela Santa Sé, além das já referidas, com as honras de prelado doméstico, tendo recebido do papa Pio X o solidéu branco “pelos serviços prestados à Igreja”.

Escreveu inúmeras obras, de caráter histórico ou religioso. Seus dotes de escritor e orador foram muito elogiados em sua época. Era também genealogista e historiador, tendo pertencido ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, que chegou a presidir. Além de mensagens e cartas pastorais, publicou Pela família (1898), Concordância dos Santos Evangelhos (1903), Regulamento da vida sacerdotal (1908), Constituições do Cabido Metropolitano (1909), Divisas paroquiais (1913), Notas da história eclesiástica (3v., 1916-1937), Sermões da paixão (1917-1918), No Calvário (1920), O clero e a independência do Brasil (1922, 2ª ed. 1972), Migalhas (1924) e Iluminuras (1937).

Sobre dom Duarte foram escritas diversas obras, entre as quais: Júlio Rodrigues, Dom Duarte Leopoldo e Silva (1894-1929) (1929), frei Luís de Sant’Ana, Oração fúnebre de dom Duarte Leopoldo e Silva (1938), monsenhor Vítor Rodrigues de Assis, Dom Duarte Leopoldo e Silva (1967), monsenhor Paulo Florêncio da Silveira Camargo, “Dom Duarte”, na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (1968 e 1969) e Arruda Dantas, Dom Duarte Leopoldo (1974).

Sônia Dias

 

 

FONTES: CONFERÊNCIA NAC. BISPOS DO BRASIL; Efemérides paulistas; GARDEL, L. Armoiries; Jornal do Comércio, Rio (14 e 15/11/38); LEITE, A. História; MELO, L. Dic.; MOREIRA, J. Dic.; Personalidades.

 

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