SILVA, JORGE DE CARVALHO

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Nome: SILVA, Jorge de Carvalho
Nome Completo: SILVA, JORGE DE CARVALHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SILVA, JORGE DE CARVALHO

SILVA, Jorge de Carvalho

*diplomata; encar. neg. Bras. EUA 1963-1966; emb. Bras. Itália 1974-1977; emb. Bras. Alemanha Ocid. 1977-.

 

Jorge de Carvalho e Silva nasceu em Petrópolis (RJ) no dia 6 de agosto de 1918.

Diplomou-se pelo Instituto Rio Branco, tornando-se cônsul de terceira classe em dezembro de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Em setembro de 1943 foi secretário da delegação brasileira junto à Comissão de Emergência para a Defesa Política do Continente e, de março de 1944 a março de 1945, foi vice-cônsul em Portland, na Inglaterra. Em junho desse último ano foi designado para Glasgow, na Escócia, sendo promovido a cônsul de segunda classe em dezembro, quando passou a exercer as funções de cônsul-adjunto e de encarregado do consulado naquela cidade, onde permaneceu até junho de 1947. No mês seguinte foi promovido a segundo-secretário e removido para a embaixada do Brasil em Washington. Em 1948 participou da delegação brasileira à sessão especial do Conselho Internacional do Trigo, realizada na capital norte-americana, e em 1949 integrou a delegação do Brasil junto ao grupo de trabalho de conselho da Food and Agriculture Organization (FAO) e junto à Conferência Internacional do Trigo. Em março de 1950 foi membro da delegação do Brasil à sessão extraordinária do Conselho Interamericano Econômico e Social (CIES), e em maio deixou Washington. Designado oficial-de-gabinete do ministro das Relações Exteriores, Raul Fernandes, em outubro seguinte, permaneceu no cargo até 1951, quando passou a auxiliar de gabinete do novo ministro João Neves da Fontoura.

Em junho de 1953 foi removido para a embaixada do Brasil em Paris e pouco depois promovido a primeiro-secretário. Serviu na capital francesa até dezembro de 1955, quando foi transferido para a embaixada brasileira em Roma. Em março de 1959 tornou-se chefe substituto da Divisão Política do Itamarati e em abril passou a secretário da Seção de Segurança Nacional. Em outubro passou a conselheiro e tornou-se chefe da Divisão Econômica da Ásia, África e Oceania, função que deixou em dezembro para assumir a chefia da Divisão Comercial.

Em janeiro de 1960 foi delegado nas negociações para conclusão e ajuste de comércio e pagamentos entre o Brasil e o Japão. Em março foi presidente substituto da Comissão Executiva Brasileira de Intercâmbio de Produtos do Brasil e da União Soviética (Cebrus) e em abril delegado do Brasil nas negociações com a Polônia para a conclusão do Acordo Substitutivo do Ajuste de Pagamento e do Acordo Comercial de 1954. Em junho foi vice-presidente da seção brasileira da Comissão Mista Brasil-Polônia e, em julho, membro da delegação do Brasil às negociações do Acordo de Comércio e Pagamento com a Tchecoslováquia. Em março de 1961 foi promovido a chefe adjunto do Departamento Econômico e Comercial e, em julho seguinte, presidiu a seção brasileira da Comissão Mista Brasil-Espanha, voltando a ser presidente substituto da Cebrus em outubro. Nessa época foi promovido a ministro de segunda classe e designado para a chefia da Divisão da Europa Oriental do Itamarati, cargo que ocuparia até fevereiro de 1962. Foi ainda membro do grupo interino de coordenação e execução da política econômica externa em 1960 e 1961 e, neste último ano, presidente do grupo de trabalho de estudo das relações econômicas e comerciais entre o Brasil e a Iugoslávia.

De março de 1962 a outubro de 1963 foi ministro-conselheiro da embaixada brasileira em Bonn, na Alemanha. Ocupou o mesmo cargo em Washington a partir de outubro de 1963, e o de encarregado de negócios de novembro a dezembro, em substituição ao embaixador Roberto Campos. Em janeiro de 1964 substituiu novamente Roberto Campos, que pedira demissão da embaixada brasileira por discordar do governo do presidente João Goulart. Permaneceu como encarregado de negócios em Washington após a vitória do movimento político-militar de março de 1964, que depôs o presidente Goulart, e após a nomeação do novo embaixador Juraci Magalhães. Com a indicação deste para o Ministério das Relações Exteriores, continuou no mesmo cargo, que deixaria apenas em janeiro de 1966, quando Vasco Leitão da Cunha foi nomeado embaixador em Washington.

Em 1966 foi promovido a ministro de primeira classe e designado embaixador do Brasil em Bogotá, na Colômbia, onde permaneceu até 1969. Nesse ano tornou-se secretário-geral de Política Externa do Itamarati na gestão do ministro Mário Gibson Barbosa, cargo que ocuparia até 1974. Respondeu interinamente pelo Ministério das Relações Exteriores de junho a setembro de 1970 e de maio a novembro de 1971. Ainda em 1971, presidiu a seção brasileira da Comissão Mista de Cooperação Científica e Tecnológica no acordo entre o Brasil e a República Federal da Alemanha. Chefiou também a delegação na sessão de instalação da Comissão Mista Teuto-Brasileira em Bonn, na Alemanha Ocidental. Em 1972 voltou a exercer interinamente o cargo de ministro das Relações Exteriores em vários períodos, substituindo Mário Gibson Barbosa em abril e de setembro a dezembro. Foi chefe da delegação do Brasil à terceira sessão da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento em Santiago do Chile, tendo chefiado ainda a delegação brasileira à segunda reunião da Comissão Mista Teuto-Brasileira de Cooperação Científica e Tecnológica, ocorrida em Brasília em 1972, e a terceira reunião, em Bonn, em 1973.

Lançou as bases da cooperação científica entre o Brasil e a Alemanha no campo nuclear e chefiou as principais delegações brasileiras com esse fim, trabalhando também no convênio sobre a troca de pesquisadores do Conselho Nacional de Energia Nuclear com o Centro de Pesquisas de Julich e na preparação da vinda do navio-laboratório nuclear Otto Rahn ao Brasil. Esse processo culminou nas negociações de um acordo principal, que seria firmado em Bonn em junho de 1975, envolvendo a soma de dez milhões de dólares e prevendo a instalação no Brasil de oito centrais termonucleares de água leve pressurizada, além de usinas de enriquecimento de urânio e de reprocessamento de combustível nuclear. A Alemanha, em contrapartida, receberia urânio para alimentar seus reatores.

De abril a agosto de 1973, Carvalho e Silva exerceu interinamente o cargo de ministro das Relações Exteriores. Foi mantido na secretaria do Itamarati nos primeiros meses do governo do presidente Ernesto Geisel (1974-1979), a convite do novo ministro das Relações Exteriores, Antônio Francisco Azeredo da Silveira, tendo respondido interinamente pela pasta nesse período. Logo em seguida, assumiu o cargo de embaixador do Brasil em Roma, em substituição a Carlos Martins Thompson Flores, onde permaneceu até 1977. Em março desse ano foi designado para a chefia da embaixada brasileira na Alemanha — em substituição a Egberto Mafra, dando seu lugar em Roma a Mário Gibson Barbosa. Sua indicação para embaixador na Alemanha, considerado o segundo posto em importância no exterior — foi bem recebida devido à sua grande experiência política, à sua fluência na língua alemã e, sobretudo, a seus contatos anteriores visando à colaboração entre os dois países. Foi considerado pelo Jornal do Brasil um dos mais competentes diplomatas de carreira, por ser desvinculado de grupos políticos, embora com trânsito em todas as áreas do poder.

 

FONTES: Encic. Mirador; Jornal do Brasil (4 e 22/3/77); MIN. REL. EXT. Anuário (1973 e 1975); Perfil (1972 e 1974).

 

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