SILVA, JOSE BONIFACIO DE ANDRADA E

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: SILVA, José Bonifácio de Andrada e
Nome Completo: SILVA, JOSE BONIFACIO DE ANDRADA E

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SILVA, JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E

SILVA, José Bonifácio de Andrada e

*dep. fed. MG 1899-1930; emb. Bras. Portugal 1931-1933; emb. Bras. Argentina 1933-1937.

 

José Bonifácio de Andrada e Silva nasceu em Barbacena (MG) no dia 29 de setembro de 1871, filho de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada — senador por Minas Gerais em 1891 — e de Adelaide Duarte de Andrada. Membro da célebre linhagem política dos Andradas, era neto de Martim Francisco Ribeiro de Andrada (ministro da Fazenda do Império em 1822) e sobrinho-neto de seu homônimo José Bonifácio de Andrada e Silva, o “Patriarca da Independência”. Do lado materno, descendia do inconfidente José Aires Gomes. Seu irmão Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (1870-1946) foi presidente de Minas Gerais de 1926 a 1930, um dos líderes mineiros da Revolução de 1930, presidente da Assembléia Nacional Constituinte em 1933-1934 e da Câmara dos Deputados de 1935 a 1937.

Fez os estudos preparatórios no Colégio Abílio, em Barbacena, e matriculou-se em 1889 na Faculdade de Direito de São Paulo, pela qual se formou em 1892.

Retornando a Minas, radicou-se em Barbacena, onde advogou, foi professor da Escola Normal e do Ginásio Mineiro, dirigiu o Liceu, foi colaborador de A Lavoura e Sericultura e redator e diretor do Jornal da Tarde. Foi várias vezes eleito vereador, não só em Barbacena como em outros municípios mineiros: Senhora dos Remédios, Correia de Almeida, Sítio (hoje Antônio Carlos) e Desterro de Melo. Em 1898, fundou a Liga da Lavoura e da Indústria.

Em 1899, casou-se com Corina Lafayette de Andrada, filha do estadista do Império Lafayette Rodrigues Pereira, e foi eleito deputado federal na legenda do Partido Republicano Mineiro (PRM), tendo seu mandato sucessivamente renovado até 1930. Na Câmara, foi durante alguns anos membro da Comissão de Instrução Pública, da Comissão de Finanças (1918), da Comissão de Justiça (1919-1921), da Comissão de Agricultura e da Comissão de Diplomacia. Foi de sua iniciativa o projeto, apresentado em 1916, de programar comemorações para o centenário da Independência do Brasil.

Em meados de 1929, quando se iniciaram as articulações para a sucessão do presidente Washington Luís, foi autorizado por seu irmão Antônio Carlos a representá-lo, sem restrições, nos encontros da oposição. Em 17 de junho, José Bonifácio reuniu-se no Hotel Glória, no Rio de Janeiro (então Distrito Federal), com João Neves da Fontoura (líder da bancada gaúcha na Câmara) e o mineiro Francisco Campos, propondo ao líder gaúcho um acordo entre Minas Gerais e o Rio Grande do Sul para o lançamento da candidatura de um gaúcho à presidência da República.

No encontro, ficou acertado que, caso as forças majoritárias de situação não lançassem o nome de um político mineiro para suceder a Washington Luís, o PRM proporia o nome de um gaúcho, o prócer republicano Antônio Augusto Borges de Medeiros ou o presidente do estado, Getúlio Vargas. Estabeleceu-se ainda que as duas partes só tornariam o pacto público quando julgassem oportuno, e que só por mútuo consentimento dele se desvinculariam. Finalmente, resolveram que o pacto só vigoraria em relação ao Rio Grande do Sul caso fosse aceito por Borges de Medeiros, chefe do Partido Republicano Rio-Grandense. Esse acordo, conhecido como o Pacto do Hotel Glória, tornou-se mais tarde a base da Aliança Liberal.

 

A campanha liberal

No início de agosto, em face da decisão tomada por Washington Luís de manter a candidatura do paulista Júlio Prestes, os deputados e senadores oposicionistas se reuniram pela primeira vez, para escolher a liderança da campanha de oposição e os membros da comissão executiva da frente por eles formada, a Aliança Liberal. José Bonifácio foi escolhido para exercer a liderança da Aliança Liberal na Câmara. Ainda em agosto, José Bonifácio e João Neves, representando os estados de Minas e Rio Grande do Sul, proferiram na Câmara discursos em que marcaram oficialmente o rompimento dos dois estados com Washington Luís e o início da campanha em prol das candidaturas de Getúlio Vargas e João Pessoa, presidente da Paraíba. A partir desse momento, José Bonifácio manteve uma intensa participação nos debates travados na Câmara entre deputados situacionistas e os membros da Aliança Liberal.

Realizadas as eleições em março de 1930, cabia ao Congresso ratificar o parecer emitido pela Comissão de Inquérito da Câmara encarregada do exame dos livros eleitorais. No dia 21 de maio, os congressistas ratificaram o parecer da comissão, que concluía pelo reconhecimento de 14 deputados eleitos em Minas pela Concentração Conservadora — representante da situação federal naquele estado — em meio a graves acusações de fraude, e “depurando” (negando o reconhecimento) todos os deputados eleitos pela Paraíba. No mesmo dia, após ter sido empossado, José Bonifácio criticou asperamente o governo federal, principalmente quanto à organização e ao funcionamento das juntas apuradoras e ao mecanismo de reconhecimento de poderes.

Em seguida, combateu também o governo federal por obstinar-se na recusa a fornecer auxílio material e tropas ao governo paraibano no conflito de Princesa, em que um adversário do presidente estadual se recusava a reconhecer sua autoridade.

No final de maio, participou da reunião da comissão executiva do PRM, da qual fazia parte, em que ficou assentado que a comissão concordava com os compromissos formais assumidos por Antônio Carlos em nome do partido em relação à articulação de um movimento revolucionário.

Pouco antes de eclodir a revolução, perseguido pelo governo de Washington Luís, exilou-se na embaixada da Argentina. Nessa ocasião, foi preso seu filho Luís Bonifácio, então com 20 anos. Vitorioso o movimento, foi nomeado em março de 1931 embaixador do Brasil em Portugal. Neste cargo, assinou em 30 de abril de 1931, em nome da Academia Brasileira de Letras, o Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro daquele ano.

Em agosto de 1933, deixou o posto em Lisboa e foi nomeado, em outubro, embaixador na Argentina, permanecendo no cargo até o dia 2 de novembro de 1937. Neste período, foi vice-presidente da delegação brasileira à Conferência Comercial Pan-Americana realizada em Buenos Aires em 1935, e participou também da Conferência do Chaco. De 1º a 31 de dezembro de 1937, serviu como embaixador junto à Santa Sé.

Como jornalista, colaborou no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Americana de História. Foi ainda presidente da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira.

Faleceu no Rio de Janeiro em 24 de fevereiro de 1954, deixando sete filhos. Entre eles, destacaram-se Antônio Carlos Lafayette de Andrada (1900-1974), ministro do Supremo Tribunal Federal de 1945 a 1969, José Bonifácio Lafayette de Andrada (1904), deputado federal de 1946 a 1979, e Martim Francisco Lafayette de Andrada (1906), diplomata.

Além de diversas conferências e artigos, publicou edições anotadas de obras de seu sogro, Lafayette Rodrigues Pereira, e escreveu: Uma fazenda histórica (Borda do campo): o inconfidente José Aires Gomes (1910), Geografia econômica do estado de Minas Gerais (1916-1918), José Bonifácio, o Segundo — poeta e orador parlamentar: páginas históricas da Independência do Brasil (1938), José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência (1938, 2ª ed. 1939) e Apontamentos genealógicos da família Andrada.

Helena Faria

 

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputado e embaixador; COLÉGIO EST. EMB. JOSÉ BONIFÁCIO. Dr. José; Encic. Barsa; FONTOURA, J. Memórias; Grande encic. portuguesa; Ilustração Brasileira (7/9/22); Jornal do Comércio, Rio (25/2/54); MIN. REL. EXT. Anuário; MORAIS, A. Minas; NOGUEIRA FILHO, P. Ideais; Rev. Arq. Públ. Mineiro (12/76); SILVA, G. Constituinte; SILVA, H. 1930; Who’s who in Brazil.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados