SILVA, JOSE GOMES DA

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Nome: SILVA, José Gomes da
Nome Completo: SILVA, JOSE GOMES DA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SILVA, JOSÉ GOMES DA

SILVA, José Gomes da

*dep. fed. PB 1935-1937; interv. PB 1946-1947.

José Gomes da Silva nasceu em Misericórdia, atual Itaporanga (PB), no dia 6 de março de 1900, filho de Horácio Gomes da Silva e de Maria Barreiro Gomes da Silva, sertanejos de ascendência portuguesa, com tradição de lutas políticas.

Concluiu o curso primário em Misericórdia em 1915 e prosseguiu os estudos na cidade da Paraíba, atual João Pessoa, terminando o ginásio em 1921. No ano seguinte, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, transferindo-se depois para a Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, pela qual se formou em dezembro de 1927.

Recém-formado, trabalhou na Saúde Pública do Rio de Janeiro, mas logo voltou à Paraíba, onde foi designado para servir no Corpo de Saúde da Polícia Militar do estado. Após a Revolução de 1930, elegeu-se deputado federal por seu estado, em outubro de 1934, e assumiu sua cadeira na Câmara Federal em maio de 1935. Exerceu o mandato até 10 de novembro de 1937, quando o Estado Novo (1937-1945) suprimiu todos os órgãos legislativos do país. Voltou então à Paraíba, onde foi nomeado membro do Departamento Administrativo do estado, em 1940.

No início de 1945, participou da fundação do Partido Social Democrático (PSD) paraibano, do qual se desligaria mais tarde, para ingressar no Partido Republicano (PR). Após o fim do Estado Novo, em 29 de outubro, foi nomeado secretário da Agricultura pelo interventor federal no estado, Odon Bezerra Cavalcanti, em fevereiro de 1946. Em outubro, tornou-se interventor federal. Durante seu governo na Paraíba, realizaram-se as eleições para a Assembléia Constituinte do estado, marcadas por acirrada disputa entre o PSD e a UDN. No plano administrativo, construiu o Instituto de Anatomia Patológica e Verificação de óbitos, criou escolas, reformou o prédio da Assembléia Legislativa, reconstruiu a ponte da ilha Índio Piragibe, remodelou os serviços elétricos e a usina de energia elétrica, além de implementar o Plano Rodoviário, inclusive a estrada João Pessoa-Recife, com auxílio do governo federal. Estendeu novas linhas de bonde aos bairros operários, concedeu aumentos aos servidores do estado e tomou providências quanto ao problema dos flagelados das secas, concluindo sua administração com saldo orçamentário e em dia com o pagamento do funcionalismo. Em 1947, após passar o governo a seu sucessor Osvaldo Trigueiro, eleito nesse ano, seguiu para o Rio de Janeiro, onde foi nomeado presidente da Companhia Nacional de Álcalis.

Após a deposição do presidente João Goulart pelo movimento político-militar de 31 de março de 1964, foi responsável pelo Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), desde a sua criação, em novembro, até a nomeação do primeiro presidente, em abril de 1965. Autarquia dotada de personalidade jurídica e autonomia financeira, diretamente subordinada à Presidência da República, o IBRA tinha por objetivo principal promover a elaboração e coordenar a execução do Plano Nacional de Reforma Agrária. Em 1970, o órgão seria transformado no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

Em 1967, foi um dos criadores da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), da qual seria diretor-presidente a partir de 1970 e uma das figuras mais importantes. A ABRA foi fundada no dia 20 de setembro como entidade civil, sem fins lucrativos, com o objetivo de promover a idéia da reforma agrária consubstanciada no Estatuto da Terra. Dela participavam profissionais ligados à agricultura (advogados, agrônomos, economistas etc.) e dirigentes de sindicatos e entidades de grau superior dos trabalhadores rurais. Sua criação vinculou-se à frustração da reforma agrária brasileira, que se tornou nítida após o governo do presidente Artur da Costa e Silva (1967-1969).

Em 1973, João Gomes da Silva foi assessor da Divisão Médica do Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, pertencendo a seu quadro médico. Foi também prefeito de Misericórdia, membro do Conselho Administrativo e secretário de Viação e Obras Públicas da Paraíba, chefe do serviço médico do Serviço Social da Indústria (Sesi) e médico e delegado do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Servidores Públicos da Paraíba. Ingressou na Sociedade de Medicina da Paraíba, da qual foi presidente três vezes.

FONTES: Boletim Min. Trab.; CÂM. DEP. Deputados; CORRESP. ASSOC. BRAS. REFORMA AGRÁRIA; Grande encic. Delta; NÓBREGA, A. Chefes; PINTO, L. Fundamentos.

 

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