SILVA, OSCAR LUIS DA

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Nome: SILVA, Oscar Luís da
Nome Completo: SILVA, OSCAR LUIS DA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SILVA, OSCAR LUÍS DA

SILVA, Oscar Luís da

*militar; comte. III Ex. 1972-1976.

 

Oscar Luís da Silva nasceu em Pernambuco no dia 21 de novembro de 1911.

Sentou praça em março de 1930 ao ingressar na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, sendo declarado aspirante-a-oficial em dezembro de 1932. Promovido a segundo-tenente em julho do ano seguinte e a primeiro-tenente em agosto de 1934, em março de 1940 chegou a capitão, alcançando o posto de major em junho de 1948. Tenente-coronel em julho de 1952 e coronel em dezembro de 1959, em novembro de 1964 — após a vitória do movimento político-militar de 31 de março desse ano, que depôs o presidente João Goulart — foi promovido a general-de-brigada.

No ano seguinte, como comandante da 1ª Divisão de Cavalaria, presidiu o inquérito policial-militar instaurado para apurar as atividades do coronel Jeferson Cardim de Alencar Osório e outros, presos no oeste paranaense durante um movimento armado contra o governo. Como se suspeitasse de vínculos entre esse movimento e o ex-governador Leonel Brizola, em junho de 1965, em entrevista concedida à imprensa, o general Oscar Luís declarou que, “sem se importar com sua condição de exilado e internado, o ex-deputado Leonel Brizola mantém, no Uruguai, uma organização que gasta cerca de um milhão de cruzeiros para promover agitação no Rio Grande do Sul, com vistas à eclosão do movimento em todo o Brasil, para derrubar o governo”. Afirmou ainda que “Brizola, além da ajuda de Paulo Schilling, Eliseu Torres, Cibilis Viana, Luís Alberto, Muniz Bandeira, ex-coronel Dagoberto Rodrigues, ex-capitão-aviador Alfredo Daut, ex-tenente Wilson Silva, ex-coronel Átila Cavaleiro, da Brigada Militar, ex-deputados federais José Neiva Moreira e Max da Costa Santos, que estão com ele no Uruguai, recebe ajuda do ex-brigadeiro Emanuel Nicoll, que está na Bolívia. Outras ajudas, ele as recebe de Fidel Castro, de elementos do Partido Comunista da França e, ainda, de deputados, vereadores e oficiais das forças armadas”.

Promovido a general-de-divisão em novembro de 1968, de 1969 ao ano seguinte exerceu a vice-presidência da Comissão Geral de Investigação (CGI), presidida pelo ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, e criada com base no Ato Institucional nº 5 (13/12/1968). Durante esse período coordenou várias reuniões do órgão com as subcomissões estaduais destinadas a apurar atos de corrupção nos respectivos governos. Em novembro de 1970, em entrevista coletiva à imprensa sobre as atividades da CGI, o general Oscar Luís afirmou que essa comissão “examinou 556 processos em 1969 e no ano corrente já examinou 356 e conta com 221 em andamento. Nas várias subcomissões estaduais existem 1.330 processos em estudo”.

Promovido a general-de-exército em julho de 1972, em setembro desse ano foi nomeado comandante do III Exército, com sede em Porto Alegre, em substituição ao general-de-exército Breno Borges Fortes. Permaneceu no posto quando o presidente da República, general Emílio Garrastazu Médici, passou o poder ao general Ernesto Geisel, em março de 1974, tendo exercido esse comando num momento em que o Exército se envolveu ativamente na repressão aos grupos de esquerda que moviam oposição armada ou política ao regime, embora os principais confrontos não se tenham dado sob sua jurisdição, e sim no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Por ocasião dos festejos da Semana da Pátria, em 7 de setembro de 1975, afirmou que “alguns maus brasileiros, na sanha da clandestinidade ou às claras, tentam perturbar a ordem, que, no entanto, tem sido mantida. O Brasil destaca-se como um “oásis de paz e tranqüilidade” no mundo conturbado em que vivemos. A subversão está contida mas os subversivos ainda continuam agindo...”. Dentro e fora do Brasil, “com o apoio dos simpatizantes e servindo-se dos inocentes úteis, distorcem os fatos... em uma verdadeira guerra psicológica visando criar um sentimento de revolta contra os poderes públicos, com a finalidade de implantar o comunismo”.

Dois meses depois, na abertura do segundo ciclo de palestras promovido em Porto Alegre pela Ação Democrática Renovadora, presidida pelo general Adolfo João de Paula Couto, reiterou que “a subversão está contida mas os subversivos ainda continuam agindo”. Considerou que o mundo estava abalado pelo comunismo (greves, atentados, distúrbios etc.), afirmando ser difícil “convencer as pessoas que gozam de liberdade de que se planeja a sangue frio a destruição da democracia”. Salientou ainda ser necessário “esclarecer ao povo no que consiste o comunismo” e que este “não seja levado a acreditar que é ele a única saída para nossas dificuldades”. Concluiu fazendo algumas perguntas: “a) por que um estudante subiu em uma árvore em Porto Alegre para tentar impedir que a derrubassem? b) por que os protestos contra a execução de subversivos bascos na Espanha? c) por que não houve protestos similares quando da execução de um jovem francês que assassinara uma anciã com 14 punhaladas? d) por que se dá realce ao suicídio de um militante comunista em São Paulo? e) porque estão sendo distribuídos panfletos em Porto Alegre conclamando à infiltração comunista entre a oficialidade jovem do Exército e entre a imprensa, especialmente a de tradição reacionária e conservadora?”

Após três anos e 11 meses, em 11 de agosto de 1976, o general Oscar Luís foi substituído no comando do III Exército pelo general-de-exército Fernando Belfort Bethlem. Na cerimônia de transmissão do comando, o ministro Sílvio Frota elogiou o general Oscar Luís, afirmando que ele “esteve entre os primeiros que sentiram e compreenderam o perigo que representa para a nação brasileira a guerra revolucionária como instrumento do imperialismo comunista, estudando meticulosamente este tipo de conflito moderno”. Nessa mesma solenidade, o general Oscar Luís foi transferido para a reserva por haver completado o prazo máximo como general-de-exército.

Em sua carreira militar fez os cursos de cavalaria, de aperfeiçoamento de oficiais, de estado-maior e da Escola Superior de Guerra.

Faleceu em Porto Alegre no dia 8 de abril de 1992.

Era casado com Marina da Silva, com quem teve quatro filhos.

 

FONTES: ALMEIDA, J. Borges; Estado de S. Paulo (7/11/75); Globo (9/6/65, 27 e 31/12/69; 5/2 e 14/11/70 e 12/8/76); Jornal do Brasil (16/7, 3 e 11/8/76 e 10/4/92).

 

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