SILVA, OSIRIS

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Nome: SILVA, Osíris
Nome Completo: SILVA, OSIRIS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SILVA, OSÍRIS

SILVA, Osíris

*militar; pres. Petrobras 1986-1988; min. Infra-estrutura 1990-1991.

Osíris Silva nasceu em Bauru (SP) no dia 8 de janeiro de 1931, filho de Arnaldo de Oliveira Silva e de Helena Beldinanzi.

Em 1948, ingressou na Escola de Aeronáutica, onde fez o curso de formação de oficiais aviadores, diplomando-se aviador militar em dezembro de 1951. Em seguida, no período de 1952 a 1958, serviu na Amazônia como piloto militar, no Correio Aéreo Nacional. Nesses anos, realizou também os cursos de piloto de patrulha, tática anti-submarina aeronaval, transporte aéreo e de tropas — em 1954, 1955, 1956 e 1957, respectivamente —, chegando a tenente-coronel da Aeronáutica.

Sua vida profissional teve um desenvolvimento significativo a partir de sua entrada no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), onde se formou em engenharia aeronáutica em 1962. Em seguida, trabalhou no departamento de Aeronaves do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento, do Centro Técnico Aeroespacial. Paralelamente a estas atividades, foi professor da cadeira de ensaios em vôo, no mesmo instituto. Em janeiro de 1964, assumiu a chefia da Divisão de Ensaios em Vôo daquele departamento e, em setembro seguinte, a do próprio departamento. Sob seu comando, deu-se início ao projeto do avião de passageiros Bandeirante.

Mais tarde, em junho de 1966, graduou-se mestre em ciências aeronáuticas pelo California Institute of Technology, nos Estados Unidos. Ainda em 1969, estudou na Escola de Estado-Maior da Aeronáutica. Posteriormente, foi membro do Conselho de Desenvolvimento Industrial do Ministério da Indústria e Comércio, diretor-adjunto do Departamento de Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), membro do conselho consultivo do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) e do conselho diretor da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva.

Um dos fundadores da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), ligada ao Ministério da Aeronáutica, em novembro de 1969, foi designado pelo ministro da Aeronáutica, brigadeiro Márcio Sousa de Melo, seu primeiro diretor-superintendente. Nos anos seguintes, acumulou este cargo com o de presidente do Conselho de Administração da empresa. Em 1972, passou para a reserva.

Durante sua gestão, a Embraer tornou-se um dos mais importantes fabricantes de aviões pequenos e médios do mercado mundial. Em 1977 os primeiros Bandeirantes começaram a ganhar o mercado externo, e mais outros 11 tipos de aeronaves foram projetados e produzidos no decorrer de sua administração. Conhecido internacionalmente, em 1979 foi escolhido a personalidade do ano pela revista Aviation Week & Space Technology.

Em maio de 1985, a empresa saiu vitoriosa na concorrência da Real Força Aérea Britânica (RAF), apresentando o avião para utilização em treinamentos militares — o Tucano (T-27), que passou a ser o carro-chefe de vendas. Crítico da reserva de mercado, promoveu uma associação com capitais italianos para a produção do primeiro avião a jato subsônico no Brasil — o AMX —, cujo vôo inaugural ocorreu em outubro de 1985. Neste mesmo mês, ao ser perguntado sobre o motivo do sucesso da empresa que dirigia, afirmou: “O modelo para qualquer empresa, mesmo estatal, é ter como meta o lucro, obtido através de eficiência e não de subvenção do governo.”

Em maio de 1986, foi escolhido pelo presidente José Sarney para presidir a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras), substituindo a Hélio Beltrão. Mantendo-se na presidência do conselho de Administração da Embraer, acumulou os dois cargos. Ao assumir a presidência da Petrobrás, destacou a necessidade de se alcançar a auto-suficiência na produção do petróleo e no abastecimento dos derivados, concentrando-se na prospecção e exploração do gás natural. Diante da descoberta de importantes reservas de gás natural na bacia de Campos, anunciou um programa de distribuição do produto para consumo urbano e industrial, numa tentativa de incentivar a substituição do petróleo no consumo industrial. Aproveitando os baixos preços internacionais do petróleo, em outubro de 1986 resolveu comprar reservas no exterior através de contratos de risco para a exploração de petróleo na Argentina, Venezuela e Colômbia, além de promover a participação da Petrobras Internacional (Braspetro) na licitação do governo norueguês para atuação no mar do Norte.

No final de 1986, a partir da constatação do aumento do consumo do álcool e da gasolina durante o ano, planejou investimentos na área do refino, visando a ampliação de sua capacidade. No ano seguinte, no mês de abril, anunciou a descoberta de mais petróleo e gás às margens do rio Urucu, no Amazonas. Nessa mesma época, justificou o não-repasse de recursos da Petrobras para o Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND) pela diferença entre os preços do petróleo importado e o do vendido internamente, o que estaria causando prejuízos à empresa. Defendendo o aumento da tarifa do combustível vendido aos postos pela estatal, ponderou que a crescente desvalorização do cruzado em relação ao dólar teria contribuído para agravar a situação, além da subida do preço internacional do petróleo.

Em 1988, no início do segundo ano de sua gestão, indispôs-se com o ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, na luta pela manutenção da Unidade de Referência de Preços (URP), índice usado pelo governo no cálculo dos reajustes salariais, para os funcionários da estatal. Este teria sido um dos motivos que o levou a pedir demissão, em junho deste ano. Substituído no cargo por Armando Guedes Coelho, ingressou na iniciativa privada, tornando-se sócio da Debraco Participações e Empreendimentos. A partir de março do ano seguinte passou a prestar consultoria à Cevekol Indústria e Comércio de Produtos Químicos.

Na época do lançamento de candidatos para as eleições presidenciais de novembro de 1989, seu nome chegou a ser cogitado, na falta de um representante do pensamento do empresariado. Contudo, apoiando a candidatura de Fernando Collor de Melo, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN), atuou como consultor na elaboração do programa econômico durante sua campanha eleitoral.

Com a vitória de Collor no segundo turno das eleições, em dezembro de 1989, foi convidado pelo novo presidente a ocupar a pasta da Infra-estrutura, que incorporou os ministérios das Minas e Energia, Transportes e Comunicações. A escolha de seu nome teve apoio no Congresso e agradou a classe empresarial. Por ocasião de sua posse, em março de 1990, adotou um discurso afinado com o de Collor, afirmando que privatizaria a maioria das empresas estatais (entre elas, diversas subsidiárias da Petrobras e a Embraer), à exceção das que precisavam de autorização do Congresso. Defendeu também a ampliação e modernização do sistema brasileiro de telefonia e a revisão do Programa do Álcool (Proálcool).

Em abril, comunicou a decisão do governo de não abrir precedentes para empresas estatais com dificuldades de caixa, citando como exemplo os casos das companhias Siderúrgica Nacional (CSN) e Siderúrgica Paulista (Cosipa) e da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA). Na área de transportes, neste mesmo mês, deu início ao processo de liberação dos preços de combustíveis, visando acabar progressivamente com o controle então existente. Em maio, durante o I Encontro Nacional de Comunicações, lançou a livre concorrência para a instalação de centrais telefônicas no país. Nesta época, referiu-se também à sua pretensão de eliminar o monopólio da Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) na exploração de satélites.

Em junho, quando houve uma greve na Petrobras, recomendou ao presidente da estatal, Luís Otávio da Mota Veiga, que demitisse, sem negociação, os petroleiros em greve. Durante este mês e no seguinte, entrou em choque com o secretário de Transportes, Marcelo Ribeiro, ao elaborar o Decreto nº 99.354, que dispensava a licitação para contratação de empreiteiras destinadas à realização do “SOS Rodovias”. Discordando do teor do decreto, Ribeiro conseguiu revogá-lo. Como não conseguiu demitir o secretário, indicado para o cargo pelo empresário Paulo César Farias, amigo pessoal de Collor, Osíris ameaçou pedir demissão. Em agosto, finalmente, conseguiu o afastamento de Marcelo Ribeiro.

Diante da crise provocada pela alta do petróleo a partir do conflito no Oriente Médio, pronunciou-se a favor do investimento na produção nacional como única alternativa para o país, divergindo das diretrizes do governo Collor de reativar o Proálcool. Em setembro, opôs-se à demissão de seu chefe de gabinete, amigo pessoal e principal responsável pela demissão de Marcelo Ribeiro, Edísio Gomes de Matos, por exigência do próprio presidente. O caso foi encerrado com o pedido de exoneração de seu assessor. Em seguida, nomeou seu novo assessor a partir de negociação com o secretário-geral da presidência, Marcos Coimbra.

Contrário ao monopólio de extração e comercialização do petróleo pela Petrobras, por onerar a estatal e o consumidor brasileiro, defendeu a reabertura dos contratos de risco como única forma de aumentar a produção interna de petróleo, a curto prazo. Nesta ocasião, conseguiu negociar com o Irã uma redução no preço do petróleo, que possibilitaria uma economia de dez milhões de dólares até o final de 1990. No setor de telecomunicações, inaugurou o uso do cartão no lugar da ficha e a telefonia móvel. Definiu como prioridade do seu ministério, para o ano de 1991, a revitalização da malha ferroviária brasileira no setor de transportes de passageiros e de cargas como forma de economizar combustíveis, reduzindo os custos dos produtos e, conseqüentemente, a pressão sobre a inflação.

Em janeiro de 1991, por não conseguir substituir alguns dos secretários nacionais de seu ministério, que não havia escolhido, pediu demissão. A Guerra do Golfo e a crise energética, contudo, mantiveram-no no cargo. Em março deste ano, finalmente, formalizou seu pedido de demissão, alegando razões de ordem pessoal.

Retornando à Debraco, em julho, atendendo a convite do ministro da Aeronáutica, brigadeiro Sócrates Monteiro, reassumiu a superintendência da Embraer. Destacando como uma das prioridades de sua gestão a redução dos custos da produção através da tecnologia e da revisão dos processos de execução, observou que isto não implicaria salários baixos. Além da retomada da produção, ressaltou a importância de se restaurar a imagem da empresa a partir da reconquista de posições no mercado nacional e internacional, e da regularização das relações com credores, clientes e fornecedores.

Em abril de 1993, foi apontado pelo Tribunal de Contas da União como responsável pela crise da Embraer. Em entrevista à imprensa, advertiu que a empresa poderia fechar caso não recebesse um crédito do governo de seiscentos milhões de dólares. No decorrer de 1993 e no ano seguinte, defendeu a privatização como única forma de garantir a sobrevivência da empresa, declarando não ver problema na participação de grupos estrangeiros neste processo e ressaltando a necessidade de haver isenção de impostos após a venda da companhia. Em dezembro e 1994 a Embraer foi privatizada, tendo como um dos seus maiores acionistas a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. A privatização da empresa implicou na dispensa de aproximadamente dois mil funcionários, cabendo à União arcar com parte de sua dívida de quatrocentos milhões de dólares. Em fevereiro de 1995, Osíris Silva deixou a presidência da Embraer, voltando a dirigir a Debraco.

Foi presidente da empresa aeroespacial Varig de junho de 2000 a agosto de 2002. Em outubro de 2003 fundou e tornou-se presidente da empresa Pele Nova Biotecnologia, produtora de pele sintética. Atualmente dirige ou integra o conselho administrativo de diversas outras empresas.  

Foi reitor da Universidade de Santo Amaro (Unisa), localizada no município de Santo Amaro (SP). Atualmente é reitor do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), localizado no município de Santos (SP). 

É membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), órgão federal. Integra ainda diversas entidades de classe e associações empresariais e acadêmicas. Recebeu diversas homenagens e condecorações, como as medalhas da Ordem do Mérito Militar e da Ordem Rio Branco.

Publicou os livros Decolagem de um sonho: história da criação da Embraer (1998); Cartas a um jovem empreendedor (2006); Nas asas da educação: a trajetória da Embraer (2008); e A decolagem de um grande sonho (2008). Em co-autoria com Décio Fischetti, publicou Montenegro Filho: A trajetória de um visionário (2006); e Etanol: a revolução verde e amarela (2008).

Casou-se com Teresinha Bueno, com quem teve três filhos.

Verônica Veloso/Fabricio Pereira da Silva

FONTES: CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (16, 20, 23, 25 e 27/5, 15/6, 7 e 11/11/86, 17/1, 4 e 9/4/87, 20 e 21/2, 1, 7 e 29/3, 10 e 18/4, 30/6, 3, 11, 18 e 24/7, 8 e 29/8, 6, 7, 12, 20 e 23/10 e 13/11/90, 26/3, 4/4 e 22/8/93 e 3/7/94); Folha de S. Paulo (15, 16 e 20/5, 12/6 e 9/10/86, 21 e 26/2, 19/4, 5 e 12/5, 6, 8 e 29/6, 3, 4, 11 e 27/7, 3, 10, 16, 17 e 19/9 e 26/10/90, 26/3/91, 11 e 12/10/93); Globo (20 e 22/3/85, 16, 18, 19, 22 e 23/5, 19/8, 7 e 27/10 e 30/12/86, 17/1/87, 26/11/89, 20, 21 e 25/2, 19/4, 14/7, 19 e 30/8, 18/9, 26/11, 1 e 26/12/90); Jornal do Brasil (15, 17, 20, 22, 23 e 25/5, 27/9, 5/11 e 22/12/86, 9/4/87, 20 e 21/2, 20/3, 19/4, 14/5, 11 e 18/7, 24 e 29/8, 4 e 18/9/90, 28 e 29/6, 1, 15 e 17/7/91, 6 e 27/11/92 e 19/5/93); Senhor (18/11/86); Veja (30/10/85, 21/5/86, 23/3/94 e 31/5/95).

 

 

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