SILVEIRA, GUARACI

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Nome: SILVEIRA, Guaraci
Nome Completo: SILVEIRA, GUARACI

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SILVEIRA, GUARACI

SILVEIRA, Guaraci

*religioso; const. 1934; const. 1946; dep. fed. SP 1946-1951.

 

Guaraci Silveira nasceu em Franca (SP) no dia 27 de setembro de 1893, filho do capitão Zeferino Carlos da Silveira e de Ana de Sousa Silveira. Seu pai foi vereador em São Simão (SP) em 1889, tendo sido perseguido durante o Império por defender o ideário republicano. Seu avô paterno, Luís Antônio da Silveira — descendente do bandeirante Carlos Pedroso da Silveira, intendente do ouro em Taubaté (SP) — foi revolucionário de 1842.

Fez o curso primário no Ginásio Escolar Dr. José Alves Guimarães Júnior, em Ribeirão Preto (SP). Lecionou de 1912 a 1914 no Liceu Nossa Senhora Auxiliadora, em Campinas (SP), e no Colégio São José, em Batatais (SP), enquanto concluía o curso ginasial como autodidata. Cursou também o Colégio São Joaquim, em Lorena (SP), onde freqüentou o semanário católico. Em 1916 ingressou no Instituto Granbery, da Igreja Metodista de Juiz de Fora (MG), e posteriormente na Faculdade de Teologia, terminando os estudos em curso livre.

Em 1915 tornou-se ministro metodista, tendo atuado até 1928 nas cidades paulistas de Piracicaba, Ribeirão Preto, Santa Rita, Caívari, Bauru, Lins, São Roque e Itaquera e na capital do estado, nas igrejas metodistas do Brás e Central. Foi ordenado diácono em 1920 e presbítero da Igreja Metodista em setembro do ano seguinte. Tornou-se organizador e presidente da Igreja Metodista do Brasil em 1926, sendo escolhido seu delegado nos Estados Unidos. Liderou o movimento emancipador desse grupo religioso no Brasil, defendendo a necessidade de autonomia da Igreja nacional, que seria conseguida em 1930. Nessa época, trabalhou ainda como redator da Revista de Ensino Religioso para Adultos da Confederação das Igrejas Evangélicas do Brasil, função que exerceu até 1928. Em 1930 tornou-se redator da revista Expositor Cristão, que deixaria em 1934, e secretário-geral das missões da Igreja Metodista do Brasil. Foi o primeiro pastor brasileiro a servir como capitão-capelão de tropas regulares, tendo atuado no 8º Batalhão de Caçadores de São Paulo e no Batalhão 14 de Julho durante a Revolução Constitucionalista deflagrada nesse estado no dia 9 de julho.

Em maio de 1933 elegeu-se deputado à Assembléia Nacional Constituinte por São Paulo, na legenda do Partido Socialista de São Paulo, sendo empossado em novembro seguinte. Em diversas ocasiões, ocupou a tribuna para defender o divórcio e a separação entre a Igreja e o Estado. Após a promulgação da nova Carta, em 16 de julho de 1934, teve o mandato estendido até maio de 1935. Foi candidato avulso a deputado federal por seu estado no pleito de outubro de 1934, obtendo apenas uma suplência. Findo o mandato em maio de 1935, deixou a Câmara dos Deputados, voltando ao presbitério e à imprensa, escrevendo para diversos jornais de Ribeirão Preto e de São Paulo.

Foi orientador da Coligação dos Independentes, movimento criado em 1935 para preservar os trabalhadores da influência do comunismo. Presidente do Concílio Regional do Centro em 1937, foi convidado pelo governo de São Paulo para orientar uma campanha educativa em torno das leis trabalhistas. Em 1938, já sob o regime do Estado Novo (1937-1945), deixou a secretaria geral das missões da Igreja Metodista, retornando a função de redator da revista Expositor Cristão. Nesse mesmo ano foi aposentado como ministro do Evangelho e encarregado pelo governo do estado de realizar a propaganda das leis trabalhistas nas escolas secundárias e entre os trabalhadores. Em 1940 tornou-se diretor do Departamento Estadual do Trabalho, em Taubaté, cargo que ocupou até 1942, quando também deixou a revista Expositor Cristão. Em 1944 participou das primeiras articulações para a fundação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), consumada em 1945, quando assumiu a direção do escritório do Departamento Nacional do Trabalho em Sorocaba. No dia 29 de outubro de 1945, data da deposição do presidente Getúlio Vargas e do fim do Estado Novo, Guaraci Silveira, então chefe da subdelegacia do Trabalho em Santos, foi aprisionado por ordem das autoridades militares, apesar de sua atuação partidária.

Em dezembro de 1945 elegeu-se deputado à Assembléia Nacional Constituinte por São Paulo, na legenda do PTB, cujo diretório estadual integrava. Empossado em fevereiro de 1946, integrou a comissão encarregada de organizar o projeto da nova Constituição e de pronunciar-se sobre as emendas do plenário. Foram de sua autoria os dispositivos sobre a liberdade do cidadão de não matar em guerra, desde que aceitasse encargos em que expunha sua vida, a revalidação do casamento religioso já realizado e a obrigação de as indústrias e empresas agrícolas ministrarem ensino aos filhos de seus trabalhadores onde não houvesse escolas públicas. Integrou ainda a Subcomissão da Família, Educação e Cultura.

Após a promulgação da nova Constituição, em 18 de setembro de 1946, passou a exercer o mandato ordinário. Em janeiro de 1948 votou contra a cassação dos mandatos dos parlamentares comunistas, em decorrência da suspensão do registro do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), no ano anterior. Teve também participação decisiva nas acusações de insanidade mental e falta de decoro feitas ao deputado pelo Distrito Federal, Edmundo Barreto Pinto, que resultaram no seu desligamento do PTB e na perda do mandato nesse mesmo ano. Ainda em 1948, integrou a Comissão de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas da Câmara dos Deputados e liderou a criação do Partido Republicano Trabalhista (PRT), formado a partir das bases do Partido Republicano Democrático (PRD), enfraquecido por sucessivos fracassos eleitorais. Mantendo sempre ligações com grupos protestantes o PRT se transformaria em 1958 no Partido Rural Trabalhista, conservando a mesma sigla. Em 1950 Guaraci Silveira tornou-se presidente do PRT, tendo defendido a linha trabalhista e a harmonia entre empregados e empregadores, supervisionados e moderados pelo Estado — protetor dos trabalhadores —, com vistas a uma maior e melhor produção e a uma melhoria constante da raça, mediante toda sorte de assistência. Concluiu o mandato em janeiro de 1951, não mais retornando à Câmara Federal.

Jornalista, trabalhou no Correio da Tarde, de Ribeirão Preto, onde escreveu sob o pseudônimo de Hélio Silvado. Pertenceu à Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Faleceu na cidade de São Paulo no dia 5 de agosto de 1953.

Foi casado com Etelvina Crem Silveira, com quem teve cinco filhos.

Publicou Evangelho, patologia e razão (ensaio, 1920), Memórias do coronel Simplício (romance, 1933), Lutero, Loiola e o totalitarismo (ensaio, 1943), A história das emendas religiosas na Constituinte de 1934, Mensagem do protestantismo brasileiro ao povo e autoridades, Relatório às igrejas evangélicas e Religião oficial.

 

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep. Câm. Dep. seus componentes; COUTINHO, A. Brasil; DEP. PESQ. ESTADO SP; Diário do Congresso Nacional (29/5/48); Estado de S. Paulo (19/9/76); Folha de S. Paulo (6/8/53); FREIRE, G. Ordem; GALVÃO, F. Fechamento; GODINHO, V. Constituintes; Grande encic. Delta; International; LEITE, A. História; LEITE, A. Páginas; MELO, L. Dic.; SILVA, G. Constituinte; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1).

 

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