SILVIO BORGES DE SOUSA MOTA

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Nome: MOTA, Sílvio
Nome Completo: SILVIO BORGES DE SOUSA MOTA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MOTA, SÍLVIO

MOTA, Sílvio

*militar; min. Mar. 1963-1964.

 

Sílvio Borges de Sousa Mota nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 11 de fevereiro de 1902, filho de José de Sousa Mota e de Emília Borges de Sousa Mota.

Depois de concluir os estudos secundários no Colégio Pedro II, ingressou, em abril de 1920, na Escola Naval. Promovido a guarda-marinha em janeiro de 1924, nesse mesmo ano realizou serviços de ligação entre as forças que combateram os revoltosos da cidade de São Paulo, no movimento revolucionário de caráter tenentista que ali eclodiu no dia 5 de julho sob a chefia militar do general Isidoro Dias Lopes. De volta ao Rio de Janeiro em agosto, fez, de outubro a dezembro, viagem de instrução no navio-escola Benjamim Constant, sendo promovido em dezembro a segundo-tenente.

Em janeiro de 1925 passou a servir no encouraçado São Paulo, ancorado no Rio de Janeiro, transferindo-se, em abril, para o encouraçado Minas Gerais. Promovido a primeiro-tenente em janeiro de 1927, serviu até junho no contra-torpedeiro Pará e, de agosto a novembro, no Ceará. Nesse mês retornou ao São Paulo, passando para o cruzador Rio Grande do Sul em maio de 1928. Em julho desse ano, serviu no paquete Almirante Jaceguai, do Lóide Brasileiro, do qual passou, servindo no Comando da Esquadra, para o Minas Gerais, em outubro. Transferido em novembro para a Divisão de Cruzadores, foi servir no Rio Grande do Sul.

Em agosto de 1929, por ocasião do aniversário da independência do Uruguai, representou o governo brasileiro em Montevidéu. Em maio de 1930, comboiou o paquete Almirante Jaceguai, que levou Júlio Prestes, eleito presidente da República em março anterior, a comemorações oficiais nos Estados Unidos, retornando ao Rio de Janeiro em julho. Promovido a capitão-tenente em setembro desse ano, não teve sua carreira militar afetada pela Revolução de 1930, que eclodiu no mês seguinte. Serviu de janeiro a novembro de 1931 no encouraçado São Paulo, passando depois a comandar o navio Tenente Lahmeyer, função que exerceu até setembro do ano seguinte.

Em abril de 1933 matriculou-se no curso de hidrografia, que concluiu em novembro do mesmo ano. Realizou, em junho de 1934, o levantamento aerofotogramétrico da enseada de Santa Catarina, sendo, em seguida, designado para as funções de instrutor de navegação e hidrografia do curso de especialização para oficiais da Armada. Ainda nesse mesmo ano, efetuou o levantamento aerofotogramétrico da baía da ilha Grande, no estado do Rio de Janeiro. Em maio de 1935 assumiu, em Natal, o comando do rebocador Heitor Perdigão, função que exerceu até agosto. Em novembro foi designado para o cargo de ajudante-de-ordens do vice-almirante Heráclito da Graça Aranha, diretor do Lóide Brasileiro, nele permanecendo até maio de 1936.

Em julho de 1938 foi nomeado juiz do Tribunal Marítimo e, em janeiro do ano seguinte, assumiu a chefia do departamento de navegação do Minas Gerais. Promovido em julho de 1940 ao posto de capitão-de-corveta, assumiu em seguida o comando do navio hidrográfico Rio Branco.

Completou o curso preliminar por correspondência em janeiro de 1942, habilitando-se à matrícula no curso de comando. Em outubro seguinte, foi nomeado membro da Comissão Permanente de Promoção do Pessoal Subalterno da Armada. Passou o comando do Rio Branco em abril de 1943, exercendo o comando do navio hidrográfico Jaceguai até setembro. No mês seguinte foi designado para servir no Estado-Maior da Armada. Em março de 1944 foi transferido para a Divisão de Planos e Operações, desligando-se do Estado-Maior da Armada em abril.

Nesse mesmo mês passou a encarregado do serviço de instrução e administração da Comissão Naval Brasileira, sediada em Miami, nos EUA. Em maio realizou exercícios a bordo de vários navios norte-americanos. Em julho desse ano — no auge da Segunda Guerra Mundial — fez o curso de tática anti-submarina, na Fleet Sound School, em Key West, EUA. No mesmo mês, desligado da Comissão Naval Brasileira, foi destacado para a base de Natal, onde assumiu, em agosto, o comando do contratorpedeiro Bauru. Participou então de escoltas a comboios aliados com outras belonaves brasileiras e norte-americanas. Em janeiro de 1945 foi designado para servir na Comissão de Compras da Marinha, em São Paulo, onde permaneceria até janeiro de 1946.

Promovido a capitão-de-fragata em maio de 1945, fez o curso de comando da Escola de Guerra Naval de janeiro a setembro de 1946. Uma vez diplomado, tornou-se auxiliar de ensino nessa escola. Em janeiro de 1947 passou a exercer as funções de colaborador da Missão Naval Norte-Americana junto à Escola de Guerra Naval. Em dezembro foi dispensado do cargo de auxiliar de ensino, por ter sido nomeado adjunto da secretaria geral do Conselho de Segurança Nacional. Exonerado dessa função em janeiro de 1949, passou a servir no comando do navio-tanque Ilha Grande. Em novembro desse ano voltou às funções de auxiliar de ensino na Escola de Guerra Naval, onde foi encarregado do curso preliminar por correspondência, sendo logo depois designado para prestar colaboração ao Ministério da Guerra, na Escola de Estado-Maior, sem prejuízo de suas funções na Marinha. Em dezembro de 1949 tornou-se instrutor-chefe do curso naval da Escola de Estado-Maior.

Em dezembro de 1950 recebeu o diploma do curso da Escola de Guerra Naval e foi promovido a capitão-de-mar-e-guerra. Passou a exercer em março de 1951 as funções de assessor militar da delegação do Brasil à IV Reunião de Consulta dos Ministros de Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, realizada em Washington. De junho de 1951 a janeiro do ano seguinte, foi adjunto de divisão do departamento de estudos da Escola Superior de Guerra (ESG). Em fevereiro de 1952 foi designado para o comando do navio-escola Almirante Saldanha, no qual realizou cruzeiros de instrução com guardas-marinha e segundos-tenentes.

Em junho de 1953 foi servir no Comando de Alto-Mar, como chefe de estado-maior. Em junho do ano seguinte, foi designado chefe de gabinete do ministro da Marinha, vice-almirante Renato Guillobel, cargo que ocupou até princípios de setembro, quando passou a vice-diretor da Escola de Guerra Naval. Na mesma época fez parte da comissão encarregada de estudar e rever as funções dos membros da Missão Naval Norte-Americana. Em dezembro de 1954 participou da Comissão de Localização da Nova Capital Federal, como representante do Ministério da Marinha.

Em novembro de 1955 assumiu a subchefia do Gabinete Militar do presidente da República em exercício, Nereu Ramos, da qual foi dispensado em fevereiro de 1956, quando Juscelino Kubitschek assumiu a presidência. Tornou-se então chefe de gabinete do ministro da Marinha, almirante-de-esquadra Antônio Álves Câmara Júnior, e, no mesmo mês, foi promovido a contra-almirante. Em setembro de 1957 tornou-se presidente da Comissão de Marinha Mercante. Promovido a vice-almirante em janeiro de 1959, posteriormente foi nomeado secretário-geral do Conselho Coordenador do Abastecimento. Promovido a almirante-de-esquadra em agosto de 1962, foi novamente nomeado membro e presidente da Comissão de Marinha Mercante.

 

Ministro da Marinha (1963-1964)

Em junho de 1963, ao constituir o presidente João Goulart o segundo ministério da fase presidencialista de seu governo, foi nomeado ministro da Marinha em substituição ao almirante Pedro Paulo de Araújo Suzano.

Em outubro desse ano, a imprensa divulgou trechos de entrevista concedida pelo governador da Guanabara, Carlos Lacerda, a um jornal norte-americano, em que este afirmava que o governo de Goulart poderia cair antes do fim do ano, estando os militares a discutir se seria “melhor tutelá-lo, colocá-lo sob controle até o término de seu mandato ou destituí-lo agora mesmo”. Os ministros militares além do almirante Sílvio Mota, o general Jair Dantas Ribeiro, da Guerra, e o brigadeiro Anísio Botelho, da Aeronáutica, consideraram a entrevista injuriosa às forças armadas e, tachando em nota conjunta a atitude de Lacerda de impatriótica, passaram a exigir a decretação do estado de sítio e a punição do governador. Em resposta, Goulart encaminhou mensagem ao Congresso Nacional, solicitando a decretação do estado de sítio em todo o território brasileiro por 30 dias. Diante da reduzida receptividade à medida, o presidente acabou retirando o pedido.

No início de 1964 recrudesceu a agitação política e social no país. No dia 13 de março realizou-se o Comício das Reformas, que reuniu mais de cem mil pessoas na estação da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. A manifestação teve como principal orador o próprio presidente João Goulart, que anunciou uma série de medidas que seu governo pretendia tomar, entre as quais a reforma agrária.

Após o comício, membros da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil decidiram dar uma demonstração de apoio à política do governo, prestando uma homenagem aos trabalhadores da Petrobras, uma vez que o presidente da República anunciara a encampação das refinarias de petróleo privadas. Considerando esse ato uma transgressão ao regulamento disciplinar, Sílvio Mota ameaçou de punição os que dele participassem. Não foi, porém, obedecido pelos marinheiros e fuzileiros, que realizaram uma reunião na sede do Sindicato dos Bancários e apresentaram as reivindicações de sua classe. No dia 24 Sílvio Mota ordenou a prisão dos diretores da associação, entidade considerada ilegal, alegando que aqueles se haviam deixado “envolver pelas idéias subversivas de elementos estranhos a seus quadros”.

No dia seguinte, dois mil praças da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais reuniram-se na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, no Rio de Janeiro, para comemorar o segundo aniversário da associação, com a presença dos elementos contra quem fora decretada ordem de prisão. Essa reunião foi dirigida pelo presidente da associação, marinheiro José Anselmo dos Santos, conhecido como “cabo” Anselmo, que afirmou a disposição da associação de lutar contra o imperialismo e o latifúndio, em favor das “reformas da base, que libertarão da miséria os explorados do campo e da cidade, dos navios e dos quartéis”. Nesse encontro os marinheiros reivindicaram também o reconhecimento de sua associação, a melhoria de alimentação a bordo dos navios e dos quartéis e a reformulação do regulamento disciplinar da Marinha, exigindo, por fim, que nenhuma medida punitiva fosse tomada contra os ali reunidos.

Considerando o ato uma subversão da hierarquia militar, Sílvio Mota enviou para o local um contingente de fuzileiros navais e solicitou a ajuda do I Exército, comandado pelo general Armando Morais Âncora, para prender os insurretos. Contando com o apoio do comandante da corporação, vice-almirante Cândido Aragão, os fuzileiros aderiram aos revoltosos, permanecendo na sede do sindicato. Chegando ao Rio de Janeiro, o presidente João Goulart e o general Argemiro de Assis Brasil, chefe do Gabinete Militar da Presidência da República, enviaram Dante Pelacani, do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), o deputado Hércules Correia e o comandante Paulo Melo Bastos, líder aeroviário, para negociar a rendição dos revoltosos e mandar suspender o ataque planejado ao Sindicato dos Metalúrgicos. Sentindo-se desprestigiado pelo governo, Sílvio Mota pediu demissão do cargo de ministro da Marinha, sendo substituído, já no dia 27, pelo almirante Paulo Mário da Cunha Rodrigues, que determinou a imediata libertação dos revoltosos, detidos no Batalhão de Guardas. No dia 31 de março um movimento político-militar depôs João Goulart.

Em junho de 1965 Sílvio Mota passou para a reserva por aplicação do Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964.

Faleceu no Rio de Janeiro em 3 de fevereiro de 1969.

Era casado com Mariana Sales Mota, com quem teve dois filhos.

 

 

FONTES: ANDREA, J. Marinha; ARQ. MIN. MAR.; BANDEIRA, L. Governo; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORRESP. SERV. DOC. GER. MAR.; Encic. Mirador; FICHÁRIO PESQ. M. AMORIM; Globo (3/2/69); Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (7/12/76); MIN. MAR. Almanaque (1964); SILVA, H. 1964; VÍTOR, M. Cinco.

 

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