SODRE, ANTONIO CARLOS DE ABREU

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Nome: SODRÉ, Antônio Carlos de Abreu
Nome Completo: SODRE, ANTONIO CARLOS DE ABREU

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SODRÉ, ANTÔNIO CARLOS DE ABREU

SODRÉ, Antônio Carlos de Abreu

*rev. 1932; const. 1934; dep. fed. SP 1935-1937.

 

Antônio Carlos de Abreu Sodré nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo (SP) no dia 5 de abril de 1898, filho de Francisco de Paula Abreu Sodré e de Idalina Costa de Abreu Sodré. Seu irmão, Roberto de Abreu Sodré, foi governador de São Paulo de 1967 a 1971.

Fez os estudos secundários no Ginásio do Estado, matriculando-se em seguida na Faculdade de Direito de São Paulo. Ainda estudante, desenvolveu atuação política, participando de diversas campanhas promovidas pelo Centro Acadêmico XI de Agosto. Foi membro fundador da Liga Nacionalista, organização criada em São Paulo em 1917, defensora do voto secreto e do serviço militar obrigatório e que teve em Olavo Bilac um de seus maiores propagadores. Diplomado em 1919, foi um dos diretores da Associação de Ex-Alunos da Faculdade de Direito.

Depois da formatura, exerceu o cargo de promotor público nos municípios de Olímpia (SP) e Botucatu (SP). Ingressou no Partido Democrático (PD) de São Paulo, fundado em 1926 por iniciativa do conselheiro Antônio de Almeida Prado, e que se opunha ao predomínio do Partido Republicano Paulista (PRP) tanto na esfera estadual como na federal. Candidato a vereador na Câmara Municipal de Botucatu, na legenda do PD, obteve a maior votação do pleito, tendo exercido o mandato de 1929 a 1930. Integrou o diretório central do partido desde os primeiros tempos até 1934, quando o PD, fundido com outras agremiações políticas, deu origem ao Partido Constitucionalista.

Com o triunfo da Revolução de 1930, os democráticos, que haviam integrado a Aliança Liberal, prontificaram-se a colaborar com a nova administração estadual organizada por Getúlio Vargas, chefe do Governo Provisório. No entanto, logo surgiram conflitos entre as elites políticas paulistas e o governo federal. Este era representado em São Paulo pelo interventor, o capitão João Alberto Lins de Barros, e pelas correntes tenentistas encabeçadas por Miguel Costa, comandante da Força Pública e chefe da Legião Revolucionária, organização que pretendia manter acesos os ideais do movimento vitorioso.

Frustradas suas expectativas de conquistar o poder no estado, o PD rompeu com João Alberto em manifesto publicado nos dias 5 e 6 de abril de 1931. Como membro da direção do partido, Abreu Sodré foi um dos signatários desse texto, que acusava o interventor de descumprir sua promessa de afastar do governo “certos elementos inconvenientes à tranqüilidade geral”. Censurava, ainda, a entrega das prefeituras a militares da confiança de João Alberto e a preterição dos paulistas ilustres em benefício de elementos estranhos ao estado. Finalmente, defendia a convocação de uma assembléia constituinte e o fim da intervenção em São Paulo.

No ano seguinte, Abreu Sodré e outros membros da direção do PD assinaram (13/1/1932) documento semelhante, que retomava de maneira ainda mais incisiva os termos do anterior. Após historiar o passado de lutas do PD pela democracia, o novo manifesto acusava de ditatorial e corrupto o governo de Vargas. Responsabilizava-o também pelo agravamento da situação financeira do país e pela adoção de uma política empreguista que, a exemplo do que ocorria no Instituto de Defesa Permanente do Café, entregava os postos públicos a asseclas da “ditadura”. Por fim, exortava a população de São Paulo e do Brasil à luta pela Assembléia Constituinte e pelo fim das interventorias nos estados.

Abreu Sodré também subscreveu o manifesto (16/2/1932) da Frente Única Paulista (FUP), coligação estabelecida entre o PD e o PRP como resultado do crescimento da oposição ao governo federal. Nessa proclamação, os dois partidos acentuavam sua união na luta pela pronta reconstitucionalização do país e pela restituição a São Paulo da autonomia política, da qual o estado fora privado havia 16 meses.

Foi extremamente ativo na preparação e realização do levante armado de 1932. Pertenceu ao MMDC, grupo que atuou decisivamente em todas as fases da Revolução Constitucionalista desse ano, e cuja sigla se originou das iniciais dos nomes de quatro estudantes (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo) mortos em conflitos com elementos ligados à Legião Revolucionária. Abreu Sodré participou, por exemplo, de reunião na qual se definiu a perspectiva de dissolução do PD e da sua fusão com o PRP num novo partido, em caso de vitória ou de derrota do movimento. Ao lado de Aureliano Leite, Prudente de Morais Neto, Menotti del Picchia, Luís Piza Sobrinho e outros correligionários, partiu para Itapira (SP), ameaçada pela Força Pública de Minas Gerais e por elementos do Exército. Baldada a tentativa de resistência, as tropas federais tomaram a zona de Itapira e Mojimirim (SP).

Derrotado o movimento, Abreu Sodré exilou-se na Argentina. Retornou em 1933, ano em que se elegeu para a Assembléia Nacional Constituinte, na Chapa Única por São Paulo Unido, formada pelo PD, PRP, Liga Eleitoral Católica e Federação dos Voluntários. Definiu-se então contra a participação, nas assembléias legislativas, de representantes classistas, além dos eleitos por sufrágio universal — como ocorreu na Constituinte de 1934. Nesse sentido, foi um dos signatários de uma declaração que também foi endossada por José de Alcântara Machado, líder da bancada paulista, Ranulfo Pinheiro Lima, Henrique Bayma, Cincinato Braga, Roberto Simonsen e outros.

Pertenceu ao Partido Constitucionalista, formado a partir da Chapa Única por São Paulo Unido, sob a liderança de Armando de Sales Oliveira, a quem era muito ligado. Por essa agremiação candidatou-se em 1934 a deputado federal, para a legislatura que se iniciaria em 1935. Eleito, exerceu o mandato até a dissolução do Congresso com o advento do Estado Novo, em novembro de 1937.

Durante esse regime, manteve sua oposição ao governo federal. Em 1940, por ocasião das comemorações do centenário de Antônio Prado, fundador do PD, foi preso com outros membros do grupo organizador do evento, entre os quais Henrique Bayma, Aureliano Leite, Valdemar Ferreira, Cesário Coimbra e Francisco Morato, sob a alegação de que pretendiam reeditar o MMDC. O grupo foi objeto de inquérito mandado ao Tribunal de Segurança Nacional, em 1940, pelo delegado Hugo Auler. Segundo Aureliano Leite, o processo obedecia à intenção do interventor em São Paulo, Ademar de Barros, de envolver o jornal O Estado de S. Paulo para justificar sua ocupação, o que de fato ocorreu no mesmo ano. Mais tarde, quando se tornaram mais evidentes os sinais de crise do Estado Novo, a oposição voltou a articular-se, e Abreu Sodré foi novamente preso em 1943, ao lado de outros políticos, entre os quais Aureliano Leite e o jornalista Júlio de Mesquita Filho.

Com a queda do regime e a subseqüente reorganização partidária, Abreu Sodré participou da fundação da União Democrática Nacional (UDN), para onde convergiram muitos dos antigos membros do PD. Exerceu a função de secretário-geral da seção paulista do partido e foi membro de seu diretório nacional. Nessa condição, apoiou, em 1945, a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes à presidência da República e teve importante atuação na campanha da UDN para a Constituinte de 1946.

Faleceu em São Paulo no dia 18 de novembro de 1946.

Jorge Miguel Mayer

 

 

FONTES: ARQ. CLUBE 3 DE OUTUBRO; CASTRO, M. Rio; CONSULT. MAGALHÃES, B.; COUTINHO, A. Brasil; ENTREV. BIOG.; FLYNN, P. Legião; FONTOURA, J. Memórias; Grande encic. Delta; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; INST. NAC. LIVRO. Índice; Jornal do Brasil (29/1 e 27/7/76); NOGUEIRA FILHO, P. Ideais; SILVA, H. 1926; SILVA, H. 1930; SILVA, H. 1931; SILVA, H. 1932; SILVA, H. 1937; SILVA, H. 1938; SILVA, H. 1945.

 

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