SOUSA, MILTON TAVARES

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Nome: SOUSA, Milton Tavares
Nome Completo: SOUSA, MILTON TAVARES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SOUSA, MÍLTON TAVARES

SOUSA, Mílton Tavares

*militar; comte. II Ex. 1979-1981.

 

Mílton Tavares de Sousa nasceu em Niterói, então capital do estado do Rio de Janeiro, no dia 17 de fevereiro de 1917.

Estudou no Colégio Militar do Rio de Janeiro e sentou praça em abril de 1935 na Escola Militar do Realengo. Em novembro desse mesmo ano, como cadete, integrou as forças armadas legalistas que combateram a revolta comunista desencadeada na Escola de Aviação Militar do Campo dos Afonsos. Declarado aspirante-a-oficial da arma de infantaria em novembro de 1937, foi promovido a segundo-tenente em dezembro de 1938 e a primeiro-tenente em dezembro de 1940. Participou da Força Expedicionária Brasileira (FEB), embarcando em 1944 para a Itália, onde comandou a 6ª Companhia do 2º Batalhão do 6º Regimento de Infantaria. Promovido a capitão em dezembro desse mesmo ano, destacou-se na campanha italiana, em especial na conquista da cidade de Montese, em 14 de abril de 1945.

Foi promovido a major em abril de 1952, tornando-se instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Em dezembro de 1958 recebeu a patente de tenente-coronel. Servia no Estado-Maior do Exército (EME), um dos centros da conspiração contra o governo de João Goulart, quando foi deflagrado o movimento político-militar de 31 de março de 1964. Pouco tempo depois, em agosto desse mesmo ano, foi promovido a coronel e, nesse posto, assumiu o comando do 3º Regimento de Infantaria (RI) em São Gonçalo (RJ).

Promovido a general-de-brigada em novembro de 1969, no início do governo do general Emílio Médici, assumiu em seguida a chefia do Centro de Informações do Exército (CIEx), cargo que acumulou a partir de 1970 com o de oficial-de-gabinete do ministro do Exército, na época o general Orlando Geisel. À frente do CIEx, combateu o terrorismo de esquerda, destacando-se na direção da “operação Marajoara”, que precedeu e preparou o maciço emprego de tropas do Exército no combate à guerrilha do Araguaia.

Em maio de 1974, já no governo do general Ernesto Geisel, assumiu o comando da 2ª Brigada de Infantaria, em Niterói. General-de-divisão em março de 1976, assumiu em maio desse ano o comando da 10ª Região Militar, em Fortaleza. Em novembro de 1977, um mês após a demissão do general Sílvio Frota do cargo de ministro do Exército, foi nomeado comandante de 4ª Divisão de Exército, em Belo Horizonte. Em abril de 1978, quando completava apenas três meses nesse posto, foi transferido pelo então ministro do Exército, general Fernando Belfort Bethlem, para o comando da 1ª Divisão de Exército, na Vila Militar do Rio de Janeiro. Promovido a general-de-exército em julho de 1979, no início do governo do general João Batista Figueiredo, deixou em agosto a 1ª Divisão de Exército para assumir o comando do II Exército, sediado em São Paulo.

Em pleno proceso de abertura política, marcado pela decretação da anistia (agosto de 1979), tinha a preocupação de “impedir a ação do movimento comunista internacional no Brasil”, como declarou em discurso pronunciado no dia 2 de outubro de 1979 em Caçapava (SP). Em abril de 1980 comandou as operações policiais de repressão à greve dos metalúrgicos do ABC paulista e, por ocasião da prisão de dirigentes sindicais envolvidos no episódio, acusou Luís Inácio da Silva, o Lula, de ter conselheiros comunistas.

Em meados de 1980, juntamente com os generais Antônio Bandeira e José Luís Coelho Neto, foi acusado pelo deputado Genival Tourinho, do Partido Democrático Trabalhista (PDT) de Minas Gerais, de estar envolvido nos atentados terroristas de direita desencadeados a partir de janeiro daquele ano. Segundo o deputado, os três generais fariam parte de uma certa “operação Cristal”, destinada a desestabilizar o regime e a deter o projeto de abertura política. Por apresentar uma acusação sem provas, no entanto, Genival Tourinho foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional.

No dia 25 de agosto de 1980, durante as comemorações do Dia do Soldado, o general Mílton Tavares de Sousa sentiu-se mal e teve uma parada cardíaca provocada por insuficiência coronária. Pouco depois, através de uma intervenção cirúrgica, colocou um marca passo no coração. Temerosos por sua saúde, o presidente João Figueiredo, seu colega de turma na antiga Escola Militar do Realengo, e o ministro do Exército, general Válter Pires, ofereceram-lhe então outra comissão menos desgastante que o comando do II Exército. Conforme suas próprias palavras, no entanto, seu desejo era “morrer no comando”, e por isso não aceitou encargo.

Em março de 1981 a imprensa noticiou com destaque a apreensão em São Paulo, pelos órgãos de segurança, de armas e munições contrabandeadas. O general Mílton Tavares de Sousa na época considerou provável uma ligação entre o contrabando de armamento pesado e o movimento comunista internacional. Ao ser entrevistado, declarou: “Ninguém compra ou acumula armamento pesado se não tiver em mira tentar a tomada do poder pela força.”

Ao longo de sua carreira militar, fez os cursos da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra.

Faleceu em São Paulo, no exercício de suas funções como comandante do II Exército, no dia 21 de junho de 1981.

Era casado com Zilmar Guimarães de Sousa, com quem teve três filhos.

 

FONTES: Estado de S. Paulo (29/3, 29/4, 9, 15, 16 e 25/5, 12 e 22/6, 30/8, 11/11, 12 e 20/12/80, 21/1, 18 e 20/3, 23, 24, 28 e 30/6 e 22/8/81); Folha de S. Paulo (21/9, 2, 5 e 10/10/79, 19/1, 14/2/80, 18 e 20/3, 23, 28 e 30/6/81); Globo (3, 4, 5 e 10/10, 2, 22, 28 e 29/11, 14 e 20/12/79, 1 e 22/2, 29/3, 28 e 29/4, 11, 12 e 23/11/80, 21/1, 18 e 22/2, 18 e 20/3, 27/4, 22, 23, 28 e 29/6/81); Jornal do Brasil (6 e 8/5/74, 6 e 24/5, 11/6 e 3/10/76, 1/4/77, 5/2, 7, 18 e 26/4/78, 1, 2, 8 e 15/8, 1, 2 e 20/9, 10/10 e 22/11/79, 22/4, 23/5, 4 e 12/9/80, 18/3, 22, 23 e 28/6/81); MIN. EXÉRC. Almanaque (1976); Veja (13/9/78, 1/8, 5/9 e 7/11/79, 9/4, 7/5, 3, 10, 17 e 24/9/80, 18 e 25/2, 27/5, 1 e 29/7 e 9/12/81).

 

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