TAMBORINDEGUY, MARIO

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Nome: TAMBORINDEGUY, Mário
Nome Completo: TAMBORINDEGUY, MARIO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
TAMBORINDEGUY, MÁRIO

TAMBORINDEGUY, Mário

*rev. 1930; dep. fed. RJ 1959-1971.

 

Mário Tamborindeguy nasceu em Pelotas (RS) no dia 3 de dezembro de 1907, filho de Cássio Tamborindeguy e de Narcisa Pojo Tamborindeguy.

Fez o curso secundário em sua cidade natal, dedicando-se posteriormente a negócios de gado e de charque nos saladeiros e estâncias de Bajé, Santana do Livramento e Pelotas, no Rio Grande do Sul.

Participou da Revolução de 1930, tendo combatido sob as ordens do coronel Anacleto Firpo. Vitoriosa a revolução, acompanhou João Batista Luzardo, líder gaúcho que se tornou chefe de polícia do Distrito Federal, ingressando nos quadros da polícia civil. Posteriormente cooperou com o prefeito do Distrito Federal, Pedro Ernesto (1931-1936) e com o Partido Autonomista. Com a prisão de Pedro Ernesto em 1936, por ordens do presidente Getúlio Vargas (1930-1945), transferiu-se para o estado do Rio de Janeiro e tornou-se empreiteiro de trabalhos de terraplenagem, tendo construído a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ), e ajudado a abrir o novo traçado da Estrada de Ferro Central do Brasil entre os municípios paulistas de São José dos Campos e Caçapava. Industrial próspero, consolidou sua fortuna durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em virtude da supervalorização da maquinaria que havia importado pouco tempo antes da eclosão do conflito, que impossibilitou novas compras no exterior. Responsável pela abertura do trecho de São José dos Campos da rodovia Presidente Dutra e pela estrada ligando os municípios mineiros de Itajubá e Piranguinha, construiu ainda outras estradas no estado do Rio de Janeiro, como as rodovias Campos-Itaperuna, Barra do Piraí-Marquês de Valença e Rio de Janeiro-Teresópolis; no Espírito Santo, como a estrada Vale do Itapemirim, na serra do Caparaó; na Bahia, como a rodovia de Alagoinha, e em Sergipe. Em Barra do Piraí (RJ) construiu o campo de futebol do Central Esporte Clube, batizado com o seu nome.

Em outubro de 1954 elegeu-se suplente de deputado federal pelo Rio de Janeiro na legenda do Partido Social Democrático (PSD), não chegando a assumir o mandato nessa legislatura. Durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), ganhou os contratos de terraplenagem de grandes rodovias abertas em diversos estados do país, ampliando assim sua fortuna. No pleito de outubro de 1958 elegeu-se deputado federal pelo Rio de Janeiro na legenda do PSD, assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte. Com a renúncia do presidente Jânio Quadros em agosto de 1961, votou favoravelmente à Emenda Constitucional nº 4, de setembro de 1961, que implantou o regime parlamentarista no Brasil, como forma conciliatória para propiciar a posse do vice-presidente, João Goulart, substituto legal de Jânio, cujo nome era vetado pelos ministros militares. Ainda em 1961 filiou-se à Ação Democrática Parlamentar (ADP), bloco interpartidário surgido no primeiro semestre desse mesmo ano, com o objetivo de combater a penetração comunista na sociedade brasileira. Composta basicamente de parlamentares da União Democrática Nacional (UDN) e, em segundo plano, do PSD, a ADP fez oposição ao governo do presidente João Goulart (1961-1964), deixando de existir após a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964.

Segundo o Correio Brasiliense, edição de agosto de 1962, era favorável à reforma agrária cooperativista, que não fizesse concessões ao coletivismo, e à reforma eleitoral, tendo-se posicionado a favor da cédula única em todos os pleitos e contra o voto e a elegibilidade dos analfabetos. Adepto ao intervencionismo econômico do Estado, defendeu o monopólio estatal dos minérios atômicos, do petróleo, da energia elétrica, das telecomunicações, dos transportes ferroviários e da cabotagem marítima. Municipalista, apoiou a Emenda Constitucional nº 5, de novembro de 1961, que ampliou a participação dos municípios na arrecadação tributária nacional. Partidário das reformas bancária, administrativa e tributária, apoiou o reatamento das relações comerciais e diplomáticas com a URSS, realizado também em novembro de 1961. Visando libertar os fornecedores de cana do controle econômico dos usineiros de açúcar, elaborou um projeto, aprovado pela Câmara em 1962, estabelecendo que os “vales” de fornecimento da cana passariam a ter valor de duplicatas para efeito de descontos nos estabelecimentos bancários.

Reeleito em outubro de 1962 na legenda do PSD, com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), em cuja legenda foi reeleito no pleito de novembro de 1966. Em novembro de 1970 buscou reeleger-se, ainda na legenda da Arena, obtendo apenas uma suplência. Em janeiro de 1971 encerrou seu mandato, deixando a Câmara. Durante sua vida parlamentar integrou as comissões de Finanças e de Orçamento, tendo participado de diversas comissões parlamentares de inquérito. Em novembro de 1974 candidatou-se a deputado federal pelo Rio de Janeiro na legenda da Arena, obtendo novamente apenas uma suplência.

Foi também proprietário de uma fábrica de engrenagens.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 6 de outubro de 1978.

Foi casado com Alice Maria Saldanha Tamborindeguy, com quem teve duas filhas.

 

 

FONTES: CABRAL, O. História; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (6); CÂM. DEP. Deputados federais. Inventário; CAMPOS, Q. Fichário; Jornal do Brasil (7/10/78); NÉRI, S. 16; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (3, 4, 6, 8 e 9); VAITSMAN. M. Sangue; Who’s who in Brazil.

 

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