TEIXEIRA, FRANCISCO

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Nome: TEIXEIRA, Francisco
Nome Completo: TEIXEIRA, FRANCISCO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
TEIXEIRA, FRANCISCO

TEIXEIRA, Francisco

*militar; comte. III ZA 1962-1964.

 

Francisco Teixeira nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 26 de janeiro de 1911, filho de Edgar Teixeira, engenheiro e funcionário público, e de Carmem Mancebo Teixeira.

Realizou seus primeiros estudos no Colégio Resende, ingressando em março de 1927 na Escola Naval do Rio de Janeiro. Declarado guarda-marinha em dezembro de 1930, no mesmo mês foi promovido a segundo-tenente. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, que se estendeu de julho a outubro, participou das operações contra os revoltosos em São Paulo. Formou-se em 1933 como oficial-aviador naval e naquele mesmo ano, em abril, foi promovido a primeiro-tenente.

Em novembro de 1935 foram deflagradas insurreições armadas em Natal, Recife e Rio de Janeiro, dirigidas pelo Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), em nome da Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente política que defendia um programa nacionalista e antifascista. Os levantes foram prontamente debelados pelas forças governistas e, na ocasião, Francisco Teixeira participou de uma esquadrilha de aviões que decolou rumo à capital pernambucana para combater os revoltosos no Nordeste.

Em abril de 1936 foi promovido a capitão-tenente e durante o Estado Novo (1937-1945) apoiou o governo de Getúlio Vargas, tendo-se manifestado contra o levante integralista de 11 de maio de 1938. O movimento contou também com o apoio de oposicionistas liberais e visava à deposição de Vargas, mas foi dominado no mesmo dia.

Em 1941, com a criação do Ministério da Aeronáutica e a conseqüente extinção do Corpo de Aviação da Marinha e da Aviação Militar do Exército, passou a integrar a nova força armada. Nessa ocasião, foi indicado para integrar o grupo de trabalho responsável pelo planejamento de toda a parte relativa ao ensino profissional no novo ministério, desde as escolas de base de preparação de especialistas e aviadores, até a formação de oficiais de estado-maior.

Promovido a major-aviador em dezembro daquele mesmo ano, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi subcomandante da base aérea de Recife, sede do comando militar aliado Brasil-Estados Unidos no Atlântico Sul, de novembro de 1942 a outubro de 1944, tendo participado de missões de patrulha aérea ao longo do litoral do Nordeste e de cobertura de comboios marítimos que eram atacados por submarinos alemães e italianos. Ainda servindo naquela base, participou diretamente da organização da instrução e emprego dos modernos aviões de caça P-40, adquiridos nos Estados Unidos em 1942.

Nesse período, durante o ano de 1943 exerceu o comando do Grupo de Caça de Recife e em maio de 1944 passou a tenente-coronel-aviador. Em 1945 fez o curso de estado-maior em Fort Leavenworth, nos Estados Unidos, onde se encontrava quando ocorreu a deposição de Getúlio Vargas (29/10/1945), manifestando-se contrário a esse movimento.

De volta ao Brasil, cursou a Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica, da qual se tornou instrutor de 1948 a 1951. Durante sua permanência nessa escola, foi promovido a coronel-aviador em setembro de 1950. Após a eleição de Vargas para novo mandato presidencial em outubro de 1950, apoiou sua posse, questionada por setores oposicionistas. Participou da diretoria do Clube Militar em 1951 na chapa encabeçada pelos generais Newton Estillac Leal e Júlio Horta Barbosa, que se caracterizou por suas posições nacionalistas e pela campanha em defesa do monopólio estatal do petróleo, que resultaria na criação da Petrobras em 1953. De 1952 a agosto de 1954 foi chefe do estado-maior do Comando de Transporte, deixando o cargo quando do suicídio do presidente Getúlio Vargas (24/8/1954). Com a posse do vice-presidente João Café Filho, em substituição a Vargas, ficou sem função em virtude de sua identificação com o presidente falecido.

Após a realização das eleições presidenciais de outubro de 1955, participou do movimento de 11 de novembro, liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra demissionário, que visava barrar uma conspiração em preparo no governo e assegurar a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek. O movimento provocou o impedimento do presidente em exercício, Carlos Luz, e de Café Filho, licenciado, empossando na chefia da nação o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos. Francisco Teixeira foi designado, então, para o comando da base aérea do Galeão, que fora um dos centros da campanha contra Vargas, havendo sediado no ano anterior o inquérito promovido pela Aeronáutica sobre o assassinato do major Rubens Vaz (5/5/1954), episódio em que estavam envolvidos membros da guarda pessoal do presidente e que agravou a crise político-militar que resultou na morte de Vargas.

Durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) foi chefe de gabinete dos ministros da Aeronáutica, brigadeiro Henrique Fleiuss (1956-1957) e major-brigadeiro Francisco Correia de Melo (1957-1961). No exercício dessa função combateu a revolta de Jacareacanga (PA), levante militar que eclodiu em fevereiro de 1956, sob a chefia do major-aviador Haroldo Veloso e do capitão-aviador José Chaves Lameirão, e que envolveu uns poucos militares da Aeronáutica que se apossaram da localidade. A rebelião, de oposição ao presidente Kubitschek e à corrente militar que patrocinou o Movimento do 11 de Novembro de 1955, foi sufocada em uma semana.

Promovido por merecimento a brigadeiro em dezembro de 1957, participou também do combate a outro levante militar contra o governo Kubitschek em dezembro de 1959, chefiado pelo tenente-coronel-aviador João Paulo Moreira Burnier e pelo major-aviador Haroldo Veloso, desta vez em Aragarças (GO). Na ocasião, comandou pessoalmente o grupo de aviões que conduziu pára-quedistas a Aragarças para dar combate aos sublevados. Em três dias, o movimento, que conseguiu poucas adesões, foi derrotado e seus líderes foram presos. Permaneceu na chefia do gabinete do Ministério da Aeronáutica até janeiro de 1961.

Durante a crise que se seguiu à renúncia do presidente Jânio Quadros (25/8/1961), em virtude do veto dos ministros militares à posse do vice-presidente João Goulart na presidência da República, foi preso com quase uma centena de companheiros da Força Aérea Brasileira (FAB) em porões de navios da Marinha, sendo libertado após a posse do novo governo, em setembro de 1961. Foi subchefe do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) de outubro daquele ano a julho de 1962, quando foi promovido a major-brigadeiro e nomeado comandante da III Zona Aérea (III ZA), no Rio de Janeiro. Assumiu o cargo em agosto de 1962, substituindo o major-brigadeiro Armando Perdigão, e tornando-se na época um dos principais assessores de João Goulart para assuntos militares. Nessa condição interveio quando, em março de 1964, marinheiros sublevados, liderados pelo cabo (na verdade, marinheiro) José Anselmo dos Santos, se recolheram ao Sindicato dos Metalúrgicos, no Rio, em protesto contra restrições impostas à categoria. A situação agravou-se quando os fuzileiros navais mandados para dissolver a reunião uniram-se aos marinheiros. Na ocasião, Francisco Teixeira, o ministro do Trabalho Amauri Silva, o coronel Francisco Caborthe e o deputado José Gomes Talarico, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), foram enviados por Goulart para entrar em entendimentos com os amotinados. A forma tolerante com que as autoridades contornaram a rebelião ajudou a colocar a oficialidade militar contra o governo de Goulart, que, poucos dias depois, foi deposto pelo movimento de 31 de março. No dia seguinte, Francisco Teixeira, considerado o líder da ala militar nacionalista na Aeronáutica — apelidada por seus adversários de “grupo melancia: verde por fora e vermelho por dentro” — foi exonerado de suas funções e preso, sendo substituído no cargo que ocupava pelo major-brigadeiro João Adil Oliveira.

No dia 11 de abril foi transferido para a reserva, tendo seus direitos políticos suspensos por dez anos, com base no Ato Institucional nº 1 (9/4/1964), instrumento que permitiu punições extralegais aos adversários do novo regime. Preso incomunicável durante 50 dias para responder a três inquéritos policial-militares, foi afastado da FAB antes da conclusão das investigações. Foi também proibido de exercer sua profissão, pois cassaram sua carteira de piloto, e teve sua cidadania suspensa por dez anos. Considerado oficialmente morto, sua esposa passou a receber pensão militar de viúva.

Para sobreviver, organizou, com a ajuda da mulher e parentes, um curso particular no nível de admissão e um supletivo. Preso por ocasião da posse do general Emílio Garrastazu Médici na presidência da República em outubro de 1969, no mês seguinte teve sua residência incendiada em circunstâncias nunca explicadas satisfatoriamente. Entre junho de 1972 e agosto de 1974 trabalhou como relações públicas na Construtora Guararapes, empresa de construção civil que, à época, era responsável pelas obras do Hotel Nacional, no Rio de Janeiro. Na segunda metade da década de 1970 envolveu-se diretamente na luta pela anistia dos militares e civis punidos pelo movimento de 1964.

Em 19 de junho de 1980 foi anistiado por portaria do ministro da Aeronáutica, Délio Jardim de Matos, conforme a Lei da Anistia sancionada pelo presidente João Batista Figueiredo em 28 de agosto de 1979. Amigo particular de Renato Archer, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PDMB). Em julho de 1983 foi um dos fundadores da Associação Democrática e Nacionalista de Militares (Adnam), entidade que reunia os militares cassados e perseguidos pelo regime militar, presidindo-a de dezembro daquele ano até sua morte.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 10 de janeiro de 1986.

Era casado com a professora Iracema de Sousa Teixeira, com quem teve três filhos.

Em julho de 1995 foi inaugurado, em sua homenagem, o Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) Brigadeiro Francisco Teixeira, na localidade de Jardim Paraíso, em Nova Iguaçu (RJ).

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; Diário Oficial (11/4/64); ENTREV. BIOG.; Estado de S. Paulo (12/1/86); Globo (11/1/86); INF. Iracema Teixeira; INF. Rui Moreira Lima; Jornal do Brasil (19/12/76, 20/6/80 e 11/1/86); MIN. AER. Almanaque (1963); SILVA, H. 1964; Veja (15/1/86); WANDERLEY, N. História.

 

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