TILDEN JOSE SANTIAGO

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Nome: SANTIAGO, Tilden
Nome Completo: TILDEN JOSE SANTIAGO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SANTIAGO, TILDEN

SANTIAGO, Tilden

*dep. fed. MG 1991-2003.

 

Tilden José Santiago nasceu em Nova Era (MG) no dia 13 de julho de 1940, filho de Geraldo Santiago e de Maristela Santiago.

Em 1952, iniciou o curso de humanidades e filosofia no Seminário de Mariana, que concluiu em 1960. Ainda nesse ano, ingressou no curso de teologia da Universidade Gregoriana, em Roma, concluído em 1963. A possibilidade de acompanhar os trabalhos do Concílio Vaticano II influenciou-o a aderir à defesa dos pobres durante os pontificados de João XXIII e Paulo VI. Em 1964 viajou para Israel e aí viveu num kibutz e trabalhou como serralheiro. Residiu também na Jordânia, engajando-se na luta da comunidade palestina contra os israelenses.

De volta ao Brasil, filiou-se, em 1966, ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), ao qual permaneceu ligado até 1973. Antes, passara pela Ação Popular (AP) e pela Aliança Libertadora Nacional (ALN), agremiações clandestinas que, à semelhança do PCdoB, lançaram-se à luta armada contra o regime militar instaurado no país em abril de 1964. A militância no PCdoB lhe valeu prisão por motivos políticos. Em 1973, após deixar o cárcere, retornou a Minas e começou a trabalhar como jornalista. No ano seguinte, iniciou a graduação em filosofia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), concluída em 1975. Em 1976, cursou mestrado em filosofia, também na UFMG. A partir de 1974 lecionou história, português e moral e cívica em cursos supletivos, e mais tarde tornou-se professor de filosofia na Pontifícia Universidade Católica (PUC Minas) e de jornalismo na UFMG.

Em 1977, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar, e nele permaneceu até 1979. Começou então a participar das articulações que resultaram na criação do Partido dos Trabalhadores (PT), do qual foi fundador e membro a partir de fevereiro de 1980. Em 1981, elegeu-se presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais e, no ano seguinte, passou a integrar a Comissão Pró-Central Única dos Trabalhadores (CUT). Em 1983 foi membro fundador da entidade.

Em 1985, retornou a Israel, onde se juntou novamente aos palestinos. De volta ao país, no pleito de novembro de 1986 disputou uma cadeira de deputado federal constituinte na legenda do PT e obteve a primeira suplência do partido. Em 1989, viajou aos Estados Unidos como líder sindical e a Cuba como representante dos teólogos da libertação na Conferência Cristã pela Paz.

 

Na Câmara dos Deputados

 

No pleito de outubro de 1990, voltou a candidatar-se a deputado federal por Minas Gerais na legenda do PT. Eleito, deixou o magistério, ao qual dedicara 16 anos, e assumiu o mandato em fevereiro de 1991. Participou dos trabalhos legislativos como membro titular da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a NEC do Brasil S. A. e o envolvimento do Ministério das Comunicações e das Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebrás). Foi suplente da Comissão de Relações Exteriores, da comissão especial sobre crimes de responsabilidade do presidente da República Fernando Collor de Melo, da Comissão de Agricultura e Política Rural e da CPI mista da Ciência e Tecnologia.

Na sessão da Câmara dos Deputados de 29 de setembro de 1992, votou a favor da abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de envolvimento em amplo esquema de corrupção comandado por Paulo César Farias, seu tesoureiro durante a campanha eleitoral. Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal, sendo então efetivado na presidência da República Itamar Franco, que vinha exercendo interinamente o cargo desde 2 de outubro.

Ainda nessa legislatura, nas votações importantes do Congresso Nacional, votou contra a criação do Fundo Social de Emergência (FSE), emenda que concedeu ao Executivo federal margem de autonomia na alocação de recursos, autorizando-o a aplicar em outras áreas verbas inicialmente previstas para os ministérios da Educação e Saúde, e a favor da proposta que previa o fim do voto obrigatório, que acabou rejeitada. Ausentou-se da sessão que instituiu o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), contribuição de 0,25% que incidiu sobre operações bancárias.

Em abril de 1994, ao lado do colega de bancada mineira João Paulo Pires, encontrou-se, a pedido de Luís Inácio Lula da Silva, então candidato do PT à presidência da República, com o governador mineiro Hélio Garcia (1991-1994). Por intermédio dos parlamentares petistas, Lula propôs, em troca de suporte à sua própria candidatura, a formação de ampla frente em Minas contra Hélio Costa, a quem Garcia derrotara no pleito de outubro de 1990 e que estava interessado em disputar novamente o palácio da Liberdade. A investida revelou-se infrutífera: ao receber Tilden e João Paulo, Hélio Garcia confirmou-lhes o apoio a Fernando Henrique Cardoso, candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Reeleito deputado federal por Minas Gerais em outubro de 1994 na legenda do PT — obteve a maioria dos votos provenientes de suas bases eleitorais na capital e no município de Contagem —, no ano seguinte manteve-se membro titular da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. Nas votações das emendas constitucionais propostas pelo governo Fernando Henrique Cardoso em 1995, realizou obstrução na votação da quebra do monopólio dos estados na distribuição de gás canalizado e votou contra a quebra do monopólio das embarcações nacionais na navegação de cabotagem, a mudança no conceito de empresa nacional, a quebra do monopólio estatal das telecomunicações e a quebra do monopólio da Petrobras na exploração de petróleo. Foi favorável à prorrogação do FSE, cujo nome foi modificado para Fundo de Estabilização Fiscal (FEF). Em julho de 1996, foi contrário à criação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), imposto cuja finalidade era garantir uma fonte suplementar de verbas para o Ministério da Saúde.

Membro ativo da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em agosto seguinte acusou os deputados Luís Moreira, do Partido da Frente Liberal (PFL) baiano, e Laprovita Vieira, do Partido Progressista Brasileiro (PPB) de São Paulo, de tentarem promover um “trem da alegria eletrônico”. Moreira apresentara projeto de lei transformando em concessão de TV a cabo, isenta de licitação, sistemas piratas em funcionamento no país. Laprovita, valendo-se da iniciativa do colega, incluíra emenda estendendo o benefício a empresas de DISTV, autorizadas a atuar apenas em condomínios fechados. A manobra dos parlamentares, como advertiu, contrariava a Lei de TV a Cabo, sancionada em janeiro de 1995 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em parceria com o colega de bancada mineira João Fassarela, escreveu um artigo, publicado em novembro de 1996 no jornal Folha de S. Paulo, contrário à venda da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Os deputados petistas alegaram que os argumentos invocados para justificar a transferência de controle das estatais — necessidade de reduzir o déficit público e obsolescência — careciam de fundamento. A receita até então recolhida com a privatização fora incapaz de diminuir sensivelmente a dívida pública, conforme demonstraram, apoiados em parecer do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bento José Bugarin, e tampouco a Vale era ineficiente.

Em janeiro de 1997, votou contra a emenda constitucional que permitiu que os prefeitos, os governadores e o presidente da República disputassem um mandato consecutivo. Em março, a Folha de S. Paulo noticiou que viajara aos Estados Unidos para participar do encontro da associação americana de programadores e operadores de televisões a cabo (Cable 97). A viagem, informou o diário paulista, fora custeada pela Associação Brasileira de Televisão por Assinatura. Em novembro, opôs-se à emenda que extinguiu a estabilidade dos servidores públicos.

Reelegeu-se deputado federal no pleito de outubro de 1998, sempre na legenda do PT. Declarou-se contrário, em novembro, à reforma da Previdência que fixou um teto salarial para a aposentadoria dos servidores públicos e estabeleceu idade e tempo de contribuição mínimos para os trabalhadores do setor privado. Em janeiro de 1999, foi nomeado pelo governador de Minas, Itamar Franco, secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Em fevereiro licenciou-se do cargo, assumiu a cadeira na Câmara dos Deputados e logo em seguida reassumiu a secretaria — manobra que lhe assegurou o mandato de deputado federal. Substituiu-o na Câmara o suplente João Magno.

Em junho de 2000 deixou o cargo de secretário de Meio Ambiente e assumiu novamente seu mandato de deputado federal. Voltou ao trabalho na Câmara dos Deputados como titular da Comissão do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias, da qual foi primeiro vice-presidente no ano de 2001. Também foi titular da Comissão de Agricultura e Política Rural e da Comissão Especial sobre Alimentos Geneticamente Modificados. Ainda em 2001 participou como candidato, apoiado pela corrente “Movimento PT”,  do processo de eleição direta para presidente nacional do PT, ocasião em que foi eleito o deputado federal por São Paulo, José Dirceu.

Nas eleições de 2002 concorreu ao Senado na legenda do PT, mas ficou na terceira colocação, perdendo para os candidatos Hélio Costa, do PMDB, e Eduardo Azeredo, do PSDB. Na mesma ocasião, Luís Inácio Lula da Silva foi eleito presidente da República.

Deixou a Câmara em janeiro de 2003, ao final do mandato, e em abril teve sua nomeação para embaixador do Brasil em Cuba aprovada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal. Permaneceu no posto até fevereiro de 2007. Em julho desse ano aceitou o convite do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, do PSDB, para ser assessor para assuntos ambientais da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Em novembro, a executiva estadual do PT mineiro decidiu pela suspensão de sua filiação partidária por 60 dias, por ter aceito o convite do governador. Por causa da pressão exercida pelo partido, em agosto de 2008 deixou o PT, de cujo diretório regional em Minas fora secretário-geral, vice-presidente e presidente, e de cuja executiva nacional fora membro, e filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). No mesmo período entrou em vigor a Lei nº 11.698/08, de sua autoria, que estabeleceu a guarda compartilhada dos filhos.

Foi editor de política dos jornais O Diário do Comércio e O Jornal da Casa, comentarista político do jornal Opinião, fundador do Jornal dos Bairros, membro da Equipe Nacional do Movimento Fé e Política, e diretor da Federação Nacional dos Jornalistas. Tendo atuado como padre no Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco e São Paulo, trabalhou também como controlador de qualidade, mecânico, soldador e trabalhador rural. Militou ainda na Organização para Libertação da Palestina (OLP) e nas comunidades eclesiais de base (CEBs).

Casou-se com Maria José Rodrigues Santiago, com quem teve três filhos.

Marcelo Costa/Rogério de Barros/ Augusto Gomes

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1991-1995, 1995-1999); Estado de S. Paulo (12/4/94); Folha de S. Paulo (16/11/96, 18/3/97 e 6/11/98); ); Folha de S. Paulo (online) 16 set. 2001; 24 jun. 2002; 02,17 abr. 2003; 07 jul. e  21 nov.  2007; 12,14 ago. 2008. Disponível em : <http://www.folha.uol.com.br>. Acesso em : 03 set. 2009; Globo (15 e 26/8/96); Jornal do Brasil (3 e 4/4/97); Olho no Congresso/Folha de S. Paulo (31/1/95, 14/1/96, 30/1/97 e 5/2/98); Olho no voto/Folha de S. Paulo (18/9/94 e 29/9/98); Perfil parlamentar/IstoÉ (1991); Portal da Câmara dos Deputados. Disponível em: <http://www.camara.gov.br>. Acesso em : 02 set. 2009; Portal do TRE - MG. Disponível em : <http://www.tre-mg.gov.br>. Acesso em : 02 set. 2009; O Tempo (online) 12,31 out. e 12 dez. 2008; 26 jun. 2009. Disponível em : <http://www.otempo.com.br>. Acesso em : 04 set. 2009.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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