TRAD, NELSON

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Nome: TRAD, Nelson
Nome Completo: TRAD, NELSON

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
TRAD, Nelson

TRAD, Nelson

* dep. fed. MS 1991-

 

Nelson Trad nasceu em Aquidauana (MS), então no estado do Mato Grosso, no dia 30 de outubro de 1930, filho de Assaf Trad e de Margarida Maksoud Trad.

Advogado formado pela Universidade do Distrito Federal em 1957, nesse mesmo ano participou, como representante da União Internacional dos Estudantes, do VII Congresso Internacional de Estudantes, ocorrido na Nigéria, e foi chefe de gabinete do deputado mato-grossense Wilson Fadul. Durante a graduação, foi presidente do centro acadêmico da universidade e da Federação Metropolitana dos Estudantes do Rio de Janeiro.

Retornando em 1958 para Mato Grosso, fundou o escritório Advocacia Trad em Campo Grande. Filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em 1962 e, nessa legenda, foi eleito vice-prefeito de Campo Grande no pleito de outubro desse ano e empossado em janeiro do ano seguinte juntamente com o prefeito. Ainda em 1963, exerceu o cargo de procurador autárquico do Instituto de Assistência e Previdência Social (Iapas) daquela cidade.

Em abril de 1964, em decorrência do movimento político-militar que depusera o presidente João Goulart em 31 de março, Nelson Trad teve seus direitos políticos suspensos, o que provocou a cassação do mandato de vice-prefeito. Retornou ao exercício da advocacia, tendo sido várias vezes preso. Atuou como advogado de vários presos políticos do estado, entre os quais ele mesmo. Em 1971, tornou-se professor de direito e processo penal na Universidade Católica Dom Bosco.

Em outubro de 1977, foi sancionada a lei que dividiu em dois o estado de Mato Grosso. Surgiria assim, a partir de janeiro de 1979, o estado de Mato Grosso do Sul, tendo Campo Grande como capital e um governador nomeado.

Em agosto de 1979, com a decretação de anistia ampla e irrestrita aos acusados de crimes políticos pelo regime militar, recuperou seus direitos políticos. Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro desse ano e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se, por injunções da política sul mato-grossense, ao Partido Democrático Social (PDS), agremiação governista. Procurador-geral do estado do Mato Grosso do Sul entre 1979 e 1980, nesse último ano foi nomeado secretário de Justiça pelo governador Pedro Pedrossian. Permaneceu à frente da pasta até 1982.

No pleito de novembro de 1982 foi eleito deputado estadual na legenda do PDS. Assumindo a cadeira na Assembléia Legislativa do Mato Grosso do Sul em março de 1983, tornou-se líder da bancada do PDS.

Em 25 de abril de 1984, foi votada a emenda Dante de Oliveira, que, apresentada na Câmara dos Deputados, propôs o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Trad apoiava a emenda que entretanto não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação – faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado. Na condição de líder da bancada do PDS, Trad poderia votar no Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, contudo por discordar do processo de escolha do presidente abdicou de sua condição de votante.

Em 1986, saiu do PDS e ingressou no PTB. Nessa legenda, candidatou-se à reeleição no pleito de novembro e foi eleito deputado estadual constituinte. Empossado em fevereiro de 1987, durante toda a legislatura foi vice-líder da bancada do PTB. Foi também vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça e membro da Comissão de Educação. Na Assembléia Estadual Constituinte do Mato Grosso do Sul, foi vice-presidente da Comissão de Sistematização entre os anos de 1988 e 1989. Em 1989 presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Agrosul.

Eleito deputado federal pelo Mato Grosso do Sul, sempre pelo PTB, em outubro de 1990, assumiu o mandato em fevereiro do ano seguinte. Entre 1991 e 1992 integrou a Comissão de Constituição e Justiça e de Redação. Em 1992, tornou-se vice-líder da bancada petebista na Câmara dos Deputados e foi membro da Comissão Mista Especial do Desequilíbrio Econômico Inter-Regional Brasileiro no Congresso Nacional.

Na sessão da Câmara dos Deputados de 29 de setembro de 1992, votou a favor da abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias. Afastado da presidência após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro, horas antes da conclusão do processo pelo Senado, que decidiu pelo seu impedimento. Foi então efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde 2 de outubro.

Nas principais matérias constitucionais apresentadas na Câmara dos Deputados ao longo da legislatura 1991-1995, Trad votou a favor da criação do Fundo Social de Emergência (FSE), que permitia ao governo retirar recursos de áreas como saúde e educação para ter maior liberdade de administração das verbas, da criação do imposto de 0,25% sobre transações bancárias, o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), e ausentou-se da votação do fim do voto obrigatório.

Em 1993, assumiu a vice-liderança do bloco formado pelo Partido da Frente Liberal (PFL), PTB, Partido Social Cristão (PSC), Partido das Reformas Sociais (PRS) e Partido Social Democrático (PSD) e esteve em missão oficial no Peru, como representante da Câmara dos Deputados, para observar a situação política desse país. Líder da bancada do PTB em 1994, nesse mesmo ano participou da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias.

Em outubro de 1994, foi reeleito deputado federal pelo Mato Grosso do Sul, sempre pelo PTB, com 35 mil votos, tendo como base eleitoral a cidade de Campo Grande. Tomou posse em fevereiro do ano seguinte. Nessa legislatura, integrou a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle na Câmara dos Deputados.

Durante a votação das emendas constitucionais enviadas ao Congresso Nacional pelo Executivo federal, acompanhou a orientação da base parlamentar governista, pronunciando-se favoravelmente à abolição do monopólio estatal nas telecomunicações e na exploração do petróleo e contra o fim do monopólio dos governos estaduais na distribuição do gás canalizado. Votou também a favor da abertura da navegação de cabotagem às embarcações estrangeiras e do fim de todas as diferenças jurídicas entre as empresas de capital nacional e aquelas de outros países.

Em novembro de 1995, manifestou-se a favor da prorrogação por 18 meses do FSE, rebatizado de Fundo de Estabilização Fiscal (FEF).

Em junho de 1996, votou a favor da criação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que substituiu o IPMF, imposto de 0,2% sobre transações bancárias criado como fonte complementar de recursos para a saúde. No mês de agosto, licenciou-se do mandato para cuidar de assuntos particulares, assumindo em seu lugar o primeiro suplente Elísio Curvo.

No pleito de outubro, disputou a prefeitura de Campo Grande, não obtendo êxito. Em dezembro, reassumiu a vaga na Câmara dos Deputados. Em janeiro/fevereiro de 1997, votou a favor da emenda da reeleição e em novembro pronunciou-se a favor da quebra da estabilidade do servidor público, item da reforma administrativa que permite a demissão de servidores públicos por mal desempenho e/ou excesso de gastos com a folha de pagamento. Integrou a Comissão de Seguridade Social e Família de 1995 a 1998.

Ainda em 1997, foi eleito, num segundo turno entre ele e o deputado do PTB paulista Vicente Cascione (1995-1999), segundo-secretário da nova mesa da Câmara dos Deputados. Na executiva nacional do PTB, Trad ocupou o cargo de segundo-tesoureiro do partido.

Em fevereiro de 1998, tomou posse como presidente do Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara dos Deputados. Na convenção do partido em junho, tornou-se segundo vice-presidente da executiva nacional do PTB.

Reeleito deputado federal em outubro de 1998, na legenda do PTB, em novembro votou a favor do teto de 1.200 reais para aposentadorias no setor público e do estabelecimento de idade mínima e tempo de contribuição para o setor privado, itens fundamentais para a definição da reforma da previdência.

Assumiu novo mandato em fevereiro de 1999.

Ao longo de sua vida profissional, foi professor de direito penal na Fundação Universidade Católica de Mato Grosso e presidente do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação de Futebol e do Conselho Penitenciário do Estado do Mato Grosso do Sul.

Casou-se com Teresinha Mandetta Trad, com quem teve cinco filhos.

 

Márcia Quarti/Christiane Jalles

 

FONTES: Boletim do DIAP (agosto/96 e outubro/96); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1995-1999); Folha de São Paulo (14/1/96; 30/1/97; 29/9 e 6/11/98); Globo (6/2/97); Folha Trabalhista (fev. 98); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (4/6/96); Perfil parlamentar/Istoé; TRIB.SUP.ELEIT. Dados (1998).

 

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