TRAVASSOS, LUIS

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Nome: TRAVASSOS, Luís
Nome Completo: TRAVASSOS, LUIS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
TRAVASSOS, LUÍS

TRAVASSOS, Luís

* pres. UNE 1967-1968.

 

Luís Gonzaga Travassos da Rosa nasceu em São Paulo, em fevereiro de 1945. Seu pai era vendedor e sua mãe funcionária pública.

Estudou no Colégio Santo Agostinho, em São Paulo. Posteriormente foi seminarista em Bragança Paulista (SP) e na Freguesia do Ó, bairro paulistano, onde começou sua atividade política em organizações católicas progressistas. Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Católica de São Paulo em 1965. Em seguida foi eleito presidente do Centro Acadêmico 11 de Agosto. Nessa ocasião passou a militar na organização ilegal da esquerda católica, Ação Polular (AP), abandonando a Juventude Universitária Católica (JUC).

Em 1966 foi eleito presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEESP). Nessa ocasião encontrava-se preso, pois o congresso UEE, considerado ilegal, foi localizado pela polícia e todos os seus participantes foram detidos.

Em fevereiro de 1967, o Diretório Nacional dos Estudantes — criado pela Lei nº 4.464, de novembro de 1964, para substituir oficialmente a União Nacional dos Estudantes (UNE), extinta pela mesma lei — deixou de existir, através do Decreto-Lei nº 228, que proibia a organização estudantil em nível nacional, só permitindo a organização de diretórios por universidades e escolas. Essa mesma lei proibia também que os diretórios estudantis desenvolvessem qualquer atividade política. Em julho do mesmo ano, no XXIX Congresso da UNE, que reuniu quatrocentos delegados no convento dos beneditinos em Vinhedo (SP), Travassos conseguiu eleger-se presidente da UNE, em substituição a José Guedes, vencendo Daniel Aarão Reis, então presidente da União Metropolitana dos Estudantes (UME) do Rio de Janeiro, com a exígua diferença de quatro votos.

Como presidente da UNE Travassos defendeu principalmente a “aliança operário-estudantil-camponesa”, representando o que em Minas Gerais se convencionou chamar de “primeira posição”, em oposição à “segunda posição”, encabeçada por outro líder estudantil da época, Vladimir Palmeira, já então presidente da UME do Rio. Enquanto Travassos defendia a mobilização permanente dos estudantes nas ruas na luta contra a ditadura, Vladimir defendia o diálogo com o governo, como forma de desmascará-lo e de revelar seus verdadeiros interesses. Em junho de 1968, juntamente com Vladimir Palmeira, Travassos liderou uma passeata que reuniu cem mil participantes, no centro do Rio de Janeiro, e que ficou conhecida como “Passeata dos Cem Mil”. Ao final do semestre voltou às ruas comandando outra passeata de 50 mil pessoas. Em outubro do mesmo ano comandou a resistência dos estudantes da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), que na ocasião rivalizavam com os estudantes da Universidade Mackenzie. Nesses combates, ocorridos na rua Maria Antônia, morreu o menor José Guimarães, aluno da terceira série ginasial (atual sétima série do primeiro grau) do Colégio Marina Cintra. Ainda no mês de outubro, tentou-se realizar o XXX Congresso da UNE, num sítio próximo ao município de Ibiúna (SP). Nesse congresso, Travassos e mais oitocentos estudantes foram presos, numa operação chefiada pelo coronel Divo Barsoti, comandante do 7º Batalhão Policial da Força Pública, sediado em Sorocaba.

Em novembro de 1968, o movimento estudantil conseguiu recompor um conselho da UNE, que optou pela realização de reuniões estaduais como forma de se proceder à eleição da nova diretoria, que sucederia à de Travassos. Esse trabalho foi completado em abril de 1969, quando Jean Marc van der Weid foi eleito presidente da entidade.

Em setembro de 1969 o embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick foi seqüestrado pelos grupos terroristas Ação Libertadora Nacional (ALN) e o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), que exigiram como condição de resgate do embaixador a libertação de 15 presos políticos, dentre eles Luís Travassos, e a publicação e leitura de uma mensagem revolucionária nos principais jornais, rádios e televisões de todo o país. Nesse mesmo mês, Travassos foi trocado pelo embaixador norte-americano. Banido, seguiu em viagem para o México e, em seguida, para Cuba. Em março de 1970 viajou para o Chile. Em setembro de 1973, após a derrubada do presidente chileno Salvador Aliende (1970-1973), asilou-se na embaixada do México. Em dezembro do mesmo ano foi para o México, de onde seguiu para a Bélgica, e de lá para a Alemanha, onde se formou em economia pela Universidade Livre de Berlim.

Em outubro de 1979, após a publicação da Lei de Anistia, regressou da Europa, depois de dez anos de exílio. Nessa ocasião, voltou a defender a legalização da UNE. Passou a trabalhar como tradutor de alemão e ingressou no Partido dos Trabalhadores (PT).

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 24 de fevereiro de 1982, vítima de acidente automobilístico.

Era casado com Marijane Vieira Lisboa, com quem teve dois filhos.

 

FONTES: Flagrante (3/4/78); Folha de S. Paulo (25/2/82); Globo (25/2/82); IstoÉ (3/3/82); Jornal do Brasil (23/9 e 29/10/79); Realidade (6/68); Veja (16/10/68 e 17/9/69).

 

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