Tristão Ferreira da Cunha

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Nome: CUNHA, Tristão da
Nome Completo: Tristão Ferreira da Cunha

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CUNHA, Tristão da

*dep. fed. MG 1947-1950, 1951, 1953-1955, 1958-1963.

 

Tristão Ferreira da Cunha nasceu em Teófilo Otoni (MG) no dia 27 de julho de 1890, filho do professor Benjamim Ferreira da Cunha e de Ana Esteves Percini da Cunha. Seu sobrinho, Sadi da Cunha Pereira, foi deputado estadual em Minas Gerais entre 1959 e 1963. Seu primo, Simão da Cunha Pereira, foi constituinte em 1934 e deputado federal de 1935 a 1937.

Tristão da Cunha estudou no Liceu Teófilo Otoni, em sua cidade natal, e no Colégio Alfredo Gomes, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Em 1914, bacharelou-se em direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, especializando-se em economia política, ciência das finanças e direito público.

De volta a Teófilo Otoni, atuou como promotor público e como advogado, elegendo-se vereador à Câmara Municipal em 1916. Entre 1922 e 1924, durante o governo de Raul Soares de Moura, foi oficial-de-gabinete do secretário estadual de Finanças, Augusto Mário Caldeira Brant.

Em outubro de 1934, elegeu-se deputado à Assembleia Constituinte de Minas Gerais na legenda do Partido Republicano Mineiro (PRM). Instalada no início de 1935, a Assembleia Constituinte promulgou a nova Carta estadual ainda neste ano, dando lugar aos trabalhos da legislatura ordinária. Tristão da Cunha exerceu o mandato até 10 de novembro de 1937, quando o advento do Estado Novo suprimiu todos os órgãos legislativos do país. Tornou-se então opositor do regime e, transferindo-se para o Rio de Janeiro, empregou-se como professor de alemão no Colégio Pedro II e de economia e estatística no Colégio Universitário da Universidade do Brasil.

Em outubro de 1943, foi um dos signatários, entre outros importantes nomes da política de Minas Gerais, do chamado Manifesto dos mineiros. Reivindicando a democratização do país, o documento representou a primeira manifestação pública de setores liberais contra o Estado Novo. O governo reagiu com sanções contra os signatários do manifesto, tendo Tristão da Cunha sido afastado do cargo de professor do Colégio Pedro II.

Com a queda do Estado Novo — efetivada através do golpe que depôs Getúlio Vargas em 29 de outubro de 1945 —, exerceu de agosto a novembro de 1946 o cargo de secretário de Educação e Saúde Pública de Minas Gerais no governo do interventor Júlio Ferreira de Carvalho (1946). Neste período, criou o concurso de títulos para a nomeação de professores do ensino primário.

Após a promulgação da nova Constituição (18/9/1946) e a transformação da Assembleia Nacional Constituinte em Congresso ordinário, realizou-se, em janeiro de 1947, eleição suplementar para preenchimento de vagas na Câmara dos Deputados. Eleito deputado federal por Minas Gerais na legenda do Partido Republicano (PR), que ajudara a reestruturar, exerceu o mandato até abril de 1950, tendo integrado na legislatura as comissões permanentes de Finanças e de Serviço Público Civil.

Reeleito em outubro de 1950, assumiu o mandato em fevereiro de 1951, licenciando-se da Câmara de março desse ano a março de 1953 para ocupar o cargo de secretário da Agricultura, Indústria e Comércio de Minas Gerais no governo de Juscelino Kubitschek (1951-1955). Reconduzido à Câmara dos Deputados no pleito de outubro de 1954, licenciou-se novamente de abril de 1955 a julho de 1958 para exercer a função de secretário de Finanças de Minas Gerais durante os governos de Clóvis Salgado da Gama (1955-1956) e de José Francisco Bias Fortes (1956-1961).

Mais uma vez reeleito em outubro de 1958, exerceu a vice-liderança do PR de Minas Gerais a partir de maio do ano seguinte e foi vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara. Por ocasião dos debates sobre o desenvolvimento econômico brasileiro, realizados durante a legislatura, defendeu teses monetaristas. No pleito de outubro de 1962, foi candidato a senador pelo PR, mas não conseguiu se eleger. Concluiu o mandato de deputado em janeiro de 1963, não mais retornando ao Legislativo federal.

Após o movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart, foi nomeado pelo novo presidente da República, marechal Humberto Castelo Branco, para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), cuja presidência ocupou de junho de 1964 até sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro em 3 de janeiro de 1974.

Era casado com Júlia Versiani Ferreira da Cunha — filha de tradicional família atuante na política mineira —, com quem teve sete filhos, entre os quais destacaram-se Celso Cunha, professor e decano da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Aécio Cunha, deputado federal entre 1963 e 1967. Seu neto, Aécio Neves, foi constituinte de 1987-1988, deputado federal entre 1991 e 2002, governador de Minas Gerais entre 2003 e 2010 e eleito senador em 2010.

Tristão da Cunha publicou, entre outras obras, Noções de economia política, Realidade econômica e a Carta de Teresópolis, Flagrantes econômicos, As crises comerciais, Ilusões econômicas e a lição dos economistas, A experiência socialista na Rússia soviética, Sistemas socialistas, Liberalismo econômico e Coletivismo ou liberalismo.

 

 

FONTES: ANDRADE, F. Relação; ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico; ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais (1); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros (1946-1967); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertórios (1947-1951, 1951-1955, 1955-1959, 1959-1963); CÂM. DEP. Relação dos dep.; CÂM. DEP. Relação nominal; CISNEIROS, A. Parlamentares; CONSULT. MAGALHÃES, B.; COUTINHO, A. Brasil; Desenvolvimento e Conjuntura (3/61); Diário do Congresso Nacional; HIPÓLITO, L. Manifesto; HORTA, C. Famílias; Jornal do Brasil (4/1/74); Rev. Arq. Públ. Mineiro (12/76).

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