VALDER DE LIMA SARMANHO

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Nome: SARMANHO, Válder
Nome Completo: VALDER DE LIMA SARMANHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SARMANHO, VÁLDER

SARMANHO, Válder

*diplomata; pres. BNDE 1953-1955; emb. Bras. Uruguai 1958-1963; emb. Bras. Peru 1963-1965.

 

Válder de Lima Sarmanho nasceu em São Borja (RS) no dia 18 de setembro de 1901, filho de Antônio Sarmanho e de Alzira de Lima Sarmanho. Seu pai foi grande estancieiro e diretor do Banco de São Borja. Sua irmã, Darci de Lima Sarmanho, casou-se com Getúlio Vargas.

Formou-se em 1925 em engenharia civil pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, na capital da República.

Iniciou sua vida profissional em junho de 1925, ingressando na Diretoria de Obras da Prefeitura do Distrito Federal. Durante toda a gestão de Getúlio Vargas no Ministério da Fazenda, de novembro de 1926 a dezembro do ano seguinte, foi seu oficial-de-gabinete. Em 1928 transferiu-se para o Rio Grande do Sul, ali trabalhando como engenheiro da Secretaria de Obras Públicas do estado.

Com a ascensão de Vargas, após a Revolução de 1930, à chefia do Governo Provisório, voltou a servir como seu oficial-de-gabinete, exercendo a função a partir de novembro do mesmo ano. Em janeiro de 1934 tornou-se inspetor da Fazenda, e, depois da eleição de Vargas para a presidência da República pela Assembléia Nacional Constituinte em julho de 1934, foi mantido na chefia de seu gabinete até março de 1937. Ainda em 1937 atuou como adjunto do comissário-geral do Brasil na Exposição Internacional de Artes Técnicas Aplicadas à Vida Moderna, realizada em Paris. Em março de 1938 tornou-se membro da comissão central da representação do Brasil na Feira Mundial de Nova Iorque, e ainda nesse ano bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Niterói (RJ).

Iniciou sua carreira diplomática como secretário da embaixada do Brasil em Havana, Cuba, em dezembro de 1938. Em janeiro do ano seguinte passou a exercer a função de conselheiro comercial junto à mesma embaixada. Em outubro de 1940 representou o Brasil na Conferência Internacional do Estanho e na IV Sessão do Conselho Internacional do Trigo, em Genebra, na Suíça. Deixando Havana em abril de 1941, foi removido para Washington, onde permaneceu de maio de 1941 a setembro de 1942. Retornando ao Rio de Janeiro, foi comissionado observador da delegação brasileira à Conferência de Alimentação realizada em Hot Springs, nos Estados Unidos, em maio de 1943. Em seguida voltou a servir em Washington, agora promovido a ministro de segunda classe. Permaneceu nessa cidade de dezembro de 1943 a julho de 1945, quando foi transferido para Nova Iorque, onde atuou como cônsul-geral até maio de 1946.

De volta ao Brasil, serviu na capital federal de junho de 1946 a julho de 1948, sendo então novamente transferido para a embaixada em Washington. Ali chefiou a delegação do Brasil à conferência geral da Food and Agriculture Organization (FAO) e foi o representante brasileiro à Conferência Internacional do Trigo, em janeiro de 1949. Ainda em 1949 representou o Brasil na conferência anual da FAO, realizada em novembro, e no comitê sobre o problema da mercadoria junto à FAO, em dezembro. Em janeiro de 1951 foi nomeado delegado do Brasil e presidente do Bureau Pan-Americano de Café, com sede em Nova Iorque, função que exerceria até 1953. Em março de 1951 atuou como conselheiro econômico da delegação brasileira à IV Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, ocorrida em Washington. Promovido em setembro desse mesmo ano a ministro de primeira classe, tornou-se em dezembro delegado permanente do governo brasileiro junto à Comissão do Café do Conselho Interamericano Econômico e Social da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington.

Em fevereiro de 1952 retornou ao Brasil, passando a servir na Secretaria do Ministério das Relações Exteriores no Rio de Janeiro. Em fevereiro de 1953 foi nomeado pelo presidente Getúlio Vargas — junto ao qual atuava como conselheiro informal — coordenador dos serviços da Assessoria Econômica da Presidência da República nos assuntos referentes à cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos.

Em junho de 1953 foi nomeado presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), em substituição a Ari Frederico Torres, tendo presidido, nessa condição, a Comissão Mista Brasil-Alemanha de Desenvolvimento Econômico. Em junho de 1954 passou a integrar a Comissão Mista Brasil-França de Desenvolvimento Econômico, atuando ainda de novembro a dezembro desse ano como consultor especial da delegação brasileira à I Conferência dos Ministros da Fazenda das Américas, realizada em Petrópolis (RJ).

Deixou a presidência do BNDE em fevereiro de 1955, substituído por Glycon de Paiva, e em maio seguinte foi designado delegado brasileiro no Conselho Interamericano Econômico e Social da OEA, função que exerceu até março de 1956. De volta ao Rio, em 1957 concluiu o curso da Escola Superior de Guerra (ESG), sendo transferido em janeiro de 1958 para Montevidéu para substituir o encarregado de negócios Afonso Rodrigues Palmério como titular da embaixada brasileira. Permaneceu na capital uruguaia até setembro de 1963, sendo substituído pelo encarregado de negócios Jurandir Carlos Barion. No mês seguinte foi comissionado embaixador do Peru, sucedendo a Raul Bopp. Chefiou a delegação brasileira à reunião para negociações relativas ao estabelecimento de uma zona de livre comércio na América Latina, realizada em Montevidéu. Deixou a embaixada brasileira no Peru em dezembro de 1965, sendo substituído por João Augusto de Araújo Castro. Nesse mesmo ano aposentou-se da carreira diplomática e passou a se dedicar a negócios particulares.

Ao longo de sua vida, foi também membro da Associação Comercial do Rio de Janeiro e da Sociedade dos Engenheiros do Rio Grande do Sul.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 23 de novembro de 1987.

Foi casado com Palmarina Taisser Sarmanho, de quem se desquitou.

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; CORRESP. BANCO NAC. DESENV. ECON.; COUTINHO, A. Brasil; Jornal do Brasil (24/11/87); LEITE, C. Assessoramento; MIN. REL. EXT. Anuário (1964-1966); PEIXOTO, A. Getúlio.

 

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