VALDIR MENDES ARCOVERDE

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: ARCOVERDE, Valdir
Nome Completo: VALDIR MENDES ARCOVERDE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

ARCOVERDE, Valdir

*min. Saúde 1979-1985.

 

Valdir Mendes Arcoverde nasceu em Amarante (PI) em 23 de setembro de 1932, filho de Miguel Arcoverde Vieira e de Augusta Mendes Arcoverde. Seu irmão Dirceu Arcoverde foi governador do Piauí (1975-1978) e senador por esse estado (1979).

Mudou-se para Curitiba, onde se diplomou em medicina pela Universidade Federal do Paraná (Ufpr) em 1959.

Em 1962 tornou-se médico sanitarista no Rio Grande do Sul. Foi também médico do posto de saúde de Aratiba (RS). Fez cursos de pós-graduação em planejamento de saúde na Faculdade de Higiene e Saúde Pública de São Paulo, da Universidade de São Paulo (USP), e de atualização em técnicas de saúde pública na Escola Nacional de Saúde Pública, no Rio de Janeiro, em 1968. Nesse mesmo ano, integrou a equipe da Secretaria de Saúde gaúcha, no período em que Jair Soares esteve à frente da pasta, tendo substituído o secretário em diversas ocasiões. Em 1969, fez outro curso de especialização em saúde pública, também na USP. No ano seguinte, tornou-se chefe da unidade de planejamento do sul da Fundação Serviço de Saúde Pública, do Ministério da Saúde, cargo que ocuparia por vários anos. Quando Sinval Guazelli assumiu o governo do Rio Grande do Sul, em março de 1975, Arcoverde tornou-se secretário estadual de Saúde.

Em janeiro de 1979, Arcoverde tornou-se presidente do Instituto Nacional da Previdência Social (INPS), nomeado por Jair Soares, então ministro da Previdência Social no governo do general João Batista Figueiredo (1979-1985). Em outubro, substituiu Mário Augusto de Castro Lima no Ministério da Saúde. Sua indicação foi mais uma vez associada a Jair Soares, seu amigo e correligionário político, bem como à sua amizade com o ministro da Justiça, o piauiense Petrônio Portela. Segundo avaliação da imprensa na época, sua designação era a confirmação da tese de que se deveria escolher nomes do Nordeste para ministérios da área social. Em sua posse, fez um balanço da saúde pública, dizendo que pretendia interiorizar as ações básicas nas regiões mais pobres, sobretudo as periferias das grandes cidades e a zona rural. Seu projeto mais ambicioso era ampliar as redes de saneamento básico e desenvolver um programa de imunização, sobretudo ligado à área de vacinação.

Em abril de 1980, o Ministério de Saúde foi informado de que Albert Sabin — conceituado imunologista, inventor de uma vacina contra a paralisia infantil — viria ao Brasil e que se dispunha a oferecer seus serviços, sem qualquer ônus para o governo, tendo em vista a campanha de vacinação em massa que as autoridades médicas tencionavam fazer. Arcoverde aceitou a oferta, informando que Sabin viria na condição de assessor. Contudo, Sabin acabou deixando o país sem ter levado a cabo nenhum projeto na área de imunologia. Técnicos ligados ao ministério afirmaram que Sabin desconhecia a realidade brasileira na proposição dos métodos para levantamento de dados estatísticos dos casos de poliomielite. O episódio foi amplamente divulgado pela imprensa e criticado pela oposição do governo Figueiredo e pela comunidade científica. Arcoverde acabou sendo convocado a comparecer à Câmara, ainda em abril de 1980, para prestar esclarecimentos. Suas explicações sobre a partida de Sabin e os possíveis constrangimentos causados ao cientista pelo governo não foram aceitas pelos parlamentares da oposição, os quais acusaram o Ministério da Saúde de estar defendendo interesses privados e de produzir estatísticas falsas sobre a ocorrência de doenças infecciosas e de epidemias.

Pouco depois do caso Sabin, Arcoverde reapareceu na imprensa para defender as campanhas de vacinação em massa, afirmando que haveria, dentro de cinco anos, sensível melhoria no quadro sanitário. Em janeiro de 1981, questionou a obrigatoriedade da renovação, de dois em dois anos, do exame de abreugrafia por trabalhadores assalariados, afirmando ser este um método ineficaz de diagnóstico da tuberculose. Em abril, ao fazer balanço sobre a ação de seu ministério, destacou a baixa renda como uma das principais causas para o problema da saúde. Durante sua gestão, iniciaram-se as pesquisas na Fundação Osvaldo Cruz, mediante o auxílio de tecnologia japonesa, para a produção de vacina contra sarampo. Em dezembro de 1981, ao anunciar esse projeto, destacou a falta de verbas da pasta, a de menor orçamento entre os ministérios.

Em setembro de 1984, declarou seu apoio ao ministro Mário Andreazza, que disputava com Paulo Maluf a candidatura à presidência pelo Partido Democrático Social (PDS) e que seria levada ao Colégio Eleitoral em janeiro de 1985. Apesar de não ter votos na convenção do partido, o apoio de Arcoverde foi considerado importante e inesperado. Apesar de todo o ministério ter começado a declarar publicamente o apoio a Andreazza, segundo o próprio ministro, sua decisão foi tomada de livre consciência, sem a interferência do presidente Figueiredo, partidário da candidatura de Andreazza.

Arcoverde deixou o Ministério da Saúde no fim do governo Figueiredo, em março de 1985, voltando para o Rio Grande do Sul. Em abril, assumiu um posto de assessor do diretor-geral da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), órgão ligado à Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em maio de 1990, durante o governo Fernando Collor (1990-1992), o ministro da Saúde, Alceni Guerra, nomeou-o presidente da Fundação de Serviços de Saúde Pública e diretor da Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (Sucam), tendo por principal missão fundir esses órgãos. A fusão se efetivou, dando origem à Fundação Nacional de Saúde, da qual Arcoverde tornou-se presidente. Permaneceu no cargo durante três meses. Ainda em 1991, retornou à OPAS, tornando-se consultor nacional da entidade no Brasil. Nesse mesmo ano, tornou-se presidente da Fundação Serviços da Saúde Pública.

Casou-se com Deusina Pinheiro Arcoverde, com quem teve três filhos. Seu filho Dirceu Arcoverde casou-se com Adriana Rezek, filha de Francisco Rezek, ministro do Supremo Tribunal Federal de 1983 a 1990 e de 1992 a 1997, ministro das Relações Exteriores de 1990 a 1992 e ministro no Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, a partir de março de 1997.

Publicou 40 anos de Saúde Pública: 1942-1982 (1982), Atenção à Saúde no Brasil: contrução e tentativa de árvore de problemas (co-autoria, 1995)

 

Eduardo Junqueira/Elizabeth Cardoso

 

FONTES: CURRIC. BIOG.; INF. BIOG.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados