VARGAS, JORGE

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: VARGAS, Jorge
Nome Completo: VARGAS, JORGE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
VARGAS, JORGE

VARGAS, Jorge

*dep. fed. MG 1971-1987; min. TCU 1987-1988.

 

Jorge Vargas nasceu em Paracatu (MG) no dia 28 de janeiro de 1926, filho de Quintino Vargas e de Maria Soter Vargas. Seu pai participou da revolução de 1930, foi prefeito nomeado de Paracatu entre 1931 e 1934 e, em 1945, foi um dos fundadores da União Democrática Nacional (UDN) em Minas, legenda pela qual exerceu o mandato de deputado estadual de 1947 a 1949. O primo de Jorge Vargas, José Israel Vargas foi ministro da Ciência e Tecnologia do governo Itamar Franco (1992-1994) e do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-1999).

Jorge Vargas iniciou o secundário no Ginásio Municipal Dom Lustosa, em Patrocínio (MG), transferindo-se para Belo Horizonte, onde concluiu-o no Colégio Arnaldo. Em 1942, fez o curso de piloto civil em Pirapora (MG). Em 1945, retornou ao Ginásio Municipal Dom Lustosa, no qual trabalhou até o ano seguinte como professor de inglês. De 1947 a 1949, foi secretário parlamentar na capital mineira e, em 1950, tornou-se assessor parlamentar, função que exerceria durante quatro anos.

Ainda em 1950, foi eleito membro do Diretório Estadual da UDN em Minas Gerais, cargo que ocuparia até a extinção do partido em 1965. Bacharelando-se, em 1953, em ciências jurídicas e sociais na Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais (UMG), atual Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), seguiria a carreira de advogado nos próximos 15 anos, alternando-a entre Belo Horizonte e Pirapora.

Em 1957, elegeu-se presidente do diretório municipal da UDN em Pirapora, permanecendo no cargo até 1962, quando candidatou-se pela legenda a uma cadeira na Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Eleito em outubro, assumiu sua cadeira em fevereiro de 1963. No ano seguinte, foi vice-presidente regional em exercício de seu partido.

Ainda em 1964, integrou-se aos trabalhos da Comissão de Constituição, Legislação e Justiça — na qual desempenharia, até 1966, os cargos de vice-presidente e presidente —, participando ainda como membro efetivo da Comissão de Construção do palácio da Inconfidência e da Comissão de Siderurgia e Mineração.

Em 1965, fez o curso de segurança nacional da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG). Durante o mandato de deputado estadual, liderou a bancada da UDN e ocupou, de 1965 a 1966, a presidência da Comissão Executiva da ALMG, conciliando-a com o cargo de vice-líder do governo de José de Magalhães Pinto (1961-1966). Foi também o autor do projeto de lei que criou a cidade industrial de Pirapora e, entre 1965 e 1967, presidiria o Conselho de Habitação do Estado de Minas Gerais.

Com a extinção dos partidos políticos determinada pelo Ato Institucional nº 2, baixado ainda em 27 de outubro de 1965, e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar instaurado no país em abril de 1964.

Reeleito deputado estadual pela legenda arenista em novembro de 1966, foi reconduzido ao cargo em janeiro do ano seguinte, presidindo durante a nova legislatura a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça da ALMG. Em 1968, tornou-se membro do Diretório Estadual da Arena em Minas.

No pleito de novembro de 1970, foi eleito deputado federal pela legenda da Arena mineira, assumindo sua cadeira em fevereiro do ano seguinte, logo após o término de seu mandato na ALMG. Na Câmara, presidiu a Comissão de Finanças e foi suplente das comissões de Agricultura e Política Rural e do Polígono das Secas. Em 1972, apresentou o projeto de lei que criou a Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). Foi também o autor do projeto de lei que transformou, em 1974, o Banco Nacional de Habitação (BNH) em empresa pública.

Em novembro deste ano, foi reeleito deputado federal, ainda pela legenda da Arena, sendo empossado no início de 1975. Permaneceu na Comissão de Finanças e ocupou a suplência da Comissão de Agricultura e Política Rural. Exerceria ainda as funções de vice-líder do governo do presidente Ernesto Geisel (1974-1979) e da Arena na Câmara.

Em outubro de 1977, integrou o grupo de deputados federais conhecido como “frotista”, que apoiava o ministro do Exército, Sílvio Frota, para a sucessão presidencial. Em novembro seguinte, admitiu a possibilidade de ser reconhecido legalmente o Partido Comunista no país, contanto que isso se realizasse em outro momento, depois de alcançada a normalidade democrática e assim que o Estado dispusesse de salvaguardas eficazes. Ainda em novembro, na condição de vice-líder do governo na Câmara, manifestou-se contrário à chamada missão Portela — iniciativa do ministro da Justiça Petrônio Portela, que consistia em buscar o entendimento entre o governo e a oposição em torno de reformas político-institucionais que substituíssem o regime de exceção pelo estado de direito — por entender que o governo não deveria dialogar com o partido de oposição, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que considerou infiltrado de subversivos.

Logo após as eleições de novembro de 1978 — nas quais foi mais uma vez reeleito deputado federal pela legenda arenista —, Jorge Vargas reconheceu que seu partido saíra amplamente derrotado do pleito. Na ocasião, manifestou-se favorável a uma revisão do quadro partidário, considerando indispensável a criação de mais partidos. Em setembro do ano seguinte, denunciou um movimento favorável à prorrogação dos mandatos municipais que seriam renovados em eleições previstas para 1980.

Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Popular (PP), agremiação liderada por Tancredo Neves. Em fevereiro de 1981, afirmou ser contrário a qualquer composição política com o ex-presidente Jânio Quadros e, em abril seguinte, pronunciou violento discurso condenando as diretrizes políticas e econômicas do governo de João Batista Figueiredo (1979-1985). Nele, assinalava que “o crédito de confiança dado pela nação à abertura foi recompensado com retrocesso político e dificuldades econômicas”.

Em julho de 1981, tornou-se segundo-secretário do PP. Foi ainda vice-líder do partido na Câmara, presidente das comissões de Minas e Energia e de Finanças e suplente da Comissão de Agricultura e Política Rural. Com a incorporação, em fevereiro de 1982, do PP ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), filiou-se a esta agremiação, que aglutinara os remanescentes do MDB. Reeleito deputado federal em novembro de 1982, foi empossado no cargo em fevereiro seguinte, integrando a Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados.

Na sessão da Câmara dos Deputados de 25 de abril de 1984 votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que propôs a realização de eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação — faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado —, a sucessão presidencial foi mais uma vez decidida por via indireta. No colégio eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, Jorge Vargas votou em Tancredo Neves, candidato vitorioso da Aliança Democrática, coligação do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) agrupada na Frente Liberal, que derrotou Paulo Maluf, lançado pela legenda pedessista. Contudo, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março desse ano.

Em 1986, Jorge Vargas apresentou projeto de lei que criou o Código Brasileiro de Aeronáutica. No início de 1987, foi nomeado pelo presidente José Sarney ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

Faleceu em Brasília em 22 de setembro de 1988.

Era casado com Maria Helena Coutinho Vargas, com quem teve oito filhos.

Fazendeiro e empresário, Jorge Vargas participou como representante da Câmara dos Deputados de inúmeros congressos e conclaves no Brasil e no exterior.

Publicou, entre outros trabalhos, O rio São Francisco e o desenvolvimento nacional (1972), Distensão política (1975), O Brasil em face do petróleo e de outras fontes de energia (1975), O fosfato de Patos de Minas e uma nova política de desenvolvimento (1975), A industrialização do fosfato em Patos de Minas (1977), Estatização e desestatização (1977), Das promessas à realidade (1981) e O rio São Francisco e suas potencialidades (1985).

 

FONTES: ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1971-1975, 1975-1979, 1979-1983 e 1983-1987); CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; Estado de S. Paulo (6/2/81); Folha de S. Paulo (29/4/81); Globo (26/4/84, 16/1/85 e 28/9/88); Jornal do Brasil (2, 25/11/77 e 22/11/78); NÉRI, S. 16; Perfil (1972 e 1980); Rev. Arq. Públ. Mineiro (12/76); TCU. Dados (1893-1990); Veja (19/10/77).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados