VARGAS, JOSE ISRAEL

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Nome: VARGAS, José Israel
Nome Completo: VARGAS, JOSE ISRAEL

Tipo: BIOGRAFICO


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VARGAS, José Israel

VARGAS, José Israel

*min. Ciência Tecnologia 1992-1998; min. Minas e Energia 1993-1994.

 

                José Israel Vargas nasceu em Paracatu (MG) no dia 9 de janeiro de 1928, filho de João Vargas e Violeta Soter Vargas.

                Fez o secundário nos Colégios Arnaldo e Marconi, em Belo Horizonte. Em 1945 iniciou o curso de química na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da atual Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), bacharelando-se em 1951 e licenciando-se no ano seguinte. Entre 1947 e 1950 freqüentou também os cursos de física e química da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP).

                Em 1953 tornou-se assistente de física e físico-química na UFMG e em 1955 professor titular interino. Realizou cursos de especialização de teoria da ligação química na Faculdade de Filosofia da USP, em 1953; mecânica analítica e estatística na mesma universidade, entre 1953 e 1954; teoria dos sólidos no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, em 1954, e radioquímica na Universidade de Concepcion, no Chile, em 1956. Entre 1956 e 1959 fez doutorado na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

                De 1960 a 1963 chefiou a Divisão de Física Nuclear do Instituto de Pesquisas Radioativas da Escola de Engenharia da UFMG e foi diretor do Instituto em 1962. Foi o primeiro presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear, em 1963, representando o Brasil na Junta de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, Áustria. Desempenhou a função de assessor técnico da presidência da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) de 1963 a 1964 e, neste útimo, ano tornou-se professor catedrático de físico-química e química superior da UFMG, cargo que exerceu até 1984.

                Colaborador  científico do Comissariado de Energia Atômica da França entre 1965 e 1966, chefiou os grupos de interações hiperfinas de Grenoble e do Recherche Cooperation sur Programme envolvendo os grupos de estudos das interações hiperfinas de Lyon, Paris e Oxford, mantidos pelo Conseil National de la Recherche Scientifique, na França.

                Em dezembro de 1972 tornou-se membro do Conselho Universitário da UFMG, representante do Instituto de Ciências Exatas, chefiando a partir de setembro do ano seguinte o Departamento de Química. Entre 1969 e 1981, orientou teses de mestrado e doutorado de alunos da Universidade de Grenoble (França) e da UFMG, tendo participado de comissões examinadoras de teses das duas instituições e também do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), USP e da Universidade de Louvain (Bélgica).

                 Durante o governo de Aureliano Chaves (1975-1978), de 1975 a 1976 presidiu a Fundação João Pinheiro e o Grupo Executivo de Ciência e Tecnologia do Estado de Minas Gerais (1975-1976) e a Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec) (1975-1979). Tornou-se o primeiro secretário de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais, de janeiro de 1977 a março de 1979.

                Nos últimos meses da permanência do general Ernesto Geisel  na presidência da República (1974-1979),  Vargas foi secretário de Tecnologia Industrial do Ministério da Indústria e Comércio e o principal gestor do Programa Pró-Álcool, atividade que desempenharia até 1984.

                Israel Vargas conciliou muitas vezes a vida de cientista e acadêmico com os cargos políticos que ocupou nos governos de Minas Gerais e Federal. Entre 1972 e 1979, foi consultor da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Em 1976, tornou-se membro do Conselho Científico e Tecnológico do Conselho Nacional de Pesquisa _ CNPq, função que exerceria até 1985.

                Na década de 1980, Israel Vargas exerceu diversas funções no Brasil e no exterior. Foi membro e vice-presidente do Comitê Assessor das Nações Unidas em Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento, de 1982 a 1986; vice-presidente do Conselho Executivo da Unesco, Paris, de 1983 a 1987, e presidente de 1987 a 1989; vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências, de 1984 a 1994; membro da Comissão Nacional de Energia da Presidência da República, de 1985 a 1988; presidente do Comitê de Ciência e Tecnologia da Organização Internacional do Trabalho _ OIT, a partir de 1985; pesquisador titular do CBPF, de 1986 a 1995; membro da Comissão Nacional para o Estabelecimento do Laboratório Nacional para a Física do Plasma e Fusão Nuclear, em 1988; membro do Conselho da Fundação Vitae _ Apoio à Cultura, Educação e Promoção Social, de 1989 a 1992; membro do Conselho Diretor e fundador do Clube Internacional de Energia de Moscou; presidente do Conselho Curador da Fundação Biominas, a partir de 1990; representante da Academia Brasileira de Ciências na Comissão Brasileira para o Programa “O homem e a biosfera”, do Ministério das Relações Exteriores, de 1990 a 1992; presidente do Grupo Assessor Internacional do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT), desenvolvido entre o governo brasileiro e o Banco Mundial, em 1992; e membro do Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Minas Gerais, em 1992, no governo de Hélio Garcia (1991-1994).

                Em 29 de setembro de 1992 foi aprovada pela Câmara dos Deputados a abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de corrupção. No dia 2 de outubro, o vice Itamar Franco tomou posse em caráter interino. Israel Vargas, ligado ao ex-ministro das Minas e Energia Aureliano Chaves, foi indicado com o respaldo da comunidade científica brasileira para ocupar o Ministério de Ciência e Tecnologia. Empossado ainda em outubro, defendeu o reajuste do valor das bolsas de pesquisa de acordo com os reajustes salariais concedidos aos funcionários públicos, anunciando sua pretensão de alterar a estrutura de funcionamento de sua pasta.

                Em novembro, propôs a reativação do programa nuclear brasileiro a partir da conclusão da usina de Angra II, destacando a importância da criação de uma comissão nacional de radio proteção e segurança nuclear. Para recuperar os investimentos no setor, afirmou que buscaria parceria com órgãos das superintendências de desenvolvimento do Nordeste e da Amazônia (Sudene e Sudam) que aplicariam 3% de seus recursos, além de sugerir o resgate da participação de instituições financeiras como o Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No final de dezembro, com o afastamento definitivo de Collor da presidência e a conseqüente confirmação de Itamar Franco no cargo, Israel Vargas foi mantido na pasta da Ciência e Tecnologia.

                Em janeiro de 1993, foi um dos quatro ministros encarregados pelo presidente de conduzir os debates sobre as modificações na lei de patentes em discussão na Câmara dos Deputados. Declarou que não via incompatibilidade entre os artigos que se referiam à patente em biotecnologia e a Convenção de Biodiversidade aprovada na Rio-92, contrariando membros da comunidade científica. Desagradou também a indústria farmacêutica, quando posicionou-se contra o artigo do projeto de lei que considerava como exploração de patentes a importação de produtos sem similares no país.

                Dando prioridade aos projetos que foram interrompidos por falta de recursos, assinou em março um convênio adicional entre Brasil e China para cumprimento do programa de construção de dois satélites de sensoriamento. Anunciou o desenvolvimento da pesquisa “Estudo da competitividade da indústria brasileira”, que analisaria 34 setores da indústria para traçar uma política nacional de ciência e tecnologia. Defendeu a criação de um Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, presidido pelo presidente da República, que funcionaria como um centro de planejamento das políticas do setor, integrando as comunidades científicas aos governos federais, estaduais e municipais. Considerando a informática como principal área estratégica para investimento, expôs sua intenção de criar um conjunto de centros municipais para produção de software (programas de computador).

                Em dezembro de 1993, assumiu interinamente o Ministério de Minas e Energia, substituindo a Paulino Cícero. Ocupou cumulativamente as duas pastas até março de 1994, quando foi sucedido, na de Minas e Energia, por Alexis Stepanenko.

                “Só vencendo o atraso tecnológico é que estaremos em condições de competir com a economia de outros países” . Usou esse argumento, em junho de 1994, ao comentar a decisão do presidente Itamar de permitir a transferência de parte dos recursos obtidos a partir das privatizações para investimento na área de ciência e tecnologia, chamando atenção para a necessidade do empresariado privado nacional investir mais em pesquisas, aproveitando a legislação de incentivos fiscais. 

                Com a mudança de governo que se deu a partir da vitória de Fernando Henrique Cardoso, candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) às eleições para presidente de outubro de 1994, Israel Vargas foi mantido na pasta em janeiro do ano seguinte, por ocasião da posse do novo presidente. Assim, em março de 1995, referindo-se à Rede Nacional de Pesquisa (RNP - a Internet brasileira) como um dos programas prioritários de seu ministério, propôs que sua expansão e difusão por todos os municípios fosse feita pela iniciativa privada, utilizando a infra-estrutura física de telecomunicações existente no país. Em julho disse que até o final do governo do novo presidente se pretendia aumentar a quantidade de recursos de 10% para 30% em investimentos na sua área, voltando a enfatizar a necessidade da ampliação da participação das empresas privadas.

Em maio de 1996 participou da comitiva de visita oficial do presidente Fernando Henrique à França. Dois meses depois, juntamente com os ministros do Meio Ambiente, Gustavo Krause e o das Relações Exteriores, Luís Felipe Lampreia, Vargas  encaminhou ao presidente Fernando Henrique uma série de medidas de combate ao desflorestamento da Amazônia. Dentre as medidas, foi aprovado pelo presidente o programa espacial brasileiro com o lançamento de satélites para o sensoreamento remoto da região, que caberia a sua pasta.

     

Em abril de 1998, Vargas depôs a favor do governo na Comissão de Defesa do Consumidor e Meio Ambiente instaurada para investigar responsabilidades a respeito do incêndio que atingira parcela considerável do território do estado de Roraima.  Ele defendeu o governo na Comissão junto com o ministro Gustavo Krause, do Meio Ambiente, com o Secretário de Políticas Regionais, Fernando Catão, procurando negar que tenha havido negligência do governo.  O principal alvo das críticas era o secretário Catão, acusado de ter destinado mais verbas para governos estaduais do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), às vésperas da convenção do partido que decidiria seu apoio à reeleição de Fernando Henrique Cardoso, do que para Roraima, onde já havia sido decretado o estado de calamidade pública.

Permaneceu à frente do Ministério da Ciência  e Tecnologia até 31 de dezembro de 1998. No dia seguinte, início do segundo mandato presidencial de Fernando Henrique Cardoso, a pasta passou a ter como titular Luís Carlos Bresser Pereira.

Israel Vargas tornou-se, em 1989, membro do Conselho Diretor e fundador da Comissão Internacional para o Renascimento da Biblioteca da Alexandria, ligada à United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) (a partir de 1989, vice-presidente (1992-1995) e presidente (a partir de 1995) da Academia de Ciências do Terceiro Mundo, sediada em Trieste, Itália, membro do Conselho Consultivo Internacional sobre Comunicações Científicas Globais – Unesco (a partir de 1995), e  vice-presidente da Comissão Nacional Independente sobre os Oceanos (a partir de 1996).

Casou-se com Aristela Domingues Vargas, com quem teve três filhas.

Publicou diversos trabalhos científicos em revistas nacionais e estrangeiras, entre os quais Radiochemical research  at the Instituto de Pesquisas Radioativas (1963); Influence des conditions d’irradiation et de l’état physique de l’échantillon sur la restauration des radicaux libres crées dans le p dichlorobenzene - em colaboração (1972); Estudo do tetramandelato de Háfnio por correlação angular perturbada - em colaboração (1975); Avaliação de demanda de energia do setor doméstico - Descrição e projeto de mercado - Abordagem metodológica - em colaboração (1989).

 

Verônica Pimenta Veloso/Elizabeth Dezouzart Cardoso

 

FONTES: CURRIC. BIOG.; Estado de São Paulo (18/1/93, 25/4/94, 22/7/95, 31/7/96, 27/9/96); Folha de São Paulo (23 e 24/10/92, 5/12/92, 15/3/93, 21/2/96, 21/9/96); Globo (23 e 28/10/92, 3/8/93, 16/4/98); Jornal do Brasil (23 e 28/10/92, 13/11/92, 9/1/93, 6/3/93, 2 e 3/8/93, 2/6/94, 30/9/94, 6/3/95, 11/8/95, 26 e 31/7/96, 5/11/96).

 

               

 

               

 

 

 

 

 

 

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