VIDAL, RAFAEL SAMPAIO

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Nome: VIDAL, Rafael Sampaio
Nome Completo: VIDAL, RAFAEL SAMPAIO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
VIDAL, RAFAEL SAMPAIO

VIDAL, Rafael Sampaio

*dep. fed. SP 1918-1922; min. Faz. 1922-1925; dep. fed. SP 1934-1935.

 

Rafael de Abreu Sampaio Vidal nasceu em Campinas (SP) no dia 14 de julho de 1870, filho de Joaquim José de Abreu Sampaio, deputado à Assembléia Provincial, e de Maria das Dores Sampaio Vidal.

Estudou humanidades no Colégio Culto à Ciência, em Campinas, e, em 1886, matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, tendo colado grau em 1891. Foi colega de turma de Afrânio de Melo Franco, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, Washington Luís e outros futuros políticos de destaque. Depois de formado, mudou-se para São Carlos (SP), onde foi eleito vereador. Durante o exercício desse mandato, reformou a contabilidade, o código de posturas e os impostos municipais. Orientou, ainda, os planos para a execução do serviço de esgotos da cidade.

Em São Carlos, participou ativamente da organização do Clube da Lavoura, tendo instalado campos de demonstração e feito o levantamento estatístico completo da agricultura do município. Pouco depois, redigiu sobre o assunto uma monografia que foi publicada na revista do Instituto do Café.

Eleito provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos, inaugurou, no dia 1º de novembro de 1889, o hospital dessa entidade. Reeleito duas vezes para o mesmo cargo, renunciou em 1903, devido à sua mudança para a capital do estado.

Em São Paulo, passou a exercer a advocacia, tendo representado bancos e empresas particulares. Durante esse período, foi reprovado no concurso para professor de direito civil da Faculdade de Direito, de São Paulo.

Em 1910, elegeu-se para a Câmara Estadual, onde foi membro das comissões de Agricultura e de Finanças. Nessa condição, formulou a lei da criação do Patronato Agrícola, em 1911, e o projeto, convertido em lei, relativo à sericicultura. Participou, ainda, da Comissão de Revisão da Constituição do estado. Expôs, na Câmara, as vantagens dos armazéns gerais para o financiamento e a defesa dos produtos agrícolas. Fundou a Companhia Central dos Armazéns, em Santos (SP), e a Sociedade Rural Brasileira. Ao mesmo tempo, defendeu a cafeicultura em artigos publicados nos jornais paulistas.

Em 1912, deixou o mandato de deputado para assumir a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de São Paulo, durante a presidência paulista de Francisco de Paula Rodrigues Alves (1912-1916). Nessa função, criou a polícia técnica do estado, reorganizou o serviço de identificação e cooperou na remodelação da Força Pública, instituída pela Missão Militar Francesa.

Também secretário da Fazenda durante parte desse período, organizou a Bolsa Oficial de Café, a Caixa de Liquidação e a Câmara Sindical dos Corretores. Oficializou a Associação Comercial de Santos e criou as caixas econômicas estaduais. Procedeu à aquisição, pelo estado, das ações do Banco Hipotecário, cuja maioria pertencia a um grupo de banqueiros franceses. A instituição foi depois reorganizada com o nome de Banco do Estado de São Paulo.

Em 8 de novembro de 1915, Sampaio Vidal deixou a Secretaria da Fazenda, devido à dissidência do grupo a que pertencia, chefiado por Júlio de Mesquita, em relação a Rodrigues Alves. Esse grupo era contrário à candidatura, apoiada pelo presidente paulista, de Altino Arantes para o governo estadual.

Eleito deputado federal por São Paulo na legenda do Partido Republicano Paulista (PRP), assumiu o mandato em 3 de maio de 1918. Durante essa legislatura, Sampaio Vidal lutou pelo estímulo a cafeiculturas por medidas que possibilitassem a sustentação dos preços de exportação do produto. Organizou o projeto de criação do Departamento Nacional do Café. Recusado pelo governo federal, esse projeto resultou na implantação, pelo governo paulista, do Instituto do Café de São Paulo.

Em 1920, reelegeu-se deputado federal, mas renunciou ao mandato, em 15 de novembro de 1922, para assumir o cargo de ministro da Fazenda, durante a presidência de Artur Bernardes (1922-1926). De imediato, deparou-se com inúmeros problemas referentes à baixa do câmbio e à flutuação da dívida externa. Tentando contornar essas dificuldades, instituiu o imposto geral sobre a renda, direto e pessoal, e executou a reforma do Banco do Brasil, transformando-o em banco emissor (lei de 8/1/1923). Também continuou a defender o mercado do café. Reorganizou a contabilidade do Tesouro Nacional, instituindo um novo sistema de escrituração, por partidas dobradas, previsto em lei de sua iniciativa, quando deputado federal.

Em 1925, Artur Bernardes afastou Cincinato Braga da presidência do Banco do Brasil, em decorrência do atrito surgido em torno da política de auxílio ao empresariado paulista, o qual havia sofrido grande abalo com a revolta de julho de 1924. Sampaio Vidal, favorável à posição assumida por Cincinato, pediu então demissão do cargo de ministro da Fazenda.

Em abril de 1925, foi eleito senador estadual, para ocupar a vaga aberta com a morte de Antônio da Silva Teles.

Após a vitória da Revolução de 1930, o PRP desmantelou-se, tendo reaparecido apenas em janeiro de 1932, com o lançamento de um manifesto. O documento justificava os meses de silêncio observados pelo partido e explicava as razões do seu ressurgimento — o conflito gerado pelo preenchimento da interventoria paulista. Sampaio Vidal, como membro da comissão diretora do PRP, foi um dos seus signatários.

Apoiou a Revolução de 1932, eclodida em São Paulo. Com a derrota do movimento, os políticos paulistas buscaram fórmulas que lhes permitissem reintegrar seu estado na vida política nacional. Organizou-se a Chapa Única por São Paulo Unido, para concorrer ao pleito de 3 de maio de 1933, no qual Sampaio Vidal foi eleito suplente de deputado à Assembléia Nacional Constituinte. Somente em 27 de julho de 1934, depois de promulgada a Constituição, assumiu a cadeira, na qual permaneceu até 30 de abril de 1935, durante o período de prorrogação do funcionamento da Constituinte.

A partir de então, dedicou-se às atividades privadas, tendo feito incursão pela vida pública apenas como membro do Conselho Técnico de Economia e Finanças, criado em novembro de 1937.

Morreu em São Paulo, no dia 13 de julho de 1941.

Foi casado com Carlota Borges Sampaio Vidal, filha dos barões de Dourados e neta dos viscondes do Rio Claro.

Além de Organização comercial da defesa do café, Sampaio Vidal escreveu Contabilidade agrícola de fazenda de café (1905) e Defesa permanente do café (1921).

Regina Hipólito

 

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; Câm Dep. seus componentes; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CURRIC. BIOG.; Grande encic. Delta; Ilustração brasileira (7/9/33); INST. NAC. LIVRO. Índice; JARDIM, R. Aventura; LEITE, A. História; MELO, L. Dic.

 

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