VIEIRA, JOSE EDUARDO DE ANDRADE

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Nome: VIEIRA, José Eduardo de Andrade
Nome Completo: VIEIRA, JOSE EDUARDO DE ANDRADE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
VIEIRA, JOSÉ EDUARDO DE ANDRADE

VIEIRA, José Eduardo de Andrade

*sen. PR 1991-1992, 1993-1995 e 1996-1999; min. Ind., Tur. e Com. 1992-1993; min. Agric., Abast. e Ref. Agr. 1993 e 1995-1996.

 

José Eduardo de Andrade Vieira nasceu em Tomazina (PR) no dia 30 de dezembro de 1938, filho de Avelino Antônio Vieira e de Maria José de Andrade Vieira. Seu pai, descendente de imigrantes de origem libanesa, foi prefeito de Tomazina (1933-1942), deputado estadual constituinte na legenda do Partido Social Democrático (1947-1950), membro do Conselho Monetário Nacional (1973-1974) nos governos dos presidentes Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel, proprietário de terras, agropecuarista e banqueiro. Avelino Vieira foi fundador do Banco Popular e Agrícola do Norte do Paraná em Tomazina em 1929 e, posteriormente, do Banco Mercantil e Industrial do Paraná (Bamerindus) em 1952, empresa-líder de sete bancos regionais que, em 1970, deram origem ao Banco Bamerindus do Brasil S.A. e ao conglomerado empresarial do mesmo nome.

Os demais filhos de Avelino Vieira também se dedicaram às atividades empresariais e bancárias. Luís Antônio de Andrade Vieira era diretor de várias empresas do Grupo Bamerindus e exercia a presidência da Caixa Econômica do estado de São Paulo, quando de seu falecimento em 1981 vítima de ataque cardíaco. Tomaz Edison de Andrade Vieira, era presidente do conselho de administração e diretor-presidente do Banco Bamerindus, quando veio a falecer no dia 24 de julho de 1981, vítima de desastre aéreo, juntamente com seu irmão Cláudio Enoch de Andrade Vieira, vice-presidente do conselho de administração do Bamerindus e coordenador da implantação de vários projetos do conglomerado nos ramos agropecuário e de reflorestamento. Maria Cristina de Andrade Vieira foi presidente da Associação Comercial do Paraná entre 1992 e 1994, e diretora de infra-estrutura do Banco Bamerindus até fevereiro de 1997.

Após concluir o ginásio num internato em Florianópolis, José Eduardo de Andrade Vieira iniciou suas atividades profissionais em janeiro de 1957 como escriturário e datilógrafo da agência do Banco Mercantil e Industrial do Paraná em Curitiba, transferindo-se em seguida para as agências de Itararé (SP) e Foz do Iguaçu (PR). No ano seguinte, prosseguiu sua carreira no banco, tornando-se contador nas agências de Foz do Iguaçu, Joinville (SC) e, em janeiro de 1959, chefe de serviços em Maringá (PR), onde permaneceu até fevereiro de 1962. Nesse período, recebeu a incumbência de dirigir o processo de incorporação pelo Bamerindus do Banco Tietê S.A., em São Paulo, e do Banco Costa Monteiro, no Rio de Janeiro. A partir de março de 1962 passou a inspetor do Bamerindus atuando em São Paulo, onde dirigiu o processo de abertura de diversas agências no interior do estado. Nos anos 1960, encarregou-se ainda da implantação da filial do Banco Mercantil e Industrial no Rio de Janeiro, tornando-se seu diretor a partir de setembro de 1965.

Nesse período, a rede bancária fundada por Avelino Vieira teve grande crescimento, passando a operar em vários estados da Federação. No final dos anos 1960, sete bancos regionais integravam o grupo empresarial fundado por Avelino Vieira (os bancos mercantis e industriais dos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso, e o do Nordeste), e mais sete empresas: o Banco Bamerindus de Investimento S.A.; o Banco Tibagi; a Bamerindus Financiamento, Crédito e Investimento; a Bamerindus Crédito Imobiliário; a Companhia Mercantil Obras e Melhoramentos; a Companhia Mercantil de Armazéns Gerais; a América S.A. Administração e Empreendimentos; e a Fundação Bamerindus.

No final de 1970, por determinação do Banco Central, os vários bancos regionais de propriedade de Avelino Vieira fundiram-se para dar origem ao Banco Bamerindus do Brasil S.A., instituição líder do grupo empresarial do mesmo nome, ocupando então o décimo-primeiro lugar no ranking bancário brasileiro, com aproximadamente trezentas agências em todo o território nacional. Nessa ocasião, José Eduardo foi encarregado pelo pai de administrar a fusão dos vários bancos mercantis que se uniram para dar origem à nova instituição bancária. Em meados de 1971, a revista Visão anunciava que a Rede Bamerindus passava a fazer parte dos dez maiores bancos privados brasileiros ocupando a nona posição, tendo à sua frente cinco bancos de São Paulo, um de Belo Horizonte, um de Salvador e um do Rio de Janeiro. Ao falecer, em setembro de 1974, Avelino tinha reunido por compra, fusão ou controle cerca de 50 estabelecimentos financeiros, entre bancos, casas bancárias e cooperativas de crédito, o que foi considerado um dos maiores feitos da história bancária do país.

Após o falecimento de Avelino Vieira, seu filho mais velho Tomas Edson assumiu a presidência do Grupo Bamerindus, tendo José Eduardo, então diretor administrativo do banco, se tornado diretor-vice-presidente das empresas. Nesse período, comandou o processo de reestruturação de grande parte das atividades do grupo, operando mudanças significativas nas áreas contábil, de informática e de recursos humanos, entre outras. Em junho de 1978 tornou-se diretor da Bamerindus Companhia de Seguros, empresa do conglomerado. No ano seguinte, Andrade Vieira deixou a vice-presidência do Grupo, permanecendo no entanto em seu conselho administrativo, para inserir-se na nova estratégia que formulara em conjunto com seus irmãos de expansão das atividades do Bamerindus para o exterior. Assim, em janeiro de 1980 partiu para os Estados Unidos e a Europa com o objetivo de preparar o lançamento das operações internacionais do banco. Nesse período, freqüentou ainda vários cursos e seminários de treinamento e especialização nas áreas de administração de empresas e política de negócios, no Brasil e no exterior.

Em julho de 1981, um acidente aéreo na serra de Furnas, em Jaguariaiva (PR), matou três de seus sobrinhos e seus dois irmãos, Tomas Edson de Andrade Vieira e Cláudio Enoch de Andrade Vieira, respectivamente presidente e vice-presidente do Bamerindus. Andrade Vieira tornou-se, então, diretor-presidente do Banco e das demais empresas que integravam o Grupo Bamerindus. A partir de março de 1982, exerceu também a presidência da Bamerindus Companhia de Seguros.

Após sua posse na presidência, o conglomerado Bamerindus, então com aproximadamente 40 empresas, passou por um processo de acentuada expansão, tendo o Banco Bamerindus avançado do oitavo para o terceiro lugar no ranking das empresas bancárias do Brasil. No início de sua gestão como presidente, o banco inaugurou sua primeira agência no exterior, em Nova Iorque, intensificando ainda mais a diversificação das atividades do grupo nas áreas agropecuária e industrial, além de promover a incorporação de diversas instituições financeiras, tais como a Bancia S.A., a Financial, o Bancional e o Banco F. Barreto. Em 1989 o Bamerindus inaugurou cerca de trezentas novas agências, passando a ser a terceira maior rede entre os bancos privados do país, com aproximadamente mil agências espalhadas por todo o território nacional. Além disso, Andrade Vieira implementou diversas outras iniciativas visando ao aumento do número de correntistas, tais como a criação da Coopercap (cooperativa de poupança e capitalização), dos bancos 24 horas e da conta remunerada, objetivando uma maior captação de depósitos junto ao grande público, o que causou grande repercussão no mercado financeiro.

Através de sua imagem como administrador eficiente e inovador no Bamerindus, projetou-se politicamente como líder empresarial e ingressou na política partidária. Nas eleições para a presidência da República realizadas em 1989, apoiou o candidato do Partido da Reconstrução Nacional (PRN), Fernando Collor de Melo, que acabou vencendo o segundo turno das eleições realizado em 17 de dezembro do mesmo ano, derrotando o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Luís Inácio Lula da Silva. Em abril do ano seguinte Andrade Vieira licenciou-se do cargo de diretor-presidente das empresas do Grupo Bamerindus para concorrer a uma vaga no Senado. No pleito de outubro de 1990, apoiado pelo presidente Fernando Collor de Melo, elegeu-se senador na coligação formada pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), pelo Partido Democrático Social (PDS) e por mais duas pequenas legendas, com 1.035.876 votos, assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte. Nesse período, tornou-se ainda presidente do diretório do PTB no estado do Paraná.

Participou dos trabalhos legislativos como membro titular das comissões de Assuntos Econômicos, de Constituição, Justiça e Cidadania, e de Serviços de Infra-Estrutura, além de suplente das comissões de Assuntos Sociais e de Educação (1991), e da Mista (Câmara e Senado) de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização, tendo sido ainda eleito por unanimidade líder do PTB no Senado em 1992.

No início de 1991, Andrade Vieira defendeu a convocação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as condições em que o Tesouro Nacional concedeu ajuda de cerca de um trilhão de cruzeiros para salvar alguns bancos estaduais. Segundo o senador, esta operação desequilibrou o controle que vinha sendo exercido sobre o déficit público e provocou uma expansão monetária que fez a inflação crescer novamente. Considerou ainda que a decisão de socorrer os bancos estaduais constituiu uma deslealdade com os bancos privados e com os trabalhadores, que eram aqueles que pagavam as contas. Andrade Vieira não quis relacionar o apoio do governo federal ao Banco do Estado de São Paulo (Banespa) com a decisão do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) de votar a favor das medidas do Plano Collor II, depois de um trabalho de convencimento feito pelos parlamentares mais ligados ao governador de São Paulo Orestes Quércia. Nessa fase inicial de exercício de seu mandato, foi ainda relator do projeto de modernização dos portos em tramitação no Congresso Nacional.

Andrade Vieira foi um dos primeiros parlamentares a pedir a renúncia do presidente Collor, em discurso no Senado em 4 de setembro de 1991.

Na sessão da Câmara dos Deputados de 29 de setembro de 1992, foi aprovada a abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias. Afastado da presidência após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, horas antes da conclusão do processo pelo Senado, sendo efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde 2 de outubro. Na votação realizada no Senado naquele dia, Andrade Vieira, a exemplo da quase totalidade dos senadores, pronunciou-se a favor do impeachment.

No final de setembro de 1992, Andrade Vieira licenciou-se do mandato de senador para assumir o cargo de ministro da Indústria, Comércio e Turismo do novo governo. No dia seguinte à sua posse no novo cargo, foi repreendido pelo presidente Itamar Franco por atacar publicamente, numa palestra na Confederação Nacional da Indústria (CNI), a proposta então em discussão no Ministério da Fazenda de criação do Imposto sobre Transações Financeiras (ITF), e por defender as empresas que recorreram na Justiça contra o pagamento do Finsocial. No decurso de seu período de administração estimulou, ainda, a difusão de câmaras setoriais e foi membro da Comissão de Reforma Fiscal, também integrada pelos ministros Válter Barelli, do Trabalho, Paulo Haddad, do Planejamento, e Gustavo Krause, da Fazenda.

No início de abril de 1993, ainda durante sua gestão no ministério, o Bamerindus foi um dos participantes do consórcio que comprou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), elegendo Maurício Schulman, então presidente do Grupo, presidente do conselho administrativo da nova empresa recém-privatizada. Em setembro do mesmo ano, Andrade Vieira ocupou interinamente o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, posto que acumulou, por um curto período, com a pasta da Indústria e Comércio, na qual permaneceu até dezembro de 1993, quando reassumiu seu mandato de senador.

Simultaneamente à sua carreira política, o Banco Bamerindus passou por um processo de acentuada expansão adotando uma política agressiva de captação de clientes, que ocasionou um rápido crescimento da instituição. No início dos anos 1990 o Grupo Bamerindus tornou-se o sexto maior conglomerado empresarial privado do país, sendo integrado por aproximadamente 1.300 agências bancárias e por diversas empresas atuantes em vários ramos e setores empresariais, tais como a Araucária Táxi Aéreo, a Associação Cultural Avelino Antônio Vieira, a Aurora Segurança, Vigilância e Transporte de Valores Ltda., a Bamerindus Barry Consultoria, a Bamerindus Capitalização S.A., a Bamerindus Companhia de Seguros (Bamerinseg), a Bamerindus Midland Arrendamento Mercantil S.A., a Bamerindus S.A. Participações e Serviços, a Bamerindus S.A. Corretora de Câmbio e Valores Imobiliários, a Bamerindus S.A. Empreendimentos Florestais, a Caume Agropastoril S.A., a Indústria de Papel e Celulose Arapoti (Inpacel), a Mercantil Corretora de Seguros (Mercosa), a Nordeste Florestal e Agrícola, e a Umuarama Comunicações e Marketing, dentre outros empreendimentos agrícolas, industriais e financeiros.

Em julho de 1993, o Banco Bamerindus apareceu no cadastro de devedores da União. O jornal Folha de S. Paulo obteve um documento, da Procuradoria da Fazenda Nacional em Brasília, que revelava a existência de sete processos de cobrança de imposto e multas contra o banco. O valor total registrado no cadastro da dívida era de 7,5 bilhões de cruzeiros. Através do assessor de imprensa de sua sede em Curitiba, o Bamerindus informou que já tinha honrado cinco dos sete processos. O pagamento, porém, não constava nos registros da Procuradoria. Em dois outros processos, o banco foi acusado de ter feito apropriação indevida de imposto de renda na fonte, recolhido mas não repassado à Receita Federal. Havia também processos contra o Bamerindus em Sergipe, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Em março de 1994 Andrade Vieira foi eleito presidente nacional do PTB, articulando a participação do partido na coalizão com o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e com o Partido da Frente Liberal (PFL), que elegeu Fernando Henrique Cardoso para a presidência da República ainda no primeiro turno das eleições realizado em 3 de outubro do mesmo ano. Na ocasião, Andrade Vieira desempenhou papel ativo na arrecadação de contribuições financeiras de vários empresários para o presidente eleito. Em decorrência de sua participação na campanha eleitoral, foi nomeado ministro da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, assumindo o posto desde o início do novo governo em 1º de janeiro de 1995. Para tal, teve de afastar-se uma vez mais do Senado.

Logo após tomar posse no ministério, o Banco Bamerindus assumiu o controle da rede de televisão CNT, de propriedade dos empresários paranaenses Flávio e José Carlos Martinez, tornando-se ainda sócio do jornal Indústria e Comércio, de Curitiba. No ano anterior, o banco de Andrade Vieira já havia efetuado investimentos no ramo de comunicações, tendo adquirido ações do jornal Folha de Londrina, o maior do Paraná, da TV Londrina e das rádios FM Folha de Londrina e Cruzeiro do Sul.

Durante sua gestão no ministério, Andrade Vieira enfrentou protestos de várias categorias de agricultores que reivindicavam o restabelecimento da política de preços mínimos pelo governo e o refinanciamento da dívida dos proprietários rurais com os bancos oficiais, protestos esses que culminaram na organização de manifestações com centenas de caminhões (os chamados “caminhonaços”), seguidas de uma grande carreata em Brasília, na capital federal, em julho de 1995, fato que gerou boatos de queda do ministro, desgastando-o politicamente. Ainda durante sua gestão, teve grande crescimento o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), de luta pela reforma agrária. Os crescentes conflitos no campo brasileiro no período intensificaram-se com a morte de dezenas de trabalhadores rurais sem terra em Corumbiara (RO), em 9 agosto de 1995, fato que provocou novo desgaste político de Andrade Vieira e a substituição na chefia do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) de Brasílio de Araújo Neto, ligado politicamente ao ministro, por Francisco Graziano, mais próximo ao presidente da República.

Em dezembro de 1995, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) acusou Andrade Vieira e o senador Gilberto Miranda (PMDB-AM) de terem recebido incentivos fiscais irregulares para instalar empresas na Amazônia. Segundo a auditoria, os dois contrariaram a lei que impedia parlamentares de serem sócios ou diretores de empresas que tivessem benefícios fiscais. O relatório do TCU foi divulgado pelos deputados Domingos Dutra (MA), Ana Júlia (PA) e José Fritsch (SC), todos do Partido dos Trabalhadores (PT). Eles anunciaram que iriam pedir a abertura de um inquérito na Procuradoria Geral da República para investigar irregularidades na aplicação dos recursos do Fundo de Investimento da Amazônia. Também iriam encaminhar o relatório do TCU para o Congresso, pedindo a punição de Miranda e Vieira. A lei previa até mesmo a cassação do mandato dos dois por irregularidade administrativa. Vieira e Miranda declararam que estavam aguardando a decisão da Justiça Federal, porém reafirmaram que os benefícios fiscais recebidos eram legais. A Justiça considerou que as empresas do senador receberam apenas os incentivos ficais concedidos pela Constituição a qualquer firma que tivesse se estabelecido na Amazônia. Além disso, todas as empresas foram estabelecidas antes de 1990, isto é, antes que eles tivessem assumido o mandato senatorial.

Em 17 de abril de 1996, em Eldorado dos Carajás (PA), trabalhadores rurais ligados ao MST foram metralhados pela Polícia Militar paraense durante manifestações pela reforma agrária na rodovia PA-150, próxima à Fazenda Macaxeira, no sul do estado, provocando a morte de 19 manifestantes segundo os números oficiais então divulgados. Na ocasião, Andrade Vieira eximiu-se da responsabilidade pelos confrontos existentes no campo brasileiro e deu declarações à imprensa culpando as lideranças dos trabalhadores sem-terra pelos conflitos rurais. A repercussão internacional do incidente e a pressão de vários segmentos da sociedade civil acarretaram a saída do ministro no dia 30 de abril, sendo substituído na pasta pelo senador mineiro Arlindo Porto, também do PTB. Antes mesmo dessa substituição, foi criado um novo ministério para cuidar especificamente dos assuntos referentes à reforma agrária — o Ministério Extraordinário da Reforma Agrária —, entregue ao pernambucano Raul Jungman.

Após seu afastamento do Ministério da Agricultura, Andrade Vieira voltou ao exercício de seu mandato de senador no PTB paranaense e retomou suas atividades no Bamerindus.

Durante o ano de 1996 intensificaram-se no mercado os boatos sobre as dificuldades financeiras do Bamerindus, que provocaram uma acentuada fuga de depósitos do banco, de aproximadamente três bilhões de dólares. A crise do Banco Bamerindus ocorria num contexto de reestruturação do mercado financeiro nacional e da estabilização monetária que se seguiu à implantação do Plano Real, em julho de 1994, que provocara uma diminuição das receitas inflacionárias (float) das grandes instituições financeiras varejistas, e a intervenção do Banco Central nos bancos Econômico e Nacional durante o ano de 1995. Segundo analistas do mercado financeiro, uma das principais causas da crise no Bamerindus foram os prejuízos causados pela fábrica Inpacel (Indústria de Papel e Celulose) localizada em Arapoti (PR), responsável pela drenagem de recursos de outras empresas do Grupo a fim de pagar suas crescentes dívidas. Nesse período, Andrade Vieira participou de inúmeras negociações com o Banco Central visando ao saneamento financeiro do Bamerindus. Em julho de 1996, o Bamerindus negociou com o Banco Central um acordo visando à implementação de um programa de reestruturação da instituição em três etapas, que não chegou entretanto a ser cumprido integralmente.

Em 26 de março de 1997, o Banco Central decretou a intervenção no Bamerindus e em outras empresas do Grupo (a Bamerindus S.A. Participações e Empreendimentos, a Bastec Tecnologia e Serviços Ltda., e a Fundação Bamerindus de Assistência Social), e a venda da maior parcela de seus ativos e passivos para o banco inglês Hong Kong and Shangai Banking Corporation (HSBC), dando origem ao HSBC-Bamerindus. Segundo o Banco Central, a intervenção foi motivada pelas crescentes dificuldades que o Bamerindus vinha enfrentando há algum tempo, provocadas por uma concentração dos investimentos e empréstimos em ativos de longo prazo de maturação, excesso de mobilizações e receitas incompatíveis com os custos correntes, dificuldades agravadas pela perda de sua credibilidade no mercado e da capacidade do Banco de captar dinheiro junto ao público. Com a intervenção, todos os diretores do Bamerindus, inclusive Andrade Vieira, ficaram com seus bens indisponíveis enquanto o banco passava por um processo de auditoria em suas contas.

Um ano depois da intervenção, em março de 1998, o Banco Central decretou o fim do processo e a liquidação extrajudicial do Bamerindus e das demais empresas sob intervenção, transferindo o restante de seu patrimônio para o HSBC-Bamerindus. Nesse período, Andrade Vieira continuou exercendo seu mandato de senador e participando das articulações políticas visando às eleições gerais a serem realizadas em outubro de 1998, lançando-se pré-candidato ao governo do Paraná na legenda do PTB. Contudo, acabou não disputando nenhum cargo eletivo neste pleito. Exerceu o mandato até janeiro de 1999, quando deixou o Senado, ao final da legislatura.

 Após o término de seu mandato afastou-se das atividades políticas não mais se candidatando a cargos públicos. Radicou-se no Paraná onde passou a administrar o jornal Folha de Londrina e as propriedades agrícolas da família no interior do estado.

Em outubro de 2005 Andrade Vieira prestou depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, em uma subcomissão criada para investigar liquidações de instituições financeiras ocorridas a partir de 1996, dentre as quais incluía-se a liquidação extrajudicial do Bamerindus ocorrida em março de 1998. Na ocasião, Andrade Vieira acusou o Banco Central de favorecer instituições financeiras internacionais e facilitar a liquidação de bancos nacionais, afirmando ainda ter entrado com 14 ações judiciais contra a instituição, num total de R$ 15 bilhões reivindicados a título de indenização. No mês seguinte, a convite do governador Roberto Requião, José Eduardo Vieira fez palestra na Escola de Governo Paranaense transmitida pela TV Educativa do estado, onde narrou situações de bastidores da política brasileira. Em seu pronunciamento, reiterou suas críticas à diretoria do Banco Central acusando seus diretores de “traição” no processo de venda do Bamerindus e de ter deliberadamente levado seu banco à liquidação para beneficiar o HSBC, grupo financeiro inglês que comprou o Bamerindus.

Em janeiro de 2007 um grupo de aproximadamente 200 trabalhadores sem-terra ligados ao Movimento dos Agricultores Sem Terra (Mast) invadiu a fazenda Ribeirão Bonito, em Jundiaí do Sul, no norte pioneiro do Paraná, de sua propriedade, sendo a reintegração de posse ordenada logo em seguida após ação impetrada pelos advogados de Andrade Vieira. Em dezembro de 2008 o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou Andrade Vieira a pagar R$ 400.000,00 por danos morais ao advogado Marcos Malan, irmão do ex-ministro da Fazenda de Fernando Henrique Cardoso, Pedro Malan, pelo fato de Vieira ter afirmado em entrevista à revista Isto é em 1999 que Marcos Malan lhe oferecera serviços de lobbie para que o banco Bamerindus não fosse liquidado.

Recebeu inúmeras condecorações e prêmios de reconhecimento por sua liderança empresarial em diversas associações de classe. Ganhou, dentre outros, os prêmios de líder empresarial regional (1989) e líder empresarial nacional (1989-1992) pelo Balanço Anual do jornal Gazeta Mercantil, o II Prêmio Personalidade-Líderes de Finanças do jornal Indústria e Comércio de Curitiba-PR (1989), tendo sido ainda fundador e primeiro presidente da Associação dos Países Produtores de Café (APPC) em 1993. No início dos anos 1990, patrocinou e produziu o programa de TV Gente que faz, onde narrou a história de mais de 60 grandes empresários brasileiros, e empreendeu a restauração do palácio Avenida, edifício-sede do Bamerindus que tornou-se atração turística em Curitiba.

Casou-se em segundas núpcias com Tânia Regina Sousa Vieira de quem se divorciou posteriormente e teve ao todo seis filhos de seus dois casamentos.

Além de artigos e relatórios em periódicos e revistas especializadas, publicou O pacto da seriedade: discursos e artigos no Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, de outubro de 1992 a outubro de 1993 (1995).

Sérgio Soares Braga/Mirian de Aragão

FONTES: ANDRADA, F. Um comandante; BARROS, J. & ALMEIDA JR., M. Análise; BRANDÃO, I. Olhos de banco; Carta capital (16/4/97); CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (20/8, 16 e 18/10/92, 6/4 e 2/9/93); FLEISCHER, D. Las consequencias; Folha de S. Paulo (18/7/93; 20 e 30/9/95); Gazeta Mercantil (2/10/95, 3, 20 e 27/3, 9, 10 e 11/4, 19, 20, 21 e 25/8/97, 27/3/98); Globo (5/3/91; 10 e 19/5, 28 e 29/9 e 3/10/95, 19 e 20/4, 16, 17 e 20/7/96, 28/3/97, 21/3/98); IstoÉ (1/5/96); Jornal do Brasil (14 e 17/7, 9 e 13/8 e 15/12/95, 19, 20 e 28/4, 16, 17, 20 e 21/7/96, 11/4/98); MINELLA, A. Banqueiros; NOGUEIRA, M. Avelino Vieira; SENADO. Senadores (1995-1999); Veja (12/8/87, 18/5 e 5/10/88, 5/7/89, 21/10/92, 7/4/93, 23/3 e 21/12/94, 1/2, 8/3, 12/4, 10/5, 19/7, 4/10 e 20/12/95, 24/4 e 10/7/96, 2 e 30/4 e 27/8/97); http://www.parana-online.com.br/ (último acesso em: 12/10/2009); http://www.folha.uol.com.br/ (último acesso em: 12/10/2009); http://www.bonde.com.br/folhadelondrina/ (último acesso em: 14/10/2009); http://veja.abril.com.br/ (último acesso em: 14/10/2009); http://www.terra.com.br/istoe/  (último acesso em: 14/10/2009); PEREIRA, Thulio C. G. Bancos e banqueiros, sociedade e política: o Bamerindus e José Eduardo de Andrade Vieira (1981 a 1994). Tese (Doutorado). Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política, 2006.

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