VINICIUS JOSE NOGUEIRA CALDEIRA BRANT

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Nome: BRANT, Vinicius Caldeira
Nome Completo: VINICIUS JOSE NOGUEIRA CALDEIRA BRANT

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BRANT, VINÍCIUS CALDEIRA

BRANT, Vinícius Caldeira

*pres. UNE 1962-1963.

 

Vinícius José Nogueira Caldeira Brant nasceu em Belo Horizonte no dia 23 de março de 1941, filho de Leônidas Vinícius Caldeira Brant e de Neusa Nogueira Caldeira Brant, descendente de uma tradicional família mineira. Seu tio-avô Augusto Mário Caldeira Brant foi deputado federal por Minas Gerais de 1921 a 1922, participou das revoluções de 1930 e 1932, foi presidente do Banco do Brasil entre 1930 e 1931 e novamente foi deputado federal na Constituinte de 1946 e de 1946 a 1951.

Cursou o primário no Colégio São Paulo e o secundário no Colégio Estadual de Minas Gerais, ambos em sua cidade natal, e ingressou em seguida na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Minas Gerais. Neste período, participou ativamente de movimentos sociais e políticos, tendo sido assessor de sindicatos operários e de associações de bairro, além de participar da formação das Ligas Camponesas. Também colaborou em diversos órgãos da imprensa local, com artigos, traduções e reportagens. Foi presidente da Liga da Juventude Trabalhista, ligada ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), e posteriormente ajudou a formar o Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), ligado às Ligas Camponesas.

No movimento estudantil atuou na Juventude Estudantil Católica (JEC) e na Juventude Universitária Católica (JUC). Em julho de 1962 foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) por ocasião do seu XXV Congresso, sucedendo a Aldo Arantes (1961-1962). Iniciou sua gestão no mês seguinte e procurou dar continuidade à greve iniciada em junho, com o objetivo de obter a participação plural dos estudantes, com direito a voto, nos órgãos colegiados de decisão das universidades, na base de 1/3. A chamada “greve de 1/3” já se estendia por dois meses, em pleno clima de radicalização das tensões políticas que marcaram o governo do presidente João Goulart (1961-1964). Ainda em agosto de 1962, diante do agravamento da crise política nacional, a diretoria da UNE convocou um conselho extraordinário que deliberou pela suspensão da greve. Apesar das tensões e do desgaste que provocou, a greve chegou a obter vitórias parciais, ficando consagrado o direito de representação plural nos órgãos colegiados em todas as universidades e faculdades do país e tendo a proporção de 1/3 em algumas delas.

Sua gestão à frente da UNE, ao lado de dar continuidade à campanha pela reforma universitária, associou-se ao movimento mais geral pelas então chamadas “reformas de base”, integrando-se numa corrente mais ampla que veio a congregar sindicatos, parlamentares nacionalistas, militares progressistas e outros segmentos de esquerda, constituindo, em 1963, a Frente de Mobilização Popular. Ainda esse ano, participou da reunião, realizada em Salvador, de fundação da Ação Popular (AP), organização política de natureza não-confessional embora com predominância de militantes católicos, cuja orientação definiu-se desde logo como revolucionária de esquerda. Em julho de 1963, durante o XXVI Congresso da UNE, passou a presidência para José Serra (1963-1964).

Completando suas graduações em sociologia, política e administração pública, em fevereiro de 1964 viajou para a Europa, fixando-se em Paris, onde fez cursos de pós-graduação na École Pratique des Hautes Études, ao mesmo tempo que colaborou em pesquisas no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Com o movimento político-militar de março deste ano, que depôs o presidente João Goulart, passou a atuar, paralelamente às atividades acadêmicas, em articulações de apoio internacional às atividades da resistência democrática brasileira. Participou, em 1965, como observador convidado do Seminário Afro-Asiático em Argel, no ano seguinte, como delegado da Conferência Tricontinental e em 1967 da Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), estas duas últimas realizadas em Havana, Cuba.

Em setembro de 1967 retornou ao Brasil, passando a atuar nos movimentos de resistência ao regime militar. Inicialmente integrou-se à AP, da qual se desligou alguns meses depois em virtude de divergências de orientação política, vindo a participar, em 1968, da criação do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT). De setembro de 1970 a outubro de 1973, permaneceu preso no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Convidado pelo sociólogo e então presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Fernando Henrique Cardoso, em janeiro de 1974 começou a trabalhar como pesquisador associado desta instituição, na qual viria a ocupar o cargo de coordenador de pesquisas e programas e, em 1983, o de membro do Conselho de Orientação Científica. Em 1976 foi um dos sócios-fundadores do Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (Cedec), em São Paulo.

Em 1979 foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), em cuja legenda concorreu a uma cadeira na Câmara de Vereadores de São Paulo no pleito de novembro de 1982, obtendo apenas uma suplência. No ano seguinte, foi eleito presidente da Associação Profissional dos Sociólogos do Estado de São Paulo, que posteriormente se transformaria no Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, o qual também presidiria entre 1986 e 1989. Ainda em 1983, participou da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Em 1992, foi aprovado em concurso para professor titular do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mudando-se para Belo Horizonte. Ali, além de ministrar aulas nos cursos de graduação e de pós-graduação, orientar teses e participar de pesquisas, criou o Grupo de Pesquisa em Sociologia do Trabalho e dedicou-se à montagem de um banco de dados sobre o trabalho no Brasil.

Faleceu em São Paulo no dia 25 de maio de 1999, dias após uma intervenção cirúrgica no Hospital das Clínicas, decorrente da descoberta de um câncer no estômago.

Foi casado e teve uma filha.

Publicou muitos artigos e vários livros sobre temas ligados à sociologia do trabalho, editados em português, espanhol, francês e inglês, entre eles a trilogia coordenada a pedido da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo, São Paulo 1975: crescimento e pobreza, São Paulo: o povo em movimento, e São Paulo: trabalhar e viver, Paulínia: petróleo e política (1990) e a tese O trabalho encarcerado (1994).

 

FONTES: BRANT, V. Tributo; Globo (26/5/99); INF. BIOG.; POERNER, A. Poder; Veja (30/5/79).

 

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