WILLIAM CLETO FALCAO DE ALENCAR

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Nome: FALCÃO, Cleto
Nome Completo: WILLIAM CLETO FALCAO DE ALENCAR

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FALCÃO, CLETO

FALCÃO, Cleto

*dep. fed. AL 1991-1995.

 

William Cleto Falcão de Alencar nasceu em Recife em 7 de novembro de 1952, filho de Valdemir Nunes de Alencar Barros e Expedita Muniz Falcão de Alencar. Seus tios maternos, Sebastião Marinho Muniz Falcão, Djalma Falcão e Alcides Falcão, também seguiram a carreira política. O primeiro foi deputado federal por Alagoas (1951-1956 e 1963-1966) e governador do estado (1956-1961); o segundo, deputado federal (1967-1971 e 1983-1985), prefeito de Maceió (1988-1988) e senador (1998); e o terceiro, deputado estadual e senador por Alagoas (1998).

Em 1974, ingressou no curso de direito da Universidade Federal de Alagoas, vindo a bacharelar-se em 1979. Nesse período, em 1976, tornou-se presidente do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) Jovem de Alagoas, partido de oposição ao regime militar instalado em abril de 1964. Dois anos depois, passou a ocupar a secretaria-geral do partido no estado. Em 1979, tornou-se assessor político do senador Teotônio Vilela, função que exerceria até 1982.

Com o fim do bipartidarismo em novembro de 1979 e a consequente reformulação partidária, assumiu o cargo de vice-presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) de Alagoas. Candidato derrotado à Assembleia Legislativa em novembro de 1982, conseguiu eleger-se quatro anos depois. Empossado em fevereiro de 1987, tornou-se líder do governo Collor, presidente da Comissão de Constituição e Justiça e membro da Comissão de Redação Final.

 Em 1987, integrou uma comitiva do governo de Alagoas em viagem oficial à China. Foi nessa ocasião que teria idealizado, com o deputado federal Renan Calheiros e o jornalista Cláudio Humberto Rosa e Silva, o lançamento da candidatura de Collor à presidência. Acertada a candidatura do governador de Alagoas, foi escolhido para coordenar a campanha, vitoriosa em dezembro de 1989, quando Collor derrotou Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), no segundo turno. Foi também membro da comissão nomeada pelo presidente eleito para fazer a transição do governo José Sarney.

Em outubro de 1990, elegeu-se deputado federal pelo Partido da Reconstrução Nacional (PRN). Empossado em fevereiro de 1991, foi titular da Comissão de Constituição e Justiça e de Redação, suplente da Comissão de Finanças e Tributação e vice-líder do bloco que agregava o Partido da Frente Liberal (PFL), o PRN, o Partido Social Cristão (PSC), o Partido da Mobilização Nacional (PMN) e o Partido Social-Trabalhista (PST), base do governo Collor na Câmara. Votou a favor do redutor de salários e da criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), e contra o aumento do imposto de renda para pessoa física e o Fundo Social de Emergência (FSE).

Em julho de 1991, tornou-se líder do PRN, em substituição ao deputado paulista Arnaldo Faria de Sá. Ainda nesse mesmo mês, defendeu um tratamento privilegiado para os governadores e parlamentares que apoiassem o presidente. Admitiu também ter algumas divergências com o empresário Paulo César Farias, tesoureiro da campanha de Collor, e defendeu o direito de reeleição do presidente. No entanto, quanto a esse ponto, garantiu que Collor não iria utilizá-lo, esperando pelas eleições de 1998.

Em agosto de 1991 fez a primeira reunião oficial com deputados da bancada cujo principal tema era a consolidação do PRN como partido do presidente. O plano para atingir esse objetivo era congregar um colégio de vice-líderes que ficaria em vigília permanente no plenário, em sistema de rodízio, preparando discursos, assessorados pela empresa Multi, do jornalista Ronaldo Junqueira, destinados a defender o governo de quaisquer ataques que viesse a sofrer no Congresso. Cleto reivindicava também uma total reformulação das assessorias parlamentares dos ministérios e outros órgãos da administração federal, sob a coordenação do porta-voz da Presidência, Cláudio Humberto. Nessa reunião, ouviu muitas reclamações quanto à falta de atenção dos ministros e outros representantes do Executivo para com o partido e tentou conter a saída de alguns deputados para o PFL.

Ainda em setembro, Cleto evitou fazer comentários acerca da afirmação do presidente do Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB), Tasso Jereissati, de que uma solução para a crise entre os partidos de oposição e Collor não teria a menor chance de se concretizar se a denominada “República das Alagoas”, como era chamado o grupo que vivia em torno de Collor, permanecesse no governo. Preferiu apenas discordar do líder do PSDB quanto à sua opinião sobre a antecipação do plebiscito para a escolha do sistema de governo. Para Cleto, o plebiscito só impulsionaria um movimento que já existia para a prorrogação dos mandatos de prefeitos e governadores e, por isso, achava que o calendário das eleições deveria ser mantido.

No fim de 1991, foi destituído da liderança do PRN, depois de uma entrevista à revista Veja em que sustentava ter um padrão de vida incompatível com o seu salário graças à ajuda de empresários amigos, o que causou graves problemas ao palácio do Planalto. Ademais, deixou de frequentar a Casa da Dinda, nome pelo qual ficou conhecida a residência de Collor em Brasília.

Em 29 de setembro de 1992, na sessão da Câmara que decidiu pela abertura do processo de impeachment do presidente, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado por Paulo César Farias, Cleto votou a favor da medida. Na véspera da sessão, divulgou carta que enviara ao deputado José Carlos Vasconcelos, líder do PRN, comunicando seu desligamento do partido e a adesão à tese do impeachment. Informou também que era intenção de Collor aprovar uma emenda constitucional que permitisse sua reeleição após o primeiro mandato e mais um retorno cinco anos depois. Em outubro, filiou-se ao Partido Social-Democrático (PSD). Em dezembro, acusou Collor de ter tentado suborná-lo na votação de 29 de setembro, objetivando, com essa revelação, rebater uma entrevista dada pelo ex-presidente à imprensa, na qual criticava Cleto e outros ex-aliados que votaram a favor da medida que o destituíra do governo.

Candidatou-se à reeleição, mas alcançou apenas uma suplência. Deixou a Câmara em janeiro do ano seguinte, no fim da legislatura. Voltou a disputar novo mandato em outubro de 1998. Mais uma vez não foi bem-sucedido. Dedicou-se à corretagem de imóveis e em 2004 publicou o livro Dez Anos de Silêncio.

Casou-se com Ana Cristina Maia B. Falcão de Alencar, com quem teve uma filha.

Publicou Política é isso mesmo (1979), Carta aberta ao Todo-Poderoso (1981) e Missão secreta em Igaci (1984).

 

Alexandra Toste/Vicente Saul

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1991-1995); Estado de S. Paulo (18/7 e 1, 24/9/91 e 9/4/94); Folha de S. Paulo (21/7/91 e 28/9/92); Globo (3 e 9/9/91, 1/8, 25 e 28/9, 25/10 e 21/12/92; 11 e 12/3/93 e 11/4/94); Jornal do Brasil (10 e 16/8/91, 28/9/92, 14 e 16/11/96); Veja (17/11/93).

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