WILSON BRANDI ROMAO

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Nome: ROMÃO, Wilson
Nome Completo: WILSON BRANDI ROMAO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
ROMÃO, WILSON

ROMÃO, Wilson

*militar; dir.-ger. DPF 1993-1995.

 

Wilson Brandi Romão nasceu em Andrelândia (MG) no dia 13 de setembro de 1930, filho de José Pereira Romão e Hilda Brandi Romão.

Oficial do Exército, completou o curso de formação de oficiais da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) em Resende (RJ).

Foi comandante do Batalhão de Jataí (GO) e de uma guarnição do Exército na fronteira do Brasil com o Paraguai. Tornou-se especialista em planejamento estratégico e desenvolvimento, atingindo o posto de coronel.

Ingressando na área de inteligência do Exército, exerceu a função de censor durante os primeiros anos do regime militar implantado no país após a deposição do presidente João Goulart, em 31 de março de 1964.

Em 23 de janeiro de 1980, assumiu o comando do Colégio Militar de Manaus, cargo que ocupou até 4 de fevereiro de 1982.

Chefiou a agência do Serviço Nacional de Informações (SNI) no estado de Goiás, de onde foi exonerado por Fernando Collor de Melo, empossado na presidência da República em março de 1990.

Amigo de infância do então vice-presidente Itamar Franco, fez parte de sua assessoria. Com o impeachment de Collor, acusado de envolvimento em esquema de corrupção gerenciado por Paulo César Farias, o P. C., Itamar assumiu interinamente a presidência da República no início de outubro de 1992. Designou, então, Romão para estruturar uma nova agência de inteligência para substituir o extinto SNI.

Em janeiro de 1993, diante da evidência de má administração da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o presidente Itamar, efetivado na presidência em 29 de dezembro, nomeou-o para sanear o órgão. Nos cinco meses em que dirigiu a Conab, adquiriu a fama de moralizador. Descredenciou 7.200 armazéns acusados de desvio de estoques públicos, entrou com ações judiciais para cobrar de armazéns privados indenizações financeiras e realizou blitze de investigação. Além disso, criou o Inventário Nacional de Estoques, incluindo auditorias permanentes e o programa “Quebra Zero”, destinado a reduzir os desperdícios. Dizia que sua missão era tirar a Conab da editoria policial dos jornais, passando-a para as páginas de economia.

No mês de julho, o país foi abalado pela fuga de P. C. Farias após a decretação de sua prisão preventiva. Acusado de omissão, o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Amauri Galdino, foi exonerado.

Assumiu, interinamente, o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária por duas vezes durante o governo Itamar Franco, que teve onze ministros da Agricultura, incluindo os interinos. Romão permaneceu no período de 25/5/1993 a 5/6/1993 e, dias depois, novamente assumiu o ministério, mas dessa vez por apenas um dia (16-17/6/1993).

No Departamento de Polícia Federal (DPF)

No dia 8 de julho de 1993, o ministro da Justiça, Maurício Correia, nomeou Wilson Brandi Romão diretor-geral do DPF, por indicação do presidente da República.

 Uma greve foi anunciada para o dia 15 desse mês. Dezenove dos 24 superintendentes regionais e 260 delegados entregaram seus cargos. O mesmo fizeram os diretores da administração central, entre eles o delegado de maior prestígio na corporação, Paulo Lacerda, diretor de Disciplina e encarregado do inquérito sobre P. C. Farias. Lacerda lamentou a nomeação, que contrariava a conquista da categoria de ser dirigida por delegado de carreira.

O presidente nacional da Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Vicente Chelotti, declarou: “Nós não permitiremos que qualquer pessoa estranha venha nos dirigir”. O delegado e deputado federal Moroni Torgan (PSDB-CE) qualificou a nomeação de intervenção. Os ministros militares foram indiferentes. O general Zenildo Lucena, do Exército, disse aos jornalistas: “Não o conheço porque é da reserva. Espero que prenda aquele bandido (P. C. Farias)”.

Ninguém da Polícia Federal esteve presente à posse de Romão que, na ocasião, anunciou a abertura de processos disciplinares internos e o imediato preenchimento dos cargos vagos, até mesmo por pessoas externas aos quadros do DPF.

O movimento contra a nomeação de Romão deu-se quando o país se preparava para receber 23 chefes de Estado ibero-americanos que, sob a proteção da Polícia Federal, deveriam se reunir em Salvador. Tropas especiais do Exército foram colocadas de prontidão para a eventual necessidade de substituir os agentes e delegados rebeldes. Além dessa insubordinação, Romão encontrou diversas sedes regionais ameaçadas de despejo dos imóveis que ocupavam e de corte de telefones, água, luz e combustíveis por falta de pagamento.

Ainda em julho, Romão obteve, junto ao então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, recursos para a liquidação das contas atrasadas e para custeio e manutenção das superintendências. Em agosto, já tinha o DPF sob controle, apesar de continuar sofrendo a oposição dos principais delegados do país.

Em setembro, a imprensa noticiou que Romeu Tuma, diretor-geral do DPF durante o governo Collor e vice-presidente da Interpol para as Américas, havia estado em Assunção, no Paraguai, investigando pistas sobre o paradeiro de P. C. Romão considerou o fato prejudicial à estratégia de prisão do foragido montada pela Polícia Federal. No episódio, reclamou o cargo de Tuma, na Interpol, para o DPF: “Ele foi eleito porque dirigia a Polícia Federal. Agora não dirige mais...”

No mês de novembro, conseguiu reunir em Vitória a cúpula da Polícia Federal para definir linhas de atuação no processo de revisão constitucional em curso no Congresso Nacional. Denunciou tentativas de esvaziamento do DPF, transferindo parte de suas atribuições ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.

Diante do impacto causado pelas denúncias de corrupção na elaboração do Orçamento da União, o que vinha sendo investigado pela CPI do Orçamento, declarou que desde 1991 a Polícia Federal solicitava ao Judiciário autorização para quebra do sigilo bancário de parlamentares suspeitos, não tendo sido atendida. Responsabilizou, ainda, o Judiciário pela impunidade no país, dando o exemplo de Fernando Collor de Melo: “Se o Supremo quisesse, o ex-presidente (...) já poderia estar preso”.

No fim de novembro, o delegado Edson Oliveira, pessoa da confiança de Romeu Tuma, a quem substituíra na chefia da Interpol, localizou e prendeu P. C. Farias na Tailândia. Edson era também superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Em janeiro de 1994, no entanto, Romão afastou-o das atividades de direção para que respondesse a inquérito administrativo interno por ter sido acusado de enriquecimento ilícito.

No mês de fevereiro, denunciou as empresas automobilísticas Mercedes Benz, Autolatina, Scania e Volvo de crime fiscal por meio da venda fictícia de produtos para áreas da Amazônia beneficiadas por isenção de impostos.

Durante sua gestão, procurou aliar-se à Interpol no combate às máfias internacionais que tinham conexões no Brasil. Em março foram presos integrantes da máfia japonesa (Yakusa) e da máfia napolitana (Camorra).

Em abril, a imagem da Polícia Federal sofreu mais um abalo. Edson Oliveira, que havia solicitado exoneração dos cargos dos quais fora afastado para concorrer a deputado federal pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), teve seu nome incluído na lista das pessoas que recebiam propinas do banqueiro de jogo do bicho Castor de Andrade. No episódio, Wilson Romão revelou que o delegado já estava sendo investigado por envolvimento com contraventores e com quadrilha de contrabandistas que agia no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Romão foi apoiado pelo líder dos delegados, Vicente Chelotti.

Em abril de 1994, foi deflagrada na Polícia Federal uma greve que iria durar mais de um mês. Os grevistas denunciavam o sucateamento do órgão e alertavam sobre o perigo de o crime organizado tomar de assalto o país. Romão solidarizou-se com o movimento e reivindicou 40 milhões de dólares para reestruturar a Polícia Federal. Sugeriu que esse valor poderia ser extraído do leilão dos bens apreendidos no combate ao contrabando, ao narcotráfico e à contravenção em geral.

Em junho, a imprensa noticiou que familiares de Romão haviam se utilizado, em ocasiões diferentes, de avião e de automóvel da Polícia Federal para viagens particulares entre Brasília e Goiânia. O ministro da Justiça, Alexandre Dupeyrat, que havia substituído Maurício Correia em abril, solicitou explicações. O diretor-geral do DPF determinou a abertura de dois inquéritos: um para investigar as denúncias e outro para identificar os responsáveis internos pelo vazamento das informações.

No mês de julho, o plano de estabilização econômica do governo, o Plano Real, entrou na etapa da adoção da nova moeda, o real. Na conversão dos preços ao real, foram verificados abusos, o que mereceu de Romão a determinação de que seus subordinados investigassem as remarcações e denunciassem as irregularidades à Superintendência Nacional de Abastecimento e Preços (Sunab) e às procuradorias de Defesa do Consumidor (Procons). “Qualquer cidadão pode ligar para uma superintendência da Polícia Federal denunciando aumentos abusivos”, afirmou. No entanto, o ministro Dupeyrat o desautorizou, considerando não ser função da Polícia Federal fiscalizar preços. E a ADPF enviou ao diretor mensagem criticando seu comando: “Para nós, é difícil deixar de associar a sua presença na chefia da Polícia Federal à de um aventureiro que não sabe a que veio, nem o que deve fazer”.

No fim de 1994, o governador em exercício do Rio de Janeiro, Nilo Batista, solicitou a participação do Exército e da Polícia Federal no combate ao narcotráfico e à violência em geral, na capital do estado, o que originou a denominada “Operação Rio”. Romão qualificou de idiotice a principal tática de ação, a de ocupar as favelas da cidade. A Polícia Federal participou da Operação Rio com duzentos agentes, para agir na área de inteligência.

Em janeiro de 1995, Fernando Henrique Cardoso assumiu a presidência da República, para a qual tinha sido eleito, em primeiro turno, em outubro do ano anterior. O novo ministro da Justiça, Nélson Jobim, indicou o delegado Vicente Chelotti para diretor-geral do DPF, encontrando resistência nos gabinetes Civil e Militar do novo governo. Romão intercedeu pela nomeação de Chelotti, transferindo-lhe o cargo em 15 de fevereiro.

Com a posse de Itamar Franco no governo de Minas Gerais, em janeiro de 1999, Wilson Romão foi nomeado vice-presidente da Imprensa Oficial do Estado.

Foi, ainda, secretário de Segurança Pública do Pará.

Casou-se com Teresinha Brandi Romão, com quem teve três filhas.

Sinclair Cechine

 

FONTES: Estado de S. Paulo (15/7, 10/8 e 9/9/93 e 2/11/94); Globo (10/7 e 20/11/93, 9/6, 9/7 e 2/12/94 e 11/3/98); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (10/7 e 10/9/93, 31/3, 8/5 e 4/6/94); Ministério da Defesa Colégio Militar de Manaus; Presidência da República Governo Itamar Franco.

 

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