WILSON DE QUEIROS CAMPOS

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Nome: CAMPOS, Wilson
Nome Completo: WILSON DE QUEIROS CAMPOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CAMPOS, Wilson

*sen. PE 1970-1975; const. 1987-1988; dep. fed. PE 1987-1999.

Wilson de Queirós Campos nasceu em Brejo da Madre de Deus (PE) no dia 24 de fevereiro de 1924, filho de Sebastião Florentino Campos e de Petrolina de Queirós Campos.

Formou-se perito-contador pela Escola Técnica de Comércio de Recife, prosseguindo os estudos até formar-se em economia pela Universidade Católica de Pernambuco em 1950. Ainda estudante universitário, iniciou sua atividade política filiando-se à União Democrática Nacional (UDN).

Comerciante, tornou-se proprietário de uma grande cadeia de lojas em Pernambuco. Presidiu a Federação do Comércio e o Serviço Social do Comércio (Sesc) do seu estado de 1961 a 1962, quando se tornou diretor da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Reeleito para o cargo em 1964, foi no mesmo ano eleito vice-presidente da Associação Comercial de Pernambuco. Reeleito em 1966 para ambos os cargos, acumulou-os com os de presidente da Fundação de Amparo ao Menor de Recife e representante do Grupo Empresarial do Comércio no Conselho de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco (Condep), todos no biênio 1966-1967. Reconduzido em 1968 às vice-presidências da CNC e da Associação Comercial de Pernambuco, nelas permaneceu até 1970.

 

Senador

No pleito de novembro de 1970, elegeu-se senador por Pernambuco, na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar instalado no país em abril de 1964, derrotando o candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), José Ermínio de Morais. Assumiu o mandato em fevereiro do ano seguinte e foi designado membro efetivo das comissões de Assuntos Regionais e de Economia, e suplente das comissões de Legislação Social e de Saúde do Senado. Ainda em 1971 foi eleito diretor-secretário da CNC, tornando-se secretário no ano seguinte. Foi designado delegado do Brasil à Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), realizada em 1972, em Genebra, na Suíça.

No início de 1975, a imprensa publicou denúncias feitas pelo industrial pernambucano Carlos Alberto Meneses contra Romero do Rego Barros, o diretor da carteira de operações especiais do Banco de Desenvolvimento de Pernambuco (Bandepe), e o senador Wilson Campos. Segundo o industrial, em junho de 1974, quando negociava com o Bandepe um empréstimo no valor de 20 milhões de cruzeiros para evitar a falência do Cotonifício Moreno, do qual era diretor, fora procurado por Wilson Campos, que lhe teria afirmado que a operação bancária poderia ser apressada caso ele se dispusesse a dar-lhe uma propina de 1% sobre o montante da operação e uma contribuição de duzentos mil cruzeiros para a campanha eleitoral de seu filho, Carlos Wilson Campos, candidato a deputado federal. Posteriormente, ainda segundo seu depoimento, Carlos Alberto Meneses marcou novo encontro com o senador, gravando toda a conversa.

Essa gravação, peça importante da acusação, foi divulgada no dia 4 de janeiro e, embora não constasse dela referências à contribuição para a campanha do filho, deixava patente a tentativa de suborno feita por Wilson Campos, além de colocar sob suspeita o Bandepe, que teria concedido um financiamento irregular ao Grupo Serur. Dias depois, Wilson Campos solicitou ao presidente da Arena, Petrônio Portela, e ao presidente do Congresso Nacional, senador Paulo Torres, a instituição de uma comissão especial do Senado para apurar o “caso Moreno”, como o incidente ficou conhecido. A comissão, presidida pelo senador Eurico Resende, reuniu-se em 21 de janeiro e trabalhou por quase um mês. A seu pedido, o perito Carlos de Melo Éboli analisou a gravação da fita e, eliminando 95% de ruídos estranhos, comprovou que ela não fora objeto de violação física, enxerto, montagem ou violação. Ficou assim anulado o principal argumento de defesa do senador, que, embora reconhecesse como sua uma das vozes da conversa gravada, afirmava ter havido fraude nos trechos incriminatórios.

Em 18 de fevereiro de 1975, a comissão especial do Senado entregou seu relatório preliminar e, em 10 de abril, o plenário aceitou o parecer da Comissão de Justiça do Senado recomendando não arquivamento do caso. Numa nova fase do processo, criou-se uma comissão especial de nove membros para apurar se tinha ou não havido quebra do decoro parlamentar por parte de Wilson Campos. Presidida pelo senador Itamar Franco, a comissão encerrou seus trabalhos em dois dias, absolvendo Wilson Campos por falta de provas concludentes, embora deixasse a decisão final para o plenário. Em 29 de junho o Senado rejeitou a cassação de Wilson Campos por 29 votos contra 21, e oito abstenções. Apesar das pressões para que renunciasse, o senador manteve-se no cargo reiterando sempre a sua inocência. Finalmente, no dia 1º de julho — menos de 48 horas após a sua absolvição pelo Senado — o presidente Ernesto Geisel (1974-1979), valendo-se das prerrogativas que lhe conferia o Ato Institucional nº 5 (AI-5), assinou a cassação do senador Wilson Campos.

Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979, e a consequente reformulação partidária, Wilson Campos filiou-se ao Partido Popular (PP) em janeiro de 1980, chegando a ocupar o cargo de vice-presidente da agremiação. Em agosto de 1981, afastou-se do PP e filiou-se em seguida ao Partido do Movimento Democrático Nacional (PMDB), influenciado pelo seu filho Carlos Wilson, que já fazia parte do partido. Nas eleições de novembro de 1982, concorreu a uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco e foi eleito. Assumiu o mandato em fevereiro do ano seguinte. Teve atuação destacada na oposição ao governo de Roberto Magalhães.

 

Deputado federal

Nas eleições de novembro de 1986, candidatou-se a deputado federal constituinte, na legenda do PMDB. Eleito com votos provenientes em sua maior parte do Grande Recife e da região do Agreste, deixou a Assembleia Legislativa em janeiro do ano seguinte e assumiu o novo mandato em fevereiro de 1987, quando foram instalados os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte (ANC). Foi titular da Subcomissão de Orçamento e Fiscalização Financeira, da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças, e suplente da Subcomissão da Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária, da Comissão da Ordem Econômica. Nas principais votações da Constituinte, foi favorável ao rompimento de relações diplomáticas com países mantenedores de políticas de discriminação racial, ao mandado de segurança coletivo, à remuneração 50% superior para o trabalho extra, ao aviso prévio proporcional, à unicidade sindical, à soberania popular, ao voto facultativo aos 16 anos, à nacionalização do subsolo, à estatização do sistema financeiro, ao limite de 12% ao ano para os juros reais, à proibição do comércio de sangue, à criação de um fundo de apoio à reforma agrária, à legalização do jogo do bicho e à desapropriação da terra produtiva. Foi contra a pena de morte, a limitação do direito de propriedade privada, o aborto, a jornada semanal de 40 horas, a pluralidade sindical, o presidencialismo, o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney, a anistia aos micro e pequenos empresários e a estabilidade no emprego. Após a promulgação da nova Carta Constitucional em 5 de outubro de 1988, tornou-se segundo vice-presidente da mesa diretora da Câmara em 1989 e 1991. Foi ainda presidente da Delegação Parlamentar na Organização das Nações Unidas (ONU) em 1989 e 1990.

 Nas eleições de outubro de 1990 reelegeu-se deputado federal, sempre na legenda do PMDB. Assumiu o novo mandato em fevereiro do ano seguinte, e iniciou os trabalhos parlamentares como membro titular da Comissão de Finanças e Tributação. Na sessão da Câmara dos Deputados de 29 de setembro de 1992, votou a favor da abertura do processo de impeachment do presidente da República, Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias. Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, Fernando Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal, sendo efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde 2 de outubro.

Em 1993 e 1994, foi primeiro-secretário da mesa diretora da Câmara. Ainda nessa legislatura, votou a favor do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), taxação de 0,25% sobre transações bancárias criada como fonte complementar de recursos para a área da saúde. Foi contra o fim do voto obrigatório e não esteve presente na votação sobre a criação do Fundo Social de Emergência (FSE), que permitiu ao governo realocar 20% das verbas destinadas às áreas de saúde e educação.

Em 1994 transferiu-se para o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e nas eleições de outubro candidatou-se novamente a deputado federal. Reelegeu-se com o apoio de suas bases eleitorais na região metropolitana de Recife, região sul da Zona da Mata e região norte do Agreste. Em fevereiro de 1995 assumiu novo mandato na Câmara dos Deputados e voltou a ocupar o cargo de primeiro-secretário da mesa (1995-1996). Nas votações das emendas constitucionais propostas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em seu primeiro ano de governo, manifestou-se a favor da quebra do monopólio estatal das telecomunicações, da quebra do monopólio da Petrobras na exploração de petróleo, do fim do monopólio dos governos estaduais na distribuição de gás canalizado, da abertura da navegação de cabotagem às embarcações estrangeiras e da mudança no conceito de empresa nacional que eliminaria seus privilégios, colocando-a em igualdade de condições com as empresas estrangeiras.

Em junho de 1995, apoiou um manifesto de cerca de quatrocentos parlamentares solicitando “melhores condições de trabalho”. Defendeu que se deveria aproveitar o clima de reformas para discutir uma forma de retirar da Constituição o artigo que previa o reajuste dos vencimentos dos parlamentares no fim de cada legislatura. Argumentou dizendo: “Fomos eleitos para resolver o problema do povo. Deputado e senador também são povo. Com o salário atual não dá.” O presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães, foi contra o reajuste de salários, mas apoiou a informatização dos gabinetes, parte da proposta de reestruturação total que incluía ainda, por exemplo, pagamento extra às sessões do Congresso, restabelecimento de uma verba de transporte, aumento da verba dos gabinetes de dez mil para 22 mil reais. Depois de quase um mês de mobilização e ameaça de greve, a mesa diretora da Câmara aprovou um projeto de resolução que aumentou em até 85% a gratificação dos salários de cerca de 50% do total dos servidores efetivos da Casa, beneficiando as categorias de analistas legislativos e técnicos legislativos que não ocupassem função comissionada ou cargo em comissão. A proposta foi apresentada, uma semana depois do anúncio do reajuste do salário mínimo em 12%, pelo deputado Wilson Campos, que argumentou ser necessária uma equiparação aos servidores do Senado e do Tribunal de Contas da União (TCU), já beneficiados com um reajuste no ano anterior. Luís Eduardo Magalhães foi contra o projeto, porque, embora admitisse a defasagem de alguns salários, o momento não seria oportuno, pois o funcionalismo público não havia recebido nenhum aumento salarial naquele ano.

Em janeiro/fevereiro de 1997, votou a favor da emenda constitucional que permitiu a reeleição para os cargos de presidente da Repúlica, governadores e prefeitos. Nesse ano ainda, tornou-se membro titular da Comissão de Economia, Indústria e Comércio, na qual permaneceria até o término de seu mandato. Durante as votações da reforma da Previdência e da administração pública, manteve-se alinhado às propostas encaminhadas ao Congresso pelo Executivo federal. Foi a favor do teto de 1.200 reais para as aposentadorias do setor público, da exigência de idade mínima e tempo de contribuição para aposentadoria no setor privado e da quebra da estabilidade dos servidores da União, estados e municípios.

Nas eleições de outubro de 1998, candidatou-se novamente a deputado federal, na legenda do PSDB, mas não foi eleito. Deixou a Câmara ao final da legislatura, em janeiro de 1999.

Faleceu em Recife, no dia 5 de junho de 2001, vítima de ataque cardíaco.

Casado com Maria Teresa de Queirós Campos, teve quatro filhos, entre eles Carlos Wilson Rocha de Queirós Campos, que foi deputado federal (1975-1987), governador de Pernambuco (1990-1991), senador (1995-2003) e presidente da Infraero (2003-2006), e André Campos, que também foi deputado estadual (1999-2003).

Juliana Sousa/Sérgio Montalvão atualização

 

FONTES: Almanaque Abril (1976); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1995-1999); CONF. NAC. COMÉRCIO. 20; DIAP. Quem.; Diário do Congresso Nacional; Folha de S. Paulo (19/1/87, 18/9/94, 31/1/95, 14/1 e 9 e 30/5/96, 29/9/98); Globo (24/8/81, 29/6/95, 9 e 27/5/96, 29/1/97 e 10/10/98); Jornal do Brasil (13/1, 15, 18 e 30/6/75, 16 e 17/7/77, 23 e 28/1/80, 29/6/95, 4/6/96); Perfil (1972); Portal Direito2 (5/6/01). Disponível em: <http://www.direito2.com.br/asen/2001/jun/5/senado-lamenta-morte-de-wilson-cam pos>. Acesso em: 13 nov. 2009; TRIB. REG. ELEIT. PE. Dados (1998); Veja (29/1 e 9/7/1975).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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