ALIANCA POPULAR CONTRA O ROUBO E O GOLPE

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Nome: ALIANÇA POPULAR CONTRA O ROUBO E O GOLPE
Nome Completo: ALIANCA POPULAR CONTRA O ROUBO E O GOLPE

Tipo: TEMATICO


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ALIANÇA POPULAR CONTRA O ROUBO E O GOLPE

ALIANÇA POPULAR CONTRA O ROUBO E O GOLPE

 

Coligação partidária formada no Rio de Janeiro (então Distrito Federal) em 13 de janeiro de 1954, com o objetivo de disputar as eleições para o Senado e para a Câmara Federal marcadas para 3 de outubro daquele ano. Segundo seus integrantes, a Aliança Popular pretendia apresentar à opinião pública do Rio uma lista de “candidatos honestos, incapazes de trair o mandato” e sua finalidade era “combater o roubo e preservar as instituições democráticas”.

Promotora de cerrada oposição ao governo do presidente Getúlio Vargas, a aliança era constituída por parlamentares da seção carioca da União Democrática Nacional (UDN), do Partido Libertador (PL), do Partido Republicano (PR), além de dois deputados dissidentes do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Nas eleições de outubro, a Aliança Popular conseguiu eleger seis dos seus 19 candidatos à Câmara Federal.

 

Atuação

Quando da sua fundação, a Aliança Popular era constituída por membros da UDN, do PL, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), dos deputados petebistas Anésio Frota Aguiar e Francisco Gurgel do Amaral Valente e do jornalista Carlos Lacerda, ex-vereador pelo Distrito Federal na legenda da UDN. Os representantes dos três partidos e os demais componentes da aliança designaram um comitê para prosseguir os entendimentos já iniciados com o Partido Democrata Cristão e com o Partido Republicano. O comitê era integrado por Maurício Joppert, Paulo Xavier de Araújo, Breno da Silveira e Frota Aguiar.

A primeira lista de candidatos da aliança era composta por Hamilton Nogueira (UDN) para o Senado e, para a Câmara Federal, por Odilon Braga, Adauto Lúcio Cardoso, Euclides Figueiredo, Mário Martins, Pascoal Carlos Magno, Aguinaldo Costa, Maurício Joppert, Heitor Beltrão, Jorge Jabour e Lauro Sodré Neto (todos da UDN), Breno da Silveira, Fernando Arruda e Paulo Roberto (PSB), Xavier de Araújo (PL), além de Carlos Lacerda, Frota Aguiar e Gurgel do Amaral.

No final de janeiro de 1954, o PSB deixou a Aliança Popular em conseqüência de uma nota emitida pela direção nacional do partido, opondo-se à formação da coligação. Em represália, Breno da Silveira renunciou à presidência da seção do Distrito Federal do PSB, afirmando que abandonaria o partido caso este fizesse alianças com Getúlio, Ademar de Barros ou João Goulart. Os socialistas acabaram concorrendo às eleições de outubro com uma lista própria de candidatos.

Em 29 de janeiro, a Tribuna da Imprensa, jornal de propriedade de Carlos Lacerda e principal órgão de divulgação das atividades da aliança, anunciava para breve o lançamento do manifesto da coligação e a realização de um grande comício. Segundo o jornal, Maurício Joppert continuava as negociações com o PDC a fim de integrá-lo à Aliança Popular, e o PR homologaria sua adesão no dia 4 de fevereiro.

Em maio, já integrado à Aliança Popular, o Partido Republicano apresentou a candidatura do almirante Juvenal Greenlagh a deputado federal. Ainda no mesmo mês, um grupo de deputados do PDC, contrário à orientação da cúpula do partido, formou a Resistência Democrata e ingressou na aliança, indicando Hildebrando Leal como candidato à Câmara Federal.

O programa da Aliança Popular contra o Roubo e o Golpe foi anunciado oficialmente nos primeiros dias de julho. Seus três pontos básicos eram o planejamento democrático, em oposição ao “dirigismo” estatal, a defesa da livre iniciativa e a ênfase no municipalismo. Para viabilizar esse último ponto, seria preciso dar maior força econômica e administrativa ao município, retirando-o da tutela dos estados e da União. Outros itens de destaque do programa eram a moralidade administrativa, a restauração da legalidade, o fortalecimento do poder aquisitivo do cruzeiro, a segurança social e a educação para a vida democrática.

No plano econômico, o programa preconizava melhores condições para a produção agrícola, incentivos à produção de energia e ao setor de transporte. O objetivo imediato da Aliança Popular era a conquista da maioria no Congresso, fortalecendo a oposição na luta contra a “oligarquia varguista”. O programa fazia também severas críticas ao governo Vargas, acusando-o de corrupto, demagógico e de executar uma verdadeira “ditadura econômica” através do Banco do Brasil e dos orçamentos paralelos ao orçamento nacional.

Em 7 de julho, foi formada no estado do Rio de Janeiro a Aliança Popular Fluminense, com uma linha política semelhante à da Aliança Popular do Distrito Federal. Resultado de uma coligação entre a UDN, o PDC, o Partido de Representação Popular (PRP), o PR e dissidentes do PTB, do PSD e do PSB, a Aliança Popular Fluminense apoiou as candidaturas de José Carlos Pereira Pinto e Horácio de Carvalho Júnior, respectivamente, para governador e vice-governador do estado.

A lista da Aliança Popular contra o Roubo e o Golpe que efetivamente concorreu em 3 de outubro sofreu algumas alterações em relação à apresentada no início de 1954. Além da saída dos socialistas, os nomes do dissidente democrata-cristão Hildebrando Leal e do udenista Jorge Jabour também foram retirados. Por outro lado, foram incluídos os candidatos Ciro Assunção, Maria Rita de Andrade, Clementino Fraga, Dirceu Quintanilha e Dario Bartolomeu.

De um total de 19 candidatos, a Aliança Popular conseguiu eleger seis: Carlos Lacerda, que foi o deputado mais votado do Distrito Federal, Odilon Braga, Mário Martins, Adauto Lúcio Cardoso, Frota Aguiar e Gurgel do Amaral. Depois de eleitos, os dois últimos desligaram-se do PTB e ingressaram, respectivamente, nas bancadas da UDN e do PR. O candidato da aliança ao Senado, Hamilton Nogueira, não conseguiu reeleger-se, sendo derrotado por Aguinaldo Caiado de Castro e Gilberto Marinho.

Sérgio Lamarão

 

FONTES: HENRIQUES, A. Ascensão; Tribuna da Imprensa (1954).

 

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