COMERCIO DE COMPENSACAO

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Nome: COMÉRCIO DE COMPENSAÇÃO
Nome Completo: COMERCIO DE COMPENSACAO

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:
COMÉRCIO DE COMPENSAÇÃO

COMÉRCIO DE COMPENSAÇÃO

 

Entre as conseqüências importantes da crise econômica mundial que se estabeleceu a partir de 1929, incluiu-se a tendência de inúmeros países no sentido de abandonar a livre conversibilidade de suas moedas e de canalizar seu comércio através de acordos bilaterais com base em troca de mercadorias ou em contas de compensação com aplicação estritamente bilateral.

No caso do Brasil, seu principal parceiro comercial, os Estados Unidos — cujo balanço de pagamentos com o Brasil era deficitário —  adotou a defesa do multilateralismo, especialmente a partir de 1933, como peça básica de sua política econômica internacional. O Reino Unido, por outro lado, embora tivesse empregado artifícios bilaterais no caso de países com os quais seu balanço de pagamentos era deficitário, como por exemplo a Argentina, não podia adotar tal política no caso brasileiro, pois o balanço bilateral de pagamentos lhe era favorável. Apenas a Alemanha e, em menor medida, em vista da escassa importância relativa, a França e a Itália adotaram de forma sistemática dispositivos de canalização dos pagamentos internacionais nas suas relações com o Brasil.

Entre estes casos, o da Alemanha foi de longe o mais importante, pois entre 1934 e 1939 todas as relações econômicas teuto-brasileiras foram regidas por acordos — explícitos ou implícitos — de compensação de pagamentos. À luz destes acordos de compensação, o comércio entre o Reich e o Brasil expandiu-se notavelmente: a participação alemã nas importações totais brasileiras cresceu de 12% em 1933 até um máximo de 20% em 1938, evolução similar à que caracterizou a importância relativa das exportações para a Alemanha em relação às exportações totais.

O rápido aumento das exportações alemãs para o Brasil deveu-se primordialmente ao deslocamento de tradicionais exportações britânicas (carvão, cimento, folha de flandres, arames, equipamento elétrico, trilhos) e, em menor escala, de algumas exportações norte-americanas de bens de consumo durável. Em termos agregados, entretanto, a importância relativa dos produtos importados norte-americanos no mercado brasileiro também cresceu, embora menos dramaticamente, durante o período.

No caso das exportações brasileiras para a Alemanha, boa parte dos ganhos brasileiros realizou-se a expensas das exportações norte-americanas para aquele mercado, especialmente de algodão, que decresceram como resultado de recusa norte-americana em negociar em marcos de compensação.

Durante o período 1934-1939, acumularam-se protestos norte-americanos em relação à expansão do comércio teuto-brasileiro de compensação, com base no argumento de que tal forma de comércio constituía dumping, e que era, além disto, discriminatória, pois assegurava pronta liquidação dos créditos alemães enquanto os credores em moedas conversíveis eram obrigados muitas vezes a esperar o lento descongelamento de atrasados comerciais.

Aplacar a ira norte-americana e assegurar as condições para a expansão do comércio de compensação tornaram-se, portanto, o objetivo fundamental da política econômica externa no período. De um lado os Estados Unidos continuaram a ser mercado fundamental para as exportações brasileiras. De outro, à luz dos interesses de vários setores da sociedade brasileira, era interessante a expansão do comércio com a Alemanha. Neste caso estavam os exportadores (que não dispunham de mercados alternativos para seus produtos), importadores e consumidores (pois os produtos alemães eram competitivos em relação aos de outras procedências) e as forças armadas (pois o comércio de compensação tornara viável seu reequipamento sem dispêndio de divisas conversíveis).

É importante ressaltar, quanto ao interesse militar nos acordos de compensação, que a possibilidade de colocação de encomendas militares na Alemanha resultou de sugestão alemã decorrente de preocupação quanto à acumulação de saldos brasileiros em Berlim e não de qualquer iniciativa do Estado-Maior do Exército. A principal encomenda brasileira ao Reich no período do comércio de compensação foi gerada pelo programa de reequipamento da artilharia do Exército, num contrato equivalente a cerca de oito milhões de libras.

Parece razoável atribuir o sucesso brasileiro em conciliar os interesses nacionais relacionados ao comércio de compensação com a permanente oposição norte-americana mais à paciência norte-americana — que pode ser explicada pela estratégia norte-americana em relação ao papel a ser desempenhado pelo Brasil na América Latina — do que a especiais virtudes negociadoras das autoridades brasileiras.

 

Marcelo de Paiva Abreu

colaboração especial

 

 

FONTES: ABREU, M. Brazil; DANTAS, M. História; HILTON, S. Brazil.

 

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