CORREIO BRAZILIENSE

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Nome: CORREIO BRAZILIENSE
Nome Completo: CORREIO BRAZILIENSE

Tipo: TEMATICO


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CORREIO BRAZILIENSE

 

Primeiro jornal de Brasília, nascido junto com a nova capital federal em 21 de abril de 1960. O jornal retomava o nome do Correio Braziliense de Hipólito José da Costa, editado em Londres entre os anos de 1808 e 1822. A edição inaugural somava 108 páginas, a maior parte delas no caderno comemorativo da inauguração da cidade.

 

Origens e trajetória

Ao tomar a decisão de construir uma cidade que viria a ser a nova capital da República, deslocando-a do Rio de Janeiro, o presidente Juscelino Kubitschek obteve do proprietário dos Diários Associados, Assis Chateaubriand, cético ante a magnitude do empreendimento, a promessa de que se a obra fosse levada a termo no tempo previsto teria a acompanhá-la, registrando-lhe o nascimento, um jornal de sua cadeia. O novo jornal se tornaria de fato o principal diário impresso da cadeia dos Diários Associados.

A tiragem do Correio Braziliense, que em 1963 era de 1.500 exemplares, atingiu 24.500 exemplares em 1969. Na década de 1980, o aumento da população da capital foi acompanhado pelo aumento da tiragem do jornal, que ultrapassou os 30 mil exemplares diários. Em 2008, a circulação média diária chegou a 53 mil exemplares, atingindo uma média de 92 mil exemplares aos domingos, de acordo com o Instituto Verificador de Circulação (IVC). O Correio Braziliense consolidou assim sua posição como o principal jornal de Brasília, tornou-se o diário de maior circulação do Centro-Oeste e passou a figurar entre os 20 jornais diários de maior circulação do Brasil.

A proposta de ocupar o espaço em um mercado ainda nascente e que se ampliaria ao longo dos anos foi acompanhada de uma identificação entre o jornal e a cidade de Brasília. Inicialmente, assuntos relacionados à fixação da nova capital tiveram destaque nas páginas do Correio. Mais tarde, temas como preservação e alterações do projeto urbanístico da cidade e questões relacionadas ao aumento da população, como problemas habitacionais e no trânsito da cidade, receberiam destaque. O peso dos funcionários públicos na economia e na política da capital foi replicado pelo destaque atribuído aos assuntos relativos ao funcionalismo, que compunha um segmento importante dos leitores do jornal. 

Ao longo de sua história, o Correio Braziliense oscilou entre manter o caráter local e buscar estar entre os principais jornais diários brasileiros. A relação com o cotidiano da cidade de Brasília e, sobretudo após a reforma de 2009, com o cotidiano das demais cidades do Distrito Federal (que têm, juntas, aproximadamente o dobro da população de Brasília), é parte importante da identidade do jornal. Ao mesmo tempo, o fato de estar situado na capital do país fez com que tivesse uma presença destacada nos órgãos públicos federais e entre os parlamentares. A proximidade com o cotidiano da política na capital e com fontes (técnicas e políticas) do governo federal tornou o noticiário político diferenciado do de outros jornais brasileiros com perfil local. Em 1988, no momento em que o destaque entre as notícias ia para os trabalhos na Constituinte, o jornal criou sua própria agência de notícias, a Agência de Notícias dos Diários Associados (Anda). A agência teve correspondentes em diversas capitais do país e seu material circulou entre os órgãos dos Diários Associados.

Alguns dos episódios marcantes na trajetória política recente do Correio, no entanto, estiveram relacionados a conflitos ou aproximações com a política local do Distrito Federal. O afastamento do jornalista Ricardo Noblat do cargo de diretor de redação, em 2002, esteve ligado à polarização da política distrital, sobretudo ao longo da década de 1990, entre os ex-governadores Joaquim Roriz, que foi governador pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e Cristovam Buarque, que governou pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

A primeira reforma importante do Correio Braziliense aconteceu em 1976 e foi conduzida pelo jornalista Evandro de Oliveira Bastos, que assumia a chefia da redação em substituição a Ari Cunha. A reforma de 1976 foi motivada pelo crescimento do Jornal de Brasília, principal concorrente do Correio na capital. Foi também a partir desse momento que a divisão das tarefas na redação se acentuou, orientada por uma especialização maior dos assuntos e uma delimitação mais clara entre as editorias, acompanhando mudanças que ocorriam no jornalismo brasileiro. A década de 1980 seria marcada pela troca da direção do jornalismo, que passaria para o jornalista Ronaldo Junqueira (1982-1990). O cargo passaria, mais tarde, para as mãos dos jornalistas Luis Adolfo (1990-1993), Ricardo Noblat (1993-2002) e Josemar Gimenez, que assumiu a direção de redação a partir de 2002, acumulando esse cargo no Correio e no Estado de Minas, jornal diário de Belo Horizonte que também faz parte da cadeia dos Diários Associados. A morte de Edilson Cid Varela, que foi diretor da empresa desde a década de 1960, levou o jornalista Paulo Cabral à direção empresarial do Correio e imprimiu novas orientações ao jornal, com uma acentuação das preocupações empresariais na definição das rotinas jornalísticas. Paulo Cabral ocupou a presidência do Condomínio Acionário dos Diários Associados por 22 anos, até sua morte em 2009.

As reformas gráficas e editoriais realizadas a partir da década de 1990, com destaque para a de 1996, renderam visibilidade Correio Braziliense e o principal prêmio da Society for News Design, o World’s Best Designed Paper, no ano de 1998. A reforma de 1996 introduziu novos cadernos, como os de Esportes, Veículos, Informática e Turismo, e modificou a identidade visual do jornal. Desde então, o Correio passou por mais três reformas. A de 2000, como a de 1996, foi feita por Ricardo Noblat. As duas últimas, de 2003 e 2009, foram coordenadas por Josemar Gimenez, que substituiu Noblat na direção de redação. A reforma de 2009 apresentou uma série de modificações, entre as quais se destacam a ampliação do caderno Cidades (que circula no jornal desde 1990) e a intenção de reforçar o portal de informações do jornal na internet, estabelecendo uma maior interatividade com os leitores, de acordo com a tendência atual da mídia impressa nacional e internacional.

A página de serviços e notícias na internet entrou no ar em 1996. Desde então, passou por várias reformas e mudanças de nome. Nasceu como correiobraziliense.com.br, tornou-se correioweb.com.br em 1997, mantendo-se desde então as duas versões. Desde abril de 2008, o primeiro endereço passou a ser apresentado como o portal de conteúdo do jornal.

Ao longo de sua existência, o Correio Braziliense recebeu várias premiações importantes do jornalismo nacional e internacional. Até 2008, o jornal havia recebido 14 prêmios Esso de jornalismo e 84 prêmios da Society for News Design, além dos prêmios Embratel, Ayrton Senna, Vladimir Herzog, Ethos e Jornalista Amigo da Criança (da Agência de Notícias dos Direitos da Infância, Andi), entre outros.

 

Flávia Biroli (colaboração especial)

 

FONTES: CARNEIRO, G. Brasil, primeiro; Correio Braziliense (1/6/08); MORELLI, A.L.F. Correio Braziliense; PRÊMIO ESSO; Rev. de Comunicação (1986); SODRÉ, N. História da imprensa.

 

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